Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
Lei da Reciprocidade coloca o Brasil diante de uma decisão estratégica no comércio internacional
A Lei da Reciprocidade Econômica coloca o Brasil diante de um instrumento relevante para responder a barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, mas sua aplicação exige cálculo econômico, segurança jurídica e coordenação institucional. Regulamentada pelo Decreto nº 12.551, de 14 de julho de 2025, a Lei nº 15.122, de 11 de abril de 2025 permite adotar tarifas, restringir importações, suspender concessões e, em situações excepcionais, rever direitos de propriedade intelectual. O ponto central, porém, está na proporcionalidade: qualquer contramedida precisa preservar a competitividade doméstica e evitar custos adicionais para empresas e produtores. No agronegócio brasileiro, esse cuidado é decisivo, sobretudo diante da dependência de máquinas, defensivos, tecnologias, genética e medicamentos importados. Ao mesmo tempo, setores exportadores afetados pelas sobretaxas americanas demandam proteção institucional e previsibilidade. A abertura do processo na Camex, associada à negociação diplomática e à atuação na OMC, cria espaço para uma resposta técnica, gradual e calibrada, capaz de defender os interesses brasileiros sem transformar o comércio em confronto permanente.
Expansão do Ceaflor sinaliza nova escala para a cadeia de flores
O Ceaflor, em Holambra (SP), prepara uma nova etapa de expansão com investimento de R$ 62 milhões, destinado à ampliação da estrutura comercial e operacional do principal polo de flores, plantas e produtos hortifrutícolas da região. O projeto prevê 140 novos boxes, área para eventos e estacionamento, criando condições para ampliar a capacidade de atendimento e acompanhar o crescimento da demanda. A estratégia sinaliza uma transformação relevante na infraestrutura de comercialização, em um segmento no qual logística, escala, regularidade de oferta e qualidade são determinantes para a competitividade. Ao ampliar sua capacidade física, o empreendimento busca praticamente dobrar de tamanho, criando espaço para novos negócios e maior integração entre produtores, atacadistas e compradores. O movimento ocorre em um mercado que exige ganhos contínuos de eficiência e organização, especialmente diante da expansão do consumo de flores, plantas ornamentais e hortifrúti e da necessidade de reduzir perdas ao longo da cadeia.

Aquicultores ganham novo prazo para atualizar cadastro
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) prorrogou até 31 de dezembro de 2026 o prazo para atualização cadastral necessária à solicitação da Licença de Aquicultor, medida formalizada pela Portaria MPA nº 736, de 24 de julho de 2026. A extensão ocorre durante a transição para uma nova plataforma tecnológica de cadastramento e busca oferecer aos produtores tempo adicional para adequar suas informações às exigências administrativas. A mudança responde também a dificuldades operacionais relatadas pelo setor durante o processo de atualização. Como parte dessa transição, o MPA suspendeu temporariamente a entrega do Relatório de Produção da atividade de aquicultura, cuja exigência permanecerá interrompida até a implantação efetiva do novo sistema e das respectivas orientações. Para empresas e produtores, o prazo ampliado representa uma oportunidade para revisar documentos, corrigir registros e manter a regularidade cadastral da aquicultura, aspecto relevante para segurança jurídica, planejamento produtivo e acesso a políticas públicas e mercados.
MP denuncia empresa por ração contaminada
A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) contra a Nutratta Nutrição Animal e dois responsáveis pela empresa recoloca no centro do debate a segurança da alimentação animal, após a morte de 80 cavalos Mangalarga Marchador no Haras Nova Alcatéia, em Atalaia. Segundo a investigação, os animais teriam sido intoxicados após consumir rações contaminadas por alcaloides pirrolizidínicos, substâncias hepatotóxicas associadas a plantas do gênero Crotalaria. Análises realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) identificaram monocrotalina nas amostras investigadas, enquanto a apuração apontou falhas no controle e armazenamento de matérias-primas. O episódio integra um quadro mais amplo, que contabilizava 284 equinos mortos em diferentes estados até julho de 2025. Para a equinocultura profissional, o caso evidencia a importância de rastreabilidade, segregação de ingredientes, controle de qualidade e gestão de riscos na fabricação de rações. A denúncia ainda será analisada pela Justiça, sem antecipar responsabilidades.
Vinhos brasileiros ampliam presença global e chegam a 79 mercados internacionais
A vitivinicultura brasileira avança na internacionalização e encerrou o primeiro semestre de 2026 com US$ 6,79 milhões em exportações de vinhos e espumantes, alta de 23,73% sobre igual período de 2025. O desempenho veio acompanhado pela ampliação dos destinos, que passaram de cerca de 66 para 79 países, sinalizando maior diversificação comercial e menor dependência de mercados específicos. Os vinhos responderam por US$ 5,61 milhões, crescimento de 24,66%, enquanto os espumantes somaram US$ 1,18 milhão. O movimento é apoiado pelo Wines of Brazil, iniciativa do Consevitis-RS em parceria com a ApexBrasil, que atua na promoção internacional, rodadas de negócios e aproximação com compradores. Para o setor, a expansão abre espaço para explorar atributos como origem, terroir, identidade regional e valor agregado, além da diversidade entre produção tradicional, vinhos de inverno e vitivinicultura tropical. A estratégia amplia as perspectivas da vitivinicultura brasileira no mercado global, embora o cenário econômico e geopolítico exija planejamento comercial contínuo.

comerciais para ostras e mexilhões catarinenses
Empresa de SC conquista certificação para comercializar ostras e mexilhões enlatados
A maricultura de Santa Catarina ganha uma nova frente de agregação de valor com a certificação obtida pela empresa Amuse Bouche SC junto ao Serviço de Inspeção Municipal (SIM) para comercializar conservas enlatadas de ostras e mexilhões. O processo, desenvolvido ao longo de aproximadamente 18 meses, envolveu pesquisas e testes voltados à esterilização comercial, buscando preservar textura, aroma, aparência e características sensoriais dos moluscos. Com apoio técnico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a iniciativa transforma produtos altamente perecíveis em alimentos de maior vida de prateleira, ampliando possibilidades logísticas e comerciais. A empresa iniciou a produção com 5 mil latas mensais, podendo alcançar capacidade instalada de 20 mil unidades. Voltada ao segmento premium, a linha inclui ainda polvo em azeite de oliva. Para a cadeia aquícola, o processamento representa uma alternativa de agregação de valor, diversificação de mercado e redução das limitações associadas à perecibilidade, reforçando o potencial da indústria de alimentos ligada à aquicultura catarinense.
Mosca-de-estábulo desafia pecuaristas e expõe riscos
A ocorrência de mosca-de-estábulo (Stomoxys calcitrans) durante o inverno acendeu o alerta entre pecuaristas do interior paulista, especialmente em regiões onde a criação de bovinos convive com a produção de cana-de-açúcar. Alimentando-se de sangue, o inseto provoca picadas dolorosas que deixam os animais inquietos, reduzem o tempo dedicado ao pastejo, à alimentação e à ruminação e podem comprometer ganho de peso e produção de leite. A preocupação aumenta durante a safra canavieira, quando resíduos vegetais, esterco, torta de filtro e vinhaça podem criar ambientes úmidos e ricos em matéria orgânica favoráveis ao desenvolvimento das larvas. Estudos brasileiros já identificaram elevada ocorrência da praga após aplicações de vinhaça. Por isso, o controle exige manejo integrado, com monitoramento do rebanho, limpeza das instalações, retirada de resíduos, drenagem e identificação dos criadouros, além do uso criterioso de inseticidas. Em São Paulo, a Resolução SAA nº 38, de 03 de julho de 2017 estabelece procedimentos para prevenção e controle de surtos, reforçando a necessidade de atuação coordenada entre pecuária e setor sucroenergético.
Após 9 anos, São Paulo retoma atualização da lista de flora ameaçada
Após nove anos sem revisão, São Paulo retoma a atualização da lista de espécies da flora ameaçadas de extinção, em parceria entre o Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) e o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O trabalho adotará critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e começará pela avaliação de 405 espécies endêmicas do estado, além da reanálise das plantas classificadas no levantamento de 2016. Naquele ano, a relação reunia 1.088 espécies em diferentes níveis de ameaça. A revisão considera avanços científicos, mudanças na nomenclatura botânica, fragmentação de habitats, alterações no uso do solo e efeitos das mudanças climáticas. Mais do que um diagnóstico de conservação, a atualização terá implicações sobre licenciamento ambiental, zoneamento ecológico-econômico, restauração de áreas degradadas, reservas legais e gestão de unidades de conservação. Para o setor produtivo, dados mais consistentes ampliam a previsibilidade do planejamento territorial e qualificam decisões relacionadas ao uso sustentável dos recursos naturais.

