Manchetes da semana – 06 a 12-06-2026

Brasil amplia presença global do agro com 13 novos mercados

O agronegócio brasileiro registrou a abertura de 13 novos mercados internacionais, elevando para 114 o total de acessos conquistados em 2026 e para 639 aberturas em 97 destinos desde 2023, resultado da conclusão de protocolos sanitários e fitossanitários com países importadores. As novas habilitações abrangem produtos de alto valor agregado e diferentes segmentos da produção agropecuária, incluindo material genético bovino, sementes, couro bovino, ovos férteis, castanha de caju, farinhas e gorduras de origem animal. Entre os destaques estão as autorizações concedidas por países da América Latina, Caribe, África e pela União Econômica Euroasiática, ampliando as oportunidades de inserção internacional para cadeias produtivas brasileiras. Embora ainda não tenham sido divulgadas estimativas de volume, receita ou cronograma efetivo dos embarques, a ampliação da base de mercados fortalece a diversificação comercial, reduz riscos de concentração geográfica e cria condições para o aumento da competitividade do setor no longo prazo. O impacto econômico dependerá da habilitação operacional das empresas exportadoras, da demanda dos mercados compradores e da efetiva execução das operações comerciais, mas o avanço reforça a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais de produtos agropecuários.

Exercício ilegal da Medicina Veterinária passa a ser crime

A sanção da Lei nº 15.425, de 3 de junho de 2026 representa um marco para a Medicina Veterinária brasileira, ao incluir a profissão entre as atividades protegidas pelo Código Penal. Com a nova legislação, o exercício da atividade sem habilitação legal, bem como a atuação além dos limites profissionais autorizados, passa a ser considerado crime, com pena de seis meses a dois anos de prisão. A norma também prevê agravantes em casos que resultem em lesões graves ou morte de pessoas e animais, reforçando a importância da atuação técnica qualificada para a saúde animal, saúde pública e segurança sanitária. A medida corrige uma lacuna histórica da legislação, equiparando a Medicina Veterinária a outras profissões da área da saúde já contempladas pelo artigo 282 do Código Penal e alcançando ainda profissionais com registro suspenso ou cancelado. O objetivo é ampliar a proteção da sociedade, fortalecer a fiscalização profissional e reduzir riscos sanitários decorrentes de práticas irregulares.

Pesca artesanal da tainha em Santa Catarina foi suspensa após o governo federal apontar o atingimento de 90% da cota autorizada para a modalidade de arrasto de praia em 2026 - Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom SC
Pesca artesanal da tainha em Santa Catarina foi suspensa
após o governo federal apontar o atingimento de 90% da cota
autorizada para a modalidade de arrasto de praia em 2026
Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom SC

Pesca de arrasto de praia da tainha está está suspensa

O Ministério da Pesca e Aquicultura suspendeu a captura de tainha (Mugil liza) na modalidade de arrasto de praia após o alcance de 90% da cota coletiva autorizada para a temporada de 2026, fixada em 8.168 toneladas. A medida preventiva busca evitar o excedente de captura e fortalecer a gestão sustentável dos recursos pesqueiros, garantindo a conservação dos estoques durante o período migratório e reprodutivo da espécie. De grande relevância econômica, social e cultural para comunidades costeiras do sul do Brasil, a tainha demanda monitoramento rigoroso devido à sua vulnerabilidade à sobrepesca. A decisão foi baseada em dados oficiais do Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha, alimentado por informações obrigatórias de desembarque reportadas ao governo. As embarcações em operação tiveram prazo de 24 horas para descarregar o pescado, podendo posteriormente retomar a captura de outras espécies autorizadas.

Governo amplia crédito para compra de máquinas agrícolas

O governo federal ampliou de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões os recursos do Move Agrícola, programa destinado ao financiamento de máquinas e implementos agrícolas, com crédito já disponível na rede bancária para aquisição de tratores, colheitadeiras, plantadeiras e outros equipamentos. A linha oferece condições competitivas, com juros de 9,5% ao ano, carência de 12 meses e prazo de até cinco anos para pagamento, fortalecendo a capacidade de investimento dos produtores rurais. Paralelamente, foi lançada uma nova etapa do programa de renovação de frota, com R$ 21 bilhões em crédito, voltados à modernização de caminhões, ônibus e implementos rodoviários. As medidas buscam elevar a eficiência operacional, impulsionar a produtividade agropecuária e aprimorar a logística nacional em um momento de maior cautela nos investimentos, marcado por custos financeiros mais elevados e margens pressionadas em parte do setor agrícola.

Carne brasileira perde acesso à UE a partir de setembro

A União Europeia confirmou a suspensão, a partir de 3 de setembro, das importações de carnes, tripas, pescado e mel brasileiros, após concluir que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes sobre o controle e a rastreabilidade do uso de antimicrobianos na produção animal. A decisão retira temporariamente o país da lista de fornecedores habilitados para esses produtos e amplia a pressão por adequações sanitárias na cadeia exportadora. Embora o governo brasileiro tenha adotado restrições ao uso de determinados antimicrobianos em 2026, o bloco europeu considera necessárias medidas adicionais de monitoramento, certificação e comprovação de conformidade. Para recuperar o acesso ao mercado europeu, o Brasil deverá fortalecer os sistemas de rastreabilidade ou ampliar as restrições regulatórias, cenário que pode demandar novos investimentos em controle sanitário, elevar custos operacionais e impactar segmentos estratégicos das exportações agropecuárias. O fim do veto europeu à importação de carne brasileira não tem data para acontecer. Quando o Brasil conseguir demonstrar que se adequou às regras sanitárias, os embarques serão novamente autorizados.

Mulheres ampliam protagonismo e liderança no agronegócio brasileiro com nova Câmara vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola
Mulheres ampliam protagonismo e liderança no
agronegócio brasileiro com nova Câmara vinculada
ao Conselho Nacional de Política Agrícola

Mapa cria Câmara Temática para ampliar inclusão produtiva e autonomia feminina no campo

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instalou a Câmara Temática das Mulheres Rurais, órgão consultivo e permanente vinculado ao Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), com a missão de promover a autonomia econômica, inclusão produtiva e valorização das mulheres no campo. Formada por representantes do governo, setor produtivo, cooperativas, academia e entidades nacionais e internacionais, a iniciativa atuará na formulação de propostas voltadas ao empreendedorismo, acesso a mercados, inovação, sustentabilidade e sucessão rural. O avanço ocorre em um cenário de crescente participação feminina na gestão agropecuária: dos cerca de 5,07 milhões de estabelecimentos rurais do país, aproximadamente 947 mil são liderados por mulheres, equivalente a 19% do total. A nova estrutura reforça o compromisso com políticas públicas voltadas ao fortalecimento da liderança feminina nas cadeias produtivas, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a competitividade do agronegócio brasileiro.

Renegociação de dívidas rurais avança no Senado e reacende debate sobre impacto fiscal

O Senado aprovou um projeto de renegociação de dívidas rurais que pode alcançar cerca de R$ 180 bilhões em passivos do setor agropecuário, ampliando o escopo originalmente destinado aos produtores afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Com as alterações promovidas pelos senadores, a proposta retorna à Câmara dos Deputados para nova análise. O texto prevê o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de fontes supervisionadas pelo Ministério da Fazenda(https://www.gov.br/fazenda/pt-br), em uma operação estimada em até R$ 200 bilhões. Enquanto representantes do setor defendem a medida como instrumento para enfrentar os impactos de juros elevados e instabilidades econômicas globais, a equipe econômica manifesta preocupação com os efeitos fiscais, estimando desembolso potencial de até R$ 140 bilhões pelo Tesouro Nacional. O debate segue concentrado nos critérios de adesão, limites de renegociação e sustentabilidade das contas públicas, fatores que ainda poderão sofrer ajustes durante a tramitação legislativa.

Plano Safra entra na reta final sob pressão por mais crédito e juros acessíveis

A poucos dias do anúncio do novo Plano Safra, previsto para 1º de julho, