CAMPO -  A importância dos trabalhadores rurais brasileiros

Paciente com picada de cobra

Tem sido verificado um aumento de ataques de escorpiões em algumas regiões do país. O aumento dos casos ocorre durante o verão, devido ao clima quente e úmido, que favorece a reprodução dos animais. Animais peçonhentos são aqueles que produzem peçonha (veneno) e têm condições naturais para injetá-la em presas ou predadores. Esses animais possuem presas, ferrões, cerdas, espinhos entre outros, capazes de envenenar as vítimas.

No estado do Mato Grosso do Sul este ano, a Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio do Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox) registrou 367 casos de acidentes com animais peçonhentos, sendo 186 envolvendo escorpiões, 56 casos com abelhas, 44 com cobras e 25 com aranhas. Em 2018, foram 3.554 casos, com 2.145 registros com escorpiões e 512 com cobras.

Nos meses mais quentes e chuvosos (de setembro a março) há um aumento no número de casos em relação aos demais meses do ano, quando cerca de 40% das ocorrências são registrados. As estratégias de atuação, junto às populações expostas aos riscos de acidentes, devem incluir noções de prevenção e medidas de atuação frente às ocorrências de acidentes.

Escorpião amarelo (Tityus serrulatus)
Escorpião amarelo (Tityus serrulatus)

A população deve estar atenta e informada com os cuidados que deve tomar para evitar acidentes com animais peçonhentos, como escorpiões, aranhas, cobras, abelhas e vespas. Entre as principais recomendações estão:

-Não coloque as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou pedras. Caso seja necessário mexer nestes locais é sugerido o uso de um pedaço de madeira, enxada, etc.. Sempre use luvas grossas para manusear esses materiais;
-Inspecione roupas, calçados, toalhas de banho e de rosto, roupas de cama, panos de chão e tapetes, antes de usá-los;
-Afaste camas e berços das paredes e evite pendurar roupas fora dos armários. Não deixe que lençóis ou cobertores, sobre as camas e berços, encostem-se no chão. Escorpiões e aranhas podem utilizá-los como apoio e se abrigar entre esses tecidos e travesseiros e picar ao serem comprimidos contra o corpo;
-Vede as frestas das calçadas, pisos, assoalhos, paredes, portas e vãos entre o forro e paredes, além de consertar rodapés despregados;
-Coloque uma barreira de proteção na parte inferior das portas como saquinhos de areia nas portas e telas nas janelas e vede soleiras das janelas ao escurecer, pois muitos desses animais têm hábitos noturnos;

Jararaca (Bothrops jararaca)
Jararaca (Bothrops jararaca)

-Mantenha os domicílios e depósitos livres de insetos e roedores;
-Deixe as lixeiras sempre tampadas e com sacos plásticos;
-Mantenha os terrenos, jardins e quintais limpos sem acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico, material de construção nas proximidades das casas. Limpe periodicamente os terrenos baldios vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a dois metros junto das casas;
-Mantenha a grama do jardim aparada;
-Mantenha ralos e pias fechados ou telados e caixas de gordura sempre limpas;
-Com a chegada do período de férias, é importante uma atenção redobrada dos pais, para que observem nos locais de brincadeiras e diversão das crianças, se estão livres de escorpiões. Observe os cantos, as frestas, buracos, folhas secas caídas no solo para evitar acidentes;
-Evite manter folhagens densas (plantas ornamentais, trepadeiras, arbusto, bananeiras e outras) junto a paredes e muros das casas;
-Combata a proliferação de insetos para evitar o aparecimento das aranhas que deles se alimentam;
-Preserve os inimigos naturais de escorpiões e aranhas: aves de hábitos noturnos (coruja, joão-bobo), lagartos, sapos, galinhas, gansos, macacos, quatis, entre outros (na zona rural);
-No trabalho de campo, jardins, quintais e hortas, utilize calçados e luvas de raspas de couro.

Viúva-negra (Flamenguinha) (Latrodectus curacaviensis)
Viúva-negra (Flamenguinha) (Latrodectus curacaviensis)

Os primeiros socorros

-Lave o local da picada com água e sabão;
-Não faça torniquete ou garrote, não fure, corte, queime, esprema ou faça sucção no local da ferida, nem aplique folhas, pó de café ou terra para não provocar infecções;
-Não ingira bebida alcoólica, querosene, ou fumo, como é costume em algumas regiões do país;
-Leve a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento adequado em tempo.

Todo acidente por animal peçonhento deve ter atendimento realizado em uma unidade de saúde. Procure assistência médica emergencial para avaliação clínica do envenenamento. Atualize-se regularmente junto à secretaria estadual e/ou municipal de saúde para saber quais os pontos de tratamento com o soro específico em sua região.

A identificação da espécie ou das características dela, após o acidente, auxilia no atendimento ao paciente, pois facilita aos profissionais de saúde na diferenciação de um animal peçonhento de outro que não seja e, assim, escolher a melhor forma de tratamento. Em caso de inoculação de veneno, é utilizado soro específico para aquele tipo de acidente e espécie do animal. Para ajudar na identificação, as pessoas podem tirar foto do animal se estiver vivo ou até mesmo, se estiver morto, coletá-lo para levar ao hospital. Não é recomendável coletar o animal vivo, preste atenção nisso. Em caso de emergência, chame imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou o Corpo de Bombeiros (193).

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