Força Crioula: mais de 700 exemplares do Cavalo Crioulo movimentam a Expointer 2026 entre competições, seleção e negócios, uma das maiores concentrações da raça no calendário nacional
A presença de mais de 700 exemplares da raça Crioula na Expointer 2026 traduz a dimensão que o cavalo alcançou dentro da principal exposição agropecuária do sul do Brasil. A programação reúne animais destinados à Morfologia, ao Freio de Ouro, à Supercopa Jovem e aos leilões, formando uma amostra expressiva da seleção realizada nas propriedades e cabanhas. A movimentação também evidencia a capacidade de organização de uma cadeia que combina criação, esporte, genética, serviços especializados e comercialização de animais.
Mais do que uma concentração de animais em pista, a participação representa um importante mecanismo de avaliação genética e zootécnica. Na Morfologia, por exemplo, são observadas características estruturais e raciais que orientam decisões de seleção e reprodução. Em 2026, a competição reúne 246 exemplares efetivamente admitidos, depois de um circuito de 24 exposições passaporte e outras formas de habilitação. O processo amplia a base comparativa e permite identificar animais que reúnem atributos valorizados para a continuidade dos programas de criação.

A relevância econômica desse processo aparece quando a genética deixa de ser analisada apenas sob a perspectiva da pista e passa a ser relacionada ao valor produtivo e comercial dos animais. Características como equilíbrio morfológico, qualidade dos aprumos, musculatura, resistência e funcionalidade interferem na utilização dos exemplares tanto na reprodução quanto nas atividades esportivas e de trabalho. Nesse ambiente, a Expointer funciona como uma vitrine na qual criadores apresentam resultados de anos de acasalamentos, manejo e seleção, enquanto compradores encontram referências para decisões que podem repercutir por várias gerações.
O calendário de 2026 também mostra a amplitude da estrutura criada em torno do Crioulo. A programação reúne a Morfologia, o Freio de Ouro e a Supercopa Jovem, com atividades distribuídas entre o fim de agosto e o início de setembro. O Freio de Ouro, principal prova funcional da raça, avalia os animais em diferentes etapas, incluindo morfologia, andaduras, figura, velocidade, potência, mangueira e campo. A combinação entre avaliação física e desempenho funcional mantém o foco em um cavalo capaz de responder às exigências de trabalho e esporte.

e compradores – Foto: Leandro Vieira

equestre – Foto: Mauricio Vinhas
Outro componente relevante é o mercado. Os leilões vinculados à programação do Cavalo Crioulo integram a agenda da feira e aproximam genética, investidores, criadores e usuários finais. A comercialização de animais e embriões, associada à valorização de linhagens e resultados esportivos, movimenta uma rede que envolve veterinários, centros de reprodução, treinadores, transportadores, profissionais de manejo e empresas fornecedoras. A presença de 248 exemplares previstos para os leilões da raça reforça a dimensão empresarial que acompanha a atividade.
Nesse cenário, a participação superior a 700 animais na Expointer 2026 representa também um retrato da profissionalização da criação do Cavalo Crioulo. A evolução da seleção exige planejamento reprodutivo, controle sanitário, investimento em infraestrutura e leitura cada vez mais precisa dos indicadores de desempenho. Ao reunir diferentes gerações e linhagens em um mesmo ambiente competitivo, a feira aproxima tradição e gestão, mostrando que a criação de cavalos de qualidade passou a ocupar um espaço relevante dentro da economia do agronegócio. Para a raça, a pista deixa de ser apenas palco de premiações e assume papel estratégico na construção do futuro genético e comercial do setor.