Manchetes da semana – 25 a 31-01-2025

Alta da lã reacende oportunidades para a ovinocultura gaúcha

A redução dos estoques de lã em importantes países produtores, como Austrália, China e Argentina, elevou as cotações internacionais e criou um ambiente favorável para a ovinocultura brasileira, especialmente no Rio Grande do Sul, responsável por 93% da produção nacional de lã, segundo o IBGE. Em dois anos, a valorização da fibra chegou a 70%, ampliando a rentabilidade dos criadores. Paralelamente, a certificação da lã, baseada em rastreabilidade, qualidade e padronização, amplia o acesso a mercados mais exigentes e pode elevar a remuneração em até 100% nas lãs finas. Ao completar cinco anos, o Programa de Lã Certificada da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) busca ampliar a participação de pequenos produtores, embora ainda enfrente desafios relacionados à capacitação técnica, logística, maior integração da indústria têxtil e expansão da agregação de valor à produção nacional.

Projeto quer restaurar 600 mil hectares e acelerar a recuperação ambiental

A restauração da vegetação nativa, considerada estratégica para a agenda climática, a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade do agronegócio, ganha novo impulso com o lançamento do Projeto Restaura Biomas, coordenado pela União pela Restauração e executado pelo WRI Brasil, em parceria com CI-Brasil, TNC Brasil e WWF-Brasil. A iniciativa contribuirá para a meta nacional de restaurar 12 milhões de hectares até 2030, prevista na Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), colocando 600 mil hectares em processo de recuperação, promovendo práticas sustentáveis em 1,2 milhão de hectares, evitando a emissão de 34 milhões de toneladas de CO₂e e beneficiando diretamente 150 mil pessoas, com participação mínima de 35% de mulheres. O projeto reúne políticas públicas, finanças verdes, governança, cadeias produtivas da restauração e mecanismos de atração de investimentos, considerando as particularidades de cada bioma brasileiro. Estruturada em ações territoriais, de mercado e de apoio à implementação do Código Florestal, a iniciativa busca ampliar a escala da restauração por meio da integração entre governos, setor privado, investidores, organizações da sociedade civil e comunidades locais, criando um ambiente mais favorável à recuperação ambiental e ao desenvolvimento econômico sustentável.

Crédito amplia capacidade de investimento da cadeia brasileira do pescado com recursos para inovação e competitividade das exportações
Crédito amplia capacidade de investimento da cadeia
brasileira do pescado com recursos para inovação
e competitividade das exportações

Plano Brasil Soberano libera crédito para setor de pescado

A sanção da Lei nº 15.473 de 22 de julho de 2026 ampliou o alcance do Plano Brasil Soberano, disponibilizando R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por barreiras tarifárias e instabilidades no comércio internacional, com inclusão direta da cadeia da pesca e da aquicultura. A medida, estruturada com recursos do Tesouro Nacional e do BNDES, busca preservar a capacidade produtiva, manter empregos e ampliar a competitividade das exportações brasileiras diante de um cenário global mais restritivo. As linhas de financiamento contemplam capital de giro, modernização tecnológica, aquisição de equipamentos, expansão de instalações e estratégias para abertura de novos mercados internacionais. Os recursos também poderão ser aplicados em rastreabilidade, certificações ambientais, conformidade sanitária e demais exigências dos compradores externos, fatores cada vez mais relevantes para o acesso aos mercados. O programa atende empresas exportadoras de pescado, aquicultura e derivados, além de fornecedores diretamente vinculados à atividade, condicionando o acesso ao crédito ao compromisso de manter ou ampliar os postos de trabalho. A iniciativa representa uma resposta institucional voltada à estabilidade financeira do setor, ao aumento da competitividade, à diversificação das exportações e à agregação de valor à cadeia produtiva do pescado.

Brasil para amplia parceria estratégica com a Coreia do Sul

Brasil e Coreia do Sul ampliaram a cooperação bilateral com a assinatura de cinco acordos estratégicos durante a visita oficial do presidente Lee Jae-myung a Brasília. Os entendimentos consolidaram a Parceria Estratégica Brasil-Coreia do Sul e deu continuidade ao Plano de Ação 2026-2029, voltado à ampliação da cooperação econômica, tecnológica e institucional, abrangendo energia, tecnologia industrial, atividades espaciais, educação e esportes, com foco na ampliação da inovação, da cooperação científica e da atração de investimentos. Na área energética, a parceria prioriza biocombustíveis, transição energética e iniciativas voltadas à economia de baixo carbono. Também foram definidos avanços em pesquisa e desenvolvimento, inteligência artificial, semicondutores, economia digital e manufatura avançada, além da ampliação da cooperação espacial, incluindo projetos relacionados ao Centro de Lançamento de Alcântara. Os governos ainda aprofundaram o diálogo sobre minerais críticos e sinalizaram a retomada das negociações para um acordo comercial entre Mercosul e Coreia do Sul, iniciativa que pode ampliar o comércio, estimular investimentos e criar novas oportunidades para o agronegócio brasileiro e outros segmentos estratégicos da economia. A Coreia do Sul figura como o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia, movimentando US$ 10,8 bilhões em intercâmbio no último ano e consolidando sua posição entre os principais investidores estrangeiros no país.

Vacina russa contra o câncer apresenta primeiros resultados promissores

O primeiro paciente a receber uma vacina personalizada de mRNA contra o câncer, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, apresentou resposta imunológica positiva durante o tratamento de melanoma cutâneo. O protocolo terapêutico segue em andamento, com novas doses previstas para avaliar a evolução clínica e a segurança da estratégia. Paralelamente, o Ministério da Saúde da Rússia anunciou a incorporação futura dessas terapias ao sistema público de saúde, enquanto o país amplia pesquisas com vacinas de mRNA, vacinas peptídicas e vírus oncolíticos. Outro destaque é o uso de inteligência artificial para identificar mutações genéticas e desenvolver tratamentos mais direcionados, ampliando a precisão da oncologia personalizada. Embora os resultados iniciais sejam considerados promissores, a eficácia e a aplicação em larga escala ainda dependem da conclusão dos estudos clínicos e da validação científica.

Manutenção preventiva amplia a eficiência das usinas solares, reduzindo perdas e evitando paradas operacionais
Manutenção preventiva amplia a eficiência das usinas solares,
reduzindo perdas e evitando paradas operacionais

Operação e manutenção ganham protagonismo no mercado de energia solar

Com 64,6 GW de capacidade instalada, mais de R$ 300 bilhões em investimentos acumulados e participação de 24,5% na matriz elétrica brasileira, segundo Aneel e ABSOLAR, a energia solar fotovoltaica entra em uma fase de consolidação na qual a operação e manutenção (O&M) passam a ser fatores decisivos para a rentabilidade dos empreendimentos. Especialistas alertam que a ausência de manutenção preventiva pode reduzir em até 20% a eficiência das usinas, enquanto a reposição de componentes críticos pode levar até 60 dias, comprometendo a geração de energia e a receita dos investidores. O crescimento da demanda por serviços especializados inclui monitoramento remoto, limpeza de módulos, controle da vegetação, inspeção de inversores, análises termográficas e acompanhamento contínuo do desempenho operacional. A identificação rápida de falhas em equipamentos, surtos elétricos, sombreamento e acúmulo de sujeira evita perdas prolongadas e reduz custos com intervenções corretivas. Em um mercado cada vez mais competitivo, empresas com ampla cobertura logística, equipes técnicas qualificadas e resposta ágil consolidam uma vantagem estratégica, contribuindo para ampliar a disponibilidade das usinas, otimizar a produtividade e assegurar maior previsibilidade aos investimentos em energia renovável.

Governo brasileiro recorre à OMC para contestar tarifas de Trump

O governo brasileiro formalizou na Organização Mundial do Comércio (OMC) um pedido de consultas para contestar as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais, classificadas pelo Itamaraty como incompatíveis com as regras do comércio internacional. As sobretaxas de 25% e 12,5%, aplicadas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, envolvem questionamentos relacionados a comércio digital, propriedade intelectual, etanol, desmatamento ilegal, serviços de pagamento eletrônico e alegações sobre mecanismos de combate ao trabalho forçado. Para o Brasil, as medidas contrariam compromissos assumidos pelos EUA no âmbito do GATT 1994 e do sistema de solução de controvérsias da OMC. O pedido de consultas inaugura a fase formal de negociação entre os dois países, com prazo de 60 dias para uma solução consensual. Sem acordo, o Brasil poderá solicitar a instalação de um painel de especialistas para analisar o litígio, elevando a disputa ao nível contencioso do organismo multilateral.

