Congresso Moveleiro coloca produção, design e mercados no mesmo tabuleiro

Nos dias 4 e 5 de novembro, o Campus da Indústria do Sistema Fiep, à Av. Comendador Franco, 1341, Jardim Botânico, em Curitiba, recebe a 13ª edição do Congresso Nacional Moveleiro, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná e pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário. O tema da edição, Conexões, descreve com precisão o momento da cadeia produtiva nacional. A indústria moveleira brasileira reúne mais de 22,8 mil empresas, gerou cerca de R$ 92,1 bilhões em negócios em 2025 e sustenta 287,2 mil empregos diretos, com aproximadamente 1,1 milhão de trabalhadores na cadeia ampliada. São números robustos, mas que convivem com produção oscilante e exportações em retração.

O peso econômico do segmento ajuda a entender por que o encontro deixou de ser apenas uma vitrine de tendências. O Brasil é o maior produtor de móveis da América Latina e o sétimo do mundo, posição construída sobre uma base florestal igualmente expressiva. A silvicultura brasileira fechou 2025 com R$ 47,9 bilhões em valor de produção, o maior resultado já registrado, dos quais R$ 41 bilhões vieram das florestas plantadas. Essa vinculação entre floresta e fábrica raramente aparece com clareza nos debates setoriais, e é exatamente onde reside a margem de ganho de competitividade.

A edição anterior do congresso reuniu mais de 1,2 mil participações, com 97% de satisfação e 31% do público vindo de outros estados. Para 2026, a organização ampliou a agenda paralela, com rodadas de negócios nacionais e internacionais, visitas técnicas a indústrias, a exposição Casa Conceito e a segunda edição do Prêmio Design da Movelaria Nacional, que recebeu mais de 400 projetos inscritos de diferentes regiões do país.

Curitiba receberá o Congresso Nacional Moveleiro 2026 no Campus da Indústria do Sistema Fiep, com o tema “Conexões” e programação rica, atual e aplicável
Curitiba receberá o Congresso Nacional Moveleiro 2026
no Campus da Indústria do Sistema Fiep, com o tema
“Conexões” e programação rica, atual e aplicável
Profissionais da cadeia do mobiliário trocam experiências durante encontro setorial, em ambiente de networking que antecede as rodadas de negócios
Profissionais da cadeia do mobiliário trocam experiências
durante encontro setorial, em ambiente de networking
que antecede as rodadas de negócios

Dados, custos e o gargalo da mão de obra qualificada

A programação do primeiro dia concentra os temas que hoje pressionam o resultado das empresas. A abertura técnica trata do uso de dados e informação na construção de vantagem competitiva, com abordagem sobre inteligência de mercado aplicada à produção, ao posicionamento e à leitura de demanda. Na sequência, o debate se desloca para o ambiente externo, com análise da estratégia chinesa de liderança em vendas e das oportunidades ainda pouco exploradas pelo Brasil. O tema ganha peso quando se observa que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras de móveis caiu de 28,3% em 2024 para 16,5% no acumulado de 2026, enquanto a América Latina avançou de 53,1% para 64,5%.

O eixo operacional aparece com igual centralidade. Levantamento do setor aponta que 64,1% das empresas identificam a falta de mão de obra qualificada como principal gargalo operacional, dado que dialoga diretamente com o painel sobre mudanças culturais e mercado de trabalho diante das novas gerações. Na mesma direção, a agenda inclui a sucessão empresarial como tema de governança, e não apenas de continuidade familiar, reunindo experiências de empresas que atravessaram essa transição. A jornada de eficiência industrial, traduzida na expressão fazer mais com menos, encerra o ciclo produtivo do encontro.

O fechamento do primeiro dia desloca a discussão para o cenário pós-eleições e para os riscos e oportunidades no tabuleiro global, com a participação de economista e diplomata com trânsito em organismos multilaterais. É uma escolha coerente com o momento. Câmbio, juros, acesso a crédito e acordos comerciais definem, em última instância, a viabilidade de projetos de expansão e de modernização de parques fabris. Para uma indústria que opera com margens estreitas e ciclos de investimento longos, previsibilidade institucional é insumo tão relevante quanto energia ou matéria-prima.

Vale observar que o segundo dia reserva espaço para o lançamento da Rota Estratégica da Indústria Moveleira, construída com base no Observatório do Sistema Fiep, além de painéis sobre vendas digitais, transformações no comércio global e comércio exterior. A presença de compradores estrangeiros qualificados, aproximados por meio do projeto de promoção comercial conduzido em parceria com a ApexBrasil, transforma o evento em instrumento concreto de acesso a mercados, e não em fórum restrito a diagnósticos.

Madeira plantada, inteligência de mercado e design: as conexões que definem o futuro da indústria moveleira brasileira
Madeira plantada, inteligência de mercado e design: as conexões
que definem o futuro da indústria moveleira brasileira

Do manejo florestal ao valor percebido na prateleira

A conexão mais estratégica do congresso talvez esteja fora do palco principal. O Brasil produziu cerca de 200 milhões de metros cúbicos de toras para fins industriais em 2024, sendo aproximadamente 94% oriundos de florestas plantadas, que ocupam apenas 1,47% do território nacional. A cadeia de árvores plantadas responde por cerca de 2,6 milhões de empregos diretos e indiretos e movimentou US$ 15,7 bilhões em produtos florestais exportados em 2024, com o Paraná concentrando mais de 54% da produção nacional de pinus. É essa base que abastece painéis de MDF e MDP, lâminas, compensados e componentes que sustentam a produção moveleira.

A agenda do design dialoga exatamente com esse encadeamento. O Prêmio Design da Movelaria Nacional avalia ergonomia, materiais, acabamento, estabilidade, desempenho e viabilidade produtiva, critérios que aproximam criação e chão de fábrica. Os destaques das categorias profissionais terão peças expostas no Salone del Mobile.Milano 2027, reconhecimento que posiciona o produto brasileiro em circuitos internacionais de especificação. A exposição Casa Conceito completa o percurso ao apresentar novos materiais, design circular têxtil e descarbonização industrial, temas que deixaram de ser apêndice ambiental para se tornarem condição de acesso a determinados compradores.

O encerramento da programação de conteúdo traz a discussão sobre gestão do luxo e valor percebido, propondo que o setor aprenda com mercados que operam por experiência, origem, consistência de marca e qualidade percebida. Para uma indústria acostumada a competir por preço em segmentos de alto volume, o argumento é relevante. A madeira de origem plantada, rastreável e com produtividade comprovada, reúne atributos que sustentam posicionamento premium quando acompanhados de design consistente e comunicação bem construída.

Congresso Nacional Moveleiro 2026 coloca produção, design e mercados no mesmo tabuleiro, conexão que define a competitividade do mobiliário brasileiro
Congresso Nacional Moveleiro 2026 coloca produção,
design e mercados no mesmo tabuleiro, conexão que
define a competitividade do mobiliário brasileiro

A convergência entre silvicultura, indústria e mercado consumidor não é retórica. Cada hectare plantado e manejado sob critério técnico se traduz em matéria-prima com preço previsível, em produto com história verificável e em argumento comercial junto a mercados mais exigentes. O Congresso Nacional Moveleiro 2026 oferece o espaço onde essas pontas finalmente se encontram, e o setor tem a oportunidade de sair de Curitiba com decisões, e não apenas com anotações.

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