A cotonicultura brasileira se reúne no Expominas BH, no Congresso de Algodão 2026

O 15º Congresso Brasileiro de Algodão (CBA) será realizado de 22 a 24 de setembro de 2026, no Expominas BH, à Av. Amazonas, 6200, Gameleira, em Belo Horizonte, reunindo representantes de uma das cadeias mais tecnificadas do agronegócio nacional. Com o tema “Algodão brasileiro, fibra natural: uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o encontro coloca ciência aplicada, decisão no campo e conexão com o mercado no centro das discussões.

Realizado bienalmente, o CBA consolidou-se como um dos principais fóruns técnicos e institucionais da cotonicultura brasileira. Produtores, pesquisadores, estudantes, consultores, empresas e lideranças setoriais encontram no evento um ambiente para compartilhar experiências, avaliar tecnologias e discutir os fatores que condicionam a competitividade da atividade. A programação de 2026 combina conhecimento científico, inovação tecnológica e visão empresarial.

Nas últimas dez edições, sob organização e condução da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso ampliou sua dimensão e refinou sua proposta. Essa evolução acompanha a própria transformação da cotonicultura, marcada por mecanização, agricultura digital, genética, manejo de precisão e crescente profissionalização. O CBA tornou-se, assim, um espaço de convergência entre pesquisa, produção e estratégia de mercado.

Produtores, pesquisadores e empresas se encontram para discutir os caminhos da cotonicultura brasileira em um cenário de transformação tecnológica e comercial
Produtores, pesquisadores e empresas se encontram para
discutir os caminhos da cotonicultura brasileira em um
cenário de transformação tecnológica e comercial

Da pesquisa à realidade da fazenda

A programação foi estruturada para aproximar o conhecimento das decisões tomadas diariamente no campo. Plenárias, hubs técnicos, workshops, minicursos, apresentação de trabalhos científicos e área de exposição formam uma agenda que permite ao participante aprofundar temas específicos e, ao mesmo tempo, acompanhar movimentos mais amplos da cadeia. A aplicabilidade da ciência à produção é um dos principais eixos da proposta.

Embora a fazenda permaneça como referência central, os debates avançam para questões que ultrapassam os limites da propriedade. Mercado, comportamento do consumidor, sustentabilidade, tecnologias emergentes, gestão e liderança integram uma agenda cada vez mais relevante para o produtor. Essa abordagem reconhece que competitividade agrícola depende tanto da eficiência produtiva quanto da capacidade de interpretar mudanças econômicas e sociais.

A estrutura das plenárias traduz essa amplitude. A Plenária Técnica concentra conteúdos relacionados a ciência, manejo, inovação e soluções aplicadas, enquanto a Plenária Conexões aproxima temas como mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para a cotonicultura. Realizadas nas manhãs dos três dias, elas oferecem uma visão integrada sobre os desafios técnicos e empresariais que definirão o futuro do algodão brasileiro.

Expominas BH receberá um dos principais encontros técnicos da cotonicultura brasileira com plenárias que conectarão conhecimento científico, mercado, sustentabilidade e estratégia empresarial
Expominas BH receberá um dos principais encontros técnicos da
cotonicultura brasileira com plenárias que conectarão conhecimento
científico, mercado, sustentabilidade e estratégia empresarial

Integração amplia oportunidades de conhecimento e negócios

Os quatro Hubs Técnicos complementam essa programação com painéis simultâneos voltados a assuntos estratégicos da cadeia. A divisão por temas permite maior aprofundamento, reunindo dados, experiências de campo e soluções aplicáveis. Para profissionais que precisam acompanhar rapidamente avanços tecnológicos e mudanças de manejo, o formato cria condições para selecionar conteúdos diretamente relacionados aos desafios das operações do participante.

Workshops e minicursos ampliam ainda mais a interação. Os minicursos privilegiam participação, perguntas e atividades dinâmicas, enquanto os workshops aproximam os participantes de experiências práticas e debates colaborativos. A combinação de diferentes formatos evita a concentração do conhecimento em palestras convencionais e cria um ambiente mais favorável à troca entre pesquisadores, produtores, técnicos e empresas.

A expectativa de reunir mais de quatro mil participantes também amplia o valor institucional do encontro. Além da atualização técnica, o CBA oferece uma oportunidade relevante para relacionamento, formação de parcerias e prospecção de negócios. Em uma cadeia internacionalmente competitiva, na qual qualidade, eficiência, rastreabilidade e sustentabilidade ganham peso crescente, a circulação de conhecimento e a construção de conexões estratégicas tornam-se ativos importantes.

Colheita de Algodão (1940-1941) de Anita Malfatti
“Colheita de Algodão” (1940-1941) de Anita Malfatti

A importância de Minas Gerais na cadeia algodoeira e têxtil

Minas Gerais ocupa posição estratégica na cadeia têxtil brasileira, sustentada pela relevância da cotonicultura e pela presença de um amplo parque industrial, destacando-se no cenário nacional e garantindo ao estado o posto de terceiro maior produtor nacional. No norte de Minas, uma das principais regiões produtoras do país, a produção alcançou cerca de 65 mil toneladas de pluma na safra 2023/2024. Esse desempenho abastece indústrias de fiação, confecção e segmentos de moda, contribuindo para a geração de renda, empregos e negócios em diferentes elos da cadeia. No sul do estado, a atividade têxtil mantém forte participação na economia regional, enquanto Belo Horizonte concentra importante mercado de roupas e tecidos, atraindo compradores e revendedores de diversas localidades.

A produção de algodão mineira também se caracteriza pelo investimento em tecnologia, qualificação técnica e aprimoramento dos padrões de qualidade da fibra. Esse processo tem contribuído para consolidar Minas Gerais entre os principais produtores nacionais, com participação relevante em uma cadeia que se estende do campo à indústria e ao comércio. Para os cotonicultores, a busca por eficiência produtiva e qualidade representa um fator decisivo para ampliar a competitividade da fibra mineira, agregar valor à produção e fortalecer a inserção do estado no mercado têxtil brasileiro.

Durante três dias, Belo Horizonte receberá uma agenda que pretende refletir a complexidade e o dinamismo da cotonicultura brasileira. O 15º CBA chega com a proposta de integrar ciência, inovação, mercado, sustentabilidade e gestão, colocando conhecimento técnico a serviço de decisões mais consistentes. Mais do que acompanhar tendências, o encontro busca discutir como transformá-las em soluções capazes de gerar eficiência, valor e competitividade para a cadeia do algodão.

Leia também: