Manchetes da semana – 08 a 14-08-2026

Brasil amplia pauta exportadora com acesso a mercados do Japão e da Eurásia

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ampliou o acesso do Brasil a mercados estratégicos ao confirmar novas autorizações sanitárias do Japão e da União Econômica Eurasiática (UEE). As habilitações permitem exportar orquídeas vivas, pescados processados e bexigas natatórias, ampliando a diversificação da pauta do agronegócio. Para a UEE, formada por Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, a abertura contempla flores ornamentais, peixes, crustáceos, moluscos e derivados, mediante requisitos de rastreabilidade, sanidade vegetal e segurança dos alimentos. No Japão, a liberação das bexigas natatórias cria uma oportunidade de agregação de valor aos subprodutos da pesca, convertendo resíduos do processamento em mercadoria de maior valor comercial. As medidas refletem o avanço da diplomacia sanitária brasileira e ampliam canais para produtores, indústrias e aquicultores. Em 2026, a abertura desses destinos reforça a estratégia de diversificação das exportações, com maior aproveitamento industrial, previsibilidade e acesso a mercados de alto potencial consumidor internacional crescente.

Carne brasileira se aproxima do limite da cota chinesa e frigoríficos recalculam embarques

A carne bovina brasileira se aproxima do limite da cota de importação estabelecida pela China para 2026, elevando a atenção do setor frigorífico sobre o fluxo de embarques e os custos de acesso ao principal mercado externo da proteína nacional. Até 10 de agosto, 995,4 mil toneladas haviam ingressado no mercado chinês, correspondendo a cerca de 90% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas, sujeita à tarifa de 12%. Acima desse volume, incidirá uma sobretaxa de 55%. A perspectiva de esgotamento já reduziu os embarques: em julho, foram 85,7 mil toneladas, queda de 47% ante junho, enquanto a receita recuou 50,3%. A diferença entre o desembaraço chinês e o cronograma logístico brasileiro exige planejamento adicional dos frigoríficos. Nesse cenário, empresas avaliam retomar a produção direcionada à China em outubro, visando embarques em novembro e entrada das cargas em 2027, estratégia relevante para preservar competitividade, margem e previsibilidade comercial.

Expansão da piscicultura no Paraná coloca regularidade ambiental no centro das decisões. Na foto, a propriedade de Lincoln Douglas Silva, de Terra Roxa (PR), que contratou um engenheiro especializado para implantação da piscicultura, em sistema de tanques escavados
Expansão da piscicultura no Paraná coloca regularidade
ambiental no centro das decisões. Na foto, a propriedade
de Lincoln Douglas Silva, de Terra Roxa (PR), que contratou
um engenheiro especializado para implantação da
piscicultura, em sistema de tanques escavados

Piscicultura precisa conciliar expansão produtiva e conformidade ambiental

A piscicultura paranaense atravessa uma fase de expansão produtiva que exige maior atenção à regularidade ambiental dos empreendimentos. Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), entre 5% e 10% das propriedades piscícolas do Oeste do Paraná apresentam algum tipo de irregularidade, região responsável por mais de 75% da produção estadual. Em 2025, o Paraná alcançou aproximadamente 273 mil toneladas de peixes cultivados, conforme a Peixe BR. Entre os principais problemas estão licenças vencidas, ampliações realizadas sem autorização e intervenções em áreas de vegetação nativa. A implantação ou expansão de viveiros e açudes requer licenciamento ambiental, outorga de uso da água, projeto técnico e autorizações específicas, conforme as características do empreendimento. A renovação da licença deve ser solicitada com antecedência, evitando interrupções e riscos administrativos. A atividade segue as diretrizes da Instrução Normativa IAT nº 51/2025, atualmente em revisão, além das exigências previstas no Código Florestal e na Lei da Mata Atlântica. Para o produtor, manter a documentação atualizada e buscar orientação técnica antes de ampliar estruturas ou suprimir vegetação é uma medida essencial para assegurar segurança jurídica, continuidade operacional e sustentabilidade ambiental da produção.

