Seafood Show Latin America 2026 aposta na expansão do mercado do pescado

Entre os dias 20 e 22 de outubro, o Distrito Anhembi, à Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, em São Paulo, SP, das 13:00 às 20:00, recebe a quinta edição da Seafood Show Latin America, a maior plataforma de negócios do pescado da América Latina. Promovida pela Francal, maior promotora de feiras empresariais do país, em parceria com a Seafood Brasil, a feira reúne, em três dias, produtores, indústrias, frigoríficos, distribuidores, importadores, exportadores, varejistas e operadores de food service. O objetivo é transformar encontros em contratos, num setor que atravessa um momento de expansão consistente e de redefinição de seus canais comerciais.

A escolha do momento não é casual. O consumo per capita de pescado no Brasil saltou de cerca de 9 quilos em 2020 para aproximadamente 12 quilos em 2025, reflexo de renda em recuperação, mudanças no padrão alimentar e da percepção crescente de que a proteína de origem aquática é saudável e versátil. Ainda assim, o país mantém déficit na balança comercial do setor, na casa de US$ 1 bilhão por ano, o que evidencia o espaço aberto para a produção nacional e para parcerias comerciais internacionais mais equilibradas.

Nesse cenário, a organização aposta em escala. A área de exposição cresce 43% em relação à edição anterior, acolhendo marcas de todas as etapas da cadeia do pescado, da pesca extrativa e da aquicultura à indústria de processamento, passando por equipamentos, refrigeração, embalagens e logística. A entrada é gratuita e restrita a profissionais do setor, de atacadistas e peixarias a supermercados, hotéis e restaurantes, o que qualifica o público e eleva a probabilidade de negócios efetivos nos corredores da feira.

Feira de pescado em São Paulo conecta produtores, indústrias e varejo em três dias de intensa agenda comercial
Feira de pescado em São Paulo conecta produtores, indústrias
e varejo em três dias de intensa agenda comercial

Exportação e novos mercados no radar do setor

A agenda internacional ocupa posição central na edição de 2026. Desde 2023, o país abriu mais de 19 mercados para produtos da pesca e da aquicultura, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, ampliando as possibilidades de comercialização externa. A certificação sanitária, a rastreabilidade e o alinhamento com exigências de sustentabilidade aparecem como requisitos decisivos para converter habilitações oficiais em embarques regulares, tema que deve pautar as rodadas de conversa entre exportadores e compradores estrangeiros durante o evento.

O movimento externo convive com um mercado interno em transformação. O déficit comercial do pescado, próximo de US$ 1 bilhão anuais, revela dependência de importação, sobretudo de espécies como salmão, bacalhau e atum. Para a indústria nacional, essa lacuna representa oportunidade concreta: a expansão da tilápia, do camarão e da mitilicultura demonstra que a aquicultura brasileira responde com volume e qualidade quando encontra escala, crédito e canais de distribuição organizados, exatamente o ambiente que feiras do porte da Seafood Show ajudam a construir.

A programação de conteúdo reforça essa leitura. Entre as atrações do palco oficial do evento estão painéis com a ApexBrasil e com entidades setoriais, abordando internacionalização, tecnologia e inovação na indústria. A proposta é oferecer ao empresariado do pescado o mesmo padrão de inteligência de mercado disponível nas grandes cadeias do agronegócio, com dados, tendências de consumo e visão de longo prazo para orientar investimentos, contratos e decisões comerciais de curto e médio prazo.

Chef demonstra técnicas de preparo de pescado em palco de gastronomia durante feira do setor em São Paulo
Chef demonstra técnicas de preparo de pescado em palco
de gastronomia durante feira do setor em São Paulo

Inovação, gastronomia e valorização profissional

A feira também funciona como vitrine de inovação. O 4º Prêmio Seafood Innovation Show reconhece produtos e soluções lançados pelos expositores, do processamento inteligente às novas apresentações de valor agregado. Completam o programa o prêmio Melhores Peixeiros do Brasil, que valoriza o profissional da peixaria, e o Campeonato Brasileiro de Sushi, que celebra a força da culinária japonesa no país. As iniciativas conectam indústria, varejo e gastronomia em torno de um mesmo objetivo: elevar o padrão do pescado oferecido ao consumidor final.

O varejo e o food service ganham tratamento de protagonista. Cresce no Brasil o número de peixarias modernas e de supermercados com balcão de pescado, e a demanda por cortes prontos, porções congeladas e produtos de conveniência avança em ritmo acelerado. Na feira, chefs e consultores gastronômicos demonstram técnicas de preparo e apresentação, enquanto as indústrias apresentam linhas desenvolvidas para restaurantes, hotéis e delivery, canal que se consolidou como escoamento relevante para a proteína de origem aquática.

A tecnologia percorre toda a operação. O aplicativo oficial do evento organiza a agenda de reuniões, mapeia expositores e conecta ofertas e demandas em tempo real, replicando a lógica de matchmaking das grandes feiras internacionais. Para o produtor que investe em piscicultura, para o frigorífico em busca de novos mercados e para o distribuidor que planeja as vendas de fim de ano, a quinta edição da Seafood Show Latin America se apresenta como termômetro e plataforma de negócios do pescado brasileiro.

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