Manchetes da semana – 22 a 28-08-2026

Brasil e EUA retomam negociações em meio a novas oportunidades para a carne bovina

As negociações entre Brasil e Estados Unidos entram em uma etapa decisiva, em meio à aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e à busca por exceções que reduzam impactos sobre o comércio bilateral. Em conversa com Donald Trump, o Presidente Lula contestou as justificativas apresentadas para o chamado tarifaço e defendeu a retomada do diálogo institucional, enquanto as equipes dos dois países se preparam para nova rodada de tratativas em 31 de agosto. Para o agronegócio brasileiro, o desfecho é particularmente relevante, diante da exposição de cadeias exportadoras ao mercado norte-americano e da necessidade de preservar competitividade, previsibilidade e acesso comercial. Nesse contexto, a abertura, pelos Estados Unidos, de uma janela de 90 dias para importar até 300 mil toneladas de carne bovina sem a tarifa adicional, destinada à produção de carne moída, cria uma oportunidade potencial para frigoríficos brasileiros. A medida ainda depende de regulamentação e não define quais países serão contemplados, mas estimativas indicam que o Brasil poderia ocupar parcela relevante desse volume. O movimento ocorre simultaneamente à oferta restrita de carne no mercado americano, ampliando a necessidade de importações. Para as empresas brasileiras, entretanto, ganhos comerciais efetivos dependerão das regras de distribuição da cota, das condições sanitárias, logísticas e comerciais e da evolução das negociações diplomáticas. O cenário reforça a importância de diversificação de mercados, gestão de riscos, inteligência de mercado e estratégia comercial, enquanto Brasília busca ampliar exceções à tarifa de 25% e reduzir barreiras que afetam as exportações do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Tarifa de 50% dos EUA sobre Canadá amplia tensão e acende alerta no comércio global

A decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 50% sobre produtos canadenses, após o fracasso das negociações bilaterais, acrescenta nova pressão ao comércio norte-americano e amplia a incerteza para empresas e cadeias produtivas. A medida pode atingir cerca de US$ 20 bilhões em exportações do Canadá, enquanto Ottawa sinaliza uma retaliação equivalente, prevista para alcançar produtos como aço, laticínios, papel e máquinas agrícolas norte-americanas. O episódio evidencia como disputas comerciais podem rapidamente alcançar setores estratégicos, elevando custos, alterando fluxos de importação e exigindo revisão de estratégias empresariais. Para o agronegócio brasileiro, o cenário merece atenção, sobretudo pelos possíveis efeitos sobre preços, fornecedores e concorrentes nos mercados internacionais. Ao mesmo tempo, a deterioração das relações entre Washington e Ottawa pode abrir espaço para novas negociações comerciais do Canadá com outros parceiros, incluindo o Mercosul, ampliando as oportunidades para exportadores brasileiros em um ambiente global marcado por tarifas, retaliações e busca crescente por diversificação de mercados.

Pesca e aquicultura familiares ganham novas possibilidades de financiamento para investimentos produtivos
Pesca e aquicultura familiares ganham novas possibilidades
de financiamento para investimentos produtivos

Pronaf Azul abre novo caminho para o crédito na pesca e aquicultura familiar

O Pronaf Azul organiza linhas já existentes do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar para atender, de forma mais adequada, pescadores artesanais e aquicultores familiares, segmentos que historicamente encontram dificuldades para acessar financiamento rural. Apresentado no contexto do Plano Safra 2026/2027, o pacote reúne modalidades como Pronaf B, Custeio e Mais Alimentos, destinadas respectivamente ao microcrédito, às despesas do ciclo produtivo e a investimentos estruturais. O custeio pode chegar a R$ 250 mil, com juros de 2% ao ano e prazo de até dois anos, enquanto o Mais Alimentos prevê prazo de até dez anos. A iniciativa também dialoga com políticas de regularização de estruturas pesqueiras em áreas protegidas, aspecto relevante para ampliar segurança jurídica e acesso a programas públicos. Para a economia da pesca e da aquicultura familiar, a organização das linhas pode reduzir barreiras operacionais e melhorar o planejamento financeiro das atividades.

