Broca-do-rizoma pode causar perdas de até 80% nos bananais

A bananicultura brasileira vive um momento de expansão. A produção subiu de 6,99 milhões para 7,23 milhões de toneladas entre 2024 e 2025, segundo o IBGE, o que mantém o Brasil como quarto maior produtor mundial de banana. Esse crescimento, porém, encontra um obstáculo silencioso: a broca-do-rizoma, conhecida como moleque-da-bananeira, pode causar perdas de até 80% da produção quando o manejo falha.

Reconhecida como a principal praga da bananicultura nacional, a Cosmopolites sordidus atua de forma discreta e altamente destrutiva. O problema começa na fase larval, quando as larvas penetram no rizoma, comprometem a absorção de água e nutrientes e prejudicam a emissão de novas raízes. A planta enfraquece aos poucos, perdendo vigor e produtividade antes de o ataque se tornar visível.

Corte do rizoma de bananeira com galerias abertas por larvas da broca: a praga compromete a absorção de nutrientes
Corte do rizoma de bananeira com galerias abertas por larvas
da broca: a praga compromete a absorção de nutrientes

Uma inimiga que corrói a planta por dentro

Os primeiros sinais de ataque aparecem nas folhas, que amarelecem e secam precocemente, e nos cachos, que perdem tamanho de forma acentuada. Em situações graves, ocorre a morte da gema apical e o tombamento da bananeira, pois a estrutura interna fica comprometida e a planta perde sustentação. As galerias abertas no rizoma ainda facilitam a entrada de microrganismos patogênicos, como o agente causador do mal-do-Panamá.

O ciclo de vida do inseto explica a dificuldade de controle. As fêmeas depositam ovos na periferia do rizoma, de onde nascem larvas que constroem galerias internas por 30 a 45 dias, antes da fase de pupa, que dura cerca de uma semana. Os adultos, pequenos besouros pretos de hábitos noturnos, permanecem abrigados durante o dia em ambientes úmidos e sombreados, junto às touceiras e aos restos culturais espalhados pelo bananal.

A disseminação é favorecida pelo transporte de mudas convencionais infestadas com ovos e larvas, o que amplia o alcance da praga pelas regiões produtoras. A inspeção do material de plantio e o monitoramento constante das lavouras são a primeira linha de defesa do produtor. A detecção precoce evita que a população do inseto atinja níveis críticos e que os prejuízos se acumulem entre safras.

Produtor inspeciona armadilha de pseudocaule na base da bananeira, técnica eficiente de monitoramento da broca
Produtor inspeciona armadilha de pseudocaule na base da
bananeira, técnica eficiente de monitoramento da broca

Monitoramento com armadilhas e manejo integrado

A estratégia mais difundida de monitoramento usa armadilhas feitas com pedaços de pseudocaule ou de rizoma de bananeiras já colhidas, que atraem o inseto pelo odor. Adaptadas pela Embrapa a partir de versão desenvolvida na Costa Rica, as armadilhas do tipo cunha estão entre as mais eficientes e podem ser usadas até em sistemas orgânicos. O nível de controle varia de dois a cinco insetos por armadilha, com o máximo indicado para bananais mais velhos.

Quando a amostragem atinge o nível crítico, o produtor precisa agir rápido, combinando diferentes frentes de combate. O controle químico deve ser feito somente com produtos registrados para a cultura, conforme a bula. Entre as práticas complementares está o descortiçamento, limpeza completa do rizoma com remoção da casca externa, que elimina parte dos ovos e larvas ali presentes.

As armadilhas de feromônio ampliam as opções, explorando o cheiro atrativo da própria praga para capturá-la em solução aquosa. O uso combinado das tecnologias permite reduzir a dependência de inseticidas e manter a população do besouro sob controle durante todo o ciclo da lavoura. A escolha da estratégia depende das condições de cada propriedade e deve contar com acompanhamento técnico.

Aplicação de fungo Beauveria bassiana na base das bananeiras: controle biológico sem resíduos nos alimentos
Aplicação de fungo Beauveria bassiana na base das bananeiras:
controle biológico sem resíduos nos alimentos
Biofábricas produzem cepas de Beauveria bassiana para controle biológico
Biofábricas produzem cepas de Beauveria bassiana
para controle biológico

Controle biológico ganha espaço nos bananais

Entre as alternativas mais promissoras está o controle biológico com o fungo Beauveria bassiana, que contamina os besouros por contato e pode eliminá-los em até dez dias. A cepa IBCB66, selecionada pelo Instituto Biológico de São Paulo, é produzida por cerca de 85 biofábricas no país e utilizada em milhares de hectares de banana, inclusive na produção orgânica. O agente não deixa resíduos nos alimentos, é seguro ao trabalhador rural e preserva a biodiversidade.

A aplicação do fungo pode ser associada às armadilhas de pseudocaule, ampliando a eficiência do manejo em sistemas convencionais e orgânicos. Os agentes biológicos atuam em alvo específico, o que reduz impactos sobre organismos benéficos e diminui o risco de resistência da praga. A tendência é que a adoção cresça à medida que os produtores buscam reduzir custos e atender às exigências por alimentos mais sustentáveis.

O cenário reforça a importância de uma abordagem integrada para proteger a sanidade dos bananais. O conjunto de monitoramento, práticas culturais, controle químico criterioso e agentes biológicos preserva produtividade e rentabilidade da cultura. Com a banana entre as frutas mais consumidas do Brasil, manter as lavouras saudáveis significa garantir o crescimento do setor e o emprego gerado ao longo de toda a cadeia produtiva.

Leia também: