Manchetes da semana – 19 a 25-09-2026

BNDES e Acre preparam concessão de 213 mil hectares de floresta nativa em Tarauacá

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e o governo do Acre formalizaram o contrato para estruturar a concessão de três unidades de conservação estaduais, um projeto que abrange 213 mil hectares de floresta nativa no município de Tarauacá. As áreas envolvidas são as Florestas Estaduais do Mogno, do Rio Gregório e do Rio Liberdade, cuja modelagem deverá combinar exploração madeireira legal com conservação da amazônia. Os estudos previstos cobrem avaliação florestal, logística, viabilidade econômico-financeira e análise jurídica, etapas que vão subsidiar o edital da concessão. A expectativa é que as minutas sejam submetidas a consulta pública em 2027. Pelo desenho apresentado, o manejo florestal sustentável adota técnicas de exploração de baixo impacto, com reprodução do ciclo natural da floresta e manutenção da biodiversidade e da produtividade ecológica, econômica e social. A iniciativa busca dar destinação produtiva e legal a áreas públicas, ao mesmo tempo em que gera fomento à produção verde e desenvolvimento regional, em um modelo que aproxima a política ambiental da agenda de negócios da bioeconomia amazônica.

Língua azul avança no Reino Unido

O Reino Unido enfrenta a mais ampla disseminação de língua azul de sua história recente, com 1.338 propriedades com casos confirmados e outras 1.616 sob investigação, segundo balanço oficial atualizado. A doença, transmitida por insetos vetores que voltaram a se tornar ativos em território britânico a partir de 31 de março de 2026, encontra nas temperaturas elevadas do norte da europa condições favoráveis ao desenvolvimento do vírus e à transmissão entre bovinos e ovinos. O governo britânico classifica como médio o risco de introdução da enfermidade considerando todas as rotas e reconhece haver transmissão em andamento. O quadro obriga a adoção de restrições na movimentação de animais, com impacto direto sobre o comércio pecuário e o trânsito de reprodutores de alto valor genético. Para o rebanho brasileiro, a situação reforça a importância da vigilância sanitária e do controle de trânsito internacional de animais, uma vez que a língua azul não representa risco à saúde humana, mas impõe barreiras relevantes à exportação de genética e de produtos pecuários quando detectada em países parceiros comerciais.

BNDES e Conab preparam revitalização dos hortomercados do Humaitá e do Leblon que ganharão novo modelo imobiliário sem perder função social
BNDES e Conab preparam revitalização dos hortomercados
do Humaitá e do Leblon que ganharão novo modelo
imobiliário sem perder função social

BNDES e Conab vão modernizar hortomercados no Rio

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Companhia Nacional de Abastecimento assinaram acordo de cooperação técnica para o planejamento preliminar da valorização imobiliária e da modernização dos hortomercados do Humaitá e do Leblon, no Rio de Janeiro, os tradicionais espaços conhecidos como Cobal. Implantados na década de 1970 no contexto da política federal de abastecimento urbano, os equipamentos reúnem dezenas de comerciantes, bares e restaurantes e carregam forte valor histórico, cultural e econômico para a Zona Sul carioca. Pelo acordo, cabe ao BNDES a análise preliminar dos imóveis e a proposição de alternativas e diretrizes, enquanto a Conab fornecerá dados e documentos para a construção de base de conhecimento compartilhada. A avaliação considerará aspectos técnicos, jurídicos, fundiários, patrimoniais e institucionais, com vigência de 18 meses e prorrogação possível por até 60 meses, sem repasse de recursos entre as instituições. Um dos eixos centrais é preservar a vocação hortifrutigranjeira dos espaços e garantir mecanismos de acesso de produtores da agricultura familiar fluminense, em articulação com os programas de abastecimento da Conab. A modelagem deverá equilibrar geração de valor e manutenção da função pública dos imóveis.

Embrapa e China negociam parceria em bioinsumos

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária articula parceria com a chinesa VOTO Biotech Group para desenvolvimento e escalonamento da produção de bioinsumos no Brasil, em projeto que reúne a Financiadora de Estudos e Projetos e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A iniciativa posiciona o país para avançar na substituição gradativa de insumos químicos por soluções biológicas, movimentando uma fronteira estratégica da agricultura tropical. A cooperação técnico-industrial envolve transferência de tecnologia, ampliação de capacidade produtiva e estruturação de biofábricas, com foco em produtos destinados ao controle biológico, à fixação de nitrogênio e à promoção de crescimento vegetal. O movimento acompanha a tendência global de redução da dependência de fertilizantes e defensivos importados, em um momento em que o Brasil busca consolidar uma indústria nacional de insumos agrícolas mais resiliente. Para o produtor, a difusão dos bioinsumos representa ganho de eficiência no custo de produção e alinhamento com as exigências de sustentabilidade dos mercados compradores, sobretudo os europeus. A parceria ainda sinaliza o aprofundamento da agenda agrícola bilateral com a China, maior parceira comercial do agro brasileiro.

