Manchetes da semana – 20 a 26-06-2026

Preço do búfalo encosta no valor do boi no RS

A valorização da bubalinocultura ganhou força no Rio Grande do Sul, com o preço médio do búfalo ultrapassando R$ 10 por quilo vivo pela primeira vez, alcançando R$ 10,37 e reduzindo a diferença em relação ao boi gordo. O avanço de 8,36% no período reflete o aquecimento da demanda, impulsionado por leilões com negociações próximas às registradas para bovinos e pelo crescente interesse de produtores em sistemas pecuários mais eficientes. A boa conversão alimentar, a adaptação a diferentes condições de produção, a resistência a ectoparasitas e o desempenho em pastagens de menor qualidade reforçam a competitividade da espécie. O cenário evidencia a expansão da bubalinocultura como alternativa economicamente viável, acompanhando mudanças no consumo de proteína vermelha e ampliando as oportunidades para diversificação da pecuária gaúcha.

Criação ilegal de javalis acende alerta em Pernambuco

A descoberta de uma criação ilegal de javalis em Pernambuco reforça o alerta sobre os impactos da espécie exótica invasora para o agronegócio brasileiro. Além dos danos ambientais, a expansão desses animais representa um risco à sanidade dos rebanhos, podendo favorecer a disseminação de enfermidades que afetam bovinos e suínos e elevar os custos de biosseguridade e vigilância. A elevada capacidade reprodutiva, aliada à adaptação ao ambiente rural, intensifica prejuízos às lavouras, degrada recursos naturais e dificulta o controle populacional. Como a criação de javalis é proibida pela legislação ambiental, especialistas defendem o fortalecimento da fiscalização e a integração entre órgãos ambientais, defesa agropecuária, forças de segurança e produtores rurais para conter o avanço da espécie, proteger a produção pecuária e preservar a competitividade do agronegócio brasileiro.

INDHU FIV HRO estabelece novo recorde na raça nelore, mostrando que melhoramento genético amplia valor dos rebanhos nacionais
INDHU FIV HRO estabelece novo recorde na raça
nelore, mostrando que melhoramento genético
amplia valor dos rebanhos nacionais

Touro Nelore se torna o reprodutor mais valorizado do mundo

O mercado brasileiro de genética bovina alcançou um novo marco com a avaliação de R$ 9,96 milhões do reprodutor INDHU FIV HRO, tornando-o o touro Nelore mais valorizado da história. O resultado, registrado durante o HRO Experience, evidencia a crescente importância da genética de elite como ativo estratégico para a pecuária de corte, impulsionando produtividade, eficiência e valorização patrimonial dos rebanhos. Na operação, 75% das cotas de INDHU FIV HRO foram adquiridas por Cabaña Santiago, Casa Branca Agropastoril e Agropecuária Paranã, enquanto a tradicional seleção Nelore HRO permaneceu na sociedade, mantendo participação no animal. Filho Viatina 19 e Astutto FIV Brun, linhagens de alto desempenho, o animal reúne atributos genéticos, fenotípicos e reprodutivos que ampliam seu potencial de geração de receitas por meio da comercialização de sêmen, embriões e programas de melhoramento genético. O recorde reforça o avanço da genética bovina brasileira como segmento de elevado valor agregado e confirma o protagonismo do Brasil no desenvolvimento de tecnologias voltadas ao fortalecimento da pecuária moderna.

Brasil buscará solução para embargo da UE à carne

O senador e ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro afirmou que o governo brasileiro trabalha para solucionar, antes de setembro, o impasse envolvendo as exigências da União Europeia para as exportações de carne brasileira. Segundo ele, caso a retirada do uso de antibióticos seja uma condição para manter o acesso ao mercado europeu, o setor produtivo terá condições de atender à demanda. Fávaro informou que apresentou essa orientação ao presidente Lula e destacou que o Ministério da Agricultura atuará nas negociações para preservar a competitividade da carne bovina brasileira. A expectativa é de que um entendimento seja alcançado antes da entrada em vigor das novas regras, reforçando o compromisso do Brasil com a sanidade animal, a adequação às exigências internacionais e a manutenção de mercados estratégicos para o agronegócio.

