Maior feira de pescado da América Latina chega a São Paulo com área 43% maior e agenda focada em exportação e inovação, reunirá toda a cadeia do pescado em outubro, em momento de consumo crescente e novos mercados
Entre os dias 20 e 22 de outubro, o Distrito Anhembi, à Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, em São Paulo, SP, das 13:00 às 20:00, recebe a quinta edição da Seafood Show Latin America, a maior plataforma de negócios do pescado da América Latina. Promovida pela Francal, maior promotora de feiras empresariais do país, em parceria com a Seafood Brasil, a feira reúne, em três dias, produtores, indústrias, frigoríficos, distribuidores, importadores, exportadores, varejistas e operadores de food service. O objetivo é transformar encontros em contratos, num setor que atravessa um momento de expansão consistente e de redefinição de seus canais comerciais.
A escolha do momento não é casual. O consumo per capita de pescado no Brasil saltou de cerca de 9 quilos em 2020 para aproximadamente 12 quilos em 2025, reflexo de renda em recuperação, mudanças no padrão alimentar e da percepção crescente de que a proteína de origem aquática é saudável e versátil. Ainda assim, o país mantém déficit na balança comercial do setor, na casa de US$ 1 bilhão por ano, o que evidencia o espaço aberto para a produção nacional e para parcerias comerciais internacionais mais equilibradas.
Nesse cenário, a organização aposta em escala. A área de exposição cresce 43% em relação à edição anterior, acolhendo marcas de todas as etapas da cadeia do pescado, da pesca extrativa e da aquicultura à indústria de processamento, passando por equipamentos, refrigeração, embalagens e logística. A entrada é gratuita e restrita a profissionais do setor, de atacadistas e peixarias a supermercados, hotéis e restaurantes, o que qualifica o público e eleva a probabilidade de negócios efetivos nos corredores da feira.

e varejo em três dias de intensa agenda comercial
Exportação e novos mercados no radar do setor
A agenda internacional ocupa posição central na edição de 2026. Desde 2023, o país abriu mais de 19 mercados para produtos da pesca e da aquicultura, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, ampliando as possibilidades de comercialização externa. A certificação sanitária, a rastreabilidade e o alinhamento com exigências de sustentabilidade aparecem como requisitos decisivos para converter habilitações oficiais em embarques regulares, tema que deve pautar as rodadas de conversa entre exportadores e compradores estrangeiros durante o evento.
O movimento externo convive com um mercado interno em transformação. O déficit comercial do pescado, próximo de US$ 1 bilhão anuais, revela dependência de importação, sobretudo de espécies como salmão, bacalhau e atum. Para a indústria nacional, essa lacuna representa oportunidade concreta: a expansão da tilápia, do camarão e da mitilicultura demonstra que a aquicultura brasileira responde com volume e qualidade quando encontra escala, crédito e canais de distribuição organizados, exatamente o ambiente que feiras do porte da Seafood Show ajudam a construir.
A programação de conteúdo reforça essa leitura. Entre as atrações do palco oficial do evento estão painéis com a ApexBrasil e com entidades setoriais, abordando internacionalização, tecnologia e inovação na indústria. A proposta é oferecer ao empresariado do pescado o mesmo padrão de inteligência de mercado disponível nas grandes cadeias do agronegócio, com dados, tendências de consumo e visão de longo prazo para orientar investimentos, contratos e decisões comerciais de curto e médio prazo.

de gastronomia durante feira do setor em São Paulo
Inovação, gastronomia e valorização profissional
A feira também funciona como vitrine de inovação. O 4º Prêmio Seafood Innovation Show reconhece produtos e soluções lançados pelos expositores, do processamento inteligente às novas apresentações de valor agregado. Completam o programa o prêmio Melhores Peixeiros do Brasil, que valoriza o profissional da peixaria, e o Campeonato Brasileiro de Sushi, que celebra a força da culinária japonesa no país. As iniciativas conectam indústria, varejo e gastronomia em torno de um mesmo objetivo: elevar o padrão do pescado oferecido ao consumidor final.
O varejo e o food service ganham tratamento de protagonista. Cresce no Brasil o número de peixarias modernas e de supermercados com balcão de pescado, e a demanda por cortes prontos, porções congeladas e produtos de conveniência avança em ritmo acelerado. Na feira, chefs e consultores gastronômicos demonstram técnicas de preparo e apresentação, enquanto as indústrias apresentam linhas desenvolvidas para restaurantes, hotéis e delivery, canal que se consolidou como escoamento relevante para a proteína de origem aquática.
A tecnologia percorre toda a operação. O aplicativo oficial do evento organiza a agenda de reuniões, mapeia expositores e conecta ofertas e demandas em tempo real, replicando a lógica de matchmaking das grandes feiras internacionais. Para o produtor que investe em piscicultura, para o frigorífico em busca de novos mercados e para o distribuidor que planeja as vendas de fim de ano, a quinta edição da Seafood Show Latin America se apresenta como termômetro e plataforma de negócios do pescado brasileiro.