Evento funciona como uma oficina livre da Década do Oceano, trazendo os avanços dos últimos anos e os desafios tecnológicos para a sustentabilidade
A Década do Oceano (2021-2030), iniciativa da Organização das Nações Unidas para a ciência oceânica, atravessa seu ponto médio em um momento em que o Brasil reescreve a agenda nacional de pesquisa marinha, com a Universidade de São Paulo em posição central nesse processo. No dia 23 de setembro, a Escola Politécnica e o Instituto Oceanográfico realizam o Workshop Comemorativo NAP-Oceanos, evento que celebra os 70 anos do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica e marca a retomada do Núcleo de Apoio à Pesquisa para um Oceano Sustentável (NAP-OceanoS). Mais do que uma efeméride acadêmica, o encontro atua como oficina livre oficial da Década do Oceano, promovida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), e integra o esforço de atualização do Plano Nacional de Implementação da Década, instrumento que orienta a política brasileira até 2030.
A pauta central é a transição digital para um oceano sustentável, um tema que ultrapassa os muros da universidade. Os painéis mapeiam avanços e desafios no uso de ciência de dados, modelagem numérica e gêmeos digitais na gestão marinha, com contribuições do INPE, do Cenpes – Centro de Pesquisas da Petrobras, e de pesquisadores da própria Poli. Na prática, o objetivo é transformar o oceano em um território cada vez mais observável, mensurável e previsível, condição essencial para qualquer atividade econômica que dependa do mar.

para apoiar a navegação e as operações marítimas

sustentável do aproveitamento dos recursos do mar
Para o agronegócio, o interesse no encontro está longe de ser periférico. A maior parte das exportações brasileiras de grãos e proteínas escoa por portos que convivem, há décadas, com a imprecisão de marés, ondas e correntes, e as ferramentas digitais de projeto e análise de operações marítimas e portuárias, um dos temas do evento, podem reduzir esperas, ampliar a segurança das manobras e dar previsibilidade à logística da safra. O mar, afinal, é a infraestrutura invisível que conecta o campo brasileiro aos mercados da Ásia, da Europa e do Oriente Médio.
Há ainda a dimensão climática, que aproxima o oceano da rotina do produtor. As correntes do Atlântico Sul, objeto de uma das palestras, interferem no regime de chuvas de parte do continente, e o monitoramento por satélite passa a subsidiar previsões que orientam do planejamento da safra à gestão dos reservatórios. Em um país em que a renda do campo acompanha o comportamento do clima, a ciência do mar deixou de ser assunto exclusivo da academia para se tornar insumo de decisão nas fazendas e nas empresas do setor.

Terra, e os bancos de corais são verdadeiros “oásis”
marinhos, concentrando cerca de 25% de toda a vida
marinha em menos de 0,1% da superfície dos oceanos

mais emblemáticas e importantes da rica fauna marinha
do Brasil, utilizando o litoral brasileiro tanto para
alimentação quanto para reprodução e desempenhando um
papel ecológico vital no equilíbrio dos ecossistemas costeiros
O potencial econômico do mar brasileiro confere escala ao debate. A Amazônia Azul, faixa marinha sob jurisdição nacional, sustenta uma economia azul em expansão, que reúne pesca, aquicultura, energia offshore e turismo costeiro, e estudos internacionais estimam que o oceano, se contabilizado como economia, figuraria entre as maiores do mundo. Para o setor agroalimentar, a fronteira inclui ainda novas proteínas e insumos de origem marinha, um campo que deve ganhar relevância nas próximas décadas e em que o país parte com vantagem natural.
O workshop ocorre das 8:00 às 12:30 na Sala Santos Brasil, no prédio das Engenharias da Cidade Universitária, em São Paulo, e reúne pesquisadores, órgãos públicos e setores produtivos em torno da pergunta central da década: como transformar conhecimento oceânico em soluções concretas para a sociedade? As contribuições levantadas em oficinas como esta alimentarão a atualização do Plano Nacional da Década, cuja nova versão deve estar consolidada até 2027. Em um período decisivo para o futuro dos oceanos, o Brasil busca converter ciência em competitividade, e o agronegócio é parte essencial dessa equação.
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