Uruguai cede cota de carne estabelecida pela China para o Brasil

O governo brasileiro obteve autorização do Uruguai para utilizar o excedente da cota de exportação de carne bovina destinada à China, em volume estimado em cerca de 80 mil toneladas, o que pode ampliar os embarques nacionais sem incidência de tarifa adicional. A cota brasileira para 2026, fixada em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, já foi esgotada, e o volume que ultrapassar esse limite estaria sujeito a sobretaxa de 55%. O país vizinho, por sua vez, dispõe de cota de cerca de 324 mil toneladas, da qual parte permaneceu sem utilização. Ainda que a palavra final dependa das regras da Organização Mundial do Comércio e da anuência das autoridades chinesas, o movimento sinaliza o esforço diplomático para destravar espaço adicional no principal destino da carne bovina brasileira. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes recebeu a medida com avaliação positiva por representar ampliação do acesso ao mercado chinês em um momento de demanda aquecida. Para o setor pecuário, o desdobramento equilibra oferta disponível, logística de embarque e rentabilidade das exportações.

Projeto de Lei propõe desativar zoológicos e aquários do país em até dois anos, com aniamis sendo transferidos a santuários e centros de reabilitação autorizados
Projeto de Lei propõe desativar zoológicos e aquários
do país em até dois anos, com aniamis sendo transferidos
a santuários e centros de reabilitação autorizados

Projeto prevê fim dos zoológicos no Brasil

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 2648/2026, que propõe proibir a criação, a manutenção e o funcionamento de zoológicos, aquários e empreendimentos similares destinados à exibição pública de animais silvestres ou exóticos em todo o território nacional. O texto estabelece prazo máximo de dois anos para a desativação dos estabelecimentos já existentes e impede, durante a transição, novas licenças, ampliações de atividade e entrada de novos animais. Os animais seriam transferidos para centros de reabilitação e santuários autorizados, que priorizariam os cuidados e, quando houvesse condições, a reintrodução dos espécimes na natureza. A visitação nesses espaços ficaria restrita a pesquisadores, profissionais e estudantes, com atividades educativas monitoradas para evitar estresse e assegurar o bem-estar dos animais. A justificativa da proposta sustenta que a manutenção de fauna para exibição pública não acompanha os avanços científicos relacionados ao bem-estar animal. O projeto ainda precisa avançar nas comissões e ser votado no plenário antes de eventual sanção, o que mantém os atuais recintos em funcionamento até a conclusão do trâmite legislativo.

Conservação em fazendas do Pantanal vale dinheiro

Produtores rurais de Mato Grosso do Sul começaram a receber pagamentos por conservar áreas de vegetação nativa que ultrapassam o exigido pela legislação, dentro do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais Bioma Pantanal. A remuneração foi definida em R$ 55,47 por hectare ao ano, respeitando limite que permite ao pecuarista obter até R$ 100 mil anuais por propriedade, com cerca de R$ 7 milhões já destinados aos pagamentos de 2026. O programa foi estruturado inicialmente com R$ 30 milhões, provenientes do Fundo Clima Pantanal, e selecionou, na primeira chamada, 45 propriedades entre 71 inscrições, incorporando mais de 100 mil hectares de vegetação nativa à estratégia de conservação remunerada. A lógica econômica é atribuir valor financeiro aos serviços ambientais mantidos dentro das fazendas: se a preservação gera benefícios à sociedade, parte desse valor retorna a quem mantém a vegetação em pé. O pagamento não substitui a renda da pecuária, mas opera como receita complementar capaz de financiar manutenção da propriedade, prevenção de incêndios e manejo ambiental. A experiência pantaneira inaugura no agronegócio brasileiro a discussão sobre o valor da vegetação preservada dentro da porteira, que deixa de ser apenas obrigação legal para integrar a geração de valor do imóvel rural.

