Parque Fernando Costa sedia a 4ª ExpoLeite, feira que consolida Uberaba como capital do zebu leiteiro e da cadeia do leite, com cinco leilões e a nova era genômica do melhoramento
A pecuária leiteira brasileira terá, entre os dias 12 e 18 de outubro, o seu principal ponto de encontro. O Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), recebe a 4ª ExpoLeite, feira organizada pela ABCZ que se consolidou em apenas três edições como referência do zebu leiteiro no país. Com o tema “O Z da questão”, o evento reúne criadores, empresas e especialistas em torno de uma agenda que combina exposição de animais, negócios e discussões técnicas sobre o futuro da produção de leite no Brasil.

4ª ExpoLeite e casa das principais feiras do zebu nacional
Uberaba, palco natural do zebu leiteiro
A escolha da cidade não é casual. Reconhecida como a casa do zebu, Uberaba concentra a sede das entidades que registram e avaliam o rebanho zebuíno nacional e abriga, dentro do próprio parque, a estrutura que sustenta as principais decisões da pecuária do país. O recinto, tradicional palco da ExpoZebu, passa a dividir o calendário com uma feira dedicada exclusivamente à cadeia do leite.
O formato reforça uma tendência de especialização dos eventos do setor. Enquanto a ExpoZebu abrange todas as raças zebuínas, a ExpoLeite se ocupa de um segmento específico, com público e pauta próprios. Pelo segundo ano consecutivo, a Exposição Nacional do Gir Leiteiro, promovida pela Abcgil, acontece em paralelo, ampliando a densidade técnica e comercial do período.
A expectativa dos organizadores é de recorde. A Nacional do Gir Leiteiro deve reunir cerca de 400 animais em pista e mais de 80 concorrentes no Torneio Leiteiro, além de cinco leilões confirmados. Se as previsões se confirmarem, a edição de 2026 será a maior da história da exposição, sinal de maturidade de um calendário iniciado em 2023.

sustenta a valorização de reprodutores e matrizes no mercado

sustenta a valorização de reprodutores e matrizes no mercado
Genética em ritmo acelerado
O principal avanço técnico da edição está no PMGZ Leite, programa de melhoramento genético conduzido pela ABCZ. Pela primeira vez, o programa terá duas avaliações genéticas por ano: a primeira foi apresentada na ExpoZebu e a segunda será lançada durante a ExpoLeite. A mudança eleva a frequência de atualização das informações disponíveis aos criadores.
A novidade acompanha uma transição mais ampla: a entrada definitiva do programa na era genômica. Com dados mais frequentes e marcadores genômicos incorporados às avaliações, a seleção de matrizes e touros ganha precisão e encurta o intervalo entre o desempenho observado a campo e a decisão de acasalamento. Para o produtor, o resultado prático é o acesso mais rápido a sumários atualizados e escolhas de reprodução mais assertivas.
O Gir Leiteiro entra nessa discussão com peso próprio. Uma das raças zebuínas de maior relevância para a produção tropical de leite, terá a temporada de seu ranking encerrada na Nacional, após cerca de 40 eventos regionais realizados ao longo do ano. Os resultados consolidados em Uberaba definem os destaques da temporada e orientam os investimentos em reprodução.

orientam a seleção de matrizes e touros zebuínos leiteiros
Negócios, tecnologia e o futuro do leite
A feira também funciona como termômetro econômico da cadeia. Empresas de saúde animal, indústria de laticínios e centrais de sêmen confirmam presença no Pavilhão Multiuso, em um momento em que o Brasil figura entre os três maiores produtores de leite do mundo e o setor busca eficiência para atravessar ciclos de margens apertadas.
A agenda de debates amplia essa leitura. Entre os destaques está o Agro Leite, programado para 16 de outubro, que deve reunir cooperativas e produtores em torno dos desafios da atividade. A mobilização de cooperativas do Triângulo Mineiro indica o interesse do sistema em transformar o evento em plataforma permanente de discussão sobre rentabilidade, sustentabilidade e gestão.
Ao final, a 4ª ExpoLeite consolida uma tese: a pecuária leiteira tropical deixou de ser coadjuvante. Com genética validada em pista, torneios que medem desempenho real e um calendário técnico em expansão, o zebu leiteiro apresenta-se como resposta estruturada às demandas de produtividade, sustentabilidade e rentabilidade que definem o futuro da cadeia do leite brasileira.