Promovido pela Universidade de Passo Fundo, árvores gigantes ganham destaque em iniciativa voltada à conservação do patrimônio florestal gaúcho, buscando incentivar a preservação das espécies nativas e aproximar os produtores rurais da biodiversidade
As inscrições para a terceira edição do Concurso Árvores Gigantes do Rio Grande do Sul permanecem abertas até 21 de setembro, Dia da Árvore, mobilizando produtores rurais, comunidades e proprietários interessados em identificar os maiores exemplares de angico existentes no estado. O cadastro é realizado nos escritórios da Emater/RS-Ascar mediante a apresentação da circunferência do tronco medida à altura do peito, procedimento que permite a seleção inicial das árvores participantes. Após reconhecer a maior araucária, em 2023, e a maior erva-mate, em 2025, a nova edição volta sua atenção ao angico (Parapiptadenia rigida).
Organizado pela Universidade de Passo Fundo (UPF), o concurso premiará os dez maiores exemplares da espécie encontrados em território gaúcho. A coordenação técnica ficará sob responsabilidade do Laboratório de Manejo da Vida Silvestre (Lamvis/UPF), com apoio operacional da Emater/RS-Ascar e participação de diversas instituições públicas e privadas. A escolha do angico considerou sua ampla distribuição no Rio Grande do Sul, além da reconhecida importância ecológica, histórica e cultural para diferentes regiões do Estado.


pouco vistosas e melíferas que favorecem
polinizadores e enriquecem os ecossistemas

O angico pertence à família Fabaceae e figura entre as principais espécies florestais nativas do sul do Brasil. A árvore pode alcançar aproximadamente 30 metros de altura e produz madeira de elevada densidade, resistência mecânica e longa durabilidade, amplamente utilizada na construção civil, obras hidráulicas, marcenaria pesada, vigas, postes e outras aplicações estruturais. Sua resistência natural ao ataque de insetos, inclusive cupins, amplia o interesse econômico pela espécie em atividades ligadas ao setor florestal.
Além do valor madeireiro, o angico apresenta relevante importância ambiental e medicinal. A casca possui elevado teor de taninos, utilizados na indústria e na medicina popular, enquanto seus extratos são conhecidos pelas propriedades antissépticas. A espécie também é indicada para recuperação de áreas degradadas, arborização e restauração ambiental, graças ao rápido crescimento e à capacidade de fixar nitrogênio nas raízes, contribuindo para a melhoria da fertilidade do solo. Suas flores melíferas ainda favorecem a atividade de polinizadores.


econômica. O angivo apresenta fruto do tipo legume
(vagem) plana, deiscente, com sementes achatadas

patrimônio natural. Deve ser semado logoa após a colheita
das sementes, suas sementes em canteiros contendo substrato
organo-argiloso e mantidos em ambiente semi-sombreado
Entre as principais características para identificação em campo está o aspecto do tronco com cascas desprendidas, formando uma superfície irregular semelhante a um caule arrepiado. O angico também exerce papel relevante na manutenção da biodiversidade regional. Suas folhas servem de alimento para bugio-ruivo (Alouatta guariba clamitans) e bugio-preto (Alouatta caraya), enquanto diferentes estruturas da árvore oferecem suporte para aves nativas, como a tiriba (Pyrrhura frontalis) e o papagaio-charão (Amazona pretrei), evidenciando sua contribuição para o equilíbrio dos ecossistemas florestais.
A iniciativa busca ampliar a valorização das árvores centenárias, estimular a conservação da flora gaúcha e incentivar o mapeamento de exemplares de elevado valor ambiental e histórico presentes em propriedades rurais. O projeto reúne universidades, entidades do setor florestal, cooperativas, organizações ambientais, administrações municipais e produtores rurais, promovendo uma ação colaborativa voltada ao conhecimento científico, à preservação do patrimônio natural e ao fortalecimento da cultura florestal no Rio Grande do Sul.

o patrimônio florestal gaúcho, mobilizando
produtores e pesquisadores de todo o estado