Com produção reduzida, indústria de adubo fosfatado acende alerta

Mais da metade da produção brasileira de fertilizantes fosfatados está paralisada, segundo estimativa do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes – Sinprifert, entidade que representa fabricantes responsáveis por 95% dos nutrientes produzidos no país. O principal gatilho é a (NEG)disparada do preço do enxofre, matéria-prima para o ácido sulfúrico e o ácido fosfórico, que passou de menos de US$ 100 para aproximadamente US$ 1,1 mil por tonelada, alta superior a 1.000% em um ano(NEG), agravada por restrições de oferta e dificuldades logísticas no mercado internacional. Grandes empresas já reduziram atividades: a Mosaic prorrogou paralisações em unidades de diferentes estados, e a EuroChem suspendeu temporariamente contratos de trabalho no complexo de Serra do Salitre, em Minas Gerais, inaugurado em 2024 após investimento de cerca de R$ 5 bilhões. A estimativa do setor é que a aplicação de fosfatados no Brasil possa cair até 30% caso as restrições persistam. O cenário coincide com a sanção da Lei nº 15.496, de 3 de setembro de 2026, que criou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, em um momento em que o país busca reduzir a vulnerabilidade externa na cadeia de insumos e garantir a nutrição das lavouras da safra 2026/27.

Garimpo ilegal de ouro segue na Terra Indígena Munduruku no Pará mesmo após operações de desintrusão, ameaçando a floresta e a saúde da população
Garimpo ilegal de ouro segue na Terra Indígena Munduruku
no Pará mesmo após operações de desintrusão, ameaçando
a floresta e a saúde da população

Garimpo ilegal avança na Terra Indígena Munduruku

Estudo publicado pela Environmental Investigation Agency, em parceria com organizações Munduruku (Assoc. de Mulheres Munduruku Wakoborun; Associação Da’uk; Movimento Munduruku Ipereğ Ayũ), identificou dez novos locais de garimpo ilegal de ouro na região da Terra Indígena Munduruku e da TI Sai Cinza, no Pará, entre setembro de 2025 e agosto de 2026. A análise de imagens de satélite detectou abertura de estradas, expansão de frentes já existentes e o surgimento de novas áreas de exploração, incluindo uma via de 14 quilômetros que conecta a atividade minerária ao Parque Nacional do Rio Novo, aberta em uma região que permanecia de mata fechada até outubro de 2025. Em uma das frentes, cerca de 30 hectares de floresta foram desmatados entre março de 2025 e julho de 2026, e inspeção de campo localizou 99 equipamentos operando em três pontos do território. O quadro se agrava diante da contaminação por mercúrio, que atinge alimentos e água, e da permanência de estruturas de apoio ao garimpo mesmo após as operações federais de desintrusão realizadas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, que inutilizaram 90 acampamentos, 27 máquinas e 224 motores, com prejuízo estimado de R$ 112,3 milhões às atividades ilícitas. A delegação da Corte Interamericana de Direitos Humanos recebeu as evidências durante visita ao território.

União Europeia propõe Canadá como membro associado

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que apresentará proposta para tornar o Canadá o primeiro “membro associado” da União Europeia, um novo status institucional revelado durante o discurso sobre o Estado da União. A medida integra uma aliança estratégica inédita entre o bloco europeu e o país norte-americano, ampliando o alcance de um relacionamento que já conta com o acordo comercial abrangente entre as partes. Embora o formato ainda dependa de negociações detalhadas e de aprovação dos estados-membros, a sinalização é relevante para a agenda do agronegócio global: o Canadá é grande produtor e exportador de grãos, carnes e oleaginosas, e sua aproximação institucional com a europa ocorre em um contexto de disputas comerciais e de reorganização das cadeias de suprimento internacionais. Para o Brasil, o movimento reforça a atenção sobre a política comercial europeia, sobretudo em relação a exigências ambientais e sanitárias, que tendem a se tornar referência nos acordos do bloco. A proposta também coloca em perspectiva a discussão sobre formatos intermediários de integração econômica, além dos tradicionais acordos de livre-comércio, em um cenário de fragmentação do comércio mundial.

Brasil deve reduzir importação de fertilizantes

A importação de fertilizantes pelo Brasil deve recuar entre 10% e 12% em 2026, para algo entre 40 milhões e 41 milhões de toneladas, mesmo com a expectativa de crescimento da área cultivada para cerca de 85 milhões de hectares na safra 2026/27, segundo projeções baseadas em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O volume contrasta com o recorde de 45,5 milhões de toneladas registrado em 2025 e se aproxima do patamar de 2023. Até setembro, o país havia importado aproximadamente 27 milhões de toneladas. Como entre 80% e 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil vêm de fora, os custos de produção seguem sensíveis às oscilações dos preços internacionais, pressionados por tensões geopolíticas e conflitos que elevam o valor dos insumos e o frete. A retração das compras evidencia a preocupação dos agricultores com a rentabilidade e a busca por maior eficiência no uso de nutrientes, em um ciclo em que a adubação precisa ser redimensionada diante do encarecimento. O comportamento da importação ao longo dos próximos meses será decisivo para os custos da safra, especialmente para culturas de alta demanda nutricional como a soja e o milho.

