Manchetes da semana – 18 a 24-07-2026

Brasil amplia defesa sanitária com Banco Nacional de Antígenos contra a febre aftosa

O Brasil passou a contar com um Banco Nacional de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa, incorporado à estratégia oficial de defesa sanitária animal após o reconhecimento internacional do país como livre da doença sem vacinação. Instalado na unidade da Biogénesis Bagó, em Garín, na Argentina, o sistema mantém antígenos armazenados para produção rápida de vacinas em situações de emergência, reduzindo o tempo de resposta diante de eventuais focos e contribuindo para a proteção do rebanho nacional, da segurança sanitária e da competitividade das exportações agropecuárias. Desenvolvida em parceria entre o Tecpar, a Biogénesis Bagó e o Ministério da Agricultura e Pecuária, a iniciativa integra os planos nacionais de contingência e amplia a capacidade operacional do país para preservar seu status sanitário e minimizar riscos econômicos à cadeia pecuária.

Brasil reduz queimadas em 31% em 2025

O Brasil registrou redução de 31% na área queimada em 2025, totalizando 12,7 milhões de hectares, segundo o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas. O desempenho reflete principalmente a expressiva retração das queimadas na Amazônia, que alcançou a menor área afetada dos últimos 41 anos, embora Cerrado e Amazônia ainda concentrem 86% da área queimada desde 1985. O levantamento evidencia avanços na dinâmica nacional do fogo, mas reforça que a recorrência das queimadas continua sendo um desafio para a agropecuária, a conservação ambiental e a gestão territorial, especialmente sobre vegetação nativa e pastagens. Os dados também apontam que estados como Mato Grosso, Pará e Maranhão permanecem entre os principais focos históricos, indicando a necessidade de estratégias permanentes de prevenção, monitoramento e manejo integrado do fogo.

Vaca holandesa estabelece novo recorde de produção leiteira no Paraguai com 108,7 litros de leite e coloca genética bovina em destaque na pecuária sul-americana
Vaca holandesa estabelece novo recorde de produção
leiteira no Paraguai com 108,7 litros de leite e coloca
genética bovina em destaque na pecuária sul-americana

Vaca quebra recorde histórico e produz 108,7 litros de leite em um único dia

Uma vaca da raça Holandesa (Holstein) estabeleceu um novo marco para a pecuária leiteira sul-americana ao produzir 108,7 litros de leite em apenas um dia, durante a 9ª Expo Cooprolanda, no Paraguai. O desempenho, registrado em três ordenhas, superou amplamente o recorde anterior da competição e evidencia o potencial da genética bovina associada ao manejo de alta precisão. Pertencente à Cabaña Penner, referência em melhoramento genético, a vaca (RP) 2232 alcançou o resultado entre 42 e 45 dias após o parto, período anterior ao pico normal da lactação, reforçando a elevada capacidade produtiva da linhagem. Segundo especialistas, o desempenho resulta de cinco gerações consecutivas de seleção genética, aliadas à nutrição de precisão, sanidade, conforto animal, eficiência alimentar e gestão zootécnica, fatores que sustentam produtividade elevada sem comprometer a longevidade do rebanho. Filha do touro King Doc, reconhecido internacionalmente pelo potencial leiteiro, a recordista demonstra como a integração entre genética, tecnologia e manejo pode ampliar a eficiência produtiva mesmo em condições tropicais. Embora a média nacional paraguaia permaneça entre 15 e 16 litros por vaca ao dia, propriedades altamente tecnificadas já superam 50 litros diários, aproximando-se dos índices observados em importantes fazendas norte-americanas. O resultado reforça que a competitividade da pecuária leiteira depende da combinação entre melhoramento genético, gestão eficiente, bem-estar animal e inovação tecnológica, estratégia que amplia a produtividade, reduz o custo por litro produzido e contribui para elevar a rentabilidade dos sistemas leiteiros em ambientes cada vez mais exigentes.

Sinop entra no radar de gigante chinesa de máquinas agrícolas para novo investimento industrial

A fabricante chinesa de máquinas agrícolas FM World avançou nas negociações para ampliar sua atuação no Brasil, escolhendo Sinop (MT) para instalar sua primeira concessionária no país e iniciar estudos sobre uma possível unidade industrial voltada à produção de equipamentos agrícolas. As tratativas, conduzidas com empresários, investidores e representantes da Prefeitura durante reunião na PZ Empreendimentos, refletem o crescente interesse internacional pelo potencial do agronegócio mato-grossense, especialmente da cadeia do algodão, segmento em que a empresa é especializada. Embora o projeto fabril ainda esteja em fase preliminar, a avaliação de Sinop representa uma mudança estratégica, já que a companhia considerava anteriormente o estado de São Paulo como destino do investimento. A localização às margens da BR-163, a expansão da agroindustrialização, a infraestrutura logística e o dinamismo econômico do norte de Mato Grosso posicionam o município entre os principais polos para novos empreendimentos industriais ligados ao agro. Nesse contexto, o condomínio logístico PZ Log surge como ativo relevante para atender operadores logísticos, indústrias e investidores, oferecendo infraestrutura de padrão internacional voltada à eficiência operacional, redução de custos e integração com um dos mais importantes corredores de produção e escoamento do agronegócio brasileiro.

Santa Catarina aprova incentivo para ampliar controle de javalis nas áreas rurais

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou o Projeto de Lei 287/2026, que institui um incentivo financeiro de R$ 100 por javali-europeu (Sus scrofa) abatido, medida que aguarda sanção do governador para entrar em vigor e integra a estratégia estadual de controle de uma das principais espécies invasoras que afetam a agropecuária brasileira. O programa prevê que apenas pessoas físicas e jurídicas devidamente cadastradas e autorizadas pelos órgãos ambientais poderão receber o ressarcimento, mediante comprovação do manejo regular e autorização do proprietário da área quando o controle ocorrer em imóveis privados. O valor não caracteriza remuneração pela atividade, mas compensação parcial pelos custos operacionais relacionados ao manejo. A iniciativa busca reduzir os impactos econômicos provocados pelos javalis sobre lavouras, pastagens e sistemas de produção, além de minimizar riscos sanitários e à segurança no meio rural. O projeto também autoriza a celebração de convênios com municípios e entidades para definir áreas prioritárias conforme o grau de infestação, complementando a política estadual de manejo sustentável vigente desde 2023 e alinhando-se às normas federais que autorizam o controle da espécie invasora para proteção da fauna, da flora, da produção agropecuária e da saúde pública.

Decisão judicial determina avanço na demarcação do território e sentença reconhece violações históricas contra o povo Tapayuna
Decisão judicial determina avanço na demarcação do território
e sentença reconhece violações históricas contra o povo Tapayuna

Justiça ordena demarcação de território no MT, após quase extinção dos Tapayuna

A Justiça Federal determinou que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) concluam, em até 24 meses, a demarcação da terra tradicional do povo Kajkwakratxi (Tapayuna), em Mato Grosso, reconhecendo a ocorrência de violações históricas de direitos humanos e estabelecendo indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, além da realização de um pedido público de desculpas à comunidade. A decisão também determina o levantamento de documentos sobre os episódios de violência e o deslocamento compulsório dos indígenas para o Parque Indígena do Xingu, ampliando os esforços de reconstrução histórica e reparação institucional. A sentença reforça a atuação do Poder Judiciário diante de atrasos em processos de regularização fundiária, ao considerar que prazos administrativos não impedem a intervenção judicial em casos de demora excessiva. Para o Ministério Público Federal, a medida representa um avanço na garantia da segurança jurídica, da proteção territorial e da preservação do patrimônio sociocultural dos Tapayuna, cuja população sofreu severos impactos ao longo do século XX. O caso também evidencia a relevância do ordenamento territorial para a gestão ambiental, a prevenção de conflitos fundiários e a construção de um ambiente institucional mais previsível nas regiões de ocupação tradicional.

