Manchetes da semana – 17 a 23-10-2026

Café brasileiro atinge recorde histórico em leilão internacional

O café brasileiro atingiu um novo patamar de valorização no mercado internacional. Em leilão organizado pela Alliance for Coffee Excellence, entidade que mantém o selo Cup of Excellence, um geisha natural produzido em Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais, alcançou US$ 200 por libra-peso, o maior preço já pago por um lote brasileiro na história desses eventos. A partida, um microlote de 10 kg arrematado por US$ 4.410, teve como compradora a empresa japonesa Snow Beans Coffee, e a conversão proporcional equivale a US$ 26.456 por saca de 60 kg, ou cerca de R$ 134,6 mil. O resultado ficou aproximadamente 40% acima do recorde nacional de 2018, quando um café brasileiro alcançara US$ 143 por libra-peso, e representa quase 88 vezes o preço praticado no mercado convencional. Para o setor, o sinal é relevante: o segmento de cafés especiais segue demonstrando que atributos como altitude, terroir, rastreabilidade e qualidade sensorial sustentam práticas de preço descoladas das oscilações de quem exporta volume. A leitura empresarial aponta continuidade da premiumização da cafeicultura nacional, com origens premiadas operando como ativos comerciais capazes de capturar receita adicional e diversificar riscos em um mercado global cada vez mais seletivo.

Rio de Janeiro registra salto de mulheres nas atividades rurais

A presença feminina nas atividades rurais do Rio de Janeiro segue em expansão consistente. Levantamento da Emater-Rio, órgão estadual de assistência técnica e extensão rural, aponta que cerca de 40 mil mulheres estavam cadastradas em atividades rurais em 2025, contra 33 mil em 2021, o que representa alta de 21,2% no período. O indicador revela mais do que crescimento demográfico: registra a ascensão feminina a funções de gestão, tomada de decisão e modernização de sistemas produtivos na agricultura familiar fluminense. A assistência técnica desempenha papel central nessa transição, pois qualifica produtores para crédito, certificações, manejo e acesso a mercados, convertendo presença em renda e autonomia econômica. O movimento fluminense dialoga com dados nacionais do Cepea e da CNA, que registraram avanço da ocupação feminina no agronegócio brasileiro e rendimentos em elevação, sinalizando uma reconfiguração estrutural da mão de obra do setor. Para cadeias como horticultura, leite, apicultura e turismo rural, a participação decisiva das mulheres tende a elevar a produtividade por propriedade e a ampliar a capacidade de articulação institucional. O desafio permanece transformar a inclusão cadastral em política permanente de capacitação, crédito e sucessão geracional nas unidades produtivas.

No Amazonas, 8 em cada 10 focos de fogo estão em imóveis rurais privados. Maior parte dos incêndios no Amazonas vem de áreas com cadastro rural, aponta Inpe, e queimadas disparam após o 1º turno das eleições - Foto: Ibama
No Amazonas, 8 em cada 10 focos de fogo estão em imóveis
rurais privados. Maior parte dos incêndios no Amazonas vem
de áreas com cadastro rural, aponta Inpe, e queimadas
disparam após o 1º turno das eleições – Foto: Ibama

Focos de incêndio na Amazônia dobram em uma semana e pressionam o agro

Os focos de incêndio na Amazônia Legal praticamente dobraram na semana seguinte ao primeiro turno das eleições. Satélites do Inpe registraram 3.695 focos de calor no período, contra 1.854 na semana anterior, com concentração no Amazonas e no Pará. O agravamento combina secas intensas associadas ao El Niño, que reduzem a umidade da floresta e ampliam a suscetibilidade ao fogo, com indícios de grilagem e desmatamento associado nas áreas de expansão da fronteira agrícola. Reportagens de campo ao longo da BR-163, em Novo Progresso (PA), registraram fumaça diária sobre a chamada rodovia da soja. O impacto sanitário já é mensurável: a plataforma IQAir classificou o ar de Santarém como muito insalubre, com índice de 260, e as concentrações de material particulado fino chegaram a 146 microgramas por m3, 29 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde. O Pará concentrou a maior parte dos focos ativos do país no período. Para o agronegócio, o episódio pressiona custos logísticos, saúde dos trabalhadores rurais e reputação de cadeias exportadoras, reforçando a urgência de sistemas de prevenção, brigadas capacitadas e fiscalização fundiária em escala compatível com o risco climático atual.