Brasil revela protagonismo com 78% das agtechs da América Latina

O Brasil consolidou sua liderança no ecossistema de inovação para o agronegócio ao concentrar 2.075 das 2.656 agtechs mapeadas na América Latina e no Caribe, o equivalente a 78% das startups do setor, segundo a primeira edição do Radar Agtech América Latina e Caribe (LAC), coordenado pela Embrapa. O levantamento evidencia o avanço da transformação digital no campo e aponta um ambiente regional em processo de amadurecimento, com destaque também para Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai. As soluções digitais lideram o mercado, reunindo softwares de gestão, sensores, drones, inteligência artificial e plataformas voltadas ao aumento da eficiência produtiva, do monitoramento de lavouras e rebanhos e da gestão das propriedades rurais. O estudo mostra ainda que a maior parte das tecnologias é direcionada às atividades dentro da porteira, reforçando a competitividade da agropecuária. Os resultados servirão como referência para ampliar investimentos, fortalecer conexões entre países e acelerar a adoção de tecnologias no agronegócio latino-americano. Acesse o relatório Radar Agtech Mapeamento de Startups do Ecossistema Agropecuário da América Latina e do Caribe Lac 2026 CLICANDO AQUI.

A plataforma amplia a gestão preventiva diante das mudanças climáticas e Super El Niño, com dados geocientíficos fortalecem o planejamento de municípios brasileiros
A plataforma amplia a gestão preventiva diante das
mudanças climáticas e Super El Niño, com dados geocientíficos
fortalecem o planejamento de municípios brasileiros

IBGE lança plataforma para prevenção de desastres e monitoramento do El Niño

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançará, em 1º de julho, o Singed Lab Desastres, plataforma desenvolvida para fortalecer a preparação de gestores públicos e privados diante dos impactos das mudanças climáticas e ampliar a capacidade nacional de prevenção e mitigação de desastres. Integrada à estratégia de atenção ao El Niño, a iniciativa reúne geociências, estatísticas e análise de dados para subsidiar o planejamento territorial e a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. No mesmo dia, o IBGE divulgará os primeiros resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, ampliando o conhecimento sobre eventos climáticos extremos. Criado a partir da experiência adquirida nas enchentes gaúchas, quando mais de 1.500 gestores de mais de 200 municípios receberam suporte técnico, o sistema utilizará software livre e oferecerá cursos de capacitação, encontros técnicos, análises de indicadores e acompanhamento de políticas municipais. A iniciativa também integrará a Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), com programas voltados ao uso estratégico de dados na gestão pública. Estruturado em sete etapas, o Singed Lab Desastres busca fortalecer a governança territorial, qualificar a tomada de decisões e apoiar ações preventivas que aumentem a resiliência das cadeias produtivas, da infraestrutura e do agronegócio brasileiro frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Mapa amplia oferta de vacinas contra clostridioses

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que, entre 15 e 19 de junho de 2026, foram disponibilizadas 8.453.990 doses de vacinas contra clostridioses no mercado brasileiro, das quais 67,75% são importadas e 32,25% produzidas pela indústria nacional. A ampliação da oferta integra as ações do governo para fortalecer a sanidade animal e garantir o abastecimento de imunizantes essenciais à pecuária. Segundo o Mapa, as medidas incluem incentivo à produção nacional, viabilização de importações e agilidade nos processos de fiscalização e liberação das vacinas. Utilizados na prevenção de enfermidades causadas por bactérias do gênero Clostridium, esses imunizantes desempenham papel estratégico na proteção dos rebanhos, na redução de perdas produtivas e na manutenção da competitividade da pecuária brasileira, contribuindo para a sustentabilidade sanitária e econômica do setor.

Miúdos bovinos ganham força nas exportações com avanço do mercado indonésio

A Indonésia consolidou-se como o segundo maior destino dos miúdos bovinos brasileiros, menos de um ano após a abertura do mercado, reforçando a expansão internacional da cadeia da carne bovina. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou mais de 12 mil toneladas, com receita de US$ 19,5 milhões, enquanto os embarques globais do produto superaram 106 mil toneladas para 117 países, gerando US$ 256 milhões. O avanço foi impulsionado pela ampliação do número de frigoríficos habilitados a exportar para o mercado indonésio e pelo fortalecimento das relações comerciais entre os dois países. Com ampla aceitação no mercado asiático, os miúdos bovinos representam uma importante alternativa para agregar valor à produção, ampliar o aproveitamento econômico dos animais, reduzir desperdícios e fortalecer a competitividade da pecuária brasileira no comércio internacional.

Monitoramento identifica contaminação ao longo de todo o rio Tietê que exige ações integradas de recuperação ambiental
Monitoramento identifica contaminação ao longo de todo o
rio Tietê que exige ações integradas de recuperação ambiental

Estudo revela que rio Tietê não tem trecho livre de contaminação

A Expedição Tietê 2025, realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com universidades e centros de pesquisa, revelou que nenhum trecho do rio Tietê está totalmente livre de contaminação, evidenciando a complexidade dos desafios para a gestão dos recursos hídricos no Brasil. As análises, realizadas em 14 pontos ao longo de mais de 1.100 quilômetros, identificaram contaminação microbiológica, química, farmacológica, plástica, agrícola e orgânica, com microplásticos presentes em todas as amostras, além de resíduos de defensivos agrícolas, fármacos, drogas ilícitas e metais acima dos limites legais em alguns trechos. Nas regiões do Médio e Baixo Tietê, predominam impactos associados às atividades agropecuárias, especialmente em áreas de cultivo de cana-de-açúcar, soja e citros, reforçando a necessidade de ampliar o monitoramento ambiental e incentivar práticas de produção mais sustentáveis. O estudo destaca que a recuperação da bacia depende de uma estratégia integrada, envolvendo saneamento básico, fiscalização ambiental, planejamento territorial, conservação florestal, gestão eficiente dos recursos hídricos e aperfeiçoamento das práticas agrícolas, medidas essenciais para preservar a qualidade da água, fortalecer a sustentabilidade da produção agropecuária e aumentar a resiliência dos ecossistemas.

Seca atinge 50% do território brasileiro

O Monitor de Secas registrou avanço da estiagem no Brasil entre abril e maio de 2026, com a área afetada passando de 41% para 50% do território nacional, o equivalente a 4,21 milhões de quilômetros quadrados. Embora a intensidade do fenômeno tenha diminuído em parte do Nordeste, Sul e Sudeste, houve agravamento das condições em estados do Centro-Oeste e do Norte, evidenciando a dinâmica climática regional. O levantamento aponta que a seca se intensificou em Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia e Tocantins, enquanto Acre e Mato Grosso voltaram a registrar ocorrência do fenômeno. O Sudeste concentrou os registros mais severos, com áreas classificadas como seca grave, e o Sul permaneceu como a região proporcionalmente mais afetada, atingindo 84% de seu território. O Distrito Federal e o Rio Grande do Sul apresentaram seca em toda a sua extensão territorial durante o período. Para o agronegócio brasileiro, o cenário reforça a importância do monitoramento climático, do planejamento da produção, da gestão eficiente dos recursos hídricos e da adoção de estratégias de adaptação capazes de reduzir riscos à agricultura, à pecuária e ao abastecimento de água, fortalecendo a resiliência das cadeias produtivas diante da crescente variabilidade climática.

Santa Catarina propõe incentivo inédito para ampliar o controle de javalis

A aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, do Projeto de Lei 287/2026 recolocou o controle do javali-europeu (Sus scrofa) entre os principais temas da agenda agropecuária nacional. A proposta prevê o ressarcimento de R$ 100 por animal abatido para pessoas físicas e jurídicas autorizadas pelos órgãos ambientais, com o objetivo de ampliar o manejo da espécie invasora e compensar parte dos custos operacionais, como combustível, equipamentos, logística e deslocamentos. O projeto também estabelece critérios para cadastramento, fiscalização, definição de áreas prioritárias e parcerias com municípios, fortalecendo a gestão das ações de controle. A iniciativa responde ao avanço da população de javalis, responsável por prejuízos à produção agropecuária, danos à biodiversidade, degradação de áreas ambientais e riscos sanitários e à segurança no meio rural. Caso avance nas próximas etapas legislativas e demonstre resultados efetivos, a proposta poderá servir de referência para outros estados onde a expansão da espécie também preocupa produtores. O debate reforça a necessidade de políticas públicas integradas, alinhando proteção ambiental, defesa agropecuária e segurança no campo para reduzir os impactos econômicos e ecológicos provocados por uma das espécies invasoras mais desafiadoras para o agronegócio brasileiro.

