Do desfile dos grandes campeões ao recorde comercial, a Expointer 2026 celebra o agro gaúcho

A 49ª Expointer encerrou sua programação no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, RS, com números que reafirmam a condição do evento como o maior do agronegócio da América Latina. O balanço final, apresentado em coletiva de imprensa com a presença das secretarias estaduais da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, registrou R$ 6,2 bilhões em negócios, um avanço de 40% sobre a edição anterior, e 938.470 visitantes ao longo dos nove dias, coroando uma semana marcada pelo vigor comercial e pela festa do público.

Grandes campeões das principais raças desfilam na pista central do Parque Assis Brasil
Grandes campeões das principais raças desfilam
na pista central do Parque Assis Brasil
O grande campeão e a grande campeã da raça Sindi, da Cabanha Rancho Criuva, de Caxias do Sul, do produtor rural Joceley Marcos Trevisan - Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
O grande campeão e a grande campeã da raça Sindi, da
Cabanha Rancho Criuva, de Caxias do Sul, do produtor rural
Joceley Marcos Trevisan – Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi

O desfile que resume a diversidade do campo

O Desfile dos Grandes Campeões, realizado na Pista Central, reuniu os melhores exemplares das principais raças bovinas, ovinas, equinas e caprinas, ao lado dos vencedores do 14º Concurso de Produção na Agricultura Familiar, que reconheceu 63 expositores. O cortejo transformou a pista em um retrato vivo da heterogeneidade da produção gaúcha, com cabanhas tradicionais, propriedades familiares e até participação internacional, caso do cavalo crioulo grande campeão vindo do Uruguai após oito meses de preparo.

Entre os ovinos, uma cabanha de Vacaria confirmou a força de 36 anos de seleção genética com o primeiro lugar em fêmea da raça Ile de France. Na caprinocultura, a Boer reafirmou sua vocação para a produção de carne, com linhagens trabalhadas há mais de duas décadas. A bovinocultura proporcionou alguns dos momentos mais simbólicos da tarde, com uma única propriedade catarinense conquistando três primeiros lugares em raças distintas, resultado de um trabalho iniciado ainda nos anos 1980 e conduzido com a qualidade genética como prioridade.

A novidade da raça Galloway, liderada por um grupo de produtores que se organizou em associação, mostrou que a Expointer também funciona como vitrine para genéticas emergentes. Já o título equino conquistado por uma equipe sediada no Uruguai reforça o alcance internacional da feira, que atrai criadores de toda a América do Sul para disputar os títulos mais cobiçados da genética sul-americana.

A Cabanha São Chico, de Água Doce, de Santa Catarina, da produtora rural Tatiane Mendes dos Santos, arrematou três primeiros prêmios em três raças bovinas diferentes: a grande campeã Limousin, fêmea, chamada Narjalah; a grande campeã Red Poll, fêmea, de nome Kiji e o grande campeão Shorthorn, macho, chamado Nobre - Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
A Cabanha São Chico, de Água Doce, de Santa Catarina, da
produtora rural Tatiane Mendes dos Santos, arrematou três
primeiros prêmios em três raças bovinas diferentes: a grande
campeã Limousin, fêmea, chamada Narjalah; a grande campeã
Red Poll, fêmea, de nome Kiji e o grande campeão Shorthorn,
macho, chamado Nobre – Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
A novidade da raça Galloway destacou o trabalho da Cabanha da Confiança, de propriedade de José Antônio de Andrade Neto, município de Lagoa Vermelha, que obteve o primeiro lugar como grande campeão da raça - Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
A novidade da raça Galloway destacou o trabalho da Cabanha
da Confiança
, de propriedade de José Antônio de Andrade Neto,
município de Lagoa Vermelha, que obteve o primeiro lugar como
grande campeão da raça – Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
Nos equinos, o Grande Campeão da raça Crioula ficou com o cavalo Tañido Buenazo do Centro de Treinamento La Lechuza, de Montevideo, Uruguai, de propriedade de Juan González - Foto: João Morais
Nos equinos, o Grande Campeão da raça Crioula ficou com o cavalo
Tañido Buenazo do Centro de Treinamento Las Lechuzas, de Montevideo,
Uruguai, de propriedade de Juan González – Foto: João Morais

