CAMPO -  A importância dos trabalhadores rurais brasileiros

Camomila

Apesar de produzida por 17 municípios paranaenses, é na Região Metropolitana de Curitiba que ela se concentra: a região é responsável por 97,5% de toda a erva medicinal do Paraná. A lista é liderada por Mandirituba e seguida por São José dos Pinhais e Campo do Tenente, mas também engloba outras seis cidades da RMC: Lapa, Quitandinha, Fazenda Rio Grande, Campo Largo, Contenda e Araucária.

Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Mandirituba é responsável por cerca de 30% de toda a camomila produzida no Paraná, com mais de 400 toneladas anuais colhidas. Anualmente a produção desta planta gera cerca de R$ 5 milhões de faturamento bruto aos produtores da cidade.

A camomila desidratada produzida em Mandirituba recebeu o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Foi a 14ª IG concedida a produtos do Paraná e a primeira publicada pelo instituto em 2024. Essa conquista extraordinária é fruto de uma parceria sólida entre a Prefeitura de Mandirituba, a Associação dos Produtores de Camomila de Mandirituba (Camandi) e o Sebrae, representando o resultado de um trabalho intenso e dedicado.

Colheita mecânica da camomila - Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Colheita mecânica da camomila – Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Colheita mecânica da camomila - Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Colheita mecânica da camomila – Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Transbordo da colheita para o caminhão em direção ao beneficiamento - Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Transbordo da colheita para o caminhão em direção ao beneficiamento
Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná

O selo foi concedido à Associação dos Produtores de Camomila de Mandirituba (Camandi) na modalidade de Indicação de Procedência, que atesta a qualidade e a tradição do produto cultivado em um determinado local. A cidade é considerada a capital nacional da camomila, sendo uma das principais produtoras no Brasil, de acordo com o Sebrae Paraná, que orientou o processo de concessão do selo de IG ao produto. A camomila de Mandirituba é utilizada para chás, essências e produtos farmacêuticos.

A Indicação Geográfica não apenas chancela o trabalho desenvolvido, mas também reflete o comprometimento dos produtores locais em oferecer o melhor produto, desde o plantio até a colheita. Essa conquista é uma expressão do cuidado e dedicação que resultam em produtos de qualidade excepcional. Além de reconhecer a excelência da camomila de Mandirituba, a conquista do Selo de Indicação Geográfica destaca a importância da preservação da tradição e do esforço conjunto para promover a prosperidade da comunidade.

De acordo com o INPI, a Indicação Geográfica se justifica pelas condições de solo e clima local propícias para o cultivo e pelo conhecimento dos produtores sobre os potenciais agrícola, alimentício e medicinal do produto. O parecer também destaca a qualidade da camomila de Mandirituba, que supera com folga o teor médio de concentração de óleo essencial exigido pelo mercado. Em geral, a concentração precisa ser superior a 0,4% e a camomila de Mandirituba tem, em média, concentração de 0,7%, 75% acima do exigido pelo mercado.

Descarregando a camomila colhida para beneficiamento - Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Descarregando a camomila colhida para beneficiamento
Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Processo de beneficiamento - Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná
Processo de beneficiamento – Foto: Ari Dias/AEN-Agência de Notícias do Paraná

A história da camomila na região

Mandirituba está a 40 quilômetros da capital paranaense. Introduzida por imigrantes do Leste Europeu no início do século XX, a camomila ocupa uma área de 875 hectares no município, sendo cultivada por cerca de 50 famílias da região. Foi graças a esses imigrantes que Mandirituba recebeu suas primeiras sementes da flor amarela e branca que dá fama ao município. A produção local despontou como uma referência nacional na década de 1990. No parecer que reconhece o selo de Indicação Geográfica à camomila de Mandirituba, o INPI afirma que houve uma evolução significativa no que se refere às técnicas de produção utilizadas.

Segundo o documento, etapas que antes eram realizadas manualmente, hoje são feitas de forma totalmente mecanizada, desde a semeadura até a secagem. Não obstante as mudanças trazidas pela introdução das novas tecnologias, a tradição e o saber fazer dos agricultores têm sido perpetuados pelas novas gerações.

Uma das características apontadas para o sucesso da produtividade na cidade é o clima frio da região, que favorece o florescimento durante o inverno. O ciclo da camomila dura cerca de cinco meses: é plantada entre abril e maio para ser colhida entre agosto e setembro. Ela se encaixa no calendário dos agricultores locais. A planta se adaptou bem ao clima frio sendo uma opção de rotação de culturas, já que no verão se planta milho e soja. Os produtores, em sua maioria, possuem infraestrutura e expertise para cultivá-la e beneficiá-la. 95% deles têm uma estrutura pronta: produção da semente, plantio, colheita e estrutura de classificação, secagem e armazenamento. O ciclo completo.

Os campos de camomila movimentam o turismo na região

Com campos floridos aromáticos e uma cultura sólida, hoje o potencial da camomila no município também é turístico. Mas, no início, seu plantio era rudimentar: a cultura começou há décadas de forma manual, com áreas pequenas e colheita também manual. Aos poucos, os produtores receberam incentivos de uma empresa privada que se instalou na região, fomentando o cultivo e multiplicando os interessados. Com isso, a tecnologia aos poucos passou a aumentar a produtividade.

Roteiro das Camomilas - Além de movimentar a economia, os campos floridos de camomila também são palco de caminhadas e incentivam o turismo
Roteiro das Camomilas – Além de movimentar a economia, os campos floridos de
camomila também são palco de caminhadas e incentivam o turismo

A cultura é tão forte na região que vem trazendo um grande fluxo de turistas para conhecer os campos de camomila através das caminhadas. Os visitantes vão até a cidade para acompanhar a florada da lavoura, especialmente nos meses de agosto e setembro. A prefeitura promove circuitos de caminhadas na natureza, nas quais o turista recebe a oportunidade de conhecer mais sobre a agricultura da região. O município tem se destacado como um destino turístico cada vez mais procurado. As caminhadas têm impulsionado o setor comercial, gastronômico e de serviços na região.

O Roteiro das Camomilas, na localidade de Colônia Retiro está se destacando em nível nacional. Participantes de diversas partes do Brasil, incluindo cidades como Brasília, São Paulo e Santa Catarina, se reúnem em Mandirituba para explorar as trilhas e belezas naturais locais. Destacam-se os belos campos de camomilas, cachoeiras, trilha ecológica, faxinal, monumento histórico dentre outros. As caminhadas estimulam o desenvolvimento territorial sustentável, o turismo local, a prática de atividade física, a inclusão social, além de valorizar a agricultura familiar e seu modo de vida.

Para mais informações, entre em contato com o Departamento de Turismo de Mandirituba nos telefones (41) 3626-1122; 3626-2275 e pelo email [email protected], e saiba mais sobre os roteiros das caminhadas.

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