Queijos paranaenses somam 667 medalhas em seis anos apoiados por assistência técnica e regularização sanitária, consolidando o estado como referência na produção
Os queijos do Paraná atravessam um período de reconhecimento raro na cadeia láctea brasileira. Em seis anos de competições nacionais e internacionais, o estado acumulou 667 medalhas, entre ouro, prata e bronze, e passou a disputar espaço no pódio com os grandes polos de queijos finos do planeta. O resultado consolida uma transformação silenciosa: uma pecuária de leite tradicional, presente nos 399 municípios paranaenses, encontrou na agregação de valor o caminho para competir em qualidade e rentabilidade.
A escala da base produtiva explica o potencial do movimento. O Paraná produz em média 13 milhões de litros de leite por dia, ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção e destina cerca de 6 milhões de litros apenas à fabricação de queijos. Transformar essa matéria-prima em produtos premiados é, portanto, questão de estratégia: cada ponto percentual de valor agregado ao leite se converte em renda no campo, emprego nas queijarias e tributos para municípios que dependem da atividade.
Apenas em 2026, o estado somou 272 medalhas, com participação de produtores de dez regiões, entre elas Curitiba, Toledo, Apucarana, Ponta Grossa, Paranavaí, Francisco Beltrão, Cascavel, Laranjeiras do Sul, Santo Antônio da Platina e Dois Vizinhos. Além dos queijos, entraram em julgamento produtos como doce de leite, iogurte, manteiga e requeijão, sinal de que a excelência conquistada nos queijos já se espalha pelos demais derivados lácteos. A capilaridade geográfica mostra que o pódio não é território de um único polo.

representou o Paraná entre os dez melhores do mundo
Da região Oeste ao pódio internacional
O episódio que projetou o estado nos círculos internacionais ocorreu no World Cheese Awards, competição anual organizada pela Guild of Fine Food e conhecida como o Oscar dos queijos. Na edição de 2025, sediada em Berna, na Suíça, mais de 5 mil queijos de mais de 50 países foram avaliados por júris especializados, e três produtos de Toledo, no Oeste paranaense, voltaram premiados. O desempenho colocou uma agroindústria regional em disputa direta com tradições centenárias europeias e chamou atenção de importadores.
O destaque absoluto é um queijo de pasta dura elaborado com leite de vaca pasteurizado, cuja coalhada é lavada em infusão de maracujá e cuja casca recebe flores comestíveis, como calêndula. O produto, desenvolvido em parceria entre o IDR-Paraná e o Biopark, de Toledo, dentro do Projeto Queijos Finos, figurou entre os dez melhores do mundo no certame de 2024, em Portugal, quando foi o único representante latino-americano na categoria super ouro, e conquistou o terceiro lugar no Mundial do Queijo do Brasil 2026.
Em território nacional, o Mundial do Queijo do Brasil, realizado em abril, em São Paulo, pela associação SerTãoBras, confirmou a consistência dos paranaenses. Foram 43 produtos medalhistas entre 198 inscritos, e 12 queijarias assistidas pelo IDR-Paraná concentraram 26 premiações, com 2 super ouro, 10 ouro, 5 prata e 8 bronze. O balanço evidencia que a estratégia assistida funciona: quando a assistência técnica chega ao produtor com método, o resultado aparece tanto no tanque quanto no pódio.

no Paraná saltaram de 55 para 173 entre 2023 e 2026
Regularização sanitária e valor agregado
Por trás das medalhas existe uma engrenagem institucional que merece atenção de quem administra negócios rurais. O acompanhamento conjunto do IDR-Paraná e da Adapar percorre o ciclo completo: manejo do rebanho, qualidade do leite, estruturação das queijarias, adequação sanitária e regularização para venda formal. Uma produtora de Araucária ilustra o efeito econômico: com cadastro no Susaf-PR, elevou o valor do quilo do queijo de cerca de R$ 40 para aproximadamente R$ 55, ganho direto da formalização e do selo de qualidade percebido pelo mercado.
Os números de habilitação mostram a velocidade da mudança estrutural. Segundo a Adapar, as agroindústrias habilitadas pelo Susaf-PR para vender produtos de origem animal saltaram de 55, em dezembro de 2023, para 173, em maio de 2026. No segmento de derivados, cerca de 85 famílias vivem da atividade, e 30 novas queijarias foram implantadas nos últimos três anos. Cada unidade regularizada amplia a base de produtos que podem cruzar fronteiras estaduais com rastreabilidade e disputar mercados maiores.
O movimento também tem vitrine própria em casa. O Prêmio Queijos do Paraná, criado para valorizar a pecuária de leite e evidenciar os produtos do estado, reuniu 318 queijos inscritos e 98 premiados na primeira edição, em 2023, e 446 inscritos e 75 premiados na segunda, em 2025, com nova edição marcada para junho de 2027. Para o empresariado do setor, a lição é objetiva: regularização sanitária, assistência técnica contínua e concurso de qualidade compõem a receita que transforma leite em marca.