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Meliponicultura agroecológica é beneficiada por floração de adubos verdes

Abelha Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) em inflorescência de girassol (Helianthus annuus) - Foto: Fabiano Zacarias Pedro

Um estudo inovador desenvolvido por pesquisadores da Embrapa, UFSCar e Unicamp, conduzido em áreas de agricultura familiar em Nova Odessa e Mogi Mirim (SP), revelou que o consórcio de adubos verdes, especificamente girassol (Helianthus annuus) e trigo mourisco (Fagopyrum esculentum), pode ser uma estratégia eficaz para ampliar a oferta de recursos florais na meliponicultura integrada aos sistemas agroecológicos.

A pesquisa avaliou a densidade de plantas e o período de florescimento das culturas, em cultivo solteiro e consorciado, concentrando-se nas propriedades da Cooperativa da Agricultura Familiar e Agroecológica, em Nova Odessa e Americana, e no Sítio Oliveira, situado no Assentamento Estadual Vergel, em Mogi Mirim. Os resultados indicaram que não houve diferenças significativas na densidade de plantas e no período de florescimento entre os cultivos solteiros e consorciados.

O trigo mourisco, em particular, destacou-se ao oferecer um período mais longo de florescimento quando comparado com o girassol e abundância de flores atrativas para as abelhas, especialmente as mandaguaris. A integração do girassol e trigo mourisco como adubos verdes não apenas manteve a densidade de plantas, mas também ampliou significativamente o período e a diversidade de recursos florais disponíveis para as abelhas-sem-ferrão.

Consórcio de trigo mourisco e girassol - Foto: Joel Queiroga
Consórcio de trigo mourisco e girassol – Foto: Joel Queiroga

A relevância desse consórcio vai além da melhoria na oferta floral. Durante o período chuvoso, as flores do trigo mourisco demonstraram ser altamente atrativas para as abelhas mandaguaris, sugerindo um potencial promissor como fonte alimentar para essas abelhas na meliponicultura.

A pesquisa enfatiza a importância da integração entre sistemas agroflorestais agroecológicos e a criação de abelhas-sem-ferrão para garantir a sustentabilidade socioeconômica e ambiental. A ausência de agrotóxicos e a diversidade de recursos florais provenientes dos adubos verdes destacam-se como benefícios adicionais para a meliponicultura.

Trigo mourisno (Fagopyrum esculentum)
Trigo mourisno (Fagopyrum esculentum)

Além disso, o estudo aponta para a versatilidade do girassol, cujas inflorescências atraem uma variedade de abelhas nativas, incluindo as abelhas-sem-ferrão. O trigo mourisco, por sua vez, além de sua resistência à acidez e bom desenvolvimento em solos pobres, apresenta-se como um adubo verde promissor para a regeneração de solos degradados.

Esses resultados, obtidos a partir de um trabalho minucioso em duas áreas específicas de cultivo da agricultura familiar no estado de São Paulo, fornecem insights valiosos para a promoção de práticas agrícolas sustentáveis e aprimoramento de práticas de manejo voltadas para uma melhor integração entre os sistemas agroecológicos e os de criação de abelhas-sem-ferrão.

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