Noruega restringe carnes brasileiras a partir de setembro

A decisão da Noruega de restringir a entrada de carnes e derivados brasileiros a partir de 3 de setembro amplia a pressão sobre a cadeia exportadora de proteínas animais. Embora o mercado norueguês tenha peso reduzido nas vendas externas brasileiras, com compras de aproximadamente US$ 4,5 milhões em 2025, o principal impacto potencial está no efeito reputacional sobre a carne bovina brasileira. O país seguirá regras europeias relacionadas ao uso de agentes antimicrobianos na produção animal, retirando o Brasil da lista de fornecedores habilitados. A medida também aumenta a apreensão entre exportadores diante da possibilidade de outros mercados adotarem restrições semelhantes, especialmente na África. Para o setor, o episódio evidencia a importância da convergência regulatória, rastreabilidade e diplomacia sanitária na manutenção do acesso internacional. A partir de setembro, a capacidade brasileira de responder tecnicamente às novas exigências será determinante para preservar mercados, reduzir riscos comerciais e sustentar a competitividade das proteínas animais brasileiras.

STF retoma julgamento do Marco Temporal

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o julgamento de recursos que discutem regras para demarcação de terras indígenas e indenização de ocupantes não indígenas, tema de impacto direto sobre produtores rurais e a segurança jurídica de imóveis. O marco temporal já foi considerado inconstitucional, e a análise atual concentra-se em questões como pagamento pela terra nua, indenização de benfeitorias, permanência dos ocupantes até a quitação e prazos para cumprimento das decisões. O relator, ministro Gilmar Mendes, defende a manutenção das regras estabelecidas pelo STF em 2025, enquanto Cristiano Zanin e Edson Fachin apresentam divergências sobre critérios para indenização e permanência nas áreas. Fachin também propõe alterações na contagem de prazos e na análise de novas reivindicações territoriais. Para o setor produtivo, o julgamento ganha relevância nos casos de propriedades tituladas pelo Estado posteriormente sobrepostas a áreas reconhecidas como de ocupação tradicional indígena. O desfecho poderá estabelecer parâmetros sobre quem terá direito à indenização, quais componentes serão considerados no cálculo e quando ocorrerá a desocupação dos imóveis, com reflexos sobre planejamento patrimonial, investimentos e previsibilidade jurídica no campo.

Clonagem de suínos abre novas perspectivas para estudos de xenotransplantes no Brasil e o animal será preservado como registro da ciência brasileira
Clonagem de suínos abre novas perspectivas para
estudos de xenotransplantes no Brasil e o animal será
preservado como registro da ciência brasileira

Morre o primeiro porco clonado no Brasil

O primeiro porco clonado no Brasil, criado em pesquisa voltada ao desenvolvimento de alternativas para xenotransplantes, foi eutanasiado no fim de julho, após quase quatro meses de acompanhamento em Piracicaba, SP. Segundo o pesquisador Ernesto Goulart, da Universidade de São Paulo (USP), o animal apresentou desenvolvimento saudável e cumpriu os objetivos previstos na primeira etapa do estudo. A eutanásia estava prevista no protocolo científico, mas foi antecipada devido à limitação de recursos para manutenção do projeto. A pesquisa busca avaliar características fisiológicas dos animais e reunir conhecimento para futuras aplicações de órgãos suínos em humanos. Um segundo clone também foi produzido, mas morreu um dia após o nascimento, ocorrência associada aos desafios técnicos da clonagem. Após a morte, o primeiro animal será submetido à taxidermia e destinado ao Museu de Zoologia da USP, onde deverá ser preservado como registro de um marco da biotecnologia animal brasileira.