Índia passa a ser grande mercado para o agronegócio brasileiro

A Índia consolida sua posição como um dos mercados mais estratégicos para o agronegócio brasileiro, ampliando oportunidades para a diversificação das exportações e a redução da dependência de destinos tradicionais. Com uma população superior a 1,4 bilhão de habitantes, crescimento da renda e expansão da classe média, o país amplia a demanda por alimentos e produtos de maior valor agregado. Em 2025, as exportações brasileiras do setor alcançaram US$ 2,8 bilhões, com crescimento de 47% no primeiro trimestre, e a expectativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) é atingir US$ 9 bilhões até 2030. Segmentos como açúcar, etanol, algodão, óleos vegetais, genética bovina, feijões e pulses despontam entre os mais promissores. A ampliação das parcerias comerciais e técnicas, aliada ao uso estratégico do crédito rural e aos investimentos em produtividade, amplia a competitividade brasileira e cria condições para uma presença mais consistente no mercado indiano ao longo dos próximos anos.

Raça Boran avança para reconhecimento oficial no Brasil junto à ABCZ
Raça Boran avança para reconhecimento oficial no Brasil junto à ABCZ

Boran será a mais nova raça zebuína registrada pela ABCZ

A raça Boran está próxima de integrar oficialmente o sistema de registro genealógico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), em um avanço considerado estratégico para a pecuária de corte brasileira. A iniciativa, desenvolvida em conjunto com a Associação Brasileira dos Criadores de Boran (ABCBoran) e respaldada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estabelece os critérios técnicos que orientarão o padrão racial, os julgamentos e a emissão dos registros oficiais. Nesta etapa inicial, serão registrados apenas animais Puros de Origem (P.O.) nascidos no Brasil inclusive os de origem de embriões importados, assegurando rastreabilidade e consistência genética. A ABCBoran permanecerá responsável pela promoção da raça, enquanto a ABCZ assumirá a gestão dos registros, seguindo o modelo adotado para as demais raças zebuínas reconhecidas no país. Originária do leste africano, a Boran desperta crescente interesse por características como rusticidade, fertilidade, precocidade, habilidade materna, eficiência reprodutiva e elevada adaptação aos sistemas tropicais de produção de carne. Os primeiros animais puros já nasceram em propriedades brasileiras, resultado de mais de duas décadas de investimentos, importação de embriões e superação de exigências sanitárias. A oficialização do registro cria uma base técnica para a expansão da raça, amplia a segurança dos programas de melhoramento genético, valoriza os plantéis e oferece novas oportunidades para produtores que buscam maior eficiência, produtividade e sustentabilidade na bovinocultura de corte.

Exportações brasileiras batem recorde histórico

As exportações brasileiras atingiram US$ 36,4 bilhões em junho, o maior valor da série histórica do Banco Central, contribuindo para a melhora das contas externas e para a redução do déficit em transações correntes para US$ 2,3 bilhões, menos da metade do registrado no mesmo período de 2025. O desempenho foi sustentado pelo avanço da balança comercial, cujo superávit alcançou US$ 8,8 bilhões, refletindo o crescimento de 24,8% nas exportações e de 15,3% nas importações, que totalizaram US$ 27,6 bilhões. Embora o déficit da conta de serviços tenha aumentado, influenciado por maiores despesas com viagens internacionais, transporte e serviços de tecnologia, o resultado consolidado evidencia maior equilíbrio das contas externas. No acumulado de 12 meses, o déficit caiu para US$ 61,4 bilhões, equivalente a 2,46% do PIB, reforçando a contribuição do comércio exterior, do agronegócio e da indústria exportadora para a estabilidade macroeconômica do país.

Brasil deve superar meta de 700 aberturas de mercados em 2026

O Brasil está próximo de superar a meta de 700 novos mercados internacionais até 2026, após alcançar 660 aberturas, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (ApexBrasil). O avanço reflete a estratégia de ampliar a presença de produtos agropecuários e industrializados no comércio global, tendo o agronegócio brasileiro como principal vetor de expansão. Itens como carne, café e suco de laranja ampliam a visibilidade da produção nacional e contribuem para a inserção de bens com maior valor agregado em novos destinos. Paralelamente, o crescimento da corrente de comércio com a União Europeia, que avançou US$ 2 bilhões entre maio e junho, evidencia a ampliação das relações comerciais, mesmo diante de negociações ainda em andamento. O cenário reforça a competitividade das cadeias produtivas brasileiras, amplia oportunidades para exportadores e consolida a diversificação de mercados como estratégia para reduzir riscos e ampliar a participação do Brasil no comércio internacional.

