O Festival celebra uma das bebidas mais tradicionais do Brasil na encantadora cidade histórica de Paraty, atraindo apreciadores e curiosos em busca de uma experiência única
O Centro Histórico de Paraty, na Costa Verde fluminense, será novamente palco de um dos eventos mais tradicionais da cidade. Entre 20 e 23 de agosto de 2026, o 44º Festival da Cachaça, Cultura e Sabores de Paraty reunirá produtores, visitantes, chefs, artesãos e agentes do turismo em torno de uma cadeia que combina produção artesanal, identidade cultural e atividade econômica. Organizado pela Secretaria de Turismo e pela Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Paraty (APACAP), o encontro apresenta os principais rótulos locais e aproxima o público da história e dos processos associados à bebida.
Realizado desde 1983, quando ainda era conhecido como Festival da Pinga, o evento acompanha a própria transformação de Paraty em destino de turismo cultural e gastronômico. Nos últimos anos, a programação passou por um processo de requalificação envolvendo estrutura, cenografia e conteúdo. A proposta é ampliar a experiência oferecida ao visitante sem perder a relação com as raízes locais. Nesse contexto, a cachaça funciona como elemento de conexão entre patrimônio, gastronomia e economia criativa, reunindo alambiques tradicionais, música, artesanato e culinária regional em um mesmo circuito.

em quatro dias de programação na Costa Verde fluminense

cachaça artesanal da Costa Verde

gastronômica oferecida aos visitantes
Patrimônio que gera negócios
A história da cachaça em Paraty remonta ao período colonial e está diretamente relacionada à ocupação econômica da região. Por volta de 1600, a produção de aguardente já fazia parte da atividade local, favorecida pelas condições de cultivo da cana e pela necessidade de alternativas à produção de açúcar. Ao longo dos séculos, a bebida ganhou reputação própria e chegou a ser associada ao nome da cidade. O município chegou a abrigar mais de 150 alambiques no século XIX. Atualmente, seis alambiques artesanais permanecem em operação, mantendo técnicas tradicionais e recebendo visitantes interessados em conhecer a origem dos produtos.
A trajetória de reconhecimento institucional também é relevante. Paraty foi a primeira cidade brasileira a obter, em 2007, a Indicação Geográfica de Procedência para sua cachaça, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Em 2020, o produto passou a contar com Denominação de Origem, reconhecimento que estabelece uma relação ainda mais específica entre características do destilado e seu território de produção. A proteção geográfica agrega valor ao produto, contribui para preservar práticas produtivas e cria referências de origem para consumidores e mercados.
O festival também ajuda a aproximar produtores diretamente do consumidor. Durante os quatro dias, os visitantes poderão degustar e adquirir diferentes rótulos, conversar com fabricantes e conhecer detalhes sobre fermentação, destilação, envelhecimento e composição sensorial. Marcas tradicionais como Coqueiro, Corisco, Engenho D’Ouro e Paratiana estarão entre as referências da produção regional. A venda direta e a experiência de degustação aproximam o consumidor da cadeia produtiva, criando espaço para valorização do trabalho artesanal e para a construção de relações comerciais.

influência portuguesa miscigenada com a cultura
indígena. O forte são os pratos com frutos do mar,
as deliciosas caldeiradas, moquecas e pirões

mas talvez o mais relevante deles seja a cachaça

patrimônio produtivo de Paraty
Turismo, gastronomia e economia local
A dimensão gastronômica amplia o alcance do festival. A programação reunirá pratos preparados com ingredientes característicos da Costa Verde, como peixes, frutos do mar, banana e palmito, além de receitas desenvolvidas por chefs e cozinheiras da comunidade. As Aulas Show Cidade Criativa também integram essa agenda, conectando a produção gastronômica local ao reconhecimento internacional conquistado por Paraty como Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco, em 2017.
O impacto econômico ultrapassa os limites dos alambiques. Hotéis, pousadas, restaurantes, bares, comércio, transporte, artesãos e prestadores de serviços participam do movimento gerado pela chegada dos visitantes. A combinação entre evento e patrimônio cria condições para ampliar a permanência turística e distribuir renda entre diferentes atividades. Para o setor de hospitalidade, calendários culturais com forte identidade territorial ajudam a reduzir a dependência de períodos específicos de alta temporada, além de criar novas oportunidades para negócios locais.
Paraty reúne atributos que ampliam essa experiência para além do festival. As ruas de pedra, os casarões coloniais, as igrejas, a baía e as áreas naturais da Serra da Bocaina compõem um cenário integrado ao roteiro turístico. Passeios de barco, praias e ilhas podem complementar a programação, enquanto os alambiques abertos à visitação oferecem contato direto com a produção. Essa combinação ajuda a consolidar o município como destino de turismo de experiência, gastronomia e patrimônio, segmentos nos quais autenticidade e origem têm peso crescente nas decisões dos viajantes.

do país, tem sua representação na cidade de Paraty

a economia local durante o evento

gastronômica e musical durante o festival
Ao reunir tradição produtiva, reconhecimento de origem, gastronomia e turismo, o Festival da Cachaça, Cultura e Sabores de Paraty representa mais do que uma celebração anual. O evento cria uma vitrine para uma cadeia artesanal que precisa preservar conhecimento, conquistar consumidores e ampliar sua inserção comercial sem perder identidade. Em um mercado no qual origem, qualidade e experiência agregam valor aos produtos, Paraty encontra na própria história uma ferramenta econômica. O festival transforma esse patrimônio em encontro, consumo, conhecimento e oportunidades para produtores e empresas ligados à economia local.