R$ 6,2 bilhões e o protagonismo dos pavilhões

O desempenho comercial da 49ª edição superou as expectativas. Os R$ 6,18 bilhões movimentados equivalem a um crescimento de 40% em relação a 2025, sustentado sobretudo pelo setor de máquinas e implementos agrícolas, que respondeu por R$ 5,46 bilhões das vendas, uma alta de 44,5% e reflexo direto do ciclo de investimentos em mecanização. O setor automotivo somou R$ 668,7 milhões, enquanto a comercialização de animais alcançou R$ 21,9 milhões, com 7.926 exemplares inscritos nas competições e exposições de rústicos e de argola.

O Pavilhão da Agricultura Familiar atingiu R$ 14,4 milhões em vendas em seus 509 estandes, número que confirma a centralidade dos pequenos empreendimentos na economia da feira. As agroindústrias lideraram a participação, com queijos coloniais, embutidos, pães, mel e artesanato puxando a comercialização. O resultado evidencia o amadurecimento de um modelo que combina tradição produtiva com acesso estruturado a mercado, convertendo-se em renda direta para centenas de famílias do interior gaúcho.

O conjunto dos números reforça o papel da Expointer como termômetro da confiança do produtor e indutor de investimentos. O recorde de público em um único dia, com mais de 155 mil pessoas no sábado, e a multidão de 144 mil no encerramento mostram que a feira se consolidou como um grande espaço de integração entre o campo e a cidade, aproximando o consumidor urbano da realidade produtiva e do valor do trabalho rural.

Nos caprinos, a Cabanha Vargas, de João Daniel Vargas da Silva, de Canguçu, foi um dos destaques com a raça Boer - Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
Nos caprinos, a Cabanha Vargas, de João Daniel Vargas da
Silva, de Canguçu, foi um dos destaques com a raça Boer
Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
Na categoria de queijo colonial, a agroindústria Ferrari, de Carlos Barbosa, comemorou o primeiro lugar - Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
Na categoria de queijo colonial, a agroindústria Ferrari,
de Carlos Barbosa, comemorou o primeiro lugar
Foto: Fabrízio Fernández/AscomSeapi
Os muitos campeões da agroindústria familiar que registrou R$ 14,4 milhões em vendas em 509 estandes
Os muitos campeões da agroindústria familiar que registrou
R$ 14,4 milhões em vendas em 509 estandes

Balanço institucional e a perspectiva da 50ª edição

Para o governo estadual, que conduziu a apresentação dos números, os indicadores traduzem a retomada do fôlego do agronegócio gaúcho. A alta de 40% no faturamento, alcançada em um ano ainda marcado por desafios climáticos, sinaliza a recuperação robusta dos investimentos privados, sobretudo em tecnologia agrícola e pecuária de precisão. A ampla mobilização de criadores, expositores, casas bancárias e instituições de pesquisa confirma o caráter institucional do evento, que articula políticas públicas, crédito rural e difusão de conhecimento em um único ambiente.

O encerramento também selou as datas da próxima edição. A 50ª Expointer ocorrerá entre 28 de agosto e 5 de setembro de 2027, em formato comemorativo que deverá ampliar ainda mais a programação. A expectativa é que a edição de meio século consolide o legado construído ao longo de cinco décadas, mantendo Esteio como palco do principal balanço anual do agro brasileiro.

O desfile final e os números de 2026 deixam uma leitura clara: a Expointer segue sendo, ao mesmo tempo, prestação de contas do trabalho rural e celebração da identidade do campo. A diversidade premiada na pista e o volume expressivo de negócios fechados nos pavilhões compõem a síntese de uma feira que renova seu papel a cada edição e projeta o agronegócio gaúcho para o futuro.

Acesse a lista dos Grandes Campeõs da 49ª Expointer CLICANDO AQUI.

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