Recorde nacional destaca eficiência no manejo do milho, tecnologia e sucessão familiar. Na foto o avô, o neto e o filho. Com destaque para Eduardo com o o certificado de campeão recordista
Recorde nacional destaca eficiência no manejo
do milho, tecnologia e sucessão familiar. Na foto
o avô, o neto e o filho. Com destaque para Eduardo
com o o certificado de campeão recordista

Agricultor de Guarapuava estabelece recorde nacional de produtividade de milho

O produtor Eduardo Pletz, de Guarapuava (PR), estabeleceu um novo recorde nacional ao colher 369,92 sacas de milho por hectare no Concurso Getap Verão 2026, desempenho que supera em mais de três vezes a produtividade média estimada pela Conab para a primeira safra 2025/26, de 119 sacas por hectare. O resultado reflete décadas de investimento em manejo do solo, rotação de culturas, plantas de cobertura, melhoramento do sistema produtivo e adoção de tecnologias validadas pela Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA). Na propriedade de 110 hectares, conduzida pela família, milho, soja, trigo, cevada e espécies de cobertura compõem uma estratégia voltada à conservação da fertilidade e da estrutura do solo. A trajetória também evidencia a importância da sucessão familiar, iniciada quando Pletz retornou à fazenda para dar continuidade ao trabalho do pai e do avô, preparando agora a próxima geração. O recorde confirma que planejamento agronômico, inovação tecnológica e decisões baseadas em pesquisa são fatores decisivos para elevar a produtividade do milho e ampliar a eficiência da agricultura brasileira.

Europa supera China e paga até 40% mais pela carne bovina produzida em Mato Grosso

Embora a China permaneça como principal destino da carne bovina de Mato Grosso, absorvendo 55,2% das exportações no primeiro semestre de 2026, os mercados europeus apresentam a maior remuneração pelo produto, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada, enquanto outros países europeus desembolsaram US$ 6.667, valores até 40% superiores aos registrados nas vendas para a China, de US$ 4.745 por tonelada. O desempenho evidencia o potencial dos mercados que valorizam qualidade, rastreabilidade, regularidade no fornecimento e elevados padrões sanitários. O Índice de Atratividade das Exportações do Imea confirma essa tendência, posicionando a União Europeia como o destino de maior retorno econômico para a cadeia pecuária mato-grossense. A combinação entre diversificação de mercados e acesso a compradores de maior valor agregado amplia a competitividade da pecuária brasileira, estimula investimentos em genética, tecnologia, conformidade socioambiental e eficiência produtiva, além de reduzir a dependência de poucos mercados importadores, tornando as exportações mais resilientes e estratégicas no longo prazo.

Acordo Mercosul-Singapura abre mercado com tarifa zero para exportações brasileiras

A entrada em vigor do Acordo Mercosul-Singapura estabelece tarifa de importação zero para 100% das exportações brasileiras, ampliando a competitividade dos produtos nacionais em um dos principais polos logísticos e financeiros da Ásia. Além da eliminação das barreiras tarifárias, o acordo harmoniza procedimentos aduaneiros, amplia o acesso ao mercado de serviços, estimula investimentos bilaterais e incorpora regras para comércio eletrônico, representando um avanço relevante na agenda de integração econômica do Mercosul. Para o agronegócio brasileiro, a medida cria perspectivas favoráveis para ampliar as vendas de carnes bovina, suína e de frango, além de outros produtos agroindustriais com potencial de expansão na região. Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Singapura alcançou US$ 10,7 bilhões, com US$ 7,4 bilhões em exportações brasileiras e superávit de US$ 4,1 bilhões. Segundo estimativas do governo, o acordo poderá acrescentar R$ 28,1 bilhões ao PIB brasileiro até 2041, refletindo maior fluxo comercial, atração de investimentos e diversificação de mercados, fatores que ampliam a competitividade das cadeias produtivas e reduzem a dependência de destinos tradicionais para as exportações nacionais.