Consumo doméstico fortalece a expansão do mercado brasileiro de hambúrgueres, mudando hábitos alimentares e  acelerando o crescimento da indústria
Consumo doméstico fortalece a expansão do mercado
brasileiro de hambúrgueres, mudando hábitos alimentares
e acelerando o crescimento da indústria

Hambúrguer invade os lares brasileiros movimentando a cadeia da carne

O mercado brasileiro de hambúrgueres mantém trajetória de crescimento e reflete mudanças consistentes nos hábitos de consumo das famílias. Presente em mais de 70% dos lares brasileiros, o produto consolidou-se como uma das principais proteínas industrializadas do varejo, impulsionado pela busca por praticidade, preparo rápido, bom custo-benefício e maior conveniência nas refeições domésticas. O setor registra expansão média de 5% ao ano em volume e 7% em valor, acompanhando a popularização de equipamentos como a Air Fryer, o fortalecimento do consumo dentro de casa e a valorização de momentos de convivência, como churrascos e encontros familiares. Paralelamente, a indústria amplia investimentos em produtos premium, incluindo hambúrgueres elaborados com carne Angus e cortes como picanha, costela e fraldinha, além de soluções voltadas a diferentes formas de preparo e perfis de consumidores. Esse movimento evidencia a evolução da cadeia de proteínas processadas, na qual inovação, agregação de valor e diversificação do portfólio se tornam fatores estratégicos para ampliar competitividade. O avanço da categoria também beneficia a cadeia pecuária, ao estimular o aproveitamento de matérias-primas de qualidade, fortalecer a indústria de alimentos e acompanhar uma tendência global de migração do consumo de refeições tradicionalmente realizadas fora de casa para o ambiente doméstico, consolidando o hambúrguer como um segmento relevante para o agronegócio brasileiro e para o mercado de alimentos.

Estudo indica que agro confia mais nos Estados Unidos do que em seu maior cliente, a China

Um estudo da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV RI) revela que as decisões comerciais do agronegócio brasileiro nem sempre refletem a percepção dos produtores sobre seus principais parceiros internacionais. Intitulada “Como a Fronteira Agrícola Vê as Relações Internacionais”, a pesquisa mostra que, embora a China absorva grande parte das exportações de soja e carne bovina das principais fronteiras agrícolas do país, os entrevistados demonstram maior confiança nos Estados Unidos como parceiro estratégico. O mercado chinês arrematou 80% de toda a soja e 86% da carne bovina exportadas no polo produtivo do norte e centro-oeste brasileiro. No entanto, apenas 12,6% dos entrevistados veem a China como “muito confiável”. Na contramão, 21,8% conferem esse grau máximo de confiança aos norte-americanos. O levantamento também aponta uma visão ambivalente sobre a União Europeia: enquanto a maioria reconhece que os padrões ambientais do bloco fortalecem a imagem internacional do Brasil, parcela expressiva avalia que essas exigências elevam custos, reduzem a competitividade e podem funcionar como barreiras comerciais. Realizada com mil entrevistados em 70 municípios, a pesquisa identifica predominância de posições favoráveis ao livre mercado e menor intervenção estatal, características que influenciam a percepção sobre diferentes modelos econômicos. Os resultados reforçam que estratégias de exportação, geopolítica e competitividade são analisadas pelos produtores sob perspectivas econômicas e institucionais distintas, oferecendo subsídios para compreender como o setor produtivo avalia os desafios do comércio internacional e das relações diplomáticas em um cenário de crescente importância econômica e política do campo brasileiro.

Mapa usa armadilha para monitorar praga em palmeiras

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) intensificou o monitoramento fitossanitário com a instalação de uma armadilha na Universidade de Taubaté (Unitau) para verificar a possível presença do Rhynchophorus ferrugineus, conhecido como bicudo-vermelho-das-palmeiras, praga quarentenária ainda ausente oficialmente no Brasil. O equipamento utiliza atrativos sexual e alimentar e permanecerá em operação por três meses, com inspeções semanais realizadas por equipes do Departamento de Sanidade Vegetal. A ação integra um plano preventivo diante de suspeitas de introdução da espécie, que representa risco para coqueiros, dendezeiros e tamareiras, culturas de elevada importância econômica. As larvas do inseto atacam o interior do estipe e comprometem o meristema apical, podendo provocar a morte das plantas. O Mapa informou que novas armadilhas poderão ser instaladas em outras regiões, enquanto avança na elaboração de um plano de contingência para ampliar a vigilância, fortalecer a defesa fitossanitária e garantir resposta rápida caso a praga seja oficialmente detectada, preservando a competitividade e a segurança da produção agrícola brasileira.

