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Arte – A história do café paulista em 12 obras de arte

Pórtico da Pinacoteca de São Paulo

Em São Paulo, as estações de trem ‘transportam’ história econômica e logística da capital, ao mesmo tempo em que guardam o aroma secular do café paulista que era carregado e descarregado na metrópole. Se, em 1900, no centro da cidade, a parada da Luz movimentou milhares de toneladas do grão, agora dá lugar a cerca de cinco milhões de passageiros que, muitas vezes, não sabem da relação de sucesso do local com o café.

A Pinacoteca de São Paulo – um dos principais museus modernistas do país -, em parceria com a Nescafé, fez uma curadoria de quadros e esculturas que recontam a evolução do café no estado. Este ano, São Paulo deve alcançar uma produção de cinco milhões de sacas do arábica, segundo o terceiro levantamento deste ano, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).Desde ontem, a Pinacoteca apresenta uma exposição sobre a história do café e sua relação com São Paulo.

A seleção de obras conscientiza o público sobre o avanço da produção do grão e é uma forma de celebrar algo que no século passado era a nova riqueza de São Paulo e hoje está misturado com as obras de arte. A visita dura 40 minutos e passa por 12 obras iniciando-se por 1835, passando pelo modernista do começo do século XX, Lasar Segall (Homem com cartaz e cafezal, 1927), passa na sala sobre a iconografia de São Paulo que inclui a obra São Paulo de Tarsila do Amaral, artista que vem de uma família cafeeira, por Benedito José Tobias com a obra “Gigantes e pigmeus”, seguindo pela sala que fala sobre os lugares de gênero e raça com destaque para tela de Georgina de Albuquerque, “No cafezal” de 1930, que fala sobre mulheres no cafezal, a obra do italiano Antônio Rocco, “Os emigrantes”, que fala sobre os imigrantes, dentre outra obras.

Tarsila do Amaral (São Paulo)
Tarsila do Amaral (São Paulo)
Lasar Segall (Homem com cartaz e cafezal)
Lasar Segall (Homem com cartaz e cafezal)

Do lado da indústria, a representação da importância do café reflete uma urgência: torná-lo tangível ao público diante de um colapso climático que, se continuar, pode acabar com a produção do grão do tipo arábica no país em 50 anos, inviabilizando, por exemplo, a comercialização e o consumo do grão. Se a temperatura da terra aumentar até 2080, a redução da área de arábica pode diminuir até 15%, afetando muito o cultivo no Brasil.

A marca que pertence a companhia suíça Nestlé tem explorado experiências imersivas e culturais para apresentar lançamentos de cafés especiais, mas que são vendidos no varejo. Na linha “Origens do Brasil” são três tipos de lotes da bebida produzidos por 35 famílias das regiões de São Sebastião do Paraíso e Serras do Alto Parnaíba, em Minas Gerais, além da Chapada Diamantina, na Bahia.

Benedito José Tobias (Gigantes e pigmeus)
Benedito José Tobias (Gigantes e pigmeus)
Georgina de Albuquerque (No cafezal, 1926)
Georgina de Albuquerque (No cafezal, 1926)

A seleção das obras sobre o café já havia sido organizada em 2020, mas acaba de passar por uma nova curadoria por Yuri Quevedo para formatar a mostra, cujos selos são espalhados por salas do acervo fixo da Pinacoteca, composto por mais de 1200 obras.

Por estar dividida em assuntos, o visitante visita os ambientes e com ajuda de um QR-Code acessa um áudio guia que dá detalhes sobre as mais de doze obras de arte que mostram a complexidade do produto e os hábitos do consumo ao longo da história.

Antônio Rocco (Os emigrantes)
Antônio Rocco (Os emigrantes)

A Pinacoteca de São Paulo fica na Praça da Luz, 2, Luz, São Paulo, SP (em frente à Estação da Luz) e funciona de quarta d segunda, das 10:00 às 18:00. Telefone (11) 3324-1000.

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