Nova portaria redefine a gestão sustentável da pesca do pargo (Lutjanus purpureus) com regras que ampliam controle e rastreabilidade da atividade pesqueira
Nova portaria redefine a gestão sustentável da pesca
do pargo (Lutjanus purpureus) com regras que ampliam
controle e rastreabilidade da atividade pesqueira

Nova Portaria Interministerial estabelece diretrizes para a pesca do pargo

A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 66, de 27 de julho de 2026, publicada pelos ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, estabelece um novo marco regulatório para a pesca sustentável do pargo (Lutjanus purpureus), com medidas voltadas à recuperação dos estoques e ao aprimoramento da gestão pesqueira nas regiões norte e nordeste. A norma fixa cota anual de 2.750 toneladas, institui o defeso entre 15 de dezembro e 30 de abril, determina tamanho mínimo de 35 cm para captura e restringe os petrechos autorizados, concedendo prazo de 30 dias para adequação das embarcações. O monitoramento será realizado por meio do PREPS, Mapas de Bordo, Declarações de Entrada e do Sistema PesqBrasil Monitoramento, ampliando a rastreabilidade e o controle da atividade. A frota habilitada ficará limitada a 150 embarcações, e a temporada será encerrada quando 90% da cota for alcançada, com aviso prévio aos operadores. A regulamentação também define sanções para infrações, incluindo suspensão da autorização de pesca e restrições às empresas que comercializarem pescado em desacordo com as normas. Durante o período de defeso, transporte, processamento, armazenamento e comercialização somente poderão ocorrer mediante Declaração de Estoque, reforçando a conformidade da cadeia produtiva. A medida substitui a regulamentação anterior e busca conciliar conservação dos recursos pesqueiros, segurança jurídica, rastreabilidade, previsibilidade para o setor e sustentabilidade de longo prazo da atividade.

Indústria de máquinas enfrenta semestre de retração e adia recuperação dos investimentos

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenho abaixo do esperado, refletindo a desaceleração dos investimentos produtivos e a persistência de um mercado doméstico pressionado pelo elevado custo do crédito. Em junho, o consumo aparente alcançou R$ 33,9 bilhões, com avanço frente a maio, mas permaneceu 7% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, enquanto os investimentos no setor acumulam retração de 13,8% no ano. As vendas de máquinas produzidas no país também perderam ritmo, com queda de 17% no semestre, evidenciando o adiamento de projetos de expansão e modernização do parque industrial. O segmento de máquinas agrícolas apresentou a maior retração, ao passo que equipamentos destinados às obras de infraestrutura contribuíram para reduzir parte das perdas. Apesar da resiliência das exportações, o avanço das importações, especialmente de produtos chineses, amplia a concorrência sobre a indústria nacional. Indicadores como carteira de pedidos e nível de emprego mostram sinais pontuais de estabilização, ainda insuficientes para caracterizar uma recuperação consistente. A retomada do setor dependerá de um ambiente macroeconômico mais favorável, com redução do custo do capital, maior confiança empresarial e políticas voltadas ao aumento da competitividade da indústria brasileira, condição essencial para estimular novos investimentos e renovar a capacidade produtiva.

Brasil é o mercado mais cobiçado pela indústria mundial de pesticidas

O agronegócio brasileiro continua altamente dependente de insumos importados, adquirindo mais de 85% dos fertilizantes e 80% dos defensivos agrícolas utilizados nas principais culturas. Esses produtos representam entre 45% e 56% do custo operacional de lavouras como milho, soja e algodão, tornando o setor sensível às oscilações do câmbio, dos fretes, da logística, da energia e das barreiras comerciais internacionais. No cenário doméstico, juros elevados, restrição ao crédito, eventos climáticos adversos e a queda das commodities agrícolas ampliam a pressão sobre a rentabilidade, refletida no crescimento dos pedidos de recuperação judicial registrados em 2025. Apesar desse ambiente desafiador, o Brasil permanece como um dos mercados mais atrativos para a indústria global de defensivos agrícolas, impulsionado pela elevada tecnificação da produção, ampla área cultivável e intensa demanda por tecnologia. Em 2025, as importações de defensivos e fertilizantes atingiram US$ 14,3 bilhões, lideradas por China e Índia, que ampliam investimentos e presença comercial no país. Esse movimento também atrai empresas de outros mercados, consolidando o Brasil como um dos principais polos mundiais para fornecedores de insumos agrícolas, proteção de cultivos e tecnologias para produção de alimentos.

