Publicação da Embrapa é voltada a técnicos e produtores e tem como foco aumentar a produção e qualidade do rebanho, viabilizando, também, a exportação
A Embrapa disponibilizou o Guia para Elaboração de Plano de Biosseguridade no Controle e Prevenção de Doenças Infecciosas de Caprinos Leiteiros no Nordeste, publicação que reúne orientações técnicas para fortalecer a sanidade dos rebanhos e elevar a qualidade da produção. O material apresenta procedimentos voltados à prevenção de enfermidades infecciosas que comprometem a saúde animal, representam riscos à saúde humana e impactam diretamente a produtividade das propriedades, a qualidade do leite e a competitividade da caprinocultura leiteira nos mercados nacional e internacional.
A publicação resulta de anos de pesquisas conduzidas pela Embrapa sobre doenças infecciosas em caprinos e incorpora demandas identificadas junto aos produtores durante as ações do Projeto Dom Hélder Câmara (PDHC), desenvolvidas entre 2019 e 2023 na Paraíba e em Pernambuco. O trabalho de campo evidenciou a necessidade de ampliar a adoção de planos de biosseguridade, reunindo produtores, extensionistas e órgãos públicos na implementação de protocolos capazes de reduzir riscos sanitários, aperfeiçoar o manejo e promover maior eficiência produtiva nas propriedades rurais.

enfermidades que podem colocar em risco a saúde
dos animais e a produtividade de rebanhos
Foto: Maíra Vergne
O guia apresenta recomendações práticas sobre quarentena, monitoramento de animais, vacinação, higienização das instalações, manejo alimentar, descarte de resíduos e tratamento de animais enfermos, formando um conjunto de ações preventivas voltadas à redução da disseminação de enfermidades. Também disponibiliza um checklist para diagnóstico das propriedades, permitindo avaliar o cumprimento das boas práticas sanitárias e identificar oportunidades de melhoria. Entre as doenças contempladas estão agalaxia contagiosa, artrite encefalite caprina, clamidiose, paratuberculose e toxoplasmose, enfermidades que podem provocar perdas econômicas expressivas na atividade.
Além de contribuir para o bem-estar animal, o guia reforça a importância da biosseguridade para preservar a qualidade do leite e garantir acesso aos mercados consumidores. A ocorrência de doenças infecciosas pode comprometer o processamento industrial e restringir a comercialização do leite caprino, especialmente em negociações internacionais. Antes da abertura de novos mercados, autoridades sanitárias analisam o perfil epidemiológico dos rebanhos brasileiros, tornando indispensável a adoção de protocolos preventivos capazes de assegurar elevados padrões sanitários e fortalecer a credibilidade da produção nacional.

sustentabilidade da caprinocultura, com checklist que
facilita diagnóstico sanitário e manejo preventivo que reduz
perdas econômicas na produção leiteira – Foto: Rizaldo Pinheiro
Outro destaque da publicação é sua integração ao conceito de Saúde Única, abordagem que considera a relação entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente. Diversas enfermidades presentes na caprinocultura são zoonoses e exigem atuação conjunta de médicos-veterinários, profissionais da saúde, pesquisadores e produtores. Durante as atividades do Projeto Dom Hélder Câmara, a elevada incidência de toxoplasmose em rebanhos motivou ações integradas com gestores municipais de saúde, reforçando a importância da vigilância epidemiológica para reduzir riscos associados ao consumo de leite cru e carne produzida sem tratamento adequado.
O documento também disponibiliza ferramentas para que produtores e técnicos monitorem continuamente as condições sanitárias das propriedades, incluindo aspectos relacionados à movimentação de animais, participação em feiras, controle de visitantes, entrada de veículos, qualidade da água e dos alimentos, condições das instalações e descarte de resíduos. O acompanhamento sistemático desses indicadores permite identificar vulnerabilidades, orientar medidas corretivas e elevar os padrões produtivos. A adoção de programas de biosseguridade representa um investimento estratégico para fortalecer a caprinocultura leiteira, aumentar a sustentabilidade da atividade e proteger simultaneamente a produção, a saúde pública e a renda das famílias rurais.
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