STF dá 2 anos para Congresso regulamentar mineração em terra indígena

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou prazo de 24 meses para o Congresso regulamentar a participação de indígenas nos resultados da exploração mineral em terras indígenas, após reconhecer a omissão legislativa sobre o tema. A decisão, relatada pelo ministro Flávio Dino, foi motivada por ação da Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta Larga (PATJAMAAJ), de Rondônia, que apontou impactos econômicos e sociais associados à exploração ilegal de minerais. Enquanto não houver legislação específica, o STF estabeleceu parâmetros provisórios para a atividade, incluindo autorização das comunidades indígenas, limite de 1% da Terra Indígena Cinta Larga para exploração, estudos de impacto ambiental, planos de manejo sustentável e fiscalização pelo Ministério Público Federal. A decisão coloca em discussão a necessidade de conciliar segurança jurídica, proteção territorial, participação econômica indígena e controle ambiental. O tema também dialoga com decisões anteriores de Dino sobre compensações relacionadas a empreendimentos hidrelétricos. Para o setor mineral e investidores, a regulamentação futura será relevante para definir critérios de acesso aos recursos, responsabilidades ambientais, participação econômica e previsibilidade jurídica em eventuais projetos de mineração em territórios indígenas.

Nova escola forma profissionais para atuar da pecuária ao mercado global da carne

A Beef School, iniciativa da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e da ApexBrasil, foi criada para formar profissionais preparados para atuar na cadeia da carne bovina, da produção pecuária à comercialização internacional. O curso chega em um momento de expansão da presença brasileira no mercado global e de aumento das exigências relacionadas a rastreabilidade, sustentabilidade, bem-estar animal, segurança dos alimentos e acesso a mercados. A formação reúne conteúdos sobre gestão da produção, boas práticas pecuárias, controle sanitário, origem e rastreabilidade, ESG, comércio exterior e competitividade. Além da base conceitual, a proposta incorpora experiências práticas e uma abordagem voltada às demandas empresariais. A participação da ApexBrasil acrescenta uma perspectiva de internacionalização, preparando os alunos para compreender requisitos técnicos, certificações, logística e relações comerciais com compradores estrangeiros. Para frigoríficos, produtores e empresas de serviços, a iniciativa responde à necessidade crescente de profissionais capazes de integrar produção, gestão, qualidade e estratégia comercial, competências essenciais para ampliar a eficiência e a inserção da pecuária brasileira nos mercados internacionais.

Novo selo reconhece qualidade, tradição e identidade da cachaça produzida em São Paulo e concurso estadual amplia categorias e valoriza produtores. O primeiro selo da categoria foi entregue à produtora Laura Vicentini, do município de Batatais
Novo selo reconhece qualidade, tradição e identidade da
cachaça produzida em São Paulo e concurso estadual amplia
categorias e valoriza produtores. O primeiro selo da categoria foi
entregue à produtora Laura Vicentini, do município de Batatais

Cachaça paulista ganha selo e amplia estratégia de valorização da produção

A terceira edição do CACHAÇA.SP 2026 – Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista, promovida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, amplia a valorização da cachaça produzida no estado com novas categorias e o lançamento do Selo Agro SP, Cachaça Paulista. A certificação busca reconhecer atributos de qualidade, tradição e identidade, enquanto o concurso passa a avaliar sete modalidades, incluindo diferentes padrões de armazenamento, envelhecimento, madeiras brasileiras e blends. As inscrições são gratuitas até 21 de setembro e exigem documentação sanitária, registros no MAPA e análises químicas dos lotes. O julgamento sensorial ocorrerá em outubro, com os resultados previstos para dezembro. Em 2025, a competição recebeu 113 amostras, crescimento de 40% sobre a edição anterior. São Paulo ocupa a segunda posição nacional na produção de cachaça, com cerca de 230 produtores registrados e 1.185 produtos cadastrados, segundo o Anuário da Cachaça 2026. A expansão do selo também dialoga com as Rotas da Cachaça, iniciativa de turismo rural que conecta produtores, consumidores e territórios, agregando valor à cadeia e ampliando a visibilidade do produto paulista nos mercados interno e externo.

