MST anuncia 6ª Feira Nacional da Reforma Agrária em maio

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra anunciou a realização da 6ª Feira Nacional da Reforma Agrária, programada para ocorrer entre os dias 14 e 17 de maio, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Sob o lema “organizar a produção, a cultura e a alegria”, o evento se posiciona como uma plataforma de visibilidade para a produção oriunda de assentamentos e agroindústrias vinculadas à reforma agrária, ao mesmo tempo em que reforça um modelo produtivo baseado na agricultura familiar, na agroecologia e na organização coletiva.

A iniciativa transcende a dimensão comercial e se insere em uma estratégia mais ampla de comunicação institucional e inserção de mercado. Ao apresentar ao público urbano a diversidade produtiva e cultural do campo, a feira atua como instrumento de aproximação entre produtores e consumidores, fortalecendo cadeias curtas de comercialização e ampliando o reconhecimento social da produção rural. A valorização da “comida de verdade” e de sistemas produtivos sustentáveis emerge como eixo central dessa realidade.

Além disso, o evento reforça o papel da agricultura familiar como componente relevante do agronegócio brasileiro, sobretudo no abastecimento interno. A feira, nesse contexto, contribui para reposicionar o debate sobre eficiência produtiva, sustentabilidade e inclusão socioeconômica, elementos cada vez mais demandados por mercados e políticas públicas.

Alimentos saudáveis atraem público urbano crescente
Alimentos saudáveis atraem público urbano crescente
Feira reúne diversidade da produção agrícola familiar
Feira reúne diversidade da produção agrícola familiar

Escala produtiva e impacto econômico

A edição de 2026 projeta reunir cerca de 2 mil variedades de alimentos, provenientes de diferentes regiões do país, evidenciando a amplitude e diversidade da produção nos assentamentos. Esse volume reflete não apenas a capacidade produtiva, mas também a estrutura organizacional de cooperativas e agroindústrias vinculadas ao movimento, que operam com crescente grau de profissionalização.

Os resultados da edição anterior, realizada em 2025, oferecem uma métrica relevante do impacto econômico do evento. Foram comercializadas 580 toneladas de alimentos de 1.920 tipos distintos, mobilizando 180 cooperativas e alcançando um público estimado em 300 mil visitantes ao longo de quatro dias. Esses números demonstram a capacidade de geração de receita, circulação de renda e dinamização de mercados locais, consolidando a feira como um ativo relevante dentro da economia da agricultura familiar.

Outro aspecto estratégico foi a destinação de excedentes produtivos. Em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, os alimentos não comercializados foram adquiridos e direcionados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, reforçando a integração entre produção agrícola e políticas públicas de segurança alimentar. Esse modelo reduz perdas, garante escoamento da produção e amplia o impacto social da atividade agrícola.

Evento integra cultura e produção agrícola
Evento integra cultura e produção agrícola

Integração sociocultural e agenda de sustentabilidade

Além da dimensão produtiva, a Feira Nacional da Reforma Agrária se consolida como espaço de articulação sociocultural e formação. A programação inclui atividades como oficinas, seminários e debates, que abordam temas relacionados à produção, organização social e sustentabilidade. Na edição anterior, foram realizadas cerca de 30 atividades formativas, além de apresentações culturais que reuniram mais de 350 artistas populares.

A presença de manifestações culturais, música e teatro reforça a proposta de integração entre produção agrícola e identidade cultural. A valorização da cultura camponesa atua como elemento de coesão social e fortalecimento da identidade produtiva, contribuindo para a construção de cenários que agregam valor simbólico aos produtos comercializados.

A agenda ambiental também ganha destaque, com iniciativas como a doação de mudas de árvores, vinculada à campanha de plantio de 100 milhões de árvores em dez anos. Esse movimento evidencia a incorporação de práticas sustentáveis à estratégia do setor, alinhando-se a tendências globais de produção responsável. A convergência entre sustentabilidade ambiental, produção agrícola e engajamento social posiciona o evento como um vetor relevante na transição para modelos mais resilientes de desenvolvimento rural.

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