Maior produtor de lavanda do Brasil, Morro Reuter recebe a 7ª Festa Nacional da Lavanda, com mel inédito, campos abertos e economia da flor em alta
Entre 15 e 18 de outubro, no centro de Morro Reuter, Vale do Sinos, ocorrerá a 7ª Festa Nacional da Lavanda, evento bienal que consolidou o município como referência nacional no cultivo da planta aromática. Com entrada gratuita, a programação reúne visitação a campos floridos, exposições de artesanato, shows musicais e vitrine de produtos derivados da flor. Realizada na Serra Gaúcha, a festa projeta a cidade como capital nacional da lavanda e confirma o potencial econômico da agricultura familiar gaúcha.
Localizado a cerca de 60 quilômetros de Porto Alegre, ao longo da Rota Romântica, o município transformou uma cultura introduzida de forma experimental em cadeia produtiva estruturada. Hoje, é reconhecido como o maior produtor de lavanda do Brasil, com produção concentrada em pequenas propriedades que combinam cultivo, extração de óleo essencial, gastronomia e turismo rural. O modelo chama a atenção de técnicos e empresários do setor por demonstrar que espécies de alto valor agregado sustentam a renda de famílias em áreas reduzidas.
A programação da sétima edição inclui shows musicais, exposição de animais, espaços dedicados à indústria, ao comércio e à agricultura, além de gastronomia inspirada na flor. Os visitantes podem percorrer os campos de lavanda e conhecer de perto o processo de colheita e destilação. Segundo a administração municipal, a expectativa é repetir o movimento de edições anteriores, que atraíram milhares de pessoas e movimentaram hotéis, restaurantes e os 19 estabelecimentos da Rota da Lavanda, lançada em 2025.

base da produção de óleo essencial em Morro Reuter

de óleos essenciais a cosméticos e alimentos, com
estandes apresentando a diversidade da cadeia
produtiva da lavanda gaúcha
Da experimentação à cadeia produtiva consolidada
A relação de Morro Reuter com a lavanda começou no final dos anos 1990, inspirada por uma viagem de gestores municipais à Provença, na França, região que concentra a produção mundial da planta. Mudas e sementes trazidas da europa deram origem a testes conduzidos em parceria com universidades gaúchas, que selecionaram clones adaptados ao clima local. A primeira edição da festa ocorreu em 2011, ainda como celebração simbólica, antes que o cultivo se tornasse atividade comercial de fato.
O salto veio com o programa de incentivo lançado em 2015, que estabeleceu metas claras: transformar a lavanda em cultura comercial, viabilizar a extração de óleo essencial no próprio município e ampliar seu uso no artesanato e na gastronomia. Um ano depois, os primeiros campos entraram em produção. A escala técnica é reveladora: são necessários cerca de 280 quilos de massa verde para extrair um único litro de óleo essencial, o que explica o valor de mercado do produto.
A organização da cadeia ganhou corpo com a criação da associação de produtores, em 2022, que hoje reúne mais de 30 associados. O município cultiva cerca de 15 hectares, com predominância da variedade Dentata, complementada por Stoechas, Lavandin, Angustifolia, Lanata e Multifida. A Rota da Lavanda integra lavandários, empreendimentos gastronômicos e espaços de referência técnica, consolidando um roteiro que distribui renda e amplia a permanência do turista na região.

entre apicultura e lavandicultura gera renda adicional

busca de produtos coloniais e lembranças da Serra

e erva-mate aromatizam a Rota da Lavanda gaúcha
Inovação agrega valor e diversifica a renda
A edição de 2026 traz uma novidade que simboliza a maturidade do setor: o lançamento do primeiro mel monofloral de lavanda do Rio Grande do Sul. Produzido a partir do néctar coletado por abelhas em campos do município, o produto passou por análises laboratoriais e avaliações sensoriais em instituições de pesquisa, que confirmaram a origem botânica. A integração entre lavandicultura e apicultura abre caminho para que uma mesma área gere duas fontes de receita.
Do ponto de vista empresarial, o caso gaúcho ilustra uma estratégia de diversificação que merece atenção. A mesma flor sustenta óleo essencial, mel, cosméticos, alimentos, decoração e experiências turísticas, reduzindo a exposição do produtor à oscilação de um único mercado. Para pequenas propriedades, o modelo demonstra que a agregação de valor na origem, aliada à organização coletiva e ao apoio institucional, é caminho viável para elevar a rentabilidade sem expandir a área cultivada.
O exemplo de Morro Reuter também dialoga com a agenda de sustentabilidade que atravessa o agronegócio brasileiro. A lavanda exige manejo relativamente simples, atrai polinizadores e se adapta bem a solos e climas de altitude, características que favorecem sistemas de produção de baixo impacto. Para produtores, técnicos e gestores que buscam alternativas econômicas compatíveis com a conservação, a festa de outubro funciona como laboratório a céu aberto, oferecendo referências práticas replicáveis em outras regiões do país.