Brasil Soberano 3 libera R$ 18,5 bilhões para setores afetados por tarifas dos Estados Unidos

A Medida Provisória nº 1.379/2026, que institui o programa Brasil Soberano 3, entrou em vigor com previsão de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas impactadas por tarifas comerciais dos Estados Unidos e por instabilidades no mercado internacional. Encaminhada ao Congresso Nacional, a proposta busca ampliar a capacidade financeira de setores estratégicos da economia brasileira, incluindo fertilizantes, minerais críticos, máquinas, indústria automotiva, papel, açúcar e segmentos ligados ao comércio exterior. Os recursos serão provenientes do Tesouro Nacional, do BNDES e da reprogramação de saldos de políticas anteriores, com distribuição definida por um conselho interministerial e regulamentação do Conselho Monetário Nacional. A iniciativa pretende preservar a competitividade das cadeias produtivas, reduzir os impactos sobre as exportações e ampliar a previsibilidade para empresas inseridas no mercado global, especialmente em setores com elevada participação na balança comercial brasileira.

Mapa desmente nova taxação chinesa sobre a carne bovina brasileira

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) esclareceu que não houve a criação de uma nova tarifa específica da China sobre a carne bovina brasileira, desmentindo informações disseminadas nas redes sociais. Segundo a pasta, a alíquota adicional de 55% refere-se a um mecanismo de salvaguarda aplicado às importações que ultrapassarem as cotas previamente estabelecidas pelo governo chinês para todos os países exportadores. O Brasil detém a maior cota de exportação, de 1,106 milhão de toneladas, sujeita à tarifa regular de 12%, sendo que cerca de 80% desse volume já foi utilizado, conforme dados oficiais do Ministério do Comércio da República Popular da China (Mofcom). Assim, eventual cobrança adicional ocorrerá apenas sobre embarques que excederem o limite autorizado. O posicionamento do Mapa reforça a importância da divulgação de informações oficiais para preservar a segurança jurídica, a previsibilidade comercial e a confiança nas relações entre Brasil e China, principal destino das exportações brasileiras de carne bovina.

Relatório evidencia redução da insegurança alimentar no Brasil com destaque para a agricultura familiar que amplia oferta de alimentos saudáveis
Relatório evidencia redução da insegurança alimentar
no Brasil com destaque para a agricultura familiar
que amplia oferta de alimentos saudáveis

Brasil permanece fora do Mapa da Fome e amplia acesso à alimentação saudável

O Brasil permaneceu fora do Mapa da Fome em 2026, conforme o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI)”, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), mantendo a prevalência de subnutrição abaixo de 2,5% da população, índice utilizado internacionalmente para essa classificação. O levantamento também apontou avanços relevantes no acesso econômico à alimentação saudável, com redução da parcela da população sem condições de adquirir uma dieta adequada de 31,2% para 21,1% entre 2021 e 2025, o equivalente a mais de 20 milhões de brasileiros incorporados a esse grupo. Segundo a FAO, alimentação saudável reúne critérios de qualidade nutricional, equilíbrio energético, diversidade alimentar, segurança dos alimentos e consumo moderado de açúcares, sódio e gorduras. O relatório destaca o Brasil como referência na integração entre políticas de segurança alimentar, proteção social e agricultura familiar, reconhecendo a contribuição de iniciativas voltadas ao crédito rural, assistência técnica, inovação, pesquisa, bioinsumos, sistemas agroflorestais e ampliação do acesso aos mercados. A publicação também evidencia o protagonismo das mulheres rurais na produção de alimentos, na diversificação das atividades produtivas e na geração de renda. Para o agronegócio e o meio ambiente, os resultados reforçam a importância de sistemas agroalimentares eficientes, sustentáveis e socialmente inclusivos, capazes de ampliar a oferta de alimentos de qualidade, promover desenvolvimento rural e elevar a competitividade das cadeias produtivas brasileiras.