Nova jornada de trabalho muda a gestão de pessoal no campo

O Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026, que extingue a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e obriga as empresas a adotarem o regime 5×2 em até 60 dias. A transição reduz gradualmente a jornada das atuais 44 horas para 42 horas semanais no primeiro momento e para 40 horas em até 14 meses, sem redução salarial, com distribuição compensatória das horas excedentes ao longo da semana. A emenda preserva, excepcionalmente, escalas alternativas mediante convenção ou acordo coletivo, desde que garantidas, em média, duas folgas remuneradas semanais gozadas no mesmo mês. Trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração igual ou acima de R$ 21.188,87 poderão negociar jornadas próprias, mantido o descanso de dois dias. Uma lei complementar futura poderá estabelecer medidas de mitigação para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, perfil dominante entre prestadores de serviços rurais. Para o agronegócio, o novo marco exige revisão de escalas em fazendas, laticínios, viveiros e agroindústrias, planejamento de turnos em colheitas, ordenhas e operações sazonais e atenção às jornadas especiais previstas em normas coletivas. A recomendação prática é antecipar a adaptação de contratos, controle de ponto e folha para evitar passivo trabalhista durante a fase de transição.

Projeto que proíbe penas em fantasias avança e impacta cadeias culturais

A Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados aprovou parecer favorável ao Projeto de Lei 1.097/2019, que proíbe a confecção, a comercialização e o uso de fantasias e adereços fabricados com penas e plumas de origem animal, com multas entre R$ 5 mil e R$ 1 milhão. A proposta, que reúne três medidas apensadas, ainda precisa percorrer novas etapas legislativas antes de se converter em lei, de modo que não existe proibição em vigor neste momento. O texto prevê exceções para situações em que a extração não provoque sofrimento aos animais, critérios que dependerão de regulamentação posterior, e autoriza o reaproveitamento de materiais utilizados antes de eventual entrada em vigor. A discussão coloca frente a frente bem-estar animal e manifestações culturais, como carnavais, festas populares e eventos tradicionalistas que consomem plumas em grande escala. Para produtores, comerciantes e organizadores de eventos, o episódio serve de alerta de gestão: cadeias sensíveis a pressões regulatórias exigem rastreabilidade de origem, documentação de fornecedores e avaliação antecipada de riscos reputacionais. O acompanhamento das próximas votações definirá o alcance real das restrições e os prazos de adaptação para o setor.

Empresas solicitaram R$ 2,9 bilhões em crédito pelo Plano Brasil Soberano e custo do nutriente entregue na fazenda segue como indicador decisivo
Empresas solicitaram R$ 2,9 bilhões em crédito pelo
Plano Brasil Soberano e custo do nutriente entregue
na fazenda segue como indicador decisivo

Indústria de fertilizantes pede recursos ao BNDES e acende alerta no agro

O mercado de fertilizantes ganhou um alerta financeiro com dados do Plano Brasil Soberano 3, operado pelo BNDES: até o início de outubro, 62 empresas da cadeia haviam solicitado R$ 2,9 bilhões em financiamentos, dos quais R$ 1,7 bilhão estavam aprovados em 65 operações e apenas R$ 200 milhões haviam sido efetivamente desembolsados, o equivalente a 6,9% do valor pedido. A distância entre aprovação e liberação reflete exigências contratuais, garantias e condições de contratação, e não necessariamente atraso irregular. O movimento expressa a pressão sobre um setor estratégico exposto ao dólar, à energia e às oscilações internacionais, cuja capacidade de investimento influencia estoques, prazos de entrega e condições de pagamento oferecidas ao produtor. O contexto institucional reforça a relevância do tema: a Lei nº 15.496, de 3 de setembro de 2026, criou o Profert, programa de desenvolvimento da indústria de fertilizantes que fixa participação mínima de produto nacional, a partir de 2% em julho de 2027 e 10% em janeiro de 2037, com incentivos fiscais limitados a R$ 5 bilhões entre 2027 e 2031. Para quem aduba lavouras e pastagens, o indicador decisivo permanece o custo do nutriente entregue na fazenda, e o Mapa avalia afastado o risco de desabastecimento no mercado interno.