O produtor Eduardo Pletz, de Guarapuava, PR, alcançou a maior produtividade do Concurso Getap Verão 2026 ao colher 369,92 sacas de milho por hectare em área de sequeiro
O produtor Eduardo Pletz, de Guarapuava, PR, alcançou a
maior produtividade do Concurso Getap Verão 2026 ao colher
369,92 sacas de milho por hectare em área de sequeiro

Novo recorde de produtividade do milho supera 369 sacas por hectare

Os resultados do Concurso Getap Verão 2026 reforçam o avanço da tecnologia, da gestão agrícola e do melhoramento genético na produção de milho no Brasil. A competição registrou produtividades elevadas em diferentes regiões, evidenciando a capacidade dos produtores de superar desafios climáticos, fitossanitários e operacionais por meio da adoção de práticas agronômicas eficientes. O maior rendimento foi obtido por Eduardo Pletz, de Guarapuava (PR), que alcançou 369,92 sacas por hectare na categoria sequeiro da Região Sul. O desempenho confirma o elevado potencial produtivo da cultura e demonstra que investimentos em manejo, inovação e planejamento seguem impulsionando a competitividade da milhocultura brasileira. Além de reconhecer os melhores resultados da safra, o concurso fortalece a difusão de conhecimento técnico e incentiva a adoção de tecnologias capazes de elevar a produtividade, a rentabilidade e a sustentabilidade do sistema produtivo.

Reino Unido anuncia bloqueio a produtos agrícolas ligados a desmatamento

O anúncio do governo britânico de que pretende implementar, a partir de 2027, regras para restringir a importação de produtos agropecuários associados a áreas desmatadas amplia os desafios do agronegócio brasileiro no comércio internacional. A proposta segue princípios semelhantes aos adotados pelo Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e prevê requisitos de rastreabilidade e comprovação da origem dos produtos. Para exportadores brasileiros, a iniciativa representa um novo cenário regulatório, especialmente diante da necessidade de compatibilizar as exigências dos mercados compradores com a legislação ambiental nacional. O setor avalia que a ampliação de critérios documentais e de verificação poderá elevar custos operacionais, influenciar estratégias de comercialização e exigir investimentos adicionais em sistemas de rastreabilidade e conformidade. Ao mesmo tempo, o governo do Reino Unido abriu uma consulta pública com empresas, entidades e parceiros comerciais antes da definição das regras finais, criando uma oportunidade para que o Brasil apresente informações técnicas, defenda o reconhecimento dos instrumentos previstos em sua legislação ambiental e contribua para o diálogo sobre mecanismos de equivalência regulatória. O resultado dessas negociações poderá influenciar o acesso a mercados de elevado valor agregado e reforça a importância de uma atuação coordenada entre setor produtivo, autoridades brasileiras e parceiros internacionais para preservar a competitividade das exportações agropecuárias e ampliar a segurança jurídica nas relações comerciais.

Nova plataforma fortalece a gestão climática na pecuária gaúcha

A pecuária do Rio Grande do Sul passa a contar com uma plataforma de alertas climáticos desenvolvida pela VortixGeo em parceria com o NESPro/UFRGS para apoiar a gestão de riscos climáticos nas propriedades rurais. Apresentada durante a XXI Jornada NESpro e II Congresso de Criadores, a ferramenta utiliza dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e mais de 200 variáveis climáticas para gerar alertas personalizados sobre bem-estar animal, sanidade, nutrição, reprodução, manejo e gestão de riscos. O sistema identifica condições favoráveis à ocorrência de doenças, proliferação de carrapatos e períodos mais adequados para o manejo do rebanho, auxiliando a tomada de decisões diante de eventos climáticos extremos. A iniciativa fortalece a adaptação da pecuária gaúcha aos desafios impostos por enchentes, estiagens, ondas de calor e frio intenso, ampliando a resiliência da atividade e contribuindo para maior eficiência produtiva e sustentabilidade.

Mercado reage à maior estabilidade internacional do petróleo e recuo nos preços beneficia produtores e transportadores
Mercado reage à maior estabilidade internacional do petróleo
e recuo nos preços beneficia produtores e transportadores

Queda do diesel e da gasolina reduz custos e beneficia o agronegócio

Os preços dos combustíveis registraram queda no Brasil entre 14 e 20 de junho, refletindo a redução das tensões no mercado internacional de petróleo após o anúncio do memorando de paz entre Estados Unidos e Irã, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). No período, o diesel comum recuou para R$ 6,98, o diesel S-10 caiu para R$ 7,22 e a gasolina encerrou a semana em R$ 6,81. Em relação ao período de maior instabilidade geopolítica, o diesel comum acumulou baixa de 8,49%, o diesel S-10 de 6,38% e a gasolina de 1,57%. A perspectiva de retomada das exportações de petróleo iraniano e da normalização do fluxo marítimo internacional contribuiu para maior estabilidade nas cotações, favorecendo a redução dos preços. Para o agronegócio, a queda dos combustíveis pode aliviar parte dos custos com transporte, logística e operações mecanizadas, ampliando a competitividade da cadeia produtiva.