Plano amplia prevenção aos impactos do El Niño, reforçando segurança alimentar e gestão climática
Plano amplia prevenção aos impactos do El Niño,
reforçando segurança alimentar e gestão climática

Governo direciona R$ 1,3 bilhão para reduzir impactos do El Niño

O Governo Federal anunciou um plano de R$ 1,335 bilhão para ampliar as ações de prevenção e resposta aos impactos do El Niño, fenômeno climático que pode comprometer a produção agropecuária, a segurança hídrica e a logística em diferentes regiões do país. Coordenada pela Sala de Situação do El Niño, que reúne 24 ministérios e órgãos federais, a estratégia utiliza informações do Cemaden, Inmet, ANA, Serviço Geológico do Brasil, Inpe e Defesa Civil Nacional para orientar decisões e apoiar estados e municípios. Do total de recursos, R$ 998 milhões serão destinados ao abastecimento de alimentos, segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico, incluindo a aquisição de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz para recomposição dos estoques públicos. Outros R$ 337 milhões financiarão ações de fiscalização ambiental, prevenção e combate a incêndios florestais, com investimentos em equipamentos, logística e mobilização de equipes. O plano também prevê monitoramento contínuo das cadeias de suprimento, da navegabilidade dos rios, do abastecimento de água e energia e da evolução das condições climáticas, permitindo ajustes nas estratégias sempre que necessário. A iniciativa integra um conjunto de investimentos estruturantes voltados à gestão de riscos climáticos, proteção da população e aumento da resiliência do agronegócio brasileiro diante de secas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos associados ao El Niño.

Fiscalização resgata 89 pessoas em condições degradantes de trabalho no campo

Uma operação coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF), resgatou 89 trabalhadores encontrados em condições degradantes durante a colheita de café em propriedades rurais nos municípios de Alto Caparaó, Mutum e Santana do Manhuaçu, em Minas Gerais. A fiscalização identificou trabalhadores sem registro em carteira, alojamentos inadequados e ausência de estruturas sanitárias nas frentes de trabalho, configurando graves violações da legislação trabalhista e das normas de saúde e segurança no trabalho. Duas empresas firmaram Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para corrigir as irregularidades, enquanto a terceira poderá responder a ação civil pública proposta pelo MPT. Segundo os órgãos envolvidos, a atuação integrada evidencia a importância da fiscalização permanente para assegurar trabalho decente, proteger os direitos dos trabalhadores e promover maior conformidade nas cadeias produtivas. Além das ações repressivas, especialistas destacam que iniciativas de prevenção, orientação aos empregadores e conscientização dos trabalhadores são essenciais para reduzir situações de vulnerabilidade, ampliar a responsabilidade socioempresarial e elevar os padrões de governança, compliance trabalhista e sustentabilidade no meio rural.

Ruralistas ameaçam acabar com 1,7 milhão de hectares de unidades de conservação

As unidades de conservação (UCs) voltaram ao centro da agenda legislativa com a tramitação de projetos que propõem alterações na criação, nos limites e na gestão dessas áreas, abrangendo cerca de 1,7 milhão de hectares distribuídos entre Amazônia, Pantanal, Mata Atlântica e litoral brasileiro. Segundo levantamento do Observatório do Clima, as propostas incluem mudanças na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), transferência ao Congresso Nacional da competência para criação de novas unidades, restrições à implantação de áreas protegidas em regiões com minerais estratégicos e revisão de decretos recentes de criação de reservas. Entre as matérias em análise também está a redução da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, aprovada pelo Senado e pendente de decisão presidencial. O avanço dessas iniciativas amplia o debate sobre o equilíbrio entre conservação ambiental, segurança jurídica, produção agropecuária, infraestrutura e aproveitamento de recursos naturais. Especialistas avaliam que eventuais mudanças poderão produzir impactos relevantes sobre o ordenamento territorial, a política ambiental, os investimentos e o cumprimento dos compromissos brasileiros relacionados à biodiversidade, desenvolvimento sustentável e governança ambiental, temas de crescente relevância para o setor produtivo e para os mercados internacionais.