PNL 2050 prevê R$ 1,225 trilhão para transformar a logística brasileira

O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 estabelece uma agenda de longo prazo para a infraestrutura brasileira, com previsão de R$ 1,225 trilhão em investimentos até 2050, sendo R$ 734,4 bilhões estimados para a iniciativa privada e R$ 490,5 bilhões para o setor público. Elaborado pelos Ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos, o documento identifica 31 eixos estratégicos, três corredores de manutenção e 112 objetivos prioritários. Entre os principais gargalos estão a saturação das rodovias, limitações aeroportuárias, isolamento de comunidades, baixa integração regional e dificuldades no escoamento de cargas destinadas ao mercado interno e às exportações. Para o agronegócio, a ampliação da intermodalidade entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos é particularmente relevante, diante da concentração atual do transporte de cargas nas estradas. Segundo a Infra S.A., as rodovias respondem por 54% da movimentação, contra 27% das ferrovias e 19% do transporte aquaviário. Ao orientar investimentos, concessões e parcerias público-privadas, o PNL 2050 poderá contribuir para reduzir custos logísticos, ampliar a eficiência operacional e melhorar a competitividade das cadeias produtivas brasileiras, especialmente aquelas dependentes do comércio exterior.

STF valida Moratória da Soja e afasta indenizações bilionárias

O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou legal a Moratória da Soja e afastou pedidos de indenização apresentados por produtores contra empresas comercializadoras e processadoras de grãos. O julgamento analisou também leis de Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes do acordo voluntário, firmado para restringir a compra de soja cultivada em áreas desmatadas após 2008 na Amazônia. Ao mesmo tempo, o STF reconheceu a constitucionalidade das legislações estaduais, observados os prazos previstos na legislação tributária. A decisão encerra parte relevante da disputa jurídica e reduz a incerteza para tradings, indústrias e produtores. Para o setor, porém, permanece o desafio de conciliar produção agrícola, legislação ambiental, exigências de mercado e competitividade internacional. A Moratória da Soja, vigente há quase duas décadas, tornou-se referência em mecanismos privados de controle da origem da produção, enquanto a decisão do Supremo abre espaço para novas negociações entre os elos da cadeia. O resultado também poderá influenciar estratégias empresariais de rastreabilidade, sustentabilidade e acesso a mercados, especialmente diante da crescente exigência internacional por cadeias agrícolas livres de desmatamento.

Quadriciclos que ampliam a mobilidade e eficiência nas operações das propriedades rurais, podem ganhar espaço no Pronaf como ferramentas de trabalho rural
Quadriciclos que ampliam a mobilidade e eficiência nas
operações das propriedades rurais, podem ganhar espaço
no Pronaf como ferramentas de trabalho rural

Quadriciclos podem ganhar espaço no Pronaf como ferramentas de trabalho rural

O avanço dos quadriciclos utilitários no meio rural chegou ao Congresso com o Projeto de Lei 2.290/2026, que propõe incluir esses veículos entre os itens financiáveis pelo Pronaf, desde que comprovadamente destinados ao trabalho produtivo. Em análise na Câmara dos Deputados, a proposta estabelece critérios para impedir o uso de crédito subsidiado na aquisição de modelos voltados ao lazer ou esporte. O texto prevê quadriciclos entre 250 cm³ e 700 cm³, com características adequadas a operações de carga e tração leve. Nas propriedades, esses veículos podem apoiar atividades como vistoria de cercas, manejo de animais, inspeção de lavouras, deslocamento entre piquetes e transporte de ferramentas, medicamentos, insumos e pequenas cargas. A proposta reconhece uma faixa operacional que não substitui tratores ou caminhonetes, mas pode reduzir o uso de máquinas maiores em tarefas rotineiras. Para a agricultura familiar, a possibilidade de acesso ao crédito rural para equipamentos utilitários pode ampliar a eficiência logística interna e racionalizar recursos. O debate também acompanha a evolução da mecanização em propriedades de menor escala, nas quais agilidade, mobilidade e custo operacional têm peso crescente. Caso aprovada, a medida poderá criar uma nova frente de investimento dentro do Pronaf e estimular a oferta de veículos utilitários destinados às atividades agropecuárias, com critérios específicos de enquadramento e finalidade.

