A expo vem com número recorde de animais inscritos, pavilhão da agricultura familiar reformulado e com crescimento de expositores, ampliação da presença de jovens, mulheres e orgânicos e raças voltando a participar da festa
A 49ª Expointer, marcada para ocorrer de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio, RS, chega a 2026 mantendo sua posição entre os principais eventos do agronegócio brasileiro. Em uma área de 141 hectares, a feira reúne animais, máquinas, implementos, agroindústrias, agricultura familiar, gastronomia, genética, tecnologia e cultura rural. A dimensão da estrutura ajuda a explicar sua relevância econômica: em 2025, aproximadamente 1,1 milhão de visitantes passaram pelo parque, enquanto os negócios alcançaram R$ 4,4 bilhões. A edição deste ano parte, portanto, de uma base expressiva de público e movimentação comercial.
A estrutura física também traduz a escala do evento. São 45,3 mil metros quadrados de pavilhões cobertos e outros 70 mil metros quadrados destinados a feiras e exposições ao ar livre, formando um ambiente no qual diferentes segmentos da cadeia produtiva conseguem apresentar produtos, serviços e soluções. A programação inclui julgamentos e provas de bovinos, bubalinos, equinos, ovinos, caprinos, aves e pequenos animais, além de leilões e palestras técnicas. Entre as atrações tradicionais está a Final do Freio de Ouro, uma das principais competições equestres da América do Sul e um dos símbolos da presença da pecuária e da cultura gaúcha na feira.
A movimentação começa antes da abertura oficial. A entrada geral dos animais está programada para ocorrer entre 24 e 28 de agosto, das 8:00 às 22:00, período fundamental para a organização sanitária, logística e operacional dos participantes. Em uma exposição dessa dimensão, o planejamento da chegada dos animais é parte importante da estratégia dos criadores, assim como a preparação documental e a definição dos acessos ao parque. A Expointer funciona, nesse contexto, como uma grande plataforma de relacionamento empresarial, exposição de genética e prospecção comercial, conectando produtores, associações de raça, indústrias, compradores, instituições públicas e prestadores de serviços.

mercados e forte presença da agricultura familiar

diversas regiões com a agricultura familiar apresentando
produtos e sabores do campo gaúcho
Agricultura familiar ganha escala comercial
Um dos espaços de maior circulação é o Pavilhão da Agricultura Familiar, que em 2026 reunirá 509 expositores entre agroindústrias, artesãos, produtores de flores e plantas e representantes de comunidades tradicionais. São 497 empreendimentos gaúchos, cinco convidados de Minas Gerais e sete cozinhas voltadas à gastronomia regional. A participação de 69 empreendimentos certificados como orgânicos evidencia a diversidade dos modelos produtivos presentes no espaço. Também chama atenção a presença de 265 jovens e de 179 empreendimentos liderados por mulheres, indicadores que ajudam a dimensionar o papel da agricultura familiar na renovação geracional e na gestão dos negócios rurais.
A abrangência territorial é outro indicador relevante. Os expositores representam 218 municípios do Rio Grande do Sul, demonstrando a capilaridade da produção familiar e sua capacidade de transformar matérias-primas locais em produtos com maior valor agregado. Queijos, embutidos, laticínios, pães, cucas, doces, geleias, mel, pescados, farinhas, vinhos, sucos, frutas desidratadas, ovos, erva-mate, grãos e cervejas artesanais dividem espaço com peças produzidas em lã, couro, madeira, fibras vegetais e porongos. O resultado é uma vitrine comercial que aproxima consumidores de produtos vinculados à identidade produtiva e cultural de diferentes regiões gaúchas.
Para receber esse volume de empreendimentos, a organização promoveu uma reorganização dos espaços internos, buscando melhorar a circulação e acomodar expositores e visitantes com mais eficiência. A iniciativa revela uma mudança importante na percepção sobre o pavilhão, que deixou de ser apenas um espaço de exposição para assumir papel crescente na comercialização de produtos da agricultura familiar. A programação é coordenada por instituições como SDR, Fetag/RS, Fetraf/RS, Via Campesina, MDA/RS e Emater/RS. A presença institucional contribui para aproximar produção, assistência técnica, políticas públicas e mercado em torno de uma cadeia que tem peso relevante na economia rural do estado.

do sudoeste da Escócia, voltará às pistas da Expointer em
2026 após 19 anos sem participar da feira

como ‘Franqueiro’, com rebanho concentrado
especialmente entre Santa Catarina e Rio Grande
do Sul, volta à exposição após 11 anos
Genética e raças ampliam a disputa por espaço
O calendário pecuário chega à edição de 2026 com números expressivos. Foram inscritos 5.756 animais de argola, destinados à exposição e aos julgamentos, volume superior em mais de 12% ao registrado no ano anterior e o maior desde 2012. O crescimento dos zebuínos, de 78%, chama atenção, assim como o avanço de 216% nas inscrições de Senepol. Entre os bovinos de corte, o Brangus lidera em número de exemplares, com 195 inscritos. Os dados refletem a importância da pista de julgamento como ambiente de avaliação genética, comparação zootécnica e construção de valor comercial para criadores.
A Expointer também terá estreias e retornos importantes. A Senangus, raça sintética formada pelo cruzamento entre Senepol e Aberdeen Angus, participa pela primeira vez, com quatro exemplares. O Galloway retorna depois de quase duas décadas, enquanto o Crioulo Lageano volta à exposição após 11 anos. Tabapuã e Guzerá também retomam presença. Na Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares, 405 animais foram inscritos, entre 382 bovinos de argola e 23 equinos Percheron. A entidade aproveitará ainda os julgamentos para celebrar seus 120 anos, com homenagens aos grandes campeões e campeãs das raças registradas.
O comportamento das inscrições varia entre espécies. Entre os bovinos leiteiros, houve redução geral de 10%, embora o Gir Leiteiro tenha registrado crescimento de 10%. Nos caprinos, as inscrições aumentaram 16%, com destaque para o Boer, cuja exposição nacional elevou em 56% a participação. Os pequenos animais avançaram 46%, enquanto os pássaros tiveram crescimento superior a 103%. Entre os equinos, Árabe e Campeiro ampliaram suas inscrições, embora a participação geral tenha recuado, inclusive com a ausência do Paint Horse nos julgamentos morfológicos. Esse mosaico mostra como a Expointer acompanha as transformações da pecuária e da criação animal em diferentes nichos.

