Guia de boas práticas orienta avistamento responsável de baleias-jubarte no litoral carioca

A recuperação populacional das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) transformou o litoral do Rio de Janeiro em um dos principais destinos brasileiros para observação de cetáceos durante o inverno. Entre os meses de junho e agosto, milhares de animais percorrem aproximadamente 10 mil quilômetros desde as águas frias da Antártica até o litoral brasileiro, em uma das maiores migrações do planeta. O fenômeno fortalece o turismo ecológico, amplia o interesse pela conservação marinha e reforça o papel do Rio como importante corredor de passagem dessas espécies.

A população de baleias que visita o Brasil alimenta-se nas regiões das Ilhas Sandwich do Sul e Geórgia do Sul antes de iniciar sua jornada rumo às águas mais quentes do Atlântico Sul. O principal destino é o litoral da Bahia, especialmente o Arquipélago de Abrolhos, reconhecido como a mais importante área reprodutiva das jubartes no país. Durante esse deslocamento, os animais cruzam o litoral fluminense, proporcionando uma oportunidade única para pesquisadores, operadores turísticos e observadores da natureza acompanharem de perto esse espetáculo natural.

Os filhotes desempenham papel central nessa migração. Nascidos com reservas limitadas de gordura corporal, dependem das águas mais quentes do litoral brasileiro para completar seu desenvolvimento antes de enfrentar novamente as baixas temperaturas do sul. Nesse contexto, a preservação das rotas migratórias e a redução de interferências humanas tornam-se fundamentais para garantir o sucesso reprodutivo da espécie e a manutenção dos avanços conquistados em sua recuperação populacional.

Jubartes percorrem cerca de 10 mil quilômetros por ano. Baleia dá espetáculo em Ipanema - Foto: Gabriel Klabin
Jubartes percorrem cerca de 10 mil quilômetros por ano.
Baleia dá espetáculo em Ipanema – Foto: Gabriel Klabin
Monitoramento científico acompanha a passagem das baleias. Cinco jubartes nadando juntas - Foto: Gabriel Klabin
Monitoramento científico acompanha a passagem
das baleias. Cinco jubartes nadando juntas
Foto: Gabriel Klabin

Turismo em expansão exige responsabilidade e planejamento

O crescimento da presença das jubartes no litoral carioca impulsionou uma nova frente do turismo sustentável na cidade. Os passeios de observação em mar aberto passaram a integrar o calendário de inverno do Rio de Janeiro, atraindo turistas interessados em experiências ligadas à natureza e à conservação ambiental. As saídas costumam ocorrer nas primeiras horas da manhã, partindo da Marina da Glória em direção a áreas localizadas a cerca de 10 quilômetros da costa, onde há maior probabilidade de avistamento dos animais.

Com o aumento da procura, surgiu também a necessidade de reforçar orientações voltadas à segurança e ao respeito à fauna marinha. Para atender essa demanda, o VisitRio lançou um guia de boas práticas para o avistamento responsável de baleias-jubarte, elaborado em parceria com as empresas Let’s Go Sea e Saveiros Tour, operadoras especializadas em passeios de observação. O material reúne recomendações destinadas a turistas, tripulações e empresas do setor, promovendo um modelo de turismo alinhado aos princípios da sustentabilidade e da conservação dos ecossistemas marinhos. O material foi elaborado com base em normas do Ibama e em protocolos do Instituto Baleia Jubarte.

Entre as principais orientações estão a manutenção de uma distância mínima de 100 metros dos animais, a proibição de interceptar sua rota de deslocamento e o respeito aos protocolos estabelecidos por órgãos ambientais e instituições de pesquisa. A iniciativa ganha relevância diante da constatação de que a maior parte das embarcações ainda não segue integralmente as normas de observação, aumentando o risco de estresse para os animais e comprometendo a qualidade da experiência turística.

Turismo ecológico cresce com a temporada das jubartes no litoral do Rio de Janeiro e avistamento responsável contribui para a conservação marinha
Turismo ecológico cresce com a temporada das
jubartes no litoral do Rio de Janeiro e avistamento
responsável contribui para a conservação marinha
As Ilhas Cagarras tornaram-se ponto frequente de observação e o guia orienta operadores e turistas sobre boas práticas durante o avistamento das baleias
As Ilhas Cagarras tornaram-se ponto frequente de
observação e o guia orienta operadores e turistas sobre
boas práticas durante o avistamento das baleias

Conservação, segurança e educação ambiental

Pesquisadores alertam que as jubartes chegam ao litoral brasileiro após uma longa migração e nem sempre apresentam condições nutricionais ideais. A aproximação excessiva de embarcações pode provocar alterações comportamentais, obrigando os animais a gastar energia adicional para evitar o contato com barcos. Por isso, o turismo de observação precisa ser conduzido de forma responsável, garantindo que a atividade gere benefícios econômicos sem comprometer o bem-estar da espécie.

Além da preservação ambiental, a segurança das operações marítimas também merece atenção. Os passeios ocorrem em oceano aberto, onde fatores como vento, correntes e ondulação podem variar rapidamente. Baleias adultas podem atingir até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas, o que exige preparo técnico das tripulações e respeito rigoroso aos protocolos de navegação. Mesmo aproximações consideradas leves podem representar riscos para embarcações e passageiros.

A quase 400 metros de altura, os olhares ficam atentos para as águas do Rio no observatório de baleias jubarte Parque Bondinho Pão de Açúcar, na Urca, Zona Sul do Rio
A quase 400 metros de altura, os olhares ficam atentos para
as águas do Rio no observatório de baleias jubarte Parque
Bondinho Pão de Açúcar
, na Urca, Zona Sul do Rio

A observação das jubartes não se restringe ao ambiente marítimo. O monitoramento realizado em terra tem contribuído para ampliar o conhecimento científico sobre a espécie. No Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar (Parque do Bondinho) abriga o primeiro ponto permanente de observação de baleias da cidade, onde pesquisadores utilizam equipamentos ópticos de longo alcance para acompanhar o corredor migratório sem interferir no comportamento dos animais. Essa atividade reforça o valor da ciência na conservação marinha.

O avanço do turismo de observação também representa uma oportunidade para fortalecer a educação ambiental. Além das jubartes, os passeios frequentemente registram golfinhos, botos, pinguins e outras espécies marinhas, ampliando a conexão do público com os ecossistemas oceânicos. Especialistas destacam que o turismo ecológico é uma importante ferramenta de sensibilização e conservação, pois aproxima as pessoas da biodiversidade e contribui para a construção de uma cultura voltada à proteção dos oceanos e ao uso sustentável dos recursos naturais.

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