Fundo Rio Doce destina recursos à conservação de áreas protegidas

O BNDES destinou R$ 32,4 milhões do Fundo Rio Doce para apoiar ações de gestão em sete unidades de conservação federais administradas pelo ICMBio, como parte do processo de reparação decorrente do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, MG, em 2015. O projeto integra o Anexo 17 do Novo Acordo do Rio Doce e prevê investimento total de R$ 76,54 milhões, com novas liberações até 2028. Entre as áreas contempladas estão a Floresta Nacional de Goytacazes, no Espírito Santo, e unidades costeiras e marinhas no Espírito Santo e na Bahia, incluindo o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Os recursos serão aplicados em educação ambiental, gestão participativa, manejo de espécies e habitats, pesquisa, monitoramento da biodiversidade, visitação e estrutura institucional. A iniciativa envolve comunidades locais, populações tradicionais, pesquisadores, empresas e organizações sociais. Para o setor ambiental, a aplicação desses recursos amplia a capacidade de gestão territorial e conservação, associando reparação ambiental, pesquisa e participação social em áreas estratégicas da Mata Atlântica e dos ecossistemas costeiros e marinhos.

Governo libera recursos para recompor estoques públicos de grãos

O governo federal publicou a Medida Provisória 1.385/2026, que libera R$ 849,7 milhões para a Conab adquirir grãos destinados à recomposição dos estoques públicos, medida associada à estratégia de resposta aos possíveis efeitos do El Niño sobre a produção agropecuária. A iniciativa prevê a compra de até 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho, ampliando a capacidade estatal de intervenção diante de eventuais restrições de oferta. A MP também direciona R$ 75,1 milhões ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para distribuição de alimentos e execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), com atendimento a comunidades tradicionais e agricultores familiares. Paralelamente, o Projeto de Lei 3.289/2026 permite à Conab adquirir alimentos a preços de mercado, em valores até 25% superiores ao preço mínimo. A medida cria condições para recompor reservas estratégicas e melhorar a segurança alimentar, ao mesmo tempo em que oferece um mecanismo de sustentação à comercialização agrícola diante de possíveis impactos climáticos.

Novo centro em Minas Gerais aposta em estrutura inédita com capacidade para formar 400 especialistas em agricultura irrigada por ano
Novo centro em Minas Gerais aposta em estrutura
inédita com capacidade para formar 400 especialistas
em agricultura irrigada por ano

Brasil ganha primeiro centro de treinamento especializado em irrigação agrícola

O primeiro Centro de Treinamento em Irrigação do Brasil iniciou oficialmente as atividades em Uberaba (MG), com foco na qualificação de profissionais e produtores para uma agricultura irrigada mais eficiente e tecnificada. Criada pela Valley, marca da Valmont, a estrutura integra a Cidade do Agro, complexo de formação em agronegócio da Universidade de Uberaba (Uniube). O centro recebeu investimento de aproximadamente R$ 1,2 milhão e terá capacidade inicial para capacitar cerca de 400 pessoas por ano, entre produtores, estudantes, operadores, técnicos, engenheiros, agrônomos e gestores. A programação começa com 24 treinamentos, abrangendo projetos, operação e manutenção de sistemas, manejo da irrigação, tecnologia, gestão e serviços. A primeira capacitação aborda a injeção de fertilizantes na irrigação, prática relevante para o uso racional de água e nutrientes. A iniciativa acompanha a crescente demanda por qualificação técnica em irrigação, setor estratégico para elevar a eficiência produtiva, reduzir desperdícios e aprimorar a gestão dos recursos no campo.

