Ananindeua receberá unidades do Sisteminha da Embrapa

Comunidades de Ananindeua, no Pará, receberão 14 novas unidades do Sisteminha Embrapa, tecnologia social voltada à produção integrada de alimentos em pequenas áreas. A adesão foi oficializada durante evento realizado no Centro Comunitário do Curuçambá e integra parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

A iniciativa faz parte de um programa nacional que prevê a implantação de 300 unidades do Sisteminha em 20 municípios brasileiros, distribuídos pelas cinco regiões do país. O projeto está alinhado ao Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana e busca ampliar a segurança alimentar, fortalecer a autonomia das famílias e estimular geração de trabalho e renda em comunidades urbanas e periurbanas.

A primeira unidade implantada em Ananindeua começou a operar em novembro do ano passado no Centro Comunitário do Curuçambá. Segundo a coordenação local, a estrutura já produz peixes, ovos e hortaliças, destinados à cozinha solidária da organização, responsável pela distribuição diária de 130 refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Embrapa acompanha implantação das unidades e o sistema reaproveita água e resíduos orgânicos na produção
Embrapa acompanha implantação das unidades. O
sistema reaproveita água e resíduos orgânicos na produção

Produção integrada reduz custos e amplia sustentabilidade

De acordo com a Embrapa Maranhão, o Sisteminha pode ser implantado em áreas a partir de 50 m2, utilizando um modelo produtivo integrado e de baixo custo. O pacote tecnológico básico reúne tanque de peixes, galinheiro, composteira e cultivo de vegetais, incluindo hortaliças, raízes e frutas, permitindo produção contínua em espaços reduzidos.

O sistema opera com reaproveitamento de resíduos e integração entre os módulos produtivos. A água utilizada na piscicultura é destinada à irrigação das plantações, enquanto os resíduos orgânicos das aves são convertidos em adubo natural. O modelo reduz dependência de insumos externos ao dispensar o uso de adubos químicos e herbicidas, fortalecendo práticas sustentáveis de produção de alimentos.

O tanque circular utilizado na piscicultura possui 4,4 metros de diâmetro, profundidade de 70 cm e capacidade para 10 mil litros de água. O sistema incorpora soluções acessíveis, como filtro biológico, bomba de recirculação, aeração e sedimentador para separação de resíduos sólidos. Os nutrientes gerados pela criação de peixes, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio, são aproveitados no cultivo agrícola.

O Sisteminha fortalece geração de renda em comunidades vulneráveis integrando piscicultura, horticultura e produção de ovos, podenso ser ampliado para 15 os módulos que podem ser utilizados pelas famílias segundo seu interesse
O Sisteminha fortalece geração de renda em comunidades
vulneráveis integrando piscicultura, horticultura e produção
de ovos, podenso ser ampliado para 15 os módulos que
podem ser utilizados pelas famílias segundo seu interesse

Expansão fortalece agricultura urbana e inclusão produtiva

Com a implantação das 14 novas unidades, o projeto em Ananindeua avança da fase demonstrativa para uma etapa mais ampla de atendimento comunitário. A prefeitura participou da seleção das famílias e da identificação das áreas aptas para implantação. A Embrapa Amazônia Oriental ficará responsável pelo acompanhamento técnico local das estruturas produtivas.

As famílias beneficiadas receberão assistência técnica durante 18 meses, executada pelo Instituto Formação, contratado pelo projeto. O acompanhamento deve avaliar a adaptação da tecnologia às condições urbanas e periurbanas do município, além dos impactos na produção de alimentos, geração de renda e fortalecimento comunitário.

Dimensionado para atender as necessidades nutricionais de uma família de quatro pessoas mas pode ser ampliado para 15 os módulos (ver infográfico acima) que podem ser utilizados pelas famílias segundo seu interesse. O Sisteminha já vem sendo utilizado em assentamentos rurais, comunidades indígenas, quilombolas e áreas urbanas em diferentes regiões do Brasil. A tecnologia reforça o papel da agricultura urbana sustentável como ferramenta estratégica de inclusão produtiva, segurança alimentar e desenvolvimento social.

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