diversas raças de coelhos, chinchilas, pássaros e aves premiadas


Corriedale e Cavalo Campeiro mantêm protagonismo
A ovinocultura terá na raça Corriedale uma programação voltada não apenas à avaliação dos animais, mas também à discussão de mercado. Com 30 exemplares inscritos, a Associação Brasileira de Criadores de Corriedale estruturou uma agenda que começa em 28 de agosto e termina em 1º de setembro, incluindo julgamento, curso de velo, assembleia e leilão. A programação aproxima criadores, frigoríficos e marcas de carne ovina em torno de temas como oferta de cordeiros, comercialização e construção de mercados. A estratégia evidencia a necessidade de integrar genética, produção e indústria para ampliar a eficiência econômica da cadeia.
No domingo, 30 de agosto, um painel no estande da associação discutirá o mercado de cordeiros e o desenvolvimento de marcas de carne. No dia seguinte, o julgamento de classificação reunirá jurados do Brasil e do Uruguai, ampliando o intercâmbio técnico e a comparação entre diferentes sistemas de criação. Na terça-feira, 1º de setembro, o curso de velo proporcionará atividades práticas relacionadas à avaliação dos ovinos. A programação será encerrada com a entrega de prêmios, homenagens e o Leilão Corriedale, colocando genética e animais em contato direto com criadores e compradores interessados.
Outro representante da pecuária tradicional estará presente: o Cavalo Campeiro, conhecido como Marchador das Araucárias. A expectativa é reunir cerca de 50 animais e aproximadamente 20 criadores na Expointer. Neste ano, a principal mostra nacional da raça será realizada em Lages (SC), durante a ExpoLages, prevista para outubro, mas a associação manterá participação em Esteio com exposição, provas funcionais e leilão. A presença reforça a dimensão regional da feira, que reúne criadores de diferentes estados e transforma o parque em ponto de encontro para raças, associações e mercados especializados.

2026 reúne os principais elos do campo


pedestres e veículos de visitantes e demais áreas de visitação
Logística e sanidade exigem planejamento
A participação de animais exige atenção especial às normas sanitárias. Para os equinos, será obrigatório apresentar o exame original com resultado negativo para Anemia Infecciosa Equina (AIE). Para animais provenientes do Rio Grande do Sul, a coleta deverá ter sido realizada em até 180 dias antes de 9 de setembro de 2026. Para aqueles procedentes de outros estados, o prazo será de até 60 dias. O exame deverá permanecer válido durante o período da feira. Também será exigido atestado de sanidade equina, enquanto a Guia de Trânsito Animal deverá ser apresentada obrigatoriamente em versão impressa.
Uma mudança relevante está relacionada ao diagnóstico de mormo. Conforme as regras informadas para a edição, a apresentação do exame deixa de ser exigida, independentemente da origem do animal, enquanto os equinos importados deverão portar Certificado Zoossanitário Internacional válido. Também não será necessário apresentar atestado de vacinação contra influenza equina enquanto estiver vigente a Instrução Normativa Seapi nº 03, de 24 de março de 2026. Como normas sanitárias podem ser atualizadas, criadores, transportadores e responsáveis técnicos devem acompanhar os canais oficiais antes do deslocamento. Documentação, sanidade e rastreabilidade são fatores essenciais para evitar contratempos no ingresso dos animais.
A logística também merece atenção entre os visitantes. O Parque Assis Brasil possui diferentes portões destinados a públicos e operações específicas. Os portões 14 e 15 atendem veículos e pedestres visitantes; os portões 02, 06, 13, 14 e 15 são indicados para quem chega a pé. O portão 17 atende expositores da ABCCC e animais destinados às provas, enquanto o portão 08 é reservado à entrada de animais para leilões. Já o portão 04 recebe autoridades e imprensa. Para quem utiliza carro, aplicativo ou transporte público, consultar previamente o acesso correto pode reduzir deslocamentos e facilitar a chegada.
A estrutura viária no entorno inclui a BR-116, a Avenida Independência, a Avenida Cézar Antônio Bettanin e a Avenida Celina Chaves Kroeff. A Estação Esteio também aparece como referência para quem opta pelo transporte público, com conexão posterior por transporte da Trensurb até a região do parque. Para motoristas, aplicativos como Waze e Google Maps podem ser utilizados para localizar o portão específico, evitando que o destino seja definido apenas pelo nome do parque. Em um evento que recebe centenas de milhares de pessoas, planejar o deslocamento é parte da experiência da Expointer e ajuda a tornar mais eficiente a circulação pelo complexo.

O mapa do parque será muito útil, pois indica portões diferentes para pedestres, veículos de visitantes, expositores, autoridades, imprensa e transporte de animais. Faça o download do mapa da Expointer CLICANDO AQUI.