Governo autoriza equalização de juros para renegociação de dívidas rurais

A equalização de juros para a reorganização de dívidas rurais foi autorizada pelo Ministério da Fazenda por meio da Portaria MF nº 2.423/2026, criando condições para que bancos e cooperativas habilitados operem as linhas previstas na MP nº 1.376/2026. O mecanismo permite ao Tesouro Nacional assumir parte do custo financeiro, viabilizando taxas abaixo das praticadas em operações convencionais para produtores afetados por eventos climáticos adversos e perdas de renda. As contratações poderão ocorrer até 12 de novembro de 2026, conforme as regras do programa. As taxas variam conforme o perfil do beneficiário, chegando a 6% ao ano para o Pronaf, 9% para o Pronamp e 12% para os demais produtores. Em situações de perdas mais severas, os encargos podem ser reduzidos para 5%, 8% e 11%, desde que cumpridos os critérios legais de enquadramento e comprovação. Dez instituições financeiras foram habilitadas para operar o programa. A efetivação dos financiamentos dependerá da análise de cada caso, da documentação exigida e da disponibilidade orçamentária.

Congresso analisa MP do endividamento rural

O Congresso Nacional instalou a Comissão Mista da MP 1.376/2026, que estabelece regras para a renegociação de dívidas rurais em um momento de pressão sobre produtores e instituições financeiras. Embora a medida esteja em vigor desde 15 de julho, sua operacionalização ainda depende de atos complementares, incluindo normas do Tesouro Nacional e do BNDES. A demora preocupa o setor porque o prazo de vigência da MP avança enquanto produtores precisam reunir laudos técnicos e documentação para acessar as linhas de crédito. Outro ponto de atenção é a regulamentação do fundo garantidor, especialmente para agricultores com restrições de garantias. Foram apresentadas 144 emendas ao texto, muitas delas propondo ampliar o alcance das renegociações para operações com CPRs (Cédulas de Produto Rural), investimentos e capital de giro. Levantamento da Farsul indicou que 88% dos R$ 93 milhões analisados não se enquadrariam nas regras atuais. A comissão terá até 12 de setembro para concluir a análise, prazo que poderá ser prorrogado por 60 dias.

Corredores arborizados integram árvores à produção de café sem comprometer a mecanização. É a cafeicultura regenerativa que busca maior resiliência diante das mudanças climáticas
Corredores arborizados integram árvores à
produção de café sem comprometer a mecanização.
É a cafeicultura regenerativa que busca maior
resiliência diante das mudanças climáticas

Corredores de árvores levam cafeicultura regenerativa a uma nova escala no cerrado

O Projeto Corredores Arborizados, desenvolvido pela Expocacer em parceria com a GrowGrounds e a Clima Café de Floresta, amplia a adoção de práticas de cafeicultura regenerativa no cerrado ao integrar árvores ao planejamento produtivo dos cafezais. A estratégia busca melhorar o microclima, conservar o solo, ampliar a biodiversidade e aumentar a resiliência da lavoura às mudanças climáticas, sem comprometer a mecanização e a eficiência operacional. Cada propriedade passa por diagnóstico técnico para definir espécies, localização e espaçamento dos corredores, considerando relevo, sistema produtivo, mecanização e condições específicas da área. Em geral, as linhas são implantadas a cada 20 a 40 metros, com prioridade para lavouras em renovação, recepa ou implantação. O projeto também incorpora uma frente de geração de créditos de carbono. O crescimento das árvores é monitorado e quantificado segundo metodologia reconhecida, permitindo a certificação e eventual comercialização dos créditos no mercado voluntário. Para o produtor, a proposta combina adaptação climática, conservação ambiental e potencial geração de receita, com acompanhamento técnico durante todo o ciclo.

McDonald’s compra 89 mil toneladas de carne bovina e movimenta mercado australiano

A dimensão das compras de grandes redes globais revela o peso crescente do varejo de alimentação na cadeia mundial da carne bovina. Na Austrália, o McDonald’s adquiriu 89 mil toneladas de carne bovina em 2025, tornando-se o maior comprador individual da proteína produzida no país, segundo dados divulgados pela própria companhia e repercutidos pelo Beef Central. O volume representa alta de 11% em relação às 80 mil toneladas de 2023 e inclui produtos destinados aos restaurantes australianos e às operações internacionais. Estimativas indicam que cerca de 40% a 45% das compras têm destino doméstico, enquanto o restante abastece outros mercados. A demanda internacional por carne bovina magra, especialmente nos Estados Unidos, amplia a relevância da Austrália no comércio global. Para o Brasil, maior exportador mundial, esse movimento sinaliza mudanças na disputa por matéria-prima, nos fluxos comerciais e nas estratégias de grandes compradores, reforçando a importância de acompanhar oferta, demanda e competitividade internacional da proteína animal.