Brasil volta a ser a 8ª maior economia do mundo em 2027

O Brasil deve recuperar o posto de oitava maior economia do mundo em 2027, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional divulgadas no relatório Perspectivas da Economia Mundial. O PIB nominal brasileiro alcançará US$ 2,80 trilhões, superando a Itália, estimada em US$ 2,77 trilhões, e a Rússia, com US$ 2,68 trilhões, ocupação que se manteria até 2031, limite das projeções. Para 2026, o país figura na décima posição, com PIB de US$ 2,655 trilhões, e a retomada da oitava colocação seria a primeira desde 2017. O melhor desempenho histórico brasileiro foi a sétima posição, registrada em 1995 e entre 2010 e 2014. O ranking considera o PIB nominal em dólares, indicador sensível às variações cambiais, o que exige cautela na leitura: valorizações do real ou dos preços de commodities podem acelerar a ascensão, enquanto desvalorizações a retardam. Para o agronegócio, o contexto reforça o papel do setor como âncora da balança comercial e gerador de divisas que sustentam o tamanho econômico do país, ao mesmo tempo em que aponta oportunidades de crédito, investimento e ampliação de participação em cadeias globais, com o agro posicionado como elemento central dessa trajetória de recomposição de peso internacional.

Emprego no agro atinge o maior nível da história

O agronegócio brasileiro reuniu 28,4 milhões de trabalhadores ocupados no segundo trimestre de 2026, o maior contingente já registrado para o período desde o início da série histórica em 2012, segundo levantamento do Cepea, da USP, em parceria com a CNA. O setor respondeu por 26% da população ocupada do país, com expansão de 0,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. O resultado combina movimentos distintos ao longo da cadeia: o segmento primário acrescentou 145,8 mil postos, alta de 1,9%, apoiado em atividades agrícolas e florestais como café e milho, enquanto agrosserviços perderam 101,7 mil ocupações e insumos agropecuários recuaram 15,3 mil, com a agroindústria praticamente estável. No recorte de gênero, mulheres somaram cerca de 76 mil novas ocupações e a massa salarial do setor alcançou R$ 71,84 bilhões, com avanço de escolaridade e rendimento médio dos empregados. A leitura empresarial destaca a resiliência produtiva do campo diante de um ciclo de custos elevados e câmbio volátil, e aponta o refinamento da gestão de pessoas como vantagem competitiva: cadeias capazes de reter mão de obra qualificada, formalizar vínculos e elever produtividade por trabalhador tendem a capturar melhor parte do crescimento que o setor segue apresentando.

A Vaca do Gir Leiteiro Alinia FIV F. Mutum redefine o valor das matrizes do leite brasileiro
A Vaca do Gir Leiteiro Alinia FIV F. Mutum redefine
o valor das matrizes do leite brasileiro

Vaca do Gir Leiteiro atinge avaliação recorde em Uberaba

O Gir Leiteiro brasileiro estabeleceu novo referencial de valorização genética: a matriz Alinia FIV F. Mutum, da Fazenda Mutum, de Alexânia (GO), alcançou avaliação de R$ 12 milhões após a negociação de 25% de sua propriedade no 2º Leilão Pérolas do Gir Leiteiro, realizado em 17 de outubro durante a 4ª ExpoLeite, em Uberaba (MG). A participação correspondente ficou próxima de R$ 3 milhões, e o valor de mercado posiciona a fêmea entre as mais valorizadas da pecuária leiteira nacional, superando a referência anterior de R$ 7,95 milhões atribuída a outra matriz da raça. O desempenho comercial caminha junto com o resultado em pista: Alinia foi campeã da categoria Vaca Jovem no concurso leiteiro da ExpoLeite, com média diária de 62,720 quilos de leite, em prova que reuniu 83 matrizes de Gir Leiteiro, Guzerá e Girolando. A genealogia reforça o interesse comercial: a mãe da matriz registra 7.907 quilos de leite por lactação e perfil genético de betacaseína A2A2. Para o mercado de genética, o episódio confirma a maturidade dos negócios por frações de propriedade, mecanismo que amplia o acesso a linhagens de alto valor e monetiza o progresso genético, ainda que o número anunciado deva ser tratado como avaliação de mercado, e não preço de venda integral.