de experiências e negócios, já representando parcela
relevante das receitas de vinícolas pesquisadas
Enoturismo ganha escala e já responde por 34,7% da receita de vinícolas
O enoturismo brasileiro começa a revelar uma dimensão econômica que ultrapassa a tradicional comercialização de vinhos. Pesquisa inédita da Escola de Enoturismo, com 51 vinícolas de seis estados e do Distrito Federal, contabilizou 1,22 milhão de visitantes por ano, 834 profissionais diretamente envolvidos e participação média de 34,7% do faturamento das empresas pesquisadas. Os resultados indicam que visitas, degustações, gastronomia, hospedagem, eventos e experiências nos vinhedos estão se consolidando como fontes relevantes de receita e instrumentos de aproximação entre produtor e consumidor. A atividade também amplia seus efeitos sobre hotéis, restaurantes, comércio, transporte e serviços, criando conexões entre agropecuária, turismo rural e desenvolvimento regional. Entretanto, a expansão encontra um gargalo importante na qualificação profissional, com demanda por especialistas em atendimento, idiomas, gestão, gastronomia e hospitalidade. A pesquisa, ainda em fase de ampliação, poderá formar uma base estatística permanente para orientar investimentos e políticas públicas. Para a vitivinicultura, o avanço representa uma oportunidade de agregar valor à produção, diversificar receitas e transformar território, cultura e identidade regional em ativos econômicos.
Brasil busca retomar exportações de proteínas animais para a União Europeia em 2026
O Brasil trabalha para ser reintegrado à lista de países autorizados a exportar proteínas animais para a União Europeia ainda em 2026, mas a retomada dos embarques dependerá da adequação de cada cadeia às exigências sanitárias do bloco. A exclusão está relacionada à necessidade de comprovar controle do uso de antimicrobianos, certificação e rastreabilidade, requisitos que entram em vigor em setembro. A medida não representa, por si só, constatação de contaminação dos produtos brasileiros, mas eleva a exigência sobre os mecanismos de controle ao longo da cadeia produtiva. Para a pecuária, o impacto potencial é relevante, sobretudo porque a carne bovina possui ciclo produtivo mais longo e demanda maior prazo para adequação, enquanto a avicultura apresenta capacidade de resposta mais rápida. O cenário também merece atenção porque outros países adotam referências sanitárias europeias. Para exportadores, o episódio reforça a importância de conformidade sanitária, rastreabilidade e gestão estratégica de mercados na competitividade internacional do agronegócio brasileiro.
Máquinas agrícolas perdem mercado, mas grandes fabricantes mantêm investimentos
O mercado brasileiro de máquinas agrícolas atravessa um período de retração, marcado pela redução das vendas e por condições financeiras mais restritivas para produtores e empresas. Mesmo diante desse cenário, grandes fabricantes mantêm projetos de longo prazo no país, sinalizando confiança na dimensão e no potencial de modernização do agronegócio. A combinação entre juros elevados, menor disponibilidade de crédito rural, custos de produção e incertezas sobre a renda agrícola tem adiado decisões de investimento e pressionado a renovação da frota. O movimento afeta especialmente equipamentos de maior valor, cuja aquisição depende de financiamento e planejamento de capital. Em contrapartida, fabricantes ampliam fábricas, centros de pesquisa, estruturas logísticas e capacidade produtiva, buscando acompanhar a evolução tecnológica do campo. Para o produtor, a conjuntura exige maior rigor na análise do custo total de propriedade, produtividade, eficiência operacional e retorno sobre o investimento. Para a indústria, o desafio é atravessar o ciclo de baixa preservando capacidade tecnológica e competitividade para a próxima fase de expansão da mecanização agrícola brasileira.

Devon completa 120 anos no Brasil com genética voltada à eficiência
A raça Devon completa 120 anos de presença no Brasil em 2026, trajetória iniciada em 1906, quando Joaquim Francisco de Assis Brasil importou 40 novilhas do Uruguai para sua propriedade em Pedras Altas, no Rio Grande do Sul. A escolha considerou a adaptação às condições produtivas da região e marcou o início de um programa de melhoramento que ajudaria a consolidar a raça na pecuária sulista. Atualmente, o rebanho nacional é estimado em 250 mil cabeças, com concentração no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e expansão para outros estados. Ao longo das décadas, o melhoramento genético elevou precocidade, conversão alimentar, fertilidade e rendimento de carcaça, permitindo animais mais eficientes em sistemas de produção. A raça também ganhou espaço por meio da Carne Devon Certificada, programa criado em 2017 para agregar valor ao produto e remunerar produtores. Em 2026, a celebração da trajetória coincide com uma pecuária cada vez mais orientada por genética, eficiência produtiva e qualidade de carne.