EUA podem perder para o Brasil o papel de maior exportador agrícola do mundo

O Brasil se aproxima da liderança mundial nas exportações agrícolas, reduzindo de forma expressiva a diferença em relação aos Estados Unidos, segundo análise publicada pelo Financial Times com base em dados oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do Ministério da Agricultura e Pecuária. Em 2025, os norte-americanos exportaram US$ 171 bilhões em produtos agropecuários, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil, contraste significativo diante da vantagem de US$ 56 bilhões observada em 2021. No primeiro semestre de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 6%, alcançando o recorde de US$ 87 bilhões, sustentadas pelo desempenho da soja, das carnes bovina e de frango, além da expansão do algodão, segmento em que o Brasil assumiu protagonismo global. A reportagem atribui parte dessa mudança à reorganização do comércio internacional após as disputas tarifárias entre Estados Unidos e China, movimento que ampliou a participação brasileira no mercado chinês, especialmente na soja. O avanço reflete ganhos de competitividade, ampliação da capacidade produtiva, diversificação da pauta exportadora e maior inserção em mercados estratégicos, enquanto produtores norte-americanos enfrentam desafios relacionados à rentabilidade de culturas como soja, milho, trigo e algodão. O cenário reforça a crescente relevância do agronegócio brasileiro no comércio global e evidencia sua capacidade de responder às transformações geopolíticas e às novas dinâmicas da demanda internacional.

Lideranças indígenas defendem criação de Comissão Nacional da Verdade em Brasília

Lideranças indígenas de diferentes regiões do Brasil defenderam, em Brasília, a criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, durante encontro promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), com foco em memória, justiça de transição e reparação histórica. A iniciativa reúne pesquisas conduzidas exclusivamente por pesquisadores indígenas, baseadas na escuta das comunidades, no respeito às línguas originárias e aos protocolos culturais, resultando em oito estudos de caso sobre violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar, incluindo remoções compulsórias, trabalho forçado, tortura e desaparecimentos. Segundo os organizadores, o material subsidiará a proposta de criação da comissão, apresentada ao governo federal em consonância com recomendações da Comissão Nacional da Verdade de 2014. O encontro também confirmou a realização, em 2027, de um seminário internacional sobre direitos indígenas e anunciou a continuidade do Mapa Interativo Povos Indígenas, Memória, Verdade e Justiça, plataforma que reunirá mais de 90 casos documentados. A iniciativa amplia a produção de conhecimento com protagonismo indígena e contribui para o debate sobre governança territorial, preservação cultural, direitos coletivos e gestão socioambiental, temas que possuem relevância crescente nas discussões sobre desenvolvimento sustentável, políticas públicas e segurança jurídica em áreas de ocupação tradicional.

Temporais comprometem lavouras, estradas rurais e infraestrutura, acelerando erosão e ampliando perdas nas áreas agrícolas gaúchas em diversas regiões do Rio Grande do Sul
Temporais comprometem lavouras, estradas rurais e infraestrutura,
acelerando erosão e ampliando perdas nas áreas agrícolas gaúchas
em diversas regiões do Rio Grande do Sul

Mais uma vez chuvas extremas causam estragos no sul

Desde o início de junho, o Rio Grande do Sul enfrenta uma sequência de temporais associados ao fenômeno El Niño, ampliando os impactos sobre a população, a infraestrutura e a produção agropecuária. Segundo a Defesa Civil estadual, cerca de 140 municípios registraram danos provocados por inundações, enquanto Eldorado do Sul contabilizou mais de 720 desabrigados em decorrência dos vendavais. Até as 14:30 de 23 de julho, o governo estadual informava 1.256 pessoas desabrigadas em 11 municípios, além de 13 bloqueios totais e sete parciais em rodovias, comprometendo a logística regional. No campo, a Emater-RS ainda avalia a dimensão dos prejuízos, mas diversas propriedades permanecem isoladas devido ao transbordamento de rios, interrupção de estradas vicinais, queda de pontes e falhas no fornecimento de energia elétrica. Mesmo em áreas sem alagamentos, volumes de chuva que chegaram a 240 mm em poucas horas provocaram intensa lixiviação de nutrientes, erosão, destruição de terraços agrícolas, perda de palhada, abertura de sulcos e redução da eficiência de fertilizantes como nitrogênio e ureia, comprometendo o estabelecimento das lavouras de inverno e elevando os custos de recuperação das áreas produtivas. No âmbito institucional, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu situação de emergência em 17 municípios gaúchos, sendo 16 por chuvas intensas e Eldorado do Sul por vendaval, permitindo que as administrações municipais solicitem recursos federais para assistência humanitária, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas atingidas, medida considerada estratégica para reduzir os impactos econômicos e sociais sobre o agronegócio e as comunidades rurais.

Brasil reage à nova tarifa dos EUA e prepara contestação na OMC

Os Estados Unidos ampliaram as restrições comerciais sobre produtos brasileiros ao aplicar uma tarifa adicional de 12,5%, sob a justificativa de que o Brasil não teria adotado medidas suficientes para impedir a importação de bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado. A medida integra um pacote que alcança 60 parceiros comerciais e substitui a sobretaxa global anterior de 10%, sendo aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Para o Brasil, o novo percentual soma-se aos 25% anunciados anteriormente em investigação que envolveu temas como comércio digital, Pix, etanol e propriedade intelectual, elevando a sobretaxa para 37,5% sobre parcela significativa das exportações. Segundo a Amcham Brasil, aproximadamente 3 mil produtos, equivalentes a US$ 12,5 bilhões em vendas anuais aos Estados Unidos, serão atingidos, dos quais US$ 10,7 bilhões sofrerão incidência cumulativa. Em resposta, o governo brasileiro anunciou que acionará os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade e recorrerá ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as medidas são arbitrárias. O Ministério do Trabalho e Emprego destacou ainda que apresentou ampla documentação durante a investigação e reiterou que o Brasil mantém reconhecimento internacional, inclusive pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelas políticas de combate ao trabalho forçado, elemento considerado relevante para a segurança jurídica e a credibilidade das exportações brasileiras.

John Deere investe R$ 75 milhões e amplia produção tecnológica no Brasil

A John Deere anunciou um investimento de R$ 75 milhões para ampliar sua operação industrial em Canoas (RS), onde implantará uma área dedicada à montagem de componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção, com início previsto para julho de 2027. Voltado exclusivamente ao mercado brasileiro, o projeto amplia a capacidade nacional de integração de tecnologias embarcadas, incluindo módulos inteligentes de controle, receptores GPS de alta precisão, monitores e sistemas de orientação. A iniciativa também integra a estratégia global de manufatura da companhia para otimizar a cadeia de suprimentos, elevar a eficiência logística e ampliar a competitividade da operação brasileira. Além de consolidar a unidade gaúcha como polo tecnológico, o investimento valoriza a qualificação regional e acompanha a crescente demanda por equipamentos conectados, contribuindo para maior eficiência operacional, agricultura de precisão e inovação no agronegócio brasileiro.

Mudanças legislativas podem influenciar produtores e gestão ambiental com novos projetos que atualizam regras sobre fiscalização, uso do solo e conservação ambiental em vários biomas com destaque para a Mata Atlântica
Mudanças legislativas podem influenciar produtores e
gestão ambiental com novos projetos que atualizam regras
sobre fiscalização, uso do solo e conservação ambiental
em vários biomas com destaque para a Mata Atlântica

Novas regras sobre Mata Atlântica, fiscalização e uso do solo avançam no Congresso

A Câmara dos Deputados aprovou, no primeiro semestre de 2026, um conjunto de propostas com potencial de influenciar a gestão ambiental, o uso do solo e a atividade agropecuária, consolidando uma agenda legislativa que agora segue, em grande parte, para análise do Senado. Entre os destaques está o Projeto de Lei 364/19, que amplia a aplicação das regras de regularização previstas no Código Florestal para todos os biomas, incluindo a Mata Atlântica, permitindo a regularização de ocupações consolidadas anteriores à legislação vigente e estabelecendo novas condições para atividades produtivas em Áreas de Preservação Permanente, reservas legais e áreas de uso restrito. Também avançou o PL 2564/25, que exige notificação prévia antes da aplicação de embargos baseados exclusivamente em imagens de satélite, assegurando direito à apresentação de esclarecimentos. Outro projeto aprovado, o PL 2486/26, redefine os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, convertendo 486 mil hectares em Área de Proteção Ambiental. Já o PL 6528/16 proíbe a fabricação, importação e comercialização de produtos de higiene e cosméticos com microesferas plásticas, reforçando a agenda de redução da poluição ambiental e de aperfeiçoamento do marco regulatório brasileiro.