Barreira fitossanitária brasileira evita entrada de praga inédita no país

A barreira fitossanitária brasileira funcionou com precisão em mais um episódio de defesa do patrimônio agrícola. Técnicos da Vigilância Agropecuária Internacional – Vigiagro, do Mapa, identificaram a praga quarentenária ausente Cydia splendana em carga de 900 quilos de castanha portuguesa proveniente da Itália, inspecionada no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A praga, que afeta castanheiras e frutos secos, consta como ausente do território nacional conforme a Portaria SDA/Mapa nº 1.679 de 31 de agosto de 2026, e sua introdução poderia comprometer produções frutícolas e florestais de relevante valor econômico. Como medida emergencial, o Mapa determinou a fumigação da carga com brometo de metila, realizada em 16 de outubro, seguida de providências de devolução ou destruição da mercadoria conforme os procedimentos aplicáveis. O caso ilustra a importância econômica do controle nas fronteiras: portos, aeroportos e postos de entrada funcionam como primeira linha de defesa contra pragas e doenças capazes de elevar custos de manejo, exigir retrabalho comercial e restringir exportações. Para importadores e empresas de logística de insumos alimentares, o episódio reforça a necessidade de planos de gerenciamento de risco fitossanitário, documentação rigorosa e atenção aos requisitos sanitários de cada origem antes de embarques internacionais.

Justiça gaúcha proíbe pega do porco em todo estado

A Justiça do Rio Grande do Sul proibiu em todo o estado as competições conhecidas como pega do porco, atividades recreativas que envolvem perseguição e captura de suínos em festas rurais e eventos tradicionalistas. A sentença, proferida em 13 de outubro pela Vara Regional Ambiental, com trâmite no Tribunal de Justiça gaúcho, mantém determinação de 2025, prevê multa de R$ 50 mil para o descumprimento e alcança variantes do jogo sob outros nomes. Prefeituras e entidades tradicionalistas estão impedidas de promover, organizar, apoiar ou autorizar tais competições, e o governo estadual foi intimado a divulgar amplamente a decisão, inclusive no Diário Oficial. A ação civil pública partiu de entidade de proteção animal e o processo ainda admite recurso. A decisão não proíbe a criação comercial de suínos, o manejo zootécnico ou eventos agropecuários regulares, restringindo apenas usos recreativos que submetam animais a medo, estresse e sofrimento. A leitura para o setor é de transição cultural e jurídica: festividades rurais precisam recalibrar atrações sob a lente do bem-estar animal, critério cada vez mais presente em decisões judiciais, expectativas de consumidores e exigências de mercados internacionais sensíveis à origem ética dos produtos agropecuários.

Lei estadual de 2018 que retirou equinos da proteção foi declarada inconstitucional e TJSC restabeleceu cavalos como seres sencientes em julgamento de outubro
Lei estadual de 2018 que retirou equinos da proteção
foi declarada inconstitucional e TJSC restabeleceu cavalos
como seres sencientes em julgamento de outubro

Cavalos readquirem proteção legal de seres capazes de sentir emoções

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina restabeleceu o reconhecimento legal dos cavalos como seres sencientes, capazes de sentir emoções, ao julgar inconstitucional a lei estadual que, em 2018, os havia retirado dessa proteção. Com o julgamento concluído em 7 de outubro e acórdão publicado em 13 do mesmo mês, voltou a valer a redação do artigo 34-A da Lei Estadual nº 12.854, de 22 de dezembro de 2003, que reconhece cães, gatos e cavalos como seres sencientes e sujeitos de direito, em resposta a ação do Ministério Público. A decisão reintegra os equinos ao grupo de espécies com proteção jurídica ampliada e devolve parâmetros de fiscalização ao estado. Para a cadeia equina, que abrange esporte, lazer, trabalho no campo, equoterapia e turismo rural, o marco exige atenção ao bem-estar animal como critério de manejo: instalações, carga de trabalho, transporte, alimentação e descarte responsável passam a ser avaliados sob um referencial legal mais rigoroso. A tendência normativa converge com demandas de consumidores e mercados que valorizam práticas éticas. Empreendimentos equestres e propriedades rurais com equinos têm no registro documental de manejo e no treinamento de equipes o caminho mais seguro para alinhar produção, tradição e conformidade.

Duas portas se abrem para as proteínas brasileiras no exterior

A suinocultura brasileira conquistou uma abertura comercial com potencial de elevado retorno econômico: a China revisou o protocolo sanitário e passou a autorizar a importação de miúdos suínos do Brasil, em assinatura realizada em 26 de setembro pelo Mapa e pela embaixada chinesa. Segundo a ABPA, a medida pode direcionar mais de 100 mil toneladas anuais ao mercado asiático e gerar receita adicional superior a US$ 100 milhões, com Santa Catarina respondendo por cerca de 65,9 mil toneladas de potencial e o Rio Grande do Sul por mais de 40 mil. A lógica econômica é valorizar partes do animal que já saem das linhas de abate, como órgãos, gordura e pele, itens de consumo restrito no mercado interno e de remuneração superior na China, elevando a receita por suíno abatido sem expandir o plantel. No mesmo movimento de diversificação, o Sudão autorizou a importação de carnes, animais reprodutores e material genético brasileiros, mercado de pequena base atual, com exportações nacionais de apenas US$ 1,31 milhão em 2025, mas com demanda humanitária relevante, já que a FAO projeta cerca de 19,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar severa no país. Para o agro, os dois movimentos confirmam a estratégia de ampliar destinos e agregar valor por produto.

