Um dos maiores eventos de agroecologia da América do Sul, Agroecol 2026 reúne ciência, movimento e prática, debatendo soluções agroecológicas para enfrentamento da crise climática
Entre 4 e 7 de novembro, Campo Grande recebe o Agroecol 2026, um dos principais encontros de agroecologia da América do Sul, que ocupa o campus da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul com uma programação que une ciência, movimento social e prática agrícola. Com o tema “Ciência, Movimento e Prática: como superar a crise climática?”, o evento promete reunir pesquisadores, estudantes, extensionistas, técnicos, agricultores familiares e gestores públicos em torno de uma agenda central: o papel da agroecologia no enfrentamento das mudanças climáticas.
A realização é um retrato da articulação institucional que sustenta a agroecologia brasileira. O evento é promovido pela Associação Brasileira de Agroecologia e organizado por um consórcio que envolve a UFMS, a agência estadual de extensão rural, unidades da Embrapa, universidades estaduais e federais e entidades de apoio à pesquisa. O apoio do Sebrae e da Fundect – Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul completa o arranjo, que conecta academia, poder público e setor produtivo em torno de uma mesma pauta.
A programação combina conferência magna, mesas redondas, minicursos e oficinas, além da apresentação de trabalhos técnico-científicos e relatos de experiências. Um dos pontos altos é a Feira de Produtos Agroecológicos da Agricultura Familiar, que transforma o campus em espaço de comercialização direta e de encontro entre produtores e consumidores. A edição preparatória realizada em junho já havia reunido 29 empreendimentos e movimentado milhares de visitantes, sinalizando o apetite do público pela economia agroecológica.

um dos destaques do Agroecol 2026, em Campo Grande
A agroecologia como resposta ao seu tempo
Eventos como o Agroecol cumprem um papel que vai além da agenda científica. Eles funcionam como pontos de encontro entre universidades, serviços de extensão, movimentos sociais e quem efetivamente produz alimentos, criando um fluxo de troca raro no setor. Em um momento em que a produção agrícola é cobrada por resultados ambientais, esse diálogo direto entre pesquisa e campo se torna um ativo estratégico para orientar decisões técnicas e políticas públicas com fundamento real.
O contexto justifica a urgência. A agricultura brasileira enfrenta verões mais severos, chuvas irregulares, pressão sobre os recursos hídricos e perda de biodiversidade, desafios que exigem respostas além do pacote tecnológico convencional. A agroecologia propõe exatamente isso: sistemas que integram produção, conservação de solo e água, ciclos biológicos e conhecimento local. Nos biomas cerrado e pantanal, essa abordagem ganha relevância adicional, pela sensibilidade dos ecossistemas e pela dependência das comunidades em relação aos recursos naturais.
Para o setor empresarial, o tema deixou de ser pauta periférica. A demanda por alimentos saudáveis e rastreáveis cresce de forma consistente nos centros urbanos, e as agendas de sustentabilidade passaram a condicionar acesso a mercados, crédito e parcerias. Compreender os princípios da agroecologia, seus sistemas de produção e suas redes de comercialização é, hoje, uma competência comercial. O Agroecol 2026 oferece essa imersão em ambiente de troca aberta, acessível a diferentes perfis de participante.

em torno da economia agroecológica e da sociobiodiversidade.
Ciência e saber popular se encontram na programação científica
do principal evento de agroecologia da América do Sul
Economia agroecológica e o desafio climático
Para o público empresarial do agro, o evento oferece uma leitura de mercado que vai além do debate acadêmico. A feira de produtos e as redes de comercialização em pauta revelam a maturação de cadeias curtas que conectam diretamente o produtor familiar ao consumidor urbano, segmento que cresce de forma consistente no Brasil. Empreendimentos da sociobiodiversidade, do cerrado ao pantanal, encontram no evento vitrine e networking.
A escolha do tema central não é acidental. A crise climática impõe ao agronegócio brasileiro a busca por sistemas de produção mais resilientes, capazes de manter produtividade sob chuvas irregulares, calor extremo e eventos cada vez mais frequentes. A agroecologia, com seus sistemas agroflorestais, manejos conservacionistas e integração entre produção e conservação, oferece um repertório técnico que dialoga com as agendas de pagamento por serviços ecossistêmicos e de transição de baixo carbono.
O Agroecol 2026 chega, assim, como espaço de convergência entre ciência, política pública e negócio. Para produtores, técnicos e empresas que buscam posicionar-se na economia de baixo carbono, acompanhar o evento é acompanhar o desenho do futuro da produção sustentável no Brasil Central. Faça sua inscrição no evento CLICANDO AQUI.