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TIP

A terminação intensiva a pasto ou TIP, como também é conhecida, é uma estratégia que vem ganhando muitos adeptos no Brasil. O aumento da adoção deste sistema híbrido que cresceu mais de 300% no país nos últimos cinco anos pode ser atribuído ao baixo custo de investimento em estruturas para se iniciar a atividade, à facilidade de implantação e ao aproveitamento das áreas de pastagens, reduzindo os custos nutricionais. Isso porque, além do nosso país ter grande capacidade produtiva de gado, a TIP possibilita reduzir investimentos em recursos, otimizar utilização dos pastos e, consequentemente, aumentar o lucro do pecuarista.

Além disso, essa estratégia é uma alternativa sustentável, já que com a melhor utilização do pasto é possível aumentar a produtividade (arrobas/hectare), sem que haja necessidade de ocupar outras áreas. Analisar o comportamento dos principais sistemas produtivos de engorda intensiva ao longo do tempo têm como objetivo compreender como as fazendas estão escolhendo suas estratégias de produção e o impacto dessas escolhas no desempenho dos animais e do negócio. O relatório de dados financeiros, zootécnicos e nutricionais, ajuda a enfrentar os desafios do setor, entendendo-se a combinação de fatores que impactou no resultado apurado dos lotes mais lucrativos e os que tiveram maiores prejuízos.

A TIP é simples, mas exige cuidado com a adaptação dos animais, como no confinamento
A TIP é simples, mas exige cuidado com a adaptação dos animais, como no confinamento

A tecnologia

A terminação intensiva a pasto (TIP) é um método de produção que se concentra em engordar os animais para o abate usando a pastagem como principal fonte volumosa, sendo fornecido no cocho para os animais a suplementação concentrada. O sistema vem sendo cada vez mais empregado em propriedades de gado de corte no Brasil e é projetado para maximizar o ganho de peso, e aumentar o acabamento dos animais antes do abate, enquanto faz uso eficiente dos recursos disponíveis, como pastagens, água de boa qualidade e suplementos nutricionais. A prática acelera a terminação do rebanho, permitindo o abate de animais mais jovens e garantindo uma carne mais macia. Pensando no mercado da carne, isso pode influenciar positivamente a reputação da carne brasileira no mercado interno e externo, aumentando sua competitividade. A TIP permite produzir carne de alta qualidade a custos relativamente baixos, essencial para competir com outros produtores globais e conquistar uma parcela maior do mercado internacional.

Apesar de ser similar ao confinamento, a TIP não exige grandes estruturas operacionais e instalações aprimoradas na fazenda. Nos confinamentos, o principal volumoso é a silagem, que demanda tempo e vários processos para ser produzida, enquanto na TIP, o volumoso principal é o pasto. Os animais são mantidos em pastagens de alta qualidade, em que têm acesso a forragens bem manejadas. Geralmente, o manejo das pastagens é intensivo, incluindo técnicas como rotação de pastagens, adubação e controle de insetos, pragas e plantas invasoras para garantir a produtividade e a qualidade da forragem.

Além do acesso à pastagem, recebem suplementos nutricionais, como concentrados ou subprodutos agrícolas, para atender às suas necessidades nutricionais específicas e promover um rápido ganho de peso. O objetivo principal de um sistema de TIP é aumentar a eficiência na produção de arroba, garantindo um produto final de alta qualidade. Maximizando o uso de recursos naturais e minimizando os custos de produção, os produtores buscam tornar sua operação mais rentável e sustentável. Produção de carne com custos reduzidos e menor impacto ambiental.

Garrotes no sistema
Garrotes no sistema

Benefícios

A principal vantagem da terminação intensiva a pasto é a eficiência produtiva, resultando em maior produção de arroba por hectare, devido à maior taxa de lotação (UA/ha) do pasto. Além disso, a TIP oferece outros benefícios, como:

  • Fonte de volumoso é o próprio pasto;
  • Facilidade no manejo diário;
  • Ótimo rendimento de carcaça;
  • Aumento da produtividade por hectare;
  • Menor investimento em estrutura;
  • Implementação simples;
  • Melhor acabamento de carcaça;
  • Custos operacionais reduzidos.

Como começar

Para iniciar a TIP, o pecuarista não precisa de uma estrutura robusta ou tecnologia avançada. O básico necessário inclui uma linha de cocho devidamente dimensionada, bebedouros, mão de obra comprometida, suplemento energético de qualidade e procedência, e oferta de pasto disponível.

Porém, implementar a terminação intensiva a pasto requer um planejamento cuidadoso e a consideração de vários aspectos. Inicialmente, é essencial avaliar a capacidade da propriedade em termos de área de pastagem, infraestrutura e recursos disponíveis. É necessário planejar a distribuição dos piquetes de pastagem e estabelecer um sistema de rotação eficiente para maximizar o uso da área e a manutenção adequada das pastagens.

A terminação intensiva a pasto é realizada durante a fase final de engorda dos animais, pouco antes do abate. Isso ocorre quando os animais passam pela recria e são enviados como boi magro para a terminação. Durante esse período, é essencial promover um ganho de peso satisfatório e garantir a qualidade da carne e utilizar os recursos disponíveis de forma eficiente.

Animais na TIP
Animais na TIP

Especialistas recomendam um manejo nutricional adequado, incluindo dieta balanceada e suplementos concentrados. O monitoramento da condição corporal dos animais é fundamental para garantir que estejam ganhando peso esperado, ajustando a alimentação conforme necessário. Além disso, o controle sanitário rigoroso é essencial para prevenir doenças e garantir o bem-estar dos animais.

– Avaliação da oferta de pasto disponível: é crucial saber a quantidade de pasto disponível para determinar o número de animais que a fazenda pode suportar, baseado na produtividade do pasto.

– Cochos: em uma estratégia de suplementação de alto consumo, é ideal que os animais tenham de 40 a 60 cm lineares de cocho por unidade animal (450 kg).

– Bebedouros: são necessários para proporcionar água de qualidade e em abundância. Os bebedouros devem ser esvaziados e limpos a cada dois dias, e recomenda-se uma distância de 100 a 200 m entre os bebedouros e cochos para evitar contaminação.

– Frequência de fornecimento do suplemento: os animais precisam de uma fase de adaptação, começando com 0,3% do peso vivo em suplemento e aumentando 0,3% a cada três dias. O suplemento deve ser fornecido duas vezes ao dia, idealmente entre 9:00 e 10:00 da manhã, para não coincidir com o pico de pastejo dos bovinos.

– Quantidade de animais: trabalhar com 8 a 10 animais por hectare é eficiente, embora dependa da massa forrageira disponível ao lote. Cerca de 10 a 20% da ingestão diária de matéria seca dos animais vem do pasto.

– Tempo de duração da TIP: o tempo na TIP varia de 60 a 120 dias, dependendo do peso de entrada dos animais, idade e disponibilidade de massa forrageira.

É importante definir a taxa de lotação de acordo com a capacidade da área
É importante definir a taxa de lotação de acordo com a capacidade da área

O suplemento ideal para o sistema

Em relação ao manejo nutricional, é crucial desenvolver uma dieta balanceada que atenda às necessidades dos animais durante a fase de terminação. A base da alimentação na TIP é a energia, com níveis nutricionais adequados à categoria animal. A ração deve conter entre 70 a 74% de nutrientes digestíveis totais (NDT) e de 15 a 18% de proteína. Aditivos melhoradores de desempenho são essenciais para melhorar as condições ruminais e a eficiência de utilização dos nutrientes, aumentando o ganho de peso dos animais.

Em resumo, os benefícios da implementação da terminação intensiva a pasto incluem a eficiência no uso de recursos naturais, a redução dos custos de produção e a produção de carne de melhor qualidade. No entanto, os desafios podem incluir a necessidade de investimento inicial em infraestrutura e manejo, além da atenção constante ao manejo nutricional e sanitário dos animais. Um planejamento cuidadoso e a dedicação à gestão são essenciais para superar esses desafios e garantir o sucesso da terminação intensiva a pasto, por isso é indispensável o acompanhamento de um técnico capacitado, uma dieta balanceada, utilização de suplementos de qualidade e controle dos índices zootécnicos.

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