Produtores contestam mudanças nas faixas de domínio das rodovias federais

A publicação do Ofício Circular nº 2521/2026, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), trouxe novos desafios para produtores rurais que utilizam áreas nas faixas de domínio de rodovias federais. A diretriz determina o cercamento dessas áreas pelas concessionárias, com prazo inicial até 11 de julho, medida que gerou manifestações de entidades como o Sistema FAEP, que questionam a viabilidade operacional e os impactos econômicos da decisão. O setor argumenta que a exigência poderá reduzir áreas produtivas, elevar custos com adequações e alterar o planejamento das propriedades, além de gerar insegurança jurídica em contratos firmados anteriormente, como o Contrato de Permissão Especial de Uso (CPEU) e o Projeto de Interesse de Terceiro (PIT). Representantes do agronegócio também destacam dificuldades para cumprir o cronograma devido à limitada disponibilidade de materiais e mão de obra. Enquanto aguardam uma possível revisão ou período de transição, produtores e concessionárias acompanham as negociações com a ANTT e o Ministério dos Transportes, buscando soluções que conciliem segurança viária, segurança jurídica e a continuidade das atividades agropecuárias.

Novo corredor pelo Pacífico pode transformar a logística do agro brasileiro

O governo federal oficializou o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa voltada à criação de um novo corredor de exportação para conectar o centro-oeste brasileiro aos portos do Chile e do Peru, ampliando o acesso aos mercados asiáticos. A estratégia busca fortalecer a logística do agronegócio, reduzir a dependência das rotas concentradas no Porto de Santos e aumentar a competitividade das exportações de commodities como soja, carne e milho. O corredor terá papel relevante para Mato Grosso, principal produtor nacional de soja, ao oferecer uma alternativa logística com potencial para reduzir custos operacionais e encurtar em até 15 dias o tempo de transporte para determinados destinos na Ásia, segundo estimativas preliminares. Além de impulsionar as exportações, o programa pretende estimular a integração econômica entre Brasil e Bolívia, ampliar o fluxo bilateral de comércio, facilitar a importação de insumos e fertilizantes e incentivar investimentos em infraestrutura. A iniciativa integra uma estratégia de fortalecimento da conectividade sul-americana, buscando maior eficiência no transporte de cargas, diversificação das rotas comerciais e redução de gargalos logísticos. Para o agronegócio brasileiro, a nova ligação com o Oceano Pacífico representa uma oportunidade de ampliar a competitividade internacional, elevar a segurança logística e fortalecer a presença do país em mercados estratégicos, especialmente na Ásia, onde a demanda por alimentos e matérias-primas continua em expansão.

Casa Paraty valoriza a cultura caiçara, memória, tradição, arte e identidade local
Casa Paraty valoriza a cultura caiçara, memória,
tradição, arte e identidade local

Em Paraty, Casa Oficial da Cultura Caiçara valoriza a cultura caiçara durante a Flip

Durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a cidade inaugura a Casa Paraty, espaço permanente dedicado à valorização da cultura caiçara, reunindo literatura, música, artes visuais, oralidade, patrimônio, memória e formação cultural. A iniciativa amplia a visibilidade das manifestações produzidas no próprio território, destacando artistas, escritores, mestres da cultura popular e comunidades tradicionais que preservam e renovam os saberes locais. Estruturada como casa-galeria e museu vivo, a programação gratuita inclui debates, oficinas, lançamentos literários, apresentações artísticas, rodas de conversa e atividades educativas voltadas à população e aos visitantes. A proposta fortalece a identidade cultural de Paraty ao integrar tradição e contemporaneidade, evidenciando a cultura caiçara como expressão dinâmica construída na relação entre mar, serra e comunidade. Além de ampliar a experiência proporcionada pela Flip, a Casa Paraty contribui para consolidar o município como referência em turismo cultural, economia criativa e preservação do patrimônio imaterial. A iniciativa também reforça o protagonismo das comunidades locais na produção cultural, criando novas oportunidades para difusão de conhecimentos, formação de público e fortalecimento das cadeias criativas. Com essa proposta, Paraty amplia sua projeção nacional e internacional não apenas como sede de um dos principais eventos literários do país, mas também como território que produz, preserva e compartilha um patrimônio cultural vivo, fortalecendo sua identidade e ampliando o reconhecimento da cultura caiçara como elemento estratégico para o desenvolvimento sustentável da região.