Brasil amplia presença comercial no Sudeste Asiático e mira novo eixo estratégico
O Brasil amplia sua presença no Sudeste Asiático, região que pode se tornar um dos principais destinos do comércio exterior brasileiro nos próximos anos. Em 2025, o intercâmbio com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) alcançou US$ 38 bilhões, dez vezes o registrado em 2003. O avanço reflete a expansão das exportações para mercados como Singapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia, alguns já superiores a tradicionais parceiros europeus. Para o agronegócio brasileiro, a aproximação representa oportunidade de ampliar mercados, diversificar destinos e reduzir riscos associados à concentração comercial. Com mais de 700 milhões de habitantes e PIB conjunto de US$ 4,5 trilhões, a Asean reúne demanda crescente por alimentos, energia, agricultura e investimentos. O Brasil também busca status de parceiro de diálogo do bloco, em movimento que amplia a cooperação institucional e cria novas perspectivas para comércio exterior, segurança alimentar, sustentabilidade e cadeias agroexportadoras.
Tarifaço de Trump começa a revelar o custo econômico da guerra comercial
A política tarifária dos Estados Unidos começa a produzir efeitos que ultrapassam a disputa comercial com o Brasil. Em meio à inflação de 3,4%, energia mais cara, juros elevados e crescente dívida pública, a estratégia de Donald Trump adiciona custos às cadeias produtivas e pode pressionar ainda mais empresas e consumidores americanos. Tarifas sobre produtos, insumos e matérias-primas importados tendem a ser incorporadas aos preços domésticos, criando tensão entre o objetivo declarado de conter a inflação e os mecanismos utilizados para proteger a economia. Para o agronegócio brasileiro, o cenário amplia a necessidade de previsibilidade, gestão de riscos e diversificação de mercados. Embora os Estados Unidos sejam parceiros relevantes, sobretudo em segmentos agroindustriais, o Brasil precisa preservar capacidade de negociação e avaliar cuidadosamente eventuais medidas de reciprocidade comercial, evitando encarecer insumos estratégicos. O episódio reforça a importância de uma política externa pragmática, sustentada por competitividade, segurança econômica e diversificação das exportações.

da Embrapa em Alagoas, reunindo laboratórios e áreas
experimentais voltados à inovação em alimentos
Embrapa Alimentos e Territórios inaugura nova sede
A Embrapa Alimentos e Territórios inaugura nova sede em Maceió (AL), ampliando a infraestrutura destinada à pesquisa e à inovação em sistemas agroalimentares. Localizada no povoado Saúde, em Ipioca, a unidade reúne laboratórios e áreas experimentais voltados a estudos sobre alimentos funcionais, saúde, nutrição, bioprodutos, gastronomia e produtos territoriais. Criada em 2018, a unidade atua em segurança alimentar e nutricional, valorização da biodiversidade e inclusão socioprodutiva, aproximando ciência, produção e mercados. Seus projetos envolvem agricultores familiares, pescadores, marisqueiras e comunidades tradicionais, além de cooperativas, associações, instituições públicas e organizações sociais. Com ações que alcançam 103 municípios, a estrutura amplia a capacidade de gerar conhecimento aplicável à produção, à indústria de alimentos e ao turismo, contribuindo para agregar valor aos recursos regionais e aprimorar a inserção econômica de cadeias produtivas vinculadas aos territórios e à biodiversidade.
Falta de trabalhadores já limita a produção brasileira de frutas, legumes e verduras
A escassez de trabalhadores tornou-se um dos principais entraves à produção brasileira de frutas, legumes e verduras. Levantamento da Hortifrúti Brasil, do Cepea, indica que 93,3% dos produtores perceberam redução na disponibilidade de mão de obra nos últimos cinco anos. O impacto já aparece em atrasos operacionais, aumento de custos, perda de qualidade, menor produtividade e redução da área cultivada. Como o setor apresenta elevada demanda por trabalho manual, especialmente em culturas como uva, morango, tomate e mamão, a restrição compromete a eficiência das propriedades e pode afetar a oferta de alimentos. O cenário exige avanço em mecanização, automação, capacitação profissional e gestão das operações, além de melhores condições para retenção das equipes. Drones, sensores, fertirrigação e máquinas adaptadas aos cultivos ganham espaço, enquanto a cooperação entre produtores pode racionalizar equipamentos e calendários. Para o agronegócio brasileiro, enfrentar esse déficit será decisivo para preservar produtividade, rentabilidade e segurança do abastecimento.
