Silvicultura lidera recorde histórico da produção florestal brasileira

As florestas brasileiras fecharam 2025 com a melhor performance econômica de sua história recente. Segundo a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, divulgada pelo IBGE, o valor da produção florestal somou R$ 47,9 bilhões no ano passado, o maior resultado já registrado no país, com alta de 6,7% sobre 2024. O levantamento reúne tanto as áreas plantadas, tratadas pela silvicultura, quanto o extrativismo em florestas naturais, e confirma a trajetória ascendente de um setor que se tornou peça central na pauta do agronegócio nacional.

O avanço não é pontual. Em 2024, o segmento já havia alcançado R$ 44,3 bilhões, e a sucessão de recordes recentes indica uma combinação de ganho de escala, adoção tecnológica e demanda externa aquecida. Para o público empresarial, os números sinalizam oportunidades claras em terra, logística, industrialização e mercados de carbono, áreas que dependem diretamente da previsibilidade que a floresta plantada oferece ao investidor.

Valor da produção florestal e área de florestas plantadas
Colheita mecanizada de eucalipto garante escala à indústria de papel e celulose no interior do Brasil, com eucaliptos respondendo por 78,6% das florestas plantadas e liderando a produção florestal do país
Colheita mecanizada de eucalipto garante escala à
indústria de papel e celulose no interior do Brasil,
com eucaliptos respondendo por 78,6% das florestas
plantadas e liderando a produção florestal do país

Silvicultura lidera o recorde e consolida as florestas plantadas

O destaque do ano ficou com a silvicultura, que avançou 8,6% e atingiu R$ 41 bilhões em valor de produção, o equivalente a 85,6% de tudo o que o setor gerou. A extração vegetal, por sua vez, recuou 3,1% e respondeu por R$ 6,9 bilhões. A inversão de protagonismo é histórica: no fim dos anos 1990 as duas atividades se alternavam na liderança, mas a produção em áreas plantadas assumiu a dianteira de forma definitiva nas últimas décadas.

O desempenho tem base material robusta. Em 2025, as florestas plantadas somaram 10,4 milhões de hectares, área equivalente ao território de Pernambuco, com o eucalipto respondendo por 78,6% da superfície cultivada. A espécie, que atinge o ponto de corte em sete a oito anos, segue como a principal matéria-prima da indústria de celulose e papel, e o IBGE atribui parte expressiva do crescimento de 165% acumulado desde 2019 aos avanços tecnológicos de manejo, genética e colheita.

Esse ciclo virtuoso se reflete na capilaridade territorial. Nada menos que 4.889 municípios registraram produção florestal no ano passado, um indicador de que a atividade deixou de ser concentrada em poucos polos e se espalhou pelo interior do país. Para detentores de terra, investidores e fundos de ativos reais, a mensagem é a de um mercado maduro, com contratos longos e fluxo de caixa previsível atrelado à demanda industrial.

Valor da produção e distribuição dos grupos de produtos florestais da silvicultura (bilhões RS e %
Estradas rurais ligam florestas plantadas a fábricas e caminhões carregados de eucalipto abastecem as indústrias de celulose do país
Estradas rurais ligam florestas plantadas a fábricas
e caminhões carregados de eucalipto abastecem
as indústrias de celulose do país

Celulose, carvão vegetal e o peso do setor no comércio exterior

A celulose segue como a vitrine internacional do setor e foi o oitavo produto mais exportado pelo Brasil em 2025, atrás apenas de líderes consolidados como petróleo, soja e minério de ferro. O comportamento dos preços internacionais, fortemente influenciado pela China, ajuda a explicar o crescimento do faturamento e a decisão das companhias de manter ritmo acelerado de investimento em novas unidades industriais.

Os efeitos aparecem na geografia dos negócios. Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, registrou produção florestal de R$ 1,8 bilhão em 2025, mais que o triplo do ano anterior, puxada pelas fábricas de duas das maiores produtoras mundiais de celulose instaladas na cidade. Já Minas Gerais manteve a liderança estadual, com R$ 9,2 bilhões e 22,5% do total nacional, ancorada na produção de carvão vegetal, da qual detém 84,6% do volume do país, insumo essencial à siderurgia que opera com florestas renováveis.

No plano das exportações, o conjunto de produtos florestais movimentou cerca de US$ 15,7 bilhões em 2024, segundo dados da indústria nacional de árvores plantadas, que também contabiliza mais de 7 milhões de hectares de florestas nativas conservadas dentro das áreas das empresas associadas. O dado reforça o argumento de que competitividade econômica e responsabilidade ambiental caminham juntas no setor florestal brasileiro.

Participação dos grupos de espécies florestais no valor da produção da silvicultura (%)
Variação anual do valor da produção dos principais produtos não madeireiros do extrativismo
Açaí plantado em sistemas de agroflorestas integra as cadeias de produtos não madeireiros do país
Açaí plantado em sistemas de agroflorestas integra
as cadeias de produtos não madeireiros do país

Açaí, erva-mate e a diversidade da bioeconomia florestal

Para além da madeira, as florestas seguem alimentando a economia nacional com produtos de alto valor agregado. Os itens de uso alimentício somaram R$ 2,2 bilhões em valor de produção em 2025, com o açaí na liderança: foram 251 mil toneladas colhidas, sendo dois terços originários do Pará. A erva-mate ocupou a vice-liderança, com R$ 562,3 milhões, e 88,4% de todo o volume extraído no país veio do Paraná, evidenciando a força das cadeias regionais.

A diversificação é estratégica para o futuro do segmento. Ao mesmo tempo que a indústria de celulose consolida a base florestal plantada como ativo de longo prazo, o extrativismo sustentável de frutos e folhas conecta a produção às novas demandas por alimentos naturais, bioinsumos e rastreabilidade. Municípios e cooperativas que organizam essas cadeias tendem a capturar uma fatia crescente do valor gerado.

O conjunto de indicadores aponta para um setor em expansão estrutural. O recorde de 2025 confirma a floresta, plantada ou nativa, como um dos pilares mais sólidos do agronegócio brasileiro, com capacidade de gerar renda, emprego e divisas sem abrir mão da conservação. Para quem acompanha o agro por dentro, o recado do levantamento do IBGE é direto: a produção florestal deixou de ser coadjuvante e assumiu o papel de protagonista na bioeconomia nacional.

Viveiros, laboratórios que desenvolvem mudas clonais com ganhos crescentes de produtividade por hectare e áreas de plantio sustentam o recorde de produção florestal brasileira
Viveiros, laboratórios que desenvolvem mudas clonais com
ganhos crescentes de produtividade por hectare e áreas de
plantio sustentam o recorde de produção florestal brasileira
A pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura do IBGE destaca que a base florestal brasileira se expande com manejo tecnológico, consolidando recorde histórico de produção em 2025

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