Agricultura familiar ganha reforço com títulos, investimentos e apoio à produção

O governo federal anunciou um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, da reforma agrária e do desenvolvimento rural durante cerimônia realizada no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã (MS), um dos maiores projetos de assentamento do país. Entre as medidas, destacam-se a entrega de 1.390 títulos de domínio, ampliando a segurança jurídica de famílias assentadas, e investimentos de R$ 20 milhões para modernizar a infraestrutura produtiva local, com foco em armazenamento de grãos, recuperação de estruturas, melhorias hídricas, agroindustrialização e sustentabilidade. O pacote também contempla contratos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), beneficiando agricultores familiares por meio da compra de alimentos e sementes produzidos na região, fortalecendo cooperativas e ampliando oportunidades de comercialização. A agenda incluiu ainda novas ações de regularização fundiária, crédito instalação, habitação rural e apoio específico às mulheres assentadas, além da assinatura de acordo para incorporação de áreas destinadas à criação de novos assentamentos na Paraíba e no Maranhão. Na área de educação, foi lançada a primeira turma de Engenharia Agronômica pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), em parceria com a UEMS, ampliando a qualificação técnica de jovens e trabalhadores rurais. As iniciativas reforçam a integração entre produção agropecuária, infraestrutura, assistência técnica, educação e inclusão produtiva, contribuindo para elevar a competitividade, a sustentabilidade e a geração de renda no meio rural.

Rio Doce recebe recursos para fortalecer a agricultura familiar e recuperar a produção

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) anunciaram um pacote de R$ 1,3 bilhão destinado à recuperação econômica de comunidades rurais em 49 municípios da Bacia do Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo, como parte das ações de reparação pelo rompimento da Barragem de Fundão. Os investimentos contemplam regularização fundiária e ambiental, recuperação da capacidade produtiva dos solos, fortalecimento da agricultura familiar, ampliação da assistência técnica, apoio à agroindustrialização, incentivo a sistemas agroecológicos e expansão do acesso ao crédito rural. O programa também prevê recursos para cooperativas, florestas produtivas, assentamentos da reforma agrária, quintais produtivos voltados às mulheres rurais e iniciativas específicas para comunidades quilombolas. Paralelamente, o Programa de Transferência de Renda Rural (PTR-Rural) seguirá beneficiando agricultores familiares atingidos, enquanto a inauguração da Casa Rio Doce, em Mariana (MG), inaugurada na ocasião da liberação dos recursos, ampliará o atendimento às comunidades, oferecendo orientação sobre políticas públicas, acompanhamento técnico e articulação institucional. As medidas buscam fortalecer a produção agropecuária, promover a inclusão produtiva, recuperar áreas impactadas e impulsionar o desenvolvimento sustentável da região, integrando ações de assistência técnica, regularização, conservação ambiental e geração de renda para milhares de famílias rurais.

Paraná reforça conservação da araucária e investe em reflorestamento e ações permanentes de preservação
Paraná reforça conservação da araucária e investe em
reflorestamento e ações permanentes de preservação

Araucária resiste no Paraná com programa que amplia a recuperação da Mata Atlântica

O Paraná marcou o Dia Nacional da Araucária com um balanço que reforça o compromisso do estado com a restauração florestal e a conservação da biodiversidade. Entre janeiro de 2019 e junho de 2026, o Instituto Água e Terra (IAT) distribuiu 668.286 mudas de Araucaria angustifolia, o Pinheiro-do-Paraná, espécie símbolo do Paraná e nativa da Mata Atlântica, por meio do programa Paraná Mais Verde. Regulamentada pela Lei Ordinária nº 20.738, de 4 de outubro de 2021, a iniciativa promove educação ambiental, recuperação de áreas degradadas e fortalecimento da cobertura vegetal em praticamente todo o estado, com apoio de 19 viveiros florestais. Desde sua criação, o programa já disponibilizou mais de 13,5 milhões de mudas de espécies nativas, destinadas a projetos de reflorestamento, restauração ecológica e preservação de ecossistemas. Além de contribuir para a proteção de uma espécie ameaçada, o plantio de araucárias favorece a conservação da fauna, a manutenção dos recursos hídricos, o equilíbrio ambiental e a valorização do patrimônio natural paranaense. A iniciativa evidencia a importância da integração entre políticas públicas, pesquisa, produção de mudas e participação da sociedade para ampliar a resiliência ambiental e promover o desenvolvimento sustentável. O avanço das ações também fortalece práticas alinhadas à agenda de conservação dos recursos naturais, beneficiando a qualidade ambiental e criando condições para uma produção agropecuária cada vez mais sustentável.

