Campolina espera grande festa na Gameleira

Em contagem regressiva para a 46ª Exposição Nacional do Cavalo Campolina, a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina (ABCC) prepara o principal encontro anual da raça. A entrada dos animais está prevista para 28 e 29 de agosto, com visitação de 30 de agosto a 7 de setembro, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte. Em 2025, cerca de 500 animais participaram da Nacional. Para 2026, a expectativa é superar esse desempenho e ampliar a visibilidade de uma cadeia que reúne criação, genética, eventos, serviços e negócios.

A trajetória do Campolina remonta a 1870, quando Cassiano Campolina recebeu de Dom Pedro II a égua Medéia, prenhe de um garanhão Andaluz. O potro Monarca tornou-se referência na formação da raça, desenvolvida na Fazenda do Tanque no município de Entre Rios de Minas, MG. Ao longo das gerações, foram utilizados animais Puro-Sangue Inglês, Anglo-Normando e de origem ibérica, em um processo de seleção voltado à obtenção de equinos grandes, resistentes, ágeis e elegantes. Após a morte de Cassiano, em 1904, a família Resende deu continuidade ao trabalho.

Marcha confortável é uma das principais características valorizadas no Campolina que chega a Belo Horizonte para o principal encontro anual da raça
Marcha confortável é uma das principais características
valorizadas no Campolina que chega a Belo Horizonte
para o principal encontro anual da raça

A organização da criação avançou na década de 1930, quando criadores se uniram em um consórcio para estabelecer referências comuns. Em 1951, foi fundada a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina, com sede em Belo Horizonte, instituição que passou a desempenhar papel central na organização da raça. Hoje, o sistema associativo reúne clubes e núcleos em diferentes estados, enquanto o Serviço de Registro Genealógico contribui para a rastreabilidade, padronização e seleção dos animais.

Do ponto de vista zootécnico, o Campolina tem na marcha natural, confortável e equilibrada uma de suas características mais valorizadas. O regulamento da raça define a marcha batida e a marcha picada como andamentos simétricos, dissociados e a quatro tempos, com alternância de apoios e momentos de tríplice apoio. Esse conjunto de atributos, que será avaliado nos julgamentos rigorosos durante a exposição, ajuda a explicar a utilização dos animais em cavalgadas, provas e atividades de lazer, além de sustentar o trabalho contínuo de seleção morfológica e funcional realizado pelos criadores.

Criadores trabalham para preservar funcionalidade, morfologia e qualidade genética, com destaque para a marcha confortável altamente valorizada
Criadores trabalham para preservar funcionalidade,
morfologia e qualidade genética, com destaque para
a marcha confortável altamente valorizada

Nesse processo, a seleção genética e o controle genealógico assumem importância crescente para a sustentabilidade dos criatórios. Registros, avaliações, controle de parentesco e critérios técnicos minuciosos permitem orientar acasalamentos e preservar características desejáveis ao longo das gerações. A estrutura da ABCC contempla eventos oficiais, exposições, leilões e ações técnicas, criando canais para valorização dos animais e circulação de conhecimento. Em paralelo, a expansão dos núcleos regionais evidencia a presença do Campolina em diferentes mercados e regiões do país.

Mais de 150 anos após o início de sua formação, a raça também ganhou reconhecimento institucional. A Lei Estadual nº 25.451, de 1º de setembro de 2025, declarou a criação do cavalo Campolina de relevante interesse econômico e social de Minas Gerais, com o objetivo de contribuir para a economia regional e estimular a cadeia da equinocultura. A 46ª Nacional, portanto, chega em um momento relevante para a raça, reunindo tradição, seleção genética, atividade econômica e a perspectiva de novos negócios no mercado de equinos.

Campolina mantém presença crescente nos mercados da equinocultura nacional

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