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Técnico da Senasa com gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina emitiu a Resolução 204/2024, declarando estado de alerta fitossanitário para lidar com a detecção precoce e controle de gafanhotos. A medida busca coordenar esforços entre o governo nacional, as províncias e os produtores para mitigar os impactos da praga na natureza e na produção vegetal.

A resolução destaca a necessidade de medidas preventivas para evitar situações críticas como nos anos anteriores, especialmente após a detecção da praga em várias províncias argentinas, Bolívia e Paraguai. Não existem enxames migratórios no momento, mas as condições são propícias para sua formação em breve. Foram identificados gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata conhecido como gafanhoto sul americano nas três áreas.

Gafanhoto sul americano (Schistocerca cancellata)

A declaração de alerta visa agir rapidamente e eficientemente para conter a praga. O sistema de vigilância do Senasa detectou um aumento da praga em regiões como Formosa, Salta, Santiago del Estero e Catamarca, além das condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento dos gafanhotos. No último monitoramento as equipes notaram a presença dos gafanhotos reprodutivamente maduros que realizam movimentos de curta distância. Em pouco tempo as fêmeas botarão ovos, o que dará lugar ao nascimento de novos gafanhotos e haverá aumento da população. Bom momento para controlá-los, evitando assim que a praga chegue à fase adulta e desenvolva asas que lhe permitam deslocar-se para outros locais.

Sinais no solo das oviposições dos gafanhotos
Sinais no solo das oviposições dos gafanhotos
Ciclo de vida do gafanhoto
Ciclo de vida do gafanhoto

As oviposições geralmente são realizadas em áreas de campo sem a presença de plantas, como clareiras, bordas de estradas, bordas de cercas. As áreas de postura dos ovos são identificadas por observação na superfície do terreno com buracos claramente setorizados ao nível do solo que são selados com um tampão esponjoso branco que protege os ovos até à eclosão. Feitas as posturas, e se forem registradas boas condições de umidade, a partir do dia 10 de março podem ocorrer os nascimentos das ninfas do gafanhoto, dando vez a um novo ciclo de vida.

Nas inspeções em campo, as equipes técnicas observaram que as condições indicam que em pouco tempo as fêmeas passarão para a fase de postura de ovos (conhecida como oviposição), na qual colocam no subsolo tubos alongados chamados ootecas, que abrigam em média 100 ovos por ooteca.

Em cooperação regional, o Senasag da Bolívia e o Senave do Paraguai também informaram a presença da praga em seus países. A coordenação de ações é essencial para implementar controles precoces e evitar a formação de enxames que possam afetar plantações e vegetação natural.

Técnico da Senasa em operação de monitoramento da espécie
Técnico da Senasa em operação de monitoramento da espécie
Gafanhoto sul americano (Schistocerca cancellata)
Gafanhoto sul americano (Schistocerca cancellata)

Os gafanhotos são pragas migratórias e transfronteiriças, com capacidade de dispersão de até 150 km/dia e alto impacto econômico. Um enxame pode acumular de 40 a 80 milhões de gafanhotos. Eles podem destruir pastos e consomem o equivalente a 2 mil vacas em um único dia. De acordo com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), a produção sujeita a risco na Argentina atinge US$ 3,7 bilhões. Após 60 anos sem problemas, desde 2015 houve um ressurgimento da praga na América do Sul, levando à declaração de emergências fitossanitárias em vários países, incluindo o Brasil.

Em 2020, uma nuvem com 400 milhões de insetos atravessou diversas províncias argentinas, gerando uma operação de controle aéreo e terrestre, com uso de pesticidas. No ano seguinte, a praga foi encontrada novamente no norte do país, atacando lavouras de soja e algodão. As nuvens de gafanhotos na Argentina geraram muita preocupação de que a praga pudesse se espalhar também no Brasil. Na segunda metade dos anos 1940, sucessivas nuvens causaram problemas na região Sul, e chegaram até São Paulo. Em 2020 e 2021, ataques de gafanhotos foram registrados em lavouras do noroeste do Rio Grande do Sul. A incidência dos insetos foi favorecida pelo clima quente e seco causado pelo fenômeno La Niña.

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