Governo regulamenta regulamenta SAF, carbono e hidrogênio

A regulamentação do Combustível Sustentável de Aviação (SAF), da captura e armazenamento de carbono (CCS) e do hidrogênio de baixa emissão de carbono cria um novo ambiente institucional para investimentos na transição energética brasileira. Os decretos assinados pelo governo detalham mecanismos de certificação, rastreabilidade, governança e incentivos previstos em legislações aprovadas desde 2024. No SAF, o ProBioQAV estabelecerá regras para certificação do combustível e permitirá a negociação de atributos ambientais por meio do sistema book and claim (modelo contábil de cadeia de custódia que separa os atributos ambientais, como créditos de redução de carbono, de um produto físico sustentável), enquanto ANP e Anac deverão regulamentar aspectos operacionais. A meta legal prevê redução gradual das emissões da aviação doméstica, chegando a 10% em 2037. Para o CCS, foram definidas diretrizes para captura, transporte, armazenamento subterrâneo, segurança e monitoramento do carbono. Já o marco do hidrogênio de baixo carbono regulamenta programas nacionais, certificação e incentivos fiscais, incluindo até R$ 18 bilhões em créditos tributários previstos para o setor. O conjunto das medidas busca ampliar a segurança jurídica e criar condições para projetos de descarbonização industrial, biocombustíveis e novas cadeias energéticas, com impactos potenciais sobre investimentos, inovação tecnológica, infraestrutura e competitividade do agronegócio brasileiro.

Chocolate brasileiro combina cacau, biodiversidade e inovação para conquistar mercados internacionais. O chocolate 70% Cacau com Cupuaçu da Cacau Dourado, de Minas Gerais ganhou ouro no concurso
Chocolate brasileiro combina cacau, biodiversidade e
inovação para conquistar mercados internacionais. O
chocolate 70% Cacau com Cupuaçu da Cacau Dourado,
de Minas Gerais ganhou ouro no concurso

Chocolate brasileiro conquista espaço internacional com 32 medalhas e sabores ligados à biodiversidade

Dez marcas brasileiras conquistaram medalhas na etapa das Américas do International Chocolate Awards, destacando a evolução do chocolate artesanal e do modelo bean-to-bar (expressão em inglês que significa “do grão à barra”, é aquele em que o mesmo fabricante controla e executa todas as etapas de produção, desde a seleção das amêndoas de cacau direto do produtor até a moldagem da barra final, sem usar massa industrial pronta ou aditivos artificiais) no país. Os produtos foram reconhecidos com ouros, pratas e bronzes em diferentes categorias, reunindo ingredientes associados à biodiversidade e à produção nacional, como cupuaçu, açaí, café, coco, castanha-do-pará, baru, queijo Canastra e doce de leite. Entre os destaques, a mineira Cacau Dourado conquistou dois ouros com chocolates que combinam cacau, cupuaçu, coco e caramelo. Além do reconhecimento internacional, a premiação evidencia uma estratégia de agregação de valor ao cacau brasileiro, aproximando produção agrícola, processamento e mercado de produtos premium. O modelo bean-to-bar também amplia o controle sobre as etapas de transformação, desde a seleção das amêndoas até a elaboração do chocolate. Os vencedores regionais avançam para a etapa mundial da competição, levando ao mercado externo produtos que associam origem, identidade brasileira, inovação e qualidade artesanal. O resultado reforça o potencial da cadeia do cacau para ampliar valor e competitividade.