Acidente reacende debate sobre regulamentação e gestão de riscos no turismo de aventura, como identificar empresas regularizadas e reduzir riscos nas atividades
A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, durante a prática de rope jump em uma ponte desativada no município de Limeira, SP, trouxe novamente ao centro do debate a importância da segurança nas atividades de turismo de aventura no Brasil. O episódio evidenciou a necessidade de ampliar a conscientização sobre gestão de riscos, qualificação profissional e regularização das empresas do setor, temas fundamentais para garantir a integridade dos participantes e fortalecer uma atividade que vem crescendo em diversas regiões do país.
O rope jump (ou rope jumping) é um esporte radical em que o praticante salta no vazio a partir de uma estrutura alta, como pontes, pedreiras ou penhascos, preso a cordas. A ancoragem é feita por cordas estáticas ou semi-elásticas de rapel/montanhismo e por um sistema de arnês (cadeirinha) que distribui o peso. Após a queda livre, a corda faz a pessoa balançar em um movimento de pêndulo. O rope jump atinge velocidades elevadas rapidamente (um salto de 30 metros pode passar dos 80 km/h). Por isso, a modalidade exige protocolos rigorosos de segurança e profissionais altamente capacitados.
A principal referência para a formalização das empresas é o Cadastur, sistema oficial do Ministério do Turismo, cuja inscrição é obrigatória para os prestadores de serviços de turismo de aventura. O cadastro permite verificar a regularidade da empresa por meio do CNPJ e da razão social, oferecendo maior transparência ao consumidor. Além das exigências fiscais, o sistema contribui para identificar responsáveis técnicos e operadores habilitados, constituindo uma importante ferramenta para quem busca contratar serviços de forma segura e dentro dos parâmetros legais estabelecidos para o setor.

de 40 metros de altura da Ponte do Esqueleto, em Limeira, SP, sem
estar devidamente presa à corda de segurança. A ponte abandonada
há décadas pelo poder público federal, tornou-se ponto de lazer,
trilha e, principalmente, cenário. Normas técnicas e fiscalização ganham
destaque após tragédia em atividade radical. Três pessoas foram presas

antigamente era utilizada para transportar itens valiosos
sobre rios e montanhas. Se tornou um esporte bastante
praticado no mundo inteiro, com diferentes distâncias e alturas
Outro requisito essencial está relacionado ao cumprimento do Decreto nº 7.381, de 02 de dezembro de 2010, que determina a adoção de sistemas de gestão da segurança para atividades de turismo de aventura. A regulamentação tem como base a norma ABNT NBR ISO 21101, referência internacional voltada à identificação de riscos, procedimentos operacionais, treinamento de equipes, manutenção de equipamentos e elaboração de planos de emergência. Empresas comprometidas com boas práticas costumam apresentar protocolos documentados, contratos formais e processos claros de atendimento, fatores que reforçam a credibilidade e a segurança das operações.
Além do Cadastur, a Associação Brasileira de Normas Técnicas mantém um amplo conjunto de normas específicas para atividades de aventura, muitas delas alinhadas a padrões internacionais. Essas diretrizes abrangem modalidades como rapel, tirolesa, escalada, trilhas e outras experiências ao ar livre. A adoção de normas técnicas reconhecidas, equipamentos certificados e programas permanentes de capacitação profissional representa um diferencial competitivo para as empresas que atuam de forma estruturada, contribuindo para elevar os padrões de qualidade e reduzir a ocorrência de incidentes.

verticais, como paredões, montanhas, pontes e cachoeiras.
Equipamentos certificados reduzem riscos operacionais e
fiscalização fortalece a segurança dos praticantes

Capacitação profissional é essencial nas operações e gestão
de riscos deve integrar todas as atividades
O avanço da informalidade continua sendo um dos principais desafios do segmento. Operar com equipamentos homologados, manutenção periódica, seguros especializados, certificações e equipes treinadas exige investimentos constantes, o que gera diferenças de custos entre empresas formalizadas e operadores irregulares. Nesse cenário, a escolha baseada exclusivamente no menor preço pode comprometer a segurança dos praticantes, tornando fundamental que consumidores avaliem critérios técnicos, documentação, histórico operacional e compromisso com as normas antes de contratar qualquer atividade.
Especialistas destacam que o fortalecimento do setor depende da atuação integrada entre empresas, órgãos públicos e entidades representativas. Municípios têm papel estratégico na fiscalização, no licenciamento e na gestão dos atrativos turísticos locais, enquanto estados e União são responsáveis pela estrutura regulatória. O combate à informalidade, a ampliação da fiscalização, a qualificação dos prestadores de serviços e o fortalecimento da governança do turismo de aventura são apontados como medidas essenciais para consolidar um ambiente mais seguro, profissional e sustentável para operadores e praticantes em todo o país.