Novos assentamentos no RJ unem reforma agrária, crédito e recuperação ambiental

O governo federal anunciou a criação de dois novos assentamentos da reforma agrária em Campos dos Goytacazes (RJ), destinados a cerca de 95 famílias, em áreas incorporadas ao Programa Terra da Gente por meio de acordo entre a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o Grupo Othon. A medida envolve aproximadamente 1.454 hectares e representa uma alternativa de destinação para terras de grandes devedores, com potencial para reorganizar o uso produtivo e ambiental das propriedades. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, as áreas anteriormente associadas à produção de cana deverão receber projetos de agricultura familiar e agroecologia, incluindo recuperação de reservas. As famílias terão acesso a crédito de instalação, financiamento habitacional e Pronaf, criando condições para estruturar moradia, produção e geração de renda. Para o setor rural, o caso evidencia a importância da articulação entre regularização fundiária, políticas de crédito, recuperação ambiental e planejamento produtivo, elementos relevantes para uma reforma agrária economicamente sustentável.

BNDES amplia crédito para projetos verdes e sociais nas periferias brasileiras

O BNDES Periferias em Rede abriu uma nova frente de financiamento para organizações de pequeno porte que desenvolvem projetos socioambientais em favelas e comunidades urbanas de todo o país. A iniciativa prevê subprojetos entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões, direcionados a ações de apoio ao empreendedorismo, economia do cuidado, economia verde e resiliência climática. O modelo busca ampliar a capilaridade dos recursos públicos por meio de instituições parceiras, responsáveis pela gestão e acompanhamento das iniciativas executadas nos territórios. Cada projeto estruturante deverá reunir ao menos dez subprojetos, com valor mínimo de R$ 20 milhões e participação do BNDES entre 50% e 90%, conforme o perfil financeiro da instituição proponente. Para o setor socioambiental, a iniciativa cria um mecanismo de financiamento de base territorial, aproximando crédito de organizações com atuação local e potencial para gerar renda, qualificação e soluções ambientais. As inscrições seguem até 4 de dezembro de 2026.

Expointer 2026 foca na gestão ambiental e incorpora gestão de carbono à maior vitrine do agro gaúcho
Expointer 2026 foca na gestão ambiental e incorpora
gestão de carbono à maior vitrine do agro gaúcho

Expointer 2026 será carbono neutro pela primeira vez em sua história

A Expointer 2026, maior feira agropecuária do Rio Grande do Sul, será carbono neutro pela primeira vez, em uma iniciativa que aproxima gestão ambiental, inovação e responsabilidade corporativa. As emissões geradas durante o evento serão calculadas por meio de um inventário baseado no GHG Protocol, considerando consumo de energia, água, resíduos, transporte de animais e deslocamento dos visitantes. A compensação será realizada pela CRVR com créditos originados da gestão de resíduos sólidos, captura de metano, geração de energia com biogás e produção de biometano. A cada tonelada de carbono emitida, será disponibilizado um crédito equivalente para neutralização. Além do resultado ambiental imediato, a iniciativa demonstra como eventos de grande porte podem incorporar métricas de emissões e ativos ambientais à gestão. Para o agronegócio, o modelo sinaliza a crescente importância de mensuração, rastreabilidade e descarbonização na construção de cadeias produtivas mais eficientes e alinhadas às exigências climáticas e transparentes ao mercado.

Brasil amplia mercados e encontra novas oportunidades para o agronegócio

O agronegócio brasileiro amplia sua presença no comércio internacional em um momento de mudanças relevantes nos fluxos globais de alimentos e produtos agropecuários. Na Índia, a autorização para importar até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa cria uma janela comercial importante para o Brasil, maior exportador mundial, embora a oportunidade dependa de prazos, logística e disponibilidade doméstica. Memorando firmado entre a ApexBrasil e a Confederação das Indústrias Indianas prevê cooperação empresarial, intercâmbio de informações, promoção comercial e atração de investimentos, tendo como referência a meta de elevar o comércio bilateral para US$ 20 bilhões até 2030, ante US$ 15,2 bilhões em 2025. A agenda contempla fertilizantes, bioenergia, biocombustíveis e minerais críticos, ampliando o potencial de negócios. Ao mesmo tempo, a abertura de novos mercados para produtos brasileiros amplia a diversificação das exportações: Costa Rica, Malásia e Nigéria autorizaram, respectivamente, a entrada de sementes de trigo, flor seca de cravo-da-índia e maçãs brasileiras. O movimento evidencia a importância da diplomacia sanitária e da negociação de requisitos técnicos para ampliar o acesso de empresas nacionais. Para o setor, a combinação entre diversificação geográfica, competitividade e abertura de mercados reduz a dependência de destinos tradicionais e cria alternativas comerciais em um cenário marcado por barreiras tarifárias, mudanças regulatórias e oscilações na oferta global. A expansão, contudo, exige capacidade logística, regularidade de fornecimento e adequação aos padrões sanitários de cada comprador.

Mercado de genética bovina acelera e exportações batem novo recorde

O mercado brasileiro de genética bovina cresceu 12,4% no primeiro semestre de 2026, com 12,3 milhões de doses de sêmen comercializadas no país e no exterior. As vendas internas avançaram 11,5%, alcançando 11,1 milhões de doses, enquanto a genética destinada à pecuária de corte registrou alta de 16,9%, refletindo a valorização do bezerro e a busca dos pecuaristas por maior eficiência produtiva. No mercado externo, as exportações somaram 663,5 mil doses, avanço de 66,8%, com destaque para a genética de corte, que atingiu recorde de 415 mil doses embarcadas. O volume de material genético disponível no país também aumentou 7,1%, para 14 milhões de doses. Paralelamente, a inseminação artificial já alcança 76,4% dos municípios brasileiros, evidenciando a expansão das biotecnologias reprodutivas como ferramenta de melhoramento genético, produtividade e competitividade da pecuária nacional.

Atendimento nas aldeias Yanomami ainda enfrenta desafios de cobertura e logística - Foto: Andressa Anholete
Atendimento nas aldeias Yanomami ainda enfrenta desafios
de cobertura e logística – Foto: Andressa Anholete

Terra Yanomami amplia investimentos, mas gestão ainda limita atendimento nas aldeias

A saúde indígena na Terra Yanomami continua enfrentando problemas de cobertura e gestão, apesar da expansão dos recursos financeiros e do quadro de profissionais. O Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Ye’kwana passou de 690 trabalhadores no fim de 2022 para cerca de 2.130 em 2026, enquanto seu orçamento superou R$ 200 milhões em 2025. Ainda assim, comunidades permanecem meses sem assistência, com falhas na vacinação, vigilância epidemiológica e acompanhamento de doenças como malária e coqueluche. Relatórios do Tribunal de Contas da União apontam problemas estruturais, dificuldades de planejamento e manutenção e concentração do atendimento nos polos-base, em vez de ações regulares diretamente nas aldeias. O transporte aéreo, indispensável em um território sem estradas, absorveu cerca de 80% dos recursos pagos pelo Dsei em 2025, evidenciando o peso logístico da operação. O cenário mostra que ampliar orçamento e pessoal não basta: a eficiência da gestão, presença territorial, planejamento operacional e qualidade da atenção primária são determinantes para transformar recursos públicos em atendimento efetivo.

Conectividade rural se torna fator decisivo para a competitividade do agro

O agronegócio brasileiro atravessa uma etapa de modernização na qual produtividade, tecnologia e sustentabilidade passam a depender cada vez mais de infraestrutura adequada. A expansão de instrumentos como CPRs, CRAs e Fiagros ampliou as alternativas de financiamento privado, mas persistem gargalos estruturais, sobretudo na conectividade rural. A cobertura insuficiente de internet em áreas afastadas limita a adoção de agricultura de precisão, equipamentos conectados e análise de dados em tempo real, reduzindo ganhos potenciais de eficiência. Paralelamente, a transição energética abre espaço para biocombustíveis, etanol, biomassa e outras soluções de baixo carbono, aproveitando a matriz energética renovável brasileira. Para as empresas e produtores, esse movimento ganha relevância diante da crescente exigência dos mercados internacionais por rastreabilidade, redução da pegada de carbono e boas práticas ambientais. Nesse contexto, investimentos coordenados em conectividade, energia renovável e infraestrutura tornam-se estratégicos para preservar a competitividade do agro brasileiro e ampliar sua capacidade de responder às novas exigências econômicas e ambientais globais.

