Dez municípios concentram R$ 65,9 bilhões da produção agrícola nacional e respondem por 7,1% do total brasileiro, com centro-oeste dominando, Sapezal assumindo o topo e Sorriso caindo para terceiro
A agricultura brasileira fechou 2025 com um desempenho que reforça sua posição entre as maiores do planeta. Segundo a Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo IBGE em setembro, o valor da produção agrícola nacional alcançou R$ 927,2 bilhões, um avanço de 18,4% sobre o ano anterior. Por trás desse número agregado, no entanto, há uma geografia produtiva cada vez mais concentrada: dez municípios, distribuídos entre Mato Grosso, Goiás e Bahia, responderam por R$ 65,9 bilhões, o equivalente a 7,1% de todo o valor gerado no campo brasileiro.
Sapezal, no Mato Grosso, assumiu pela primeira vez a liderança do ranking, com R$ 8,59 bilhões em produção agrícola, um salto de 46,6% em relação a 2024. O algodão foi o grande motor desse resultado, respondendo por aproximadamente R$ 5,13 bilhões do total, seguido pela soja, que acrescentou R$ 2,8 bilhões, e pelo milho, com cerca de R$ 657 milhões. A ascensão do município encerra um ciclo de seis anos de hegemonia de Sorriso, também mato-grossense, que cedeu a segunda colocação a São Desidério, na Bahia, e aparece agora em terceiro, com R$ 8,16 bilhões, em parte por efeito de reconfigurações territoriais.


Sapezal ao topo do ranking com R$ 5,13 bilhões
A composição do ranking revela a força do centro-oeste como plataforma de produção de commodities. Cinco das dez posições pertencem a Mato Grosso, com Campo Novo do Parecis (R$ 7,87 bilhões), Diamantino (R$ 5,82 bilhões) e Nova Mutum (R$ 5,39 bilhões) acompanhando Sapezal e Sorriso. Goiás contribui com Rio Verde (R$ 5,69 bilhões), Cristalina (R$ 5,45 bilhões) e Jataí (R$ 4,84 bilhões), enquanto a Bahia, representada por São Desidério e Formosa do Rio Preto (R$ 5,89 bilhões), confirma a pujança do Matopiba como nova fronteira de expansão.
O desempenho municipal espelha o protagonismo estadual. Mato Grosso registrou R$ 165,6 bilhões em valor da produção em 2025, com expansão de 37,1%, e o centro-oeste alcançou R$ 288 bilhões, superando pela primeira vez o Sudeste entre as grandes regiões. No plano nacional, a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas somou 345,4 milhões de toneladas, alta de 18,2%, com a soja mantendo o posto de principal cultura do país, com R$ 315,2 bilhões e 165,2 milhões de toneladas, e o milho crescendo 23,1% em volume.

a safra recorde de um município goiano

no cerrado baiano, em pleno Matopiba
Sob a ótica empresarial, o que esses números indicam é a consolidação de um modelo produtivo em que (NEG)escala, tecnologia e logística convergem em territórios específicos. Municípios como Sapezal e Campo Novo do Parecis combinam grandes áreas cultivadas, agricultura de precisão e integração com indústrias de beneficiamento e esmagamento, o que eleva o valor agregado capturado localmente. A concentração, porém, também expõe vulnerabilidades, como a dependência de poucas culturas e a sensibilidade a oscilações climáticas e de preços internacionais, temas que ocupam a agenda de gestores e cooperativas da região.
Para o agronegócio brasileiro, o ranking de 2025 é um retrato da capacidade de expansão da fronteira agrícola combinada à intensificação tecnológica. O desafio dos próximos ciclos será manter o ritmo de crescimento com sustentabilidade ambiental e previsibilidade institucional, garantindo que a prosperidade medida em bilhões de reais se traduza em desenvolvimento duradouro para as comunidades que sustentam essa produção. A leitura atenta desses indicadores, portanto, segue sendo instrumento essencial para produtores, investidores e formuladores de políticas públicas que orientam o futuro do setor.