UE endurece regras para agrotóxicos e coloca exportações do agro brasileiro sob pressão
A União Europeia prepara mudanças nas regras para resíduos de determinados defensivos agrícolas, com possibilidade de reduzir os Limites Máximos de Resíduos (LMRs) ao limite técnico de quantificação, criando, na prática, uma política de tolerância próxima de zero para algumas substâncias. A medida pode afetar cadeias relevantes do agronegócio brasileiro, especialmente soja, café e frutas, ao elevar custos de produção, exigir substituição de ingredientes ativos, segregação de lotes, rastreabilidade e controles laboratoriais adicionais. Estudo do Joint Research Centre estima que, sem adaptação dos fornecedores, as importações agrícolas europeias poderiam cair 41%, enquanto os preços ao consumidor chegariam a subir 332% para café e 105% para farelo de soja. No caso brasileiro, 52,8% das exportações dos produtos analisados têm a UE como destino. A soja está entre os segmentos mais expostos. Para o setor, o desafio será adequar protocolos produtivos e padrões de controle sem comprometer competitividade, rentabilidade e acesso ao mercado europeu, em um cenário de crescente rigor regulatório e avanço das exigências sanitárias e ambientais.

Produção de embriões em laboratório amplia futuro genético do Purunã
O Paraná avança no uso de biotecnologias reprodutivas para acelerar o melhoramento genético do gado Purunã, raça desenvolvida no estado a partir do cruzamento de diferentes grupos bovinos e selecionada por características de desempenho, adaptação e qualidade de carne. Um projeto de pesquisa prevê a produção de aproximadamente 4,5 mil embriões in vitro em três anos, ampliando a multiplicação de animais com elevado valor genético. A estratégia envolve coleta de material genético, fertilização in vitro, desenvolvimento embrionário e transferência para fêmeas receptoras, permitindo maior aproveitamento de matrizes e reprodutores selecionados. Além de acelerar a formação de novos animais, o trabalho deverá gerar informações para orientar programas de seleção e aprimoramento do rebanho. Para a pecuária de corte paranaense, a iniciativa amplia o uso de ferramentas de reprodução assistida e cria condições para ganhos mais rápidos em eficiência produtiva, qualidade genética e adaptação dos animais aos sistemas de produção.
Primeiro biofungicida nacional à base de metabólitos amplia as ferramentas de manejo da soja
A indústria brasileira de bioinsumos amplia seu portfólio tecnológico com o registro comercial do primeiro biofungicida nacional formulado integralmente à base de metabólitos, segundo a Bioma. Desenvolvido após cinco anos de pesquisas, o Metabolic Protection foi registrado para o manejo de antracnose e mancha-alvo da soja, doenças associadas a perdas relevantes de produtividade. A tecnologia utiliza moléculas produzidas por microrganismos, em vez dos próprios agentes vivos, reunindo aproximadamente 40 metabólitos, dos quais mais de 20 apresentam ação direta sobre fungos e outros 17 atuam na ativação de mecanismos naturais de defesa das plantas. Avaliado em mais de 50 regiões produtoras, o produto foi estudado sob diferentes condições climáticas e níveis de pressão fitossanitária. A inovação chega a um mercado em expansão: os biofungicidas movimentaram R$ 1,4 bilhão em 2025, com crescimento de 41%. Para a soja brasileira, a tecnologia amplia as ferramentas de manejo integrado de doenças, diversifica mecanismos de ação e pode contribuir para o enfrentamento da resistência a fungicidas convencionais, além de ampliar a oferta nacional de soluções biológicas.
Governo avalia lista de agrotóxicos altamente perigosos
O governo federal avalia a criação de uma lista de agrotóxicos altamente perigosos, iniciativa que pode estabelecer novos parâmetros para avaliação, uso e controle de determinados ingredientes ativos no Brasil. A proposta recoloca em discussão critérios relacionados à toxicidade, exposição ocupacional, riscos ambientais e persistência das substâncias, em um momento de crescente pressão por maior segurança no uso de insumos agrícolas. Para o setor produtivo, uma eventual mudança regulatória exige análise baseada em evidências científicas, previsibilidade institucional e avaliação dos impactos sobre disponibilidade de ferramentas para o manejo fitossanitário. A definição de uma categoria específica também poderá repercutir sobre registros, recomendações de uso, fiscalização e estratégias de substituição por alternativas químicas ou biológicas. O desafio regulatório está em conciliar proteção à saúde e ao meio ambiente, eficiência agronômica e competitividade das cadeias produtivas. Para empresas e produtores, acompanhar a evolução da proposta será essencial para antecipar adequações, revisar programas de manejo e avaliar possíveis efeitos sobre custos, produtividade e acesso a mercados.