Brasil se aproxima dos EUA e mira liderança global nas exportações do agro

O Brasil se aproxima dos Estados Unidos na liderança global das exportações do agronegócio, movimento que reflete a escala produtiva, a diversidade de cadeias e a crescente inserção internacional do setor. O país já responde por parcela relevante do comércio mundial de soja, carnes, açúcar, café e milho, apoiado em ganhos de produtividade, disponibilidade de recursos naturais e capacidade de atender diferentes mercados. A disputa pela liderança, contudo, não depende apenas do volume embarcado. Para avançar, o Brasil precisa ampliar valor agregado, eficiência logística, previsibilidade regulatória e acesso a mercados estratégicos. Nesse cenário, a aproximação comercial com os Estados Unidos ganha relevância, sobretudo diante das transformações nas cadeias globais de alimentos e das disputas tarifárias que alteram fluxos de comércio. Para empresas exportadoras e produtores, a diversificação de destinos e o cumprimento de requisitos sanitários e ambientais tornam-se elementos centrais da estratégia. A consolidação brasileira como principal potência exportadora dependerá, portanto, da capacidade de combinar competitividade, inovação, infraestrutura, sustentabilidade e inteligência comercial em um ambiente internacional cada vez mais disputado.

Milhares de municípios apresentam vulnerabilidade elevada a desastres geo-hidrológicos que ampliam a pressão sobre infraestrutura e planejamento territorial
Milhares de municípios apresentam vulnerabilidade
elevada a desastres geo-hidrológicos que ampliam a
pressão sobre infraestrutura e planejamento territorial

Risco climático alcança 4,5 mil municípios brasileiros

Cerca de 4,5 mil municípios brasileiros, equivalentes a 80% do total, apresentam vulnerabilidade média, alta ou muito alta a desastres geo-hidrológicos, como inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos. O levantamento do Observatório do Clima, baseado em dados do AdaptaBrasil, mostra que 68% das cidades estão expostas a riscos relevantes de inundação, enquanto 53% enfrentam possibilidade de deslizamentos. O quadro tem implicações diretas para infraestrutura, atividade econômica e planejamento territorial, inclusive no agronegócio, que depende de estradas, armazenagem, energia e redes logísticas resilientes. A análise também indica diferenças regionais importantes, com maior exposição a inundações na Amazônia, grandes bacias e áreas urbanizadas, enquanto regiões serranas do Sul e Sudeste apresentam maior suscetibilidade a movimentos de massa. Como as projeções apontam elevação dos riscos climáticos nas próximas décadas, mesmo em cenários mais favoráveis, investimentos em prevenção, adaptação, infraestrutura e gestão territorial passam a ser componentes estratégicos da competitividade e da segurança econômica.

Cânhamo entra no radar da indústria de alimentos e abre nova frente para o agronegócio

O avanço do consumo de cannabis nos Estados Unidos também amplia a atenção sobre uma vertente distinta da cadeia: o uso alimentar de derivados do cânhamo, especialmente sementes, óleo e proteína. Nos EUA, 15% dos adultos relatam consumir comestíveis de cânhamo. Embora THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol) não possam ser adicionados legalmente a alimentos comercializados no comércio interestadual americano, a FDA reconhece como seguros, nas condições avaliadas, sementes descascadas de cânhamo, proteína de semente e óleo de semente, ingredientes que podem fornecer proteínas, lipídios e outros nutrientes. Esses componentes já são utilizados em bebidas, cereais, barras nutricionais, panificados e alternativas vegetais, criando oportunidades para a indústria de alimentos e para sistemas agrícolas voltados a matérias-primas de maior valor agregado. A distinção regulatória é fundamental: alimento de cânhamo não equivale a alimento com THC ou CBD. Para o agronegócio, o segmento reúne perspectivas em melhoramento genético, processamento, rastreabilidade e desenvolvimento de produtos, mas exige controle rigoroso de composição, segurança alimentar, rotulagem e conformidade regulatória.

Fertilizantes terão novo pacote de crédito diante da pressão internacional

O setor brasileiro de fertilizantes terá acesso a R$ 4 bilhões em crédito por meio da terceira etapa do Plano Brasil Soberano, dentro de um pacote de R$ 18,5 bilhões destinado a empresas afetadas por conflitos geopolíticos, dificuldades comerciais e perda de mercados. Os recursos, operados pelo BNDES, poderão financiar investimentos e capital de giro, com taxas previstas entre 6,53% e 9,5%. A medida ganha relevância diante da elevada dependência brasileira de importações, que respondem por quase (NEG)90% do consumo nacional, expondo produtores e empresas às oscilações de preços, fretes e disponibilidade internacional. Paralelamente, o Profert prevê mecanismos de crédito fiscal e participação mínima crescente de fertilizantes nacionais no mercado, enquanto investimentos em nitrogenados e a retomada de plantas industriais buscam ampliar a oferta doméstica. Para o agronegócio, a estratégia combina resposta emergencial e política industrial, mas sua efetividade dependerá de investimentos contínuos, gás natural competitivo, logística eficiente e maior diversificação de fornecedores.

Agro tem vagas, mas falta gente para sustentar o avanço da produção, preocupando empregadores do campo
Agro tem vagas, mas falta gente para sustentar o avanço
da produção, preocupando empregadores do campo

Falta de mão de obra vira o novo gargalo estratégico das fazendas brasileiras

A escassez de mão de obra tornou-se o principal desafio dentro das propriedades rurais, superando preocupações tradicionais como custos de produção, preços e clima, segundo levantamento da CNA em parceria com o Cepea/Esalq-USP. Entre os produtores consultados, 94,8% relataram dificuldades para contratar trabalhadores, enquanto 44,5% apontaram a disponibilidade de pessoal como o maior problema da atividade. Os efeitos já alcançam a operação e o planejamento: atrasos nas tarefas foram citados por 48,7%, aumento dos custos por 43,9% e perda de produção por 42%, enquanto 48% adiaram ou suspenderam projetos de expansão. Em resposta, 42,6% anteciparam investimentos em mecanização e automação, movimento que acompanha a crescente demanda por profissionais capazes de operar tecnologias, interpretar dados e executar processos mais complexos. O desafio, portanto, deixou de ser apenas preencher vagas e passou a envolver qualificação, retenção, produtividade e gestão de pessoas, fatores decisivos para a competitividade do agro.

Descarbonização chega às cadeias de café e cacau com foco em eficiência

A Yara Brasil e a Coopercitrus assinaram um memorando de entendimentos para avaliar projetos de descarbonização nas cadeias de café e cacau, conciliando produtividade, eficiência agronômica e redução das emissões. Os estudos começam imediatamente e devem considerar tecnologias, insumos e práticas capazes de reduzir a pegada de carbono da produção. A iniciativa ganha relevância diante da crescente demanda de mercados e indústrias por rastreabilidade e menor intensidade de emissões, além da necessidade de elevar a eficiência no uso de fertilizantes. A Yara já desenvolve soluções de menor pegada de carbono e, em iniciativas anteriores, estima reduções relevantes nas emissões associadas à produção de café. Para o agronegócio, a parceria sinaliza avanço de modelos que conectam cooperativas, produtores, indústria de insumos e compradores em torno de metas ambientais mensuráveis, criando condições para agregar valor à produção e ampliar o acesso a mercados que incorporam critérios climáticos às decisões de compra.

Brasil mira restauração de 163 mil km²

O Brasil estabeleceu a meta de restaurar 163 mil km² de áreas degradadas até 2030 em diferentes biomas. O objetivo integra compromissos nacionais e internacionais relacionados à recuperação de ecossistemas, conservação da biodiversidade e enfrentamento das mudanças climáticas, além de buscar ganhos produtivos e econômicos associados à restauração. A estratégia considera áreas públicas e privadas e prevê articulação entre governos, produtores rurais, empresas e instituições financeiras para ampliar investimentos e projetos. No meio rural, a recuperação de pastagens degradadas, a recomposição de vegetação nativa e sistemas produtivos integrados podem elevar a eficiência do uso da terra, reduzir pressões por abertura de novas áreas e ampliar a capacidade de sequestro de carbono. Para o agronegócio, o desafio está em transformar a restauração ambiental em atividade economicamente viável, com segurança jurídica, assistência técnica, mecanismos de financiamento e mercados capazes de remunerar serviços ambientais. O cumprimento da meta exigirá escala, monitoramento e indicadores confiáveis para medir resultados até 2030.

Resíduo da piscicultura passa a integrar uma cadeia de maior valor com tecnologia desenvolvida pela UFC que transforma pele de peixe em curativo biológico
Resíduo da piscicultura passa a integrar uma cadeia
de maior valor com tecnologia desenvolvida pela UFC
que transforma pele de peixe em curativo biológico

Ceará prepara fábrica que transforma pele de tilápia em curativo biológico

O Brasil deverá sediar, em Jaguaribara (CE), a primeira fábrica mundial dedicada ao processamento industrial de pele de tilápia para uso médico, com investimento inicial estimado em R$ 52 milhões. Desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC), a tecnologia transforma um subproduto da piscicultura em curativos biológicos destinados principalmente ao tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. A pele passa por processos de esterilização e, na produção industrial, deverá utilizar liofilização, tecnologia que facilita conservação, armazenamento e transporte sem refrigeração. A capacidade projetada chegará a 12 mil peles por dia. Além da aplicação médica, o projeto cria uma nova perspectiva de agregação de valor para a cadeia da tilápia, reduzindo desperdícios e aproximando piscicultura, biotecnologia e indústria farmacêutica. A iniciativa também evidencia como pesquisa científica pode converter resíduos agroindustriais em produtos de maior valor econômico e tecnológico.

Nova regra do CMN amplia alternativas para produtores renegociarem dívidas

O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou regras do crédito rural para reduzir entraves à renegociação de dívidas e ampliar a capacidade de recuperação financeira de produtores afetados por eventos climáticos adversos. A mudança permite que instituições financeiras reavaliem determinadas operações quando houver perda de renda comprovada, mesmo em situações nas quais a atividade produtiva não tenha sido diretamente atingida pelo evento climático. A medida busca corrigir um dos principais gargalos enfrentados nas renegociações, já que a regra anterior vinculava a repactuação à comprovação de danos físicos na propriedade ou na produção. Com a nova interpretação, instituições poderão considerar impactos indiretos sobre a receita e a capacidade de pagamento, desde que devidamente documentados. Para o agronegócio brasileiro, a alteração pode melhorar a previsibilidade financeira e reduzir a pressão sobre produtores em regiões afetadas por secas, excesso de chuvas ou outros eventos extremos. O avanço, porém, dependerá da análise individual das operações, da qualidade da documentação e da disposição dos agentes financeiros em aplicar as novas regras.

Suspeita de fraude em azeites importados amplia pressão por fiscalização

O mercado brasileiro de azeite de oliva entrou no radar das autoridades após o Ibraoliva encaminhar à Receita Federal uma denúncia sobre possível fraude tributária envolvendo produtos europeus comercializados como extravirgens. A suspeita ganhou relevância após análises do Ministério da Agricultura identificarem amostras rotuladas como extravirgens com características compatíveis com a categoria virgem. O ponto central está na tributação: azeites extravirgens europeus têm alíquota de importação zero, enquanto os virgens estão sujeitos a 9%, criando, segundo a entidade, um possível incentivo econômico à classificação inadequada. Além da questão fiscal, condições de armazenamento, transporte e idade dos lotes podem comprometer atributos sensoriais e alterar a categoria comercial do produto. Para a cadeia nacional de olivicultura, o episódio reforça a importância de fiscalização, rastreabilidade, padronização e transparência na rotulagem, aspectos essenciais para assegurar concorrência equilibrada, proteger o consumidor e dar maior previsibilidade ao desenvolvimento da produção brasileira de azeite.