São Paulo lidera o Brasil em Selos Arte, fortalecendo a agroindústria artesanal

O estado de São Paulo consolidou sua posição como líder nacional na emissão do Selo Arte, com 564 certificações concedidas a estabelecimentos produtores de alimentos artesanais de origem animal. O resultado acompanha a expansão dos registros no Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP) e reflete o fortalecimento das políticas públicas voltadas à formalização e valorização da agroindústria artesanal. Os produtos certificados, como queijos, embutidos, mel, pescados e derivados lácteos, estão distribuídos entre estabelecimentos vinculados ao SISP e aos Serviços de Inspeção Municipais, ampliando o acesso ao mercado interestadual e agregando valor à produção. O avanço foi impulsionado pela simplificação dos processos de registro promovida pela Resolução SAA nº 63, de 22 de setembro de 2023, que acelerou a regularização de novos empreendimentos e estimulou investimentos no setor. Atualmente, o estado reúne estabelecimentos artesanais nas cadeias de carnes, leite, ovos, mel e pescados, fortalecendo a geração de renda, a segurança dos alimentos e a preservação de técnicas tradicionais de produção. Além de ampliar a competitividade dos pequenos e médios produtores, o Selo Arte fortalece a identidade regional dos alimentos, impulsiona novos mercados e contribui para o desenvolvimento sustentável da agroindústria paulista, consolidando São Paulo como referência nacional na certificação e na valorização dos produtos artesanais de origem animal.

Petrobras retoma obras de fábrica de fertilizantes em MS, ampliando produção nacional de ureia

A Petrobras assinou os contratos para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas, MS, empreendimento que receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos com apoio do novo PAC. A planta, com operação prevista para 2029, terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, volume suficiente para atender aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia, insumo essencial para culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além da pecuária. A localização estratégica da unidade permitirá ampliar o abastecimento do centro-oeste, principal região consumidora do fertilizante. O projeto também prevê a geração de cerca de 8 mil empregos durante as obras, ações de qualificação profissional e investimentos socioambientais. A iniciativa reforça a estratégia de ampliar a produção nacional de fertilizantes, reduzir a dependência das importações e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.

Proagro exigirá fotos com GPS para comprovação de perdas nas lavouras para ampliar a segurança das indenizações
Proagro exigirá fotos com GPS para comprovação de perdas
nas lavouras para ampliar a segurança das indenizações

CMN passa a exigir fotos com localização comprovada em seguro rural

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas regras para o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que passam a valer para operações contratadas a partir de 1º de julho de 2026. Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade do uso de fotos georreferenciadas nas vistorias de perdas agrícolas, permitindo comprovar, por meio de coordenadas de GPS, que as imagens foram registradas na área afetada. O pacote também prevê ajustes no cálculo das indenizações, considerando a produção efetivamente obtida em casos de perdas severas, além da revisão das alíquotas do programa com base no monitoramento contínuo dos riscos. Segundo o Banco Central, as medidas fortalecem a gestão do Proagro, ampliam a segurança das análises, reduzem riscos de inconsistências e contribuem para a sustentabilidade financeira do seguro rural. A atualização busca tornar o programa mais eficiente, preservar sua capacidade de atendimento aos produtores e reforçar a proteção da atividade agropecuária diante de eventos climáticos adversos.

Brasil aparece entre os menos vulneráveis aos impactos econômicos do El Niño

O El Niño poderá favorecer parte da produção agrícola da América do Sul, com Brasil e Argentina entre os países menos suscetíveis à inflação dos alimentos provocada pelo fenômeno climático, segundo análise da Oxford Economics, uma das principais empresas globais de consultoria econômica e previsão de mercado. O relatório indica que o aumento das chuvas em importantes regiões produtoras pode beneficiar as safras de soja e milho, fortalecendo a oferta de grãos e reduzindo riscos de desabastecimento. Apesar desse cenário favorável para as commodities agrícolas, a consultoria alerta que eventos climáticos intensos podem provocar oscilações temporárias nos preços de hortaliças, frutas, tubérculos e pescados, principalmente em áreas sujeitas a enchentes e interrupções logísticas. Na avaliação da instituição, esses impactos tendem a ser localizados e de curta duração, sem representar uma pressão inflacionária persistente. Para o agronegócio brasileiro, o cenário reforça a importância do monitoramento climático e do planejamento produtivo como ferramentas para ampliar a competitividade e reduzir riscos diante das variações do clima.