Crédito extraordinário protege carnes, café e frutas das tarifas dos EUA

O governo federal autorizou a liberação de R$ 6,49 bilhões em crédito extraordinário para exportadores afetados pelas sobretaxas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A decisão consta da Medida Provisória nº 1.397, de 20 de outubro de 2026 que destina os recursos ao Fundo de Garantia à Exportação – FGE, vinculado ao Ministério da Fazenda. O financiamento alcança pessoas físicas e empresas exportadoras de bens e serviços contempladas pelo Plano Brasil Soberano, programa estruturado para reduzir os impactos das tarifas adicionais norte-americanas sobre produtos brasileiros. As sobretaxas elevaram o custo de acesso de mercadorias brasileiras ao principal mercado consumidor do mundo, afetaram a competitividade de segmentos intensivos em exportação e ampliaram a demanda por alternativas de lastro financeiro. Para o agronegócio, o instrumento reforça a proteção de cadeias como carnes, café, frutas e produtos florestais, que concentram embarques aos EUA, e complementa as frentes de negociação comercial em curso. A orientação para empresas exportadoras é mapear elegibilidade, prazos e garantias do FGE, dimensionar necessidades de capital de giro e avaliar simultaneamente a diversificação de destinos, reduzindo a dependência de um único mercado e blindando margens contra novos episódios tarifários.

Cinco mil colmeias produzem 60 toneladas de mel por ano na região com flora nativa da Mata Atlântica
Cinco mil colmeias produzem 60 toneladas de mel por
ano na região com flora nativa da Mata Atlântica

Mel de Capanema entra no mapa das IGs nacionais

O mel de Capanema tornou-se a 29ª Indicação Geográfica paranaense, com registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial em 20 de outubro, consolidando o estado como líder nacional na distinção, com 183 IGs registradas no Brasil. O pedido foi apresentado pela Associação de Apicultores de Capanema e Região e reconhece uma apicultura de base familiar com mais de 50 anos de atividade, sustentada pela interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica preservada na região do sudoeste paranaense. Os produtores vinculados à associação mantêm cerca de 5 mil colmeias e produzem 60 toneladas de mel por ano, comercializadas no mercado regional, em estados como São Paulo e Rio Grande do Sul e na rede de serviços do entorno do Parque Nacional do Iguaçu, onde a distinção alimenta o turismo e a gastronomia local. O Paraná passa a reunir quatro méis com IG, ao lado de Ortigueira, do Oeste do estado e do melato de bracatinga do Planalto Sul. A leitura empresarial evidencia o papel das indicações geográficas como instrumento de agregação de valor, proteção de origem e organização coletiva de agricultores familiares, convertendo territorialidade e saber tradicional em preço, reconhecimento de mercado e desenvolvimento regional.

Projeto na Câmara propõe extinguir o Incra e transferir funções ao Mapa

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1001/2026 que propõe extinguir o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA e transferir suas funções para o Ministério da Agricultura e Pecuária, com redistribuição dos servidores entre a pasta e a Fundação Palmares. A iniciativa motivou reação imediata da categoria: servidores organizaram manifestação em Brasília em 20 de outubro e campanha pública contra a extinção. Segundo a entidade representativa, o Incra hoje atende cerca de 30 milhões de brasileiros, entre assentados, acampados, quilombolas, ribeirinhos, moradores de reservas extrativistas e proprietários rurais, e acumula funções estratégicas para a governança fundiária, como arrecadação e titulação de terras, avaliação do valor da terra nua e controle da compra e do arrendamento de imóveis por estrangeiros. A discussão coloca em pauta o dilema entre eficiência administrativa e continuidade institucional: a autarquia concentra competências técnicas, cadastros e processos que sustentam a segurança jurídica da propriedade rural, instrumento essencial para crédito, contratos e investimentos no campo. O resultado da tramitação terá implicações diretas sobre a ordenança fundiária nacional, tema sensível para o agronegócio e para as políticas de desenvolvimento territorial.