Região Serrana lidera produção de flores de corte no estado do Rio, setor que reúne 950 produtores e movimenta R$ 552 milhões por ano
Região Serrana lidera produção de flores de corte
no estado do Rio, setor que reúne 950 produtores
e movimenta R$ 552 milhões por ano

Primavera realça potência da floricultura fluminense com 950 produtores no campo

A chegada da primavera coloca em evidência uma atividade estratégica do campo fluminense: a floricultura, que reúne cerca de 950 produtores em aproximadamente 1.600 hectares e movimenta R$ 552 milhões por ano. O setor conta com mais de 400 produtores dedicados exclusivamente às flores de corte, com produção anual próxima de 9,5 milhões de unidades, além de folhagens, plantas ornamentais e espécies de paisagismo e jardinagem. A diversidade é marcante, com destaque para rosas, crisântemos, gérberas, lírios, astromélias e lisiantos. A região serrana, especialmente os municípios de Nova Friburgo e Bom Jardim, concentra a maior parte da atividade, favorecida pelo clima de altitude, enquanto o município do Rio de Janeiro se consolida como polo de flores tropicais, com cerca de 100 hectares cultivados. A estação, tradicionalmente associada ao aumento da procura por flores e plantas, reforça a importância de uma cadeia que gera emprego, renda e oportunidades no interior e amplia a presença da produção fluminense em mercados dentro e fora do estado. O desempenho do setor comprova a diversificação da matriz agrícola de um estado historicamente associado a outras atividades.

Brasil terá banco de antígenos contra febre aftosa

O Brasil passará a contar com banco de antígenos congelados suficientes para a produção de até dez milhões de doses de vacina contra a febre aftosa, em estrutura localizada na Argentina, resultante de parceria entre o governo brasileiro, o Instituto de Tecnologia do Paraná e a Biogénesis Bagó. A estratégia prevê que, na detecção de um foco, o antígeno seja descongelado, com a vacina formulada em até quatro dias e disponibilizada no local do surto em até sete dias. O país é reconhecido desde 2024 como livre da doença sem vacinação, mas a manutenção da reserva estratégica é considerada essencial para evitar a reintrodução do vírus e proteger o rebanho e as exportações de carne. A opção por armazenar antígenos em vez de vacinas prontas evita o vencimento de doses que poderiam permanecer anos sem uso. O principal desafio apontado em caso de emergência é a velocidade de caracterização do vírus envolvido. Eventual ocorrência da doença poderia desencadear embargos comerciais com perdas imensuráveis para a cadeia da proteína animal, o que eleva o valor estratégico do mecanismo. A estrutura reforça a arquitetura de defesa sanitária brasileira, referência internacional em sanidade pecuária.

China audita frigoríficos brasileiros

Uma delegação com cinco técnicos chineses iniciou auditoria em frigoríficos de carne bovina, suína e de aves do Brasil, com agenda que inclui estabelecimentos produtivos, laboratórios oficiais, abatedouros e fazendas em cinco estados, além de reuniões em Brasília com o Ministério da Agricultura e representantes dos exportadores. A inspeção, programada para se estender até 26 de setembro, ocorre em um momento sensível do comércio bilateral, pois cinco frigoríficos exportadores de carne bovina seguem com habilitação suspensa para a China, entre eles unidades da JBS. As vistorias são fundamentais para a avaliação chinesa dos sistemas de controle sanitário brasileiro e há expectativa de que a auditoria contribua para as tratativas de abertura de mercado para miúdos de bovinos e suínos, um segmento de alto valor agregado ainda bloqueado para o país. A China é o principal destino da proteína animal brasileira, e a regularidade do fluxo de habilitações impacta diretamente a receita das indústrias e o planejamento das cadeias produtivas. O desfecho da auditoria será observado com atenção pelo setor, que depende do mercado chinês para sustentar a demanda e os preços da carne.

