Novo guia técnico orienta bares e restaurantes na compra segura de pescado e no combate a fraudes recorrentes no setor como troca de espécies e glaciamento excessivo
A cadeia do pescado brasileiro ganhou uma ferramenta de governança comercial. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, em parceria com a Associação Brasileira de Fomento ao Pescado, lançou um guia técnico para compra e conservação segura de pescados voltado a empresários, compradores e equipes de cozinha do food service. Disponível gratuitamente, o “Guia Técnico para compra e conservação segura de pescados em bares e restaurantes” reúne diretrizes operacionais para escolher, conservar e utilizar o pescado com segurança nos estabelecimentos.
A motivação tem base concreta. Entre as práticas irregulares mais recorrentes no mercado estão a troca de espécies de maior valor comercial por opções de menor custo e o excesso de glaciamento, técnica que adiciona camada desproporcional de gelo ao produto congelado para inflar o peso líquido. Em ambos os casos, o comprador paga caro por um bem que não corresponde ao declarado, e o consumidor final recebe um produto diferente do anunciado no cardápio.

de conservação do pescado na recepção das entregas
O conteúdo orienta a padronização da recepção de insumos, com critérios objetivos de avaliação na entrega, verificação de rotulagem e identificação de irregularidades. A lógica é simples: quando o estabelecimento sabe exatamente o que exigir do fornecedor, protege o consumidor e evita pagar preço de produto nobre por mercadoria de menor valor. As orientações abrangem ainda as condições de conservação necessárias para manter a qualidade e a segurança do alimento da compra ao preparo.
O timing é estratégico. O food service brasileiro vive momento de expansão, com a abertura de centenas de milhares de novos negócios nos últimos anos, a maioria microempreendedores individuais sem estruturas de compra sofisticadas. Para esse público, a cartilha funciona como manual de defesa comercial, reduzindo riscos que comprometem margens já apertadas. A iniciativa também dialoga com o poder público, que lançou manual de inspeção para identificar substituições de espécies em produtos da pesca e da aquicultura.
Do ponto de vista sistêmico, o material contribui para a profissionalização da cadeia do pescado, setor que precisa ampliar o consumo per capita no Brasil. Combater fraudes é valorizar quem produz com qualidade, seja da aquicultura ou da pesca extrativa, e reconstruir a confiança do consumidor. Para o agronegócio, iniciativas assim conectam os elos da cadeia em torno de transparência e rastreabilidade, atributos cada vez mais decisivos na disputa pelo consumidor e nos mercados internacionais.
Acesse a cartilha “Guia Técnico para compra e conservação segura de pescados em bares e restaurantes” CLICANDO AQUI.