Ministério lança guia para mulheres que viajam sozinhas

Viajar sozinha deixou de ser uma tendência isolada para se consolidar como um movimento crescente entre as mulheres brasileiras. Motivadas por experiências de liberdade, autonomia e autoconhecimento, milhares de viajantes passaram a ocupar destinos turísticos nacionais de maneira independente, impulsionando mudanças importantes na cadeia do turismo. Entretanto, questões relacionadas à segurança ainda representam uma das principais barreiras para esse público. Diante desse cenário, o Ministério do Turismo – MTur lançou o “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas”, iniciativa voltada à ampliação da informação, da proteção e da confiança das mulheres em deslocamentos pelo país.

A publicação integra as ações do Pacto Nacional de Enfrentamento aos Feminicídios e reforça o compromisso do governo federal com políticas públicas de proteção e igualdade de gênero. O material reúne orientações práticas para mulheres viajantes e também estabelece recomendações direcionadas a hotéis, bares, restaurantes, transportadoras e demais prestadores de serviços turísticos. A proposta amplia a responsabilidade da segurança para toda a cadeia do setor, reconhecendo que o acolhimento adequado é fator estratégico para o fortalecimento do turismo nacional e para a valorização da experiência feminina nos destinos brasileiros.

Pesquisas encomendadas pelo Ministério do Turismo mostram a dimensão do problema enfrentado pelas brasileiras. Cerca de 60% das mulheres já deixaram de viajar por receio relacionado à segurança, dado que evidencia o impacto social e econômico da insegurança sobre o turismo. Nesse contexto, o guia surge como instrumento técnico e educativo, oferecendo orientações acessíveis para todas as etapas da viagem. O documento também contribui para estimular práticas mais responsáveis e profissionais nos serviços turísticos, fortalecendo padrões de hospitalidade alinhados às demandas contemporâneas do mercado.

A iniciativa acompanha uma transformação estrutural do comportamento do consumidor turístico. O crescimento das viagens individuais femininas altera padrões de consumo, impulsiona nichos especializados e amplia oportunidades para empreendimentos que investem em segurança, acessibilidade e atendimento humanizado. Para o setor, a pauta representa não apenas uma questão social, mas também uma estratégia de posicionamento competitivo, especialmente diante da valorização global do turismo responsável, sustentável e inclusivo.

Turismo responsável fortalece autonomia feminina no Brasil e guia incentiva viagens independentes com mais proteção
Turismo responsável fortalece autonomia
feminina no Brasil e guia incentiva viagens
independentes com mais proteção

Pesquisa inédita revela crescimento das viagens solo entre brasileiras

O guia foi elaborado com base em uma pesquisa nacional realizada entre agosto e setembro de 2025 com 2.712 mulheres de todas as regiões do Brasil. O levantamento revela mudanças importantes no perfil das viajantes brasileiras e aponta a consolidação do turismo solo feminino como uma prática cada vez mais frequente. Segundo os dados, 41,8% das entrevistadas já viajaram sozinhas, enquanto 31,4% afirmaram realizar esse tipo de deslocamento regularmente. Os números demonstram uma evolução significativa do protagonismo feminino no turismo nacional.

O estudo também evidencia o fortalecimento do mercado doméstico. Entre as mulheres que já viajaram desacompanhadas, 35,9% escolheram exclusivamente destinos brasileiros, enquanto apenas 4,6% afirmaram nunca ter realizado uma viagem solo dentro do país. Os resultados reforçam o potencial econômico do turismo feminino interno e indicam oportunidades para estados, municípios e empresas ampliarem investimentos em infraestrutura, hospitalidade e serviços especializados para esse público em expansão.

Outro aspecto relevante do levantamento está relacionado à diversidade dos perfis analisados. O documento considera mulheres maduras, mães que viajam com filhos, profissionais em deslocamentos corporativos e consumidoras interessadas em segmentos como ecoturismo, gastronomia e bem-estar. Essa abordagem amplia a compreensão sobre o comportamento da viajante contemporânea e demonstra que o turismo feminino possui demandas específicas que exigem planejamento estratégico, atendimento qualificado e protocolos de acolhimento mais eficientes.

Além do lazer, fatores como autonomia, liberdade e desenvolvimento pessoal aparecem entre as principais motivações das viagens solo. O guia destaca que muitas mulheres enxergam o turismo como ferramenta de transformação individual e fortalecimento emocional. Nesse sentido, a informação torna-se elemento central para reduzir vulnerabilidades e ampliar a confiança durante deslocamentos. O material reforça que viajar sozinha deve ser uma escolha marcada pela independência e não condicionada pelo medo ou pela insegurança.