Celulose responde por 40% da receita industrial exportada por Mato Grosso do Sul com recorde de R$ 27,5 bilhões
Celulose responde por 40% da receita industrial exportada
por Mato Grosso do Sul com recorde de R$ 27,5 bilhões

Celulose lidera exportações industriais do MS

A celulose tornou-se o principal produto industrial de Mato Grosso do Sul no mercado internacional, com exportações de aproximadamente R$ 11 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, respondendo por 40% da receita industrial obtida pelo estado no exterior. As vendas externas da indústria sul-mato-grossense alcançaram no período o recorde de R$ 27,5 bilhões, alta de 5% sobre o mesmo intervalo de 2025, com o setor respondendo por 66% de tudo o que o estado comercializou com outros países. O desempenho está ligado à consolidação de um polo florestal e industrial no leste do estado, concentrado em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, que conecta os plantios de eucalipto a fábricas, transportadoras e estruturas de escoamento. As pastas químicas de madeira concentraram 99,4% das exportações do segmento. A celulose superou o complexo frigorífico, que exportou R$ 9,66 bilhões, com diferença de R$ 1,33 bilhão entre as duas cadeias, que juntas respondem por três quartos das vendas industriais externas. O resultado reposiciona o estado, que deixa de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas e passa a abrigar uma das maiores estruturas de transformação de madeira plantada do país, abrindo espaço para contratos florestais e arrendamentos no campo.

Crédito extraordinário para agricultura familiar

O governo federal publicou medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 64,3 milhões para ações de segurança alimentar e atendimento a comunidades indígenas, com R$ 40,26 milhões destinados à aquisição e distribuição de alimentos produzidos pela agricultura familiar, em apoio às políticas de combate à fome. A previsão é atender cerca de 4 mil famílias agricultoras por meio da ampliação dos programas de compra e doação de alimentos. Os outros R$ 24,02 milhões serão repassados à Fundação Nacional dos Povos Indígenas, financiando ações culturais e sociais com potencial de beneficiar 1,3 mil comunidades em todo o país. Os recursos serão aplicados em caráter extraordinário, reforçando programas já existentes, e virão do Tesouro Nacional. A medida conecta duas frentes de política pública: de um lado, garante mercado e renda para a agricultura familiar, adquirindo produção local, de outro, amplia a oferta de alimentos para populações em situação de vulnerabilidade. O aporte reforça ainda a articulação entre segurança alimentar e inclusão produtiva no campo, em um contexto em que o abastecimento e o enfrentamento à fome voltaram ao centro da agenda de políticas agrícolas e sociais do país.

Desmatamento na Amazônia cai no atual governo

Análise da InfoAmazonia com base no Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, indica que a amazônia perdeu, em média, 690 mil árvores a menos por dia no terceiro mandato do governo Lula do que durante o governo Bolsonaro. A estimativa converte a área desmatada em número de árvores utilizando a média de 565 árvores por hectare de floresta na Bacia Amazônica. Na série histórica, o desmatamento caiu 62% nos dois primeiros mandatos, subiu 54% no período seguinte e apresentou recuo de 51% em comparação a 2022 no atual governo. Se mantido o ritmo médio de redução observado entre 2023 e 2025, de cerca de 1.954 km² por ano, a taxa anual chegaria ao patamar de 703 km² em 2028, antes da meta prevista para 2030. O estudo contextualiza o resultado com a estruturação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, responsável pela queda de 83% registrada entre a criação do plano, em 2004, e o menor índice da série, em 2012. Os dados de 2026, ainda preliminares, utilizam os alertas do sistema Deter até a consolidação anual do Prodes.

Polo Base Surucucu recebe equipes de pediatria, clínica e saúde da mulher e dois mil e quinhentos indígenas em 33 comunidades terão atendimento especializado - Foto: Rafael Nascimento/MS
Polo Base Surucucu recebe equipes de pediatria, clínica e saúde
da mulher e dois mil e quinhentos indígenas em 33 comunidades
terão atendimento especializado – Foto: Rafael Nascimento/MS

SUS realiza expedição para atender Yanomamis em Roraima

Entre os dias 23 e 30 de setembro, o Sistema Único de Saúde realiza nova expedição de atenção especializada à saúde indígena no território Yanomami, em Roraima, concentrada no Polo Base Surucucu, com expectativa de executar 750 procedimentos entre consultas de pediatria, clínica médica e saúde da mulher, além de exames laboratoriais e ultrassonografias. Os atendimentos ocorrerão no Centro de Referência em Saúde Indígena Xapori Yanomami e nas comunidades da área de abrangência, que reúnem cerca de 2.544 indígenas distribuídos em 33 comunidades no município de Alto Alegre. A iniciativa busca aproximar o atendimento especializado de populações que vivem em áreas de difícil acesso, reduzir remoções evitáveis e ampliar a resolutividade da assistência local, em articulação com as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena. Entre os públicos prioritários estão crianças com histórico de doenças respiratórias, infecções recorrentes e desnutrição, gestantes, pessoas com doenças crônicas e indígenas com malária, especialmente nos casos de complicação. A ação integra o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena, conduzido pelo Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Ye’kwana em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena e a AgSUS.