Lignocelulose de pinus transforma resíduo florestal em alternativa para a nutrição de suínos substituindo parte das fontes convencionais e favorecendo saúde intestinal, bem-estar e produtividade
A busca por eficiência na suinocultura passa, cada vez mais, pela capacidade de transformar conhecimento nutricional em resultado econômico dentro da granja. Nesse movimento, uma tecnologia brasileira utiliza madeira de pinus de reflorestamento como matéria-prima para produzir lignocelulose destinada à alimentação de suínos. A proposta amplia o leque de fontes de fibra disponíveis para as formulações e coloca em evidência uma matéria-prima de origem florestal. O uso de fibra de madeira na alimentação de suínos combina nutrição, saúde intestinal e aproveitamento de recursos, temas que ganharam relevância diante da pressão por produtividade e sustentabilidade.
A inovação apresentada ao setor parte de um princípio conhecido na fisiologia digestiva: a fibra não atua apenas como componente de preenchimento da dieta. Dependendo de sua composição e características físicas, pode interferir no trânsito intestinal, na retenção de água e na fermentação no trato gastrointestinal. No caso da lignocelulose produzida a partir do pinus, o processamento busca ampliar sua capacidade de retenção hídrica, criando condições para uma passagem mais regular do conteúdo digestivo. A qualidade física da fibra passa, assim, a ser tão importante quanto sua composição química para determinar seus efeitos sobre os animais.

de suínos com tecnologia que transforma matéria-prima florestal
Essa abordagem ganha importância principalmente nas fases em que o sistema digestivo está sob maior pressão, como o período posterior ao desmame. Pesquisas recentes mostram que diferentes fontes de lignocelulose podem modificar parâmetros relacionados à morfologia intestinal, à microbiota e à produção de ácidos graxos de cadeia curta, embora os efeitos sobre ganho de peso e conversão alimentar variem conforme a fonte e o nível de inclusão. Em estudo publicado em 2026, a combinação de lignocelulose e probiótico alterou marcadores imunológicos e características da mucosa intestinal de leitões. Assim, o equilíbrio da microbiota surge como componente estratégico da nutrição de precisão.
Do ponto de vista produtivo, a discussão tem peso considerável porque a alimentação representa uma das principais parcelas do custo da suinocultura. Em Santa Catarina, por exemplo, a ração respondeu por 72,6% do custo de produção do suíno vivo em junho, segundo dado citado pela Embrapa. Nesse ambiente, pequenas melhorias no aproveitamento dos nutrientes podem adquirir relevância econômica quando reproduzidas em escala. Eficiência alimentar significa produzir mais utilizando melhor cada unidade de ração, o que torna ingredientes funcionais objeto de crescente atenção entre nutricionistas e empresas.
Segundo o Diretor Técnico da GFS – Global Feed Solutions, José Luciano Andriguetto, a lignocelulose apresenta características que podem ampliar a eficiência da formulação de dietas para suínos, sobretudo pela elevada proporção de fibra insolúvel, associada ao trânsito intestinal, ao controle da glicemia e à dinâmica da fermentação. Em comparação com ingredientes convencionais, como farelo de trigo e casca de soja, permite trabalhar com inclusões menores e reduz a presença de frações solúveis potencialmente indesejáveis. Outro aspecto relevante é a ausência de nitrogênio ligado à fibra, reduzindo a disponibilidade desse composto no intestino grosso. Além disso, sua composição padronizada proporciona maior previsibilidade nutricional, importante para formulações consistentes e gestão econômica da alimentação.

de lignocelulose, fibra que pode contribuir para o equilíbrio
intestinal de suínos e o aproveitamento dos nutrientes
A utilização de uma fibra obtida de madeira de reflorestamento também aproxima a discussão nutricional de uma agenda mais ampla de aproveitamento de recursos e economia circular. Entretanto, a adoção comercial exige avaliação criteriosa da matéria-prima, padronização do processamento, segurança, estabilidade e resposta dos animais em diferentes fases produtivas. Estudos com lignocelulose mostram que determinados níveis podem alterar a fermentação intestinal e reduzir populações de microrganismos indesejáveis, mas também evidenciam que respostas fisiológicas não são uniformes entre fontes. O valor da tecnologia estará na consistência dos resultados e na sua integração ao programa nutricional da granja.
Para a cadeia suinícola, portanto, a transformação de madeira em fibra representa mais do que a criação de um novo ingrediente. Ela sinaliza uma tendência de buscar soluções capazes de associar desempenho zootécnico, saúde intestinal, bem-estar e uso mais racional de matérias-primas. A expansão desse conceito dependerá da validação em condições comerciais, da relação entre custo e benefício e da capacidade de entregar resultados previsíveis. A fibra de madeira pode ganhar espaço na suinocultura à medida que a nutrição avance de uma lógica baseada apenas em composição para uma gestão mais ampla da função intestinal, com impacto potencial sobre produtividade, eficiência e sustentabilidade.