Acervo, fotografias e experiências interativas fazem parte de iniciativa gratuita para aproximar paulistanos da fauna que vive na maior metrópole brasileira
São Paulo costuma ser associada ao concreto, aos arranha-céus e ao ritmo acelerado de uma das maiores metrópoles do mundo. Com mais de 1.500 quilômetros quadrados e população superior a 11 milhões de habitantes, porém, a capital paulista também abriga uma fauna silvestre expressiva, distribuída entre parques, praças, jardins, quintais e fragmentos de vegetação. O canto do sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) nas primeiras horas do dia e a presença constante de bem-te-vis (Pitangus sulphuratus) são sinais de uma biodiversidade que acompanha silenciosamente a rotina urbana.
Para aproximar essa realidade do público, o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP) inaugurou ontém (18/08) a exposição bilíngue “Existe Bicho em SP?”, no Shopping Center 3, na Avenida Paulista. Integrada ao projeto Caminhos da Arte, a mostra reúne espécimes preservados do acervo científico, fotografias da fauna paulistana e experiências interativas. A iniciativa apresenta aves, mamíferos, répteis, anfíbios e insetos encontrados em diferentes regiões da cidade, transformando conhecimento científico em uma experiência acessível para moradores, trabalhadores e visitantes.

escondida na maior metrópole brasileira

para a Avenida Paulista, com exposição que revela espécies
silvestres que vivem em diferentes regiões da capital
A proposta também amplia a percepção sobre o papel da biodiversidade urbana na qualidade ambiental e na vida cotidiana. Muitas espécies passam despercebidas em meio à intensa movimentação da cidade, embora estejam presentes em ambientes próximos da população. Ao revelar essa fauna, a exposição contribui para uma compreensão mais ampla dos ecossistemas urbanos e de sua importância para o equilíbrio ambiental. Conhecer as espécies que compartilham o território é também uma forma de estimular atitudes responsáveis de conservação e convivência com a natureza.
A programação inclui oficinas de fotografia de natureza, atividades artísticas, rodas de conversa com pesquisadores e ações de ciência cidadã. Projetos como “BioBusca” e “Vem Passarinhar Sampa” incentivam a população a observar e registrar animais em áreas verdes, como nos parques da cidade, incluindo o Trianon e o da Independência, em parceria com a plataforma iNaturalist e a Divisão de Fauna Silvestre da Prefeitura de São Paulo. O registro colaborativo da fauna urbana gera informações úteis para pesquisadores e gestores públicos, ampliando o conhecimento sobre distribuição, ocorrência e dinâmica das espécies dentro da metrópole.

mamíferos, répteis, anfíbios e insetos e está presente em
parques, praças, jardins e fragmentos de vegetação

ampliar ações de conservação nas cidades
A mostra resulta de uma curadoria colaborativa envolvendo 24 alunos e cinco docentes do Programa de Pós-Graduação em Sistemática, Taxonomia Animal e Biodiversidade do MZ-USP, além do Núcleo de Fotografia Científica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A participação dos estudantes alcançou diferentes etapas, da concepção à montagem e às atividades educativas. Para as instituições envolvidas, levar ciência e acervo zoológico para um espaço de grande circulação amplia o acesso ao conhecimento e aproxima universidade, sociedade e políticas de conservação.
“Existe Bicho em SP?” permanece aberta até 31 de outubro, com entrada gratuita e classificação livre, no Shopping Center 3, na Avenida Paulista, 2.064, Cerqueira César. O espaço funciona de segunda a sábado, das 8:00 às 22:00, e aos domingos e feriados, das 10:00 às 22:00. Também estão previstas atividades gratuitas nos dias 23 e 30 de agosto. Ao colocar a fauna paulistana no centro da atenção, a iniciativa reforça uma mensagem essencial: preservar a biodiversidade urbana começa por reconhecer que a cidade também é habitat.