Turismo inclusivo amplia oportunidades para mulheres viajantes
Turismo inclusivo amplia oportunidades para mulheres viajantes

Cadeia do turismo amplia responsabilidade sobre proteção e acolhimento

Um dos diferenciais do guia está na ampliação da responsabilidade pela segurança feminina dentro do setor turístico. A publicação estabelece diretrizes práticas para empreendimentos de hospedagem, alimentação, transporte e entretenimento, reforçando a necessidade de protocolos específicos para o atendimento às mulheres. Entre as recomendações apresentadas, destaca-se a orientação para que hotéis priorizem acomodações próximas a elevadores ou áreas de circulação, reduzindo situações de vulnerabilidade em corredores isolados ou regiões menos movimentadas dos estabelecimentos.

A iniciativa também se conecta a outras estratégias nacionais de proteção implementadas pelo Ministério do Turismo, como o Movimento Turismo que Protege, o Código de Conduta Brasil e o Protocolo Não é Não, voltado à segurança feminina em eventos, shows e casas noturnas. Essas ações integram uma agenda mais ampla de enfrentamento à violência e à exploração no setor turístico, alinhando o Brasil às discussões internacionais sobre igualdade de gênero, direitos humanos e turismo sustentável.

Com 72 páginas, o guia foi desenvolvido com apoio de 17 especialistas nas áreas de turismo e gênero, além da parceria institucional com a UNESCO. O conteúdo reúne experiências reais relatadas pelas entrevistadas e apresenta orientações relacionadas ao planejamento de roteiros, escolha de hospedagens, deslocamentos urbanos, avaliação de ambientes e identificação de situações de risco. A proposta busca transformar informação em instrumento de autonomia e prevenção, promovendo decisões mais seguras e conscientes durante as viagens.

O avanço dessas políticas também representa uma oportunidade para o fortalecimento da imagem do Brasil como destino comprometido com inclusão e hospitalidade. Em um mercado global cada vez mais atento às práticas de responsabilidade social, iniciativas voltadas à proteção feminina contribuem para elevar padrões de qualidade e confiança no turismo nacional. Para empresas do setor, investir em acolhimento qualificado e treinamento de equipes deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a integrar estratégias de reputação, competitividade e valorização da experiência do visitante.

Mulheres buscam liberdade e autoconhecimento em viagens solo e hospedagens passam a adotar protocolos específicos para mulheres
Mulheres buscam liberdade e autoconhecimento
em viagens solo e hospedagens passam a
adotar protocolos específicos para mulheres

Turismo inclusivo fortalece protagonismo feminino e desenvolvimento social

O crescimento das viagens solo femininas reflete mudanças culturais profundas na sociedade brasileira. O turismo passa a ocupar papel estratégico na construção da autonomia feminina, permitindo experiências ligadas à independência, à mobilidade e ao acesso a novos espaços sociais. Nesse contexto, políticas públicas voltadas à segurança e ao acolhimento tornam-se fundamentais para garantir que mais mulheres possam exercer plenamente o direito de circular, conhecer destinos e construir experiências sem restrições impostas pelo medo.

A consolidação desse movimento também produz impactos econômicos relevantes. Mulheres viajantes movimentam diferentes segmentos da cadeia turística, impulsionando hospedagem, gastronomia, transporte, comércio e atividades de lazer. O fortalecimento do turismo feminino estimula ainda a criação de serviços especializados, roteiros personalizados e soluções voltadas à experiência segura do público feminino. Com isso, o setor amplia oportunidades de inovação, diferenciação e geração de renda em diversos destinos brasileiros.

A publicação do guia representa, portanto, mais do que uma ação institucional. O material simboliza o reconhecimento de que a segurança da mulher precisa integrar de maneira definitiva as estratégias de desenvolvimento do turismo brasileiro. Ao reunir informação, orientação técnica e responsabilidade compartilhada entre poder público e iniciativa privada, o documento fortalece um ambiente mais acolhedor, inclusivo e preparado para atender às demandas contemporâneas das viajantes.

Ao final, a iniciativa reforça a importância de ampliar o debate sobre mobilidade, segurança e liberdade feminina no Brasil. Em um país marcado pela diversidade cultural e pelo potencial turístico, garantir que mulheres possam viajar com confiança significa fortalecer cidadania, inclusão e desenvolvimento social. O guia surge como ferramenta relevante para estimular uma cultura de respeito e proteção, consolidando o turismo como espaço de transformação e protagonismo para a mulher brasileira.

Acesse o “Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas” CLICANDO AQUI. Acesse o “Guia com Dicas para Atender Bem Turistas Mulheres” CLICANDO AQUI.

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