Nova genética acompanha expansão do gergelim

O avanço do gergelim no agronegócio brasileiro vem abrindo espaço para materiais genéticos capazes de combinar produtividade, adaptação regional e maior flexibilidade comercial. Nesse movimento, a LCS Melgrão chega ao mercado com ciclo próximo de 90 dias, rusticidade e potencial produtivo de até 1.600 quilos por hectare, características que podem ampliar o papel da oleaginosa no planejamento da segunda safra. Registrada pela LC Sementes no Registro Nacional de Cultivares, em 14 de agosto de 2025, sob o número 60195, a cultivar é resultado de mais de sete anos de pesquisa e representa uma nova frente de melhoramento voltada às demandas do produtor e da indústria.

O contexto de mercado ajuda a explicar o interesse crescente pela cultura. Em Mato Grosso, principal polo nacional, a produção alcançou 288,9 mil toneladas na safra 2024/25, avanço de 17,3% sobre o ciclo anterior. A produtividade média também passou de 579,06 para 720,09 quilos por hectare, enquanto a área cultivada aumentou 250% em cinco anos. Esses números mostram que o gergelim deixou de ocupar apenas nichos específicos e passou a integrar, de maneira mais consistente, as estratégias de diversificação agrícola.

A expansão ocorre, sobretudo, em regiões nas quais a janela climática restringe alternativas tradicionais de segunda safra. Com ciclo relativamente curto e menor demanda operacional, o gergelim pode ocupar áreas em períodos nos quais o risco associado à redução das chuvas aumenta para outras culturas. A escolha, porém, precisa considerar disponibilidade de sementes, qualidade do solo, regime hídrico, estrutura de colheita, assistência técnica e canais de comercialização, evitando que a decisão seja tomada apenas com base no potencial produtivo.

Gergelim amplia espaço entre as alternativas brasileiras para diversificação da segunda safra e a nova cultivar combina ciclo curto, rusticidade e múltiplas possibilidades de comercialização
Gergelim amplia espaço entre as alternativas brasileiras para
diversificação da segunda safra e a nova cultivar combina ciclo
curto, rusticidade e múltiplas possibilidades de comercialização

Dupla aptidão amplia possibilidades de mercado

Um dos atributos comerciais mais relevantes da LCS Melgrão está no perfil de sabor doce e suave (daí o nome mel-grão), associado à possibilidade de utilização em diferentes segmentos. O material foi desenvolvido para atender tanto à indústria de óleo quanto ao mercado alimentício, gourmet e ao consumo direto. Essa característica cria alternativas para a comercialização da produção e permite que o grão seja direcionado a cadeias com diferentes padrões de demanda e formação de valor.

A cultivar também apresenta retenção placentária, característica relacionada à permanência dos grãos nas cápsulas e à redução de perdas antes da colheita. No desenvolvimento do material, esse atributo foi associado a desempenho de campo semelhante ao observado em cultivares amplamente utilizadas. Para o produtor, características desse tipo ganham importância porque a produtividade efetiva depende não apenas do potencial genético, mas também da capacidade de transformar o potencial da lavoura em grão comercial colhido.

O sabor também abre uma discussão importante sobre agregação de valor. Embora o mercado brasileiro ainda apresente consumo relativamente pequeno, estimado entre 10 mil e 15 mil toneladas anuais, existe espaço para ampliar a utilização do gergelim em panificação, tahine, doces, alimentos funcionais e outros produtos. Cultivares com características sensoriais mais suaves podem contribuir para ampliar essa base de consumo, aproximando a produção agrícola de segmentos alimentícios de maior valor agregado.

Cultivar apresenta perfil de sabor doce e suave voltado também ao mercado alimentício
Cultivar apresenta perfil de sabor doce e suave
voltado também ao mercado alimentício

Ciclo curto reposiciona a cultura na segunda safra

A recomendação de semeadura da LCS Melgrão está concentrada entre 10 de fevereiro e 15 de março, período que pode favorecer o estabelecimento da lavoura em determinadas regiões produtoras. O ciclo próximo de 90 dias permite trabalhar com uma janela operacional relativamente compacta, aspecto relevante para propriedades que buscam organizar sucessões de culturas e distribuir melhor máquinas, mão de obra e capital ao longo do calendário agrícola.

O custo estimado de implantação, entre R$ 1.200 e R$ 1.600 por hectare, também coloca a cultura no radar de produtores atentos à relação entre investimento e retorno. Esse valor, entretanto, varia conforme região, preços de insumos, nível tecnológico e sistema de produção. Da mesma forma, o teto produtivo de 1.600 quilos por hectare não deve ser interpretado como resultado garantido, pois desempenho agronômico depende de manejo populacional, nutrição, sanidade, clima e condições específicas de cada ambiente.

No comércio exterior, a perspectiva é igualmente relevante. A China liderou os destinos do gergelim brasileiro em 2025, seguida por Índia, Turquia, Vietnã e Arábia Saudita, demonstrando a existência de uma demanda internacional diversificada. Nesse cenário, qualidade, uniformidade, rastreabilidade e segurança dos alimentos tornam-se componentes essenciais da competitividade. Para o produtor brasileiro, a chegada de novas cultivares representa, portanto, mais do que uma alternativa agronômica: sinaliza a maturação de uma cadeia que começa a combinar genética, eficiência produtiva, diversificação da segunda safra e acesso a mercados de maior valor.

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