Confirmado novo caso de raiva bovina em Santa Catarina

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) confirmou um novo caso de raiva bovina em uma propriedade de Itapiranga, no oeste do estado, após exames laboratoriais identificarem o vírus em uma vaca leiteira que morreu em julho. Outro animal do mesmo rebanho permanece sob monitoramento. Transmitida principalmente pela mordida do morcego hematófago (Desmodus rotundus), a doença é fatal, afeta o sistema nervoso central e representa risco para bovinos, equinos, ovinos, caprinos, suínos e seres humanos. Em 2026, Santa Catarina já contabiliza 26 casos confirmados, reforçando a importância da vacinação preventiva, da vigilância epidemiológica e da comunicação imediata às autoridades sanitárias diante de animais com sintomas neurológicos. As medidas são essenciais para reduzir perdas econômicas, preservar a sanidade dos rebanhos e manter a segurança da produção pecuária.

Brasil conquista novo mercado na China

O Brasil e a China assinaram um protocolo sanitário que estabelece os requisitos para a exportação de cálculo biliar bovino, ampliando o acesso brasileiro a um mercado estratégico para produtos de origem animal. Assinado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo governo chinês, o acordo define critérios de sanidade e quarentena que garantem a segurança do comércio bilateral. O cálculo biliar bovino, encontrado naturalmente em cerca de 1% a 2% dos bovinos, é utilizado há mais de dois mil anos na fabricação de medicamentos destinados, principalmente, ao tratamento de doenças neurológicas, inflamatórias e emergências médicas. Maior produtor mundial do insumo, responsável por aproximadamente 40% da oferta global, o Brasil amplia sua presença internacional ao ingressar em um mercado até então restrito à Argentina e ao Uruguai, agregando valor à cadeia pecuária e criando novas oportunidades para o setor exportador.

Recuperação dos preços melhora a margem dos produtores de leite, mas margem não assegura investimentos e sustentabilidade
Recuperação dos preços melhora a margem dos produtores de
leite, mas margem não assegura investimentos e sustentabilidade

Produtores gaúchos voltam a ter margem no leite

Após um período prolongado de baixa rentabilidade, os produtores de leite do Rio Grande do Sul voltaram a registrar margem positiva, impulsionados pela recuperação dos preços pagos ao produtor. Segundo o Conseleite/RS, o valor de referência para junho foi projetado em R$ 2,4281 por litro, enquanto a remuneração praticada varia entre R$ 2,50 e R$ 2,70, conforme qualidade, volume fornecido e bonificações. Com custos de produção estimados entre R$ 2,20 e R$ 2,30 por litro, o setor recupera parte do equilíbrio econômico, embora entidades como a Gadolando avaliem que um preço próximo de R$ 2,80 por litro seria mais adequado para assegurar investimentos e sustentabilidade. As discussões conduzidas pelo Conseleite ampliaram a transparência na formação dos preços, mas o segmento defende maior participação do varejo nas negociações para promover uma distribuição mais equilibrada dos resultados ao longo da cadeia leiteira.

Mapa mantém tratativas com União Europeia sobre antimicrobianos na produção animal

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que permanecem em andamento as negociações técnicas com a União Europeia sobre os requisitos sanitários relacionados ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal, enquanto aguarda uma manifestação conclusiva das autoridades europeias sobre a documentação encaminhada pelo governo brasileiro. Segundo a pasta, o Brasil não solicitou flexibilização das regras sanitárias e mantém o compromisso de atender integralmente às exigências dos mercados importadores, apresentando informações detalhadas sobre os mecanismos oficiais de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação aplicados às cadeias de carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca. O Mapa sustenta que o sistema brasileiro possui capacidade técnica para garantir a conformidade dos produtos destinados à exportação e defende que as relações sanitárias internacionais sejam baseadas em ciência, transparência, confiança institucional e reconhecimento mútuo entre autoridades competentes. O ministério considera inadequada a exigência de comprovação antecipada de medidas cuja implementação ocorre ao longo dos ciclos produtivos, argumentando que a verificação deve ser realizada pelos sistemas oficiais de inspeção e certificação antes da emissão dos documentos sanitários para exportação. O governo brasileiro reafirma que continuará o diálogo técnico com a União Europeia, preservando a credibilidade do sistema nacional de defesa agropecuária e buscando assegurar previsibilidade regulatória, segurança jurídica e acesso competitivo dos produtos brasileiros ao mercado europeu.