Após anos de planejamento, empresário catarinense enfrenta frio extremo no Chile e captura raro King Chinook, destacando técnica, resistência e crescimento da pesca esportiva
Uma expedição marcada por frio intenso, longas trilhas e planejamento estratégico resultou em uma captura histórica para a pesca esportiva brasileira. O empresário e pescador Alexandre Dick, de Brusque, SC, fisgou um raro exemplar de salmão rei ou king chinook (Oncorhynchus tshawytscha), espécie considerada a maior entre os salmões do mundo. A captura ocorreu no Rio Frio, na Patagônia chilena, região reconhecida internacionalmente pela presença de grandes peixes migratórios e pelas condições naturais preservadas.
A jornada exigiu anos de preparação e estudo sobre o comportamento da espécie. Segundo Alexandre, a janela ideal para localizar os grandes exemplares nas cabeceiras dos rios é extremamente curta, exigindo monitoramento climático e conhecimento técnico da região. Quando identificou as condições favoráveis, o pescador embarcou rapidamente rumo ao Chile. A operação incluiu acampamentos em temperaturas negativas, deslocamentos em áreas remotas e permanência em meio à mata patagônica, reforçando o caráter extremo da experiência.
O exemplar capturado impressionou pelas dimensões e pela raridade. O peixe mediu exatamente 105 centímetros e teve peso estimado em aproximadamente 20 quilos. A captura exigiu resistência física, domínio técnico e persistência, principalmente pelas condições das águas geladas e transparentes do Rio Frio. O desempenho colocou o brasileiro em evidência dentro do cenário da pesca esportiva internacional, segmento que vem ganhando força entre operadores turísticos especializados e praticantes de alto nível.

Andes chilenos, e flui, finalmente, para o sul
até desaguar na margem norte do rio Palena

para pesca esportiva de salmões
Técnica e persistência marcaram a captura do gigante
Alexandre Dick possui trajetória consolidada no segmento da pesca esportiva. Apaixonado pela atividade desde a infância, iniciou sua relação com a pesca ainda aos três anos, acompanhando o pai em pescarias. Atualmente, além de atuar como pescador esportivo, também investe no setor por meio da River King Turismo Outdoor e participa da BGFA Recordes, entidade responsável pela homologação de recordes brasileiros ligados à pesca esportiva.
O comportamento do king chinook torna a captura ainda mais desafiadora. Durante o retorno aos rios para reprodução, o peixe praticamente deixa de se alimentar, reagindo às iscas por instinto territorial e irritabilidade. Alexandre relatou que permaneceu dois dias tentando capturar o exemplar até o momento decisivo. Mesmo após o companheiro de pescaria pensar em retornar ao acampamento, decidiu insistir por mais alguns minutos ao observar o peixe em águas cristalinas.
A estratégia deu resultado. Pouco depois, a isca passou próxima ao salmão, que atacou com força. O peixe iniciou uma longa corrida rio abaixo, obrigando o pescador a atravessar o curso d’água para acompanhá-lo. Após a captura, o exemplar foi fotografado, filmado e devolvido ao rio. A prática do pesque e solte vem sendo amplamente valorizada na pesca esportiva moderna, especialmente em regiões de preservação ambiental e manejo sustentável de espécies esportivas.

20 quilos e 105 centímetros de comprimento, o que exigiu
muita técnica, resistência física e planejamento estratégico
Espécie movimenta turismo e economia na Patagônia
De acordo com a National Wildlife Federation (NWF), o salmão rei apresenta média de 90 centímetros e cerca de 13 quilos, números inferiores ao exemplar capturado pelo brasileiro. Ainda assim, a espécie pode ultrapassar 150 centímetros e atingir mais de 50 quilos em condições ideais. Atualmente, um dos principais registros internacionais homologados pela International Game Fish Association – IGFA foi obtido no Rio Yelcho com 116 centímetros, no Chile, importante destino mundial da pesca esportiva de salmões. O recorde atual no Brasil pertence a Iago Gryczynski, que, em 30 de março de 2025, no Chile, capturou um salmão rei também com 105 centímetros.
Nativo da costa do Pacífico entre Alasca e Califórnia, o salmão rei foi introduzido na Patagônia chilena na década de 1920. O objetivo era aproveitar as condições favoráveis dos rios e das águas frias da região para adaptação da espécie. O projeto teve sucesso e contribuiu para transformar o Chile em referência mundial tanto na pesca esportiva quanto na produção comercial de salmão, atividade que movimenta significativamente a economia local e abastece mercados internacionais, incluindo o Brasil.
O exemplar capturado por Alexandre Dick poderá entrar para a categoria de recordes da BGFA voltada a peixes capturados por brasileiros em águas internacionais. A marca iguala o atual recorde brasileiro da espécie, registrado em 2025. Para o pescador catarinense, no entanto, o maior valor da experiência está na realização pessoal e no contato com a natureza. A captura reforça o crescimento da pesca esportiva sustentável, segmento que combina turismo, conservação ambiental e valorização dos recursos naturais.