Evento prioriza territórios e bairros periféricos por meio de critérios de equidade e vulnerabilidade climática, promovendo o intercâmbio de informações e experiências de natureza técnica entre os profissionais da arboricultura do Brasil e de outros países
Recife será sede, de 13 a 16 de setembro de 2026, do Congresso Brasileiro de Arborização Urbana – CBAU 2026, no Mar Hotel Conventions, à R. Barão de Souza Leão, 451, Boa Viagem, Recife, PE, de 8:00 às 18:00. Em sua 28ª edição, o encontro organizado pela Sociedade Brasileira de Arborização Urbana – SBAU reunirá ainda o VII Congresso Ibero-Americano de Arborização Urbana, o V CBAU Mirim, além de minicursos, visitas técnicas e apresentação de trabalhos científicos. Considerado um dos principais fóruns da arboricultura brasileira, o evento deverá reunir profissionais, gestores públicos, pesquisadores, empresas e organizações da sociedade civil.
A programação foi estruturada para aproximar conhecimento científico, gestão pública e aplicação prática, com atenção crescente aos impactos das mudanças climáticas sobre as cidades. Entre os temas estão redução de riscos climáticos, manejo seguro de árvores diante de eventos extremos, recuperação de áreas verdes e qualificação da ambiência urbana. Tecnologias como inventários digitais, geoprocessamento, sistemas de informação geográfica e inteligência artificial também entram na pauta, refletindo a necessidade de decisões baseadas em dados para planejar, monitorar e administrar o patrimônio arbóreo urbano.

das cidades aos eventos climáticos extremos com espécies
adequadas e manejo técnico essenciais para ampliar
os benefícios da arborização urbana
Nesse contexto, a arborização deixa de ser compreendida apenas como elemento paisagístico e passa a integrar uma estratégia de infraestrutura ambiental das cidades. Árvores e áreas verdes prestam serviços ambientais, sociais e econômicos, contribuindo para o conforto térmico, a qualidade ambiental, a biodiversidade e a melhoria dos espaços públicos. Em um cenário de urbanização acelerada e maior ocorrência de eventos climáticos extremos, o planejamento da vegetação urbana ganha relevância como instrumento de adaptação, especialmente em regiões submetidas a ondas de calor, chuvas intensas e problemas recorrentes de drenagem.
A contribuição da vegetação para a gestão das águas pluviais é um exemplo dessa abordagem. Coberturas vegetais diversificadas ajudam a reduzir a velocidade do escoamento superficial e favorecem a infiltração, enquanto raízes, folhas e diferentes estratos de vegetação protegem o solo contra processos erosivos. O planejamento adequado da arborização pode contribuir para reduzir a vulnerabilidade urbana a alagamentos e erosões, desde que esteja integrado a políticas de drenagem, conservação do solo, infraestrutura e ordenamento territorial. A efetividade dessas medidas depende, portanto, de planejamento técnico e visão integrada sobre o funcionamento das cidades.

Os desafios, entretanto, vão além do plantio de árvores. Projetos consistentes exigem equipes multidisciplinares, critérios técnicos para seleção de espécies, compatibilidade com redes de infraestrutura, qualidade dos solos, produção adequada de mudas e manejo permanente. A agenda do CBAU também contempla espécies nativas, coleta de sementes, variabilidade genética, manejo em viveiros, pragas urbanas, governança, capacitação profissional e participação comunitária. A atenção a territórios periféricos e áreas de maior vulnerabilidade climática acrescenta uma dimensão de equidade à discussão, aproximando política ambiental, planejamento urbano e qualidade de vida.
Ao reunir experiências brasileiras e internacionais, o CBAU 2026 pretende ampliar a circulação de conhecimento e aproximar pesquisa, administração pública e setor produtivo. Para municípios, concessionárias, empresas especializadas e instituições de ensino, o encontro representa uma oportunidade de acompanhar soluções e modelos de gestão aplicáveis à realidade urbana. A arborização urbana passa, assim, a ocupar espaço estratégico na construção de cidades mais resilientes, com benefícios que alcançam o ambiente, a economia, a saúde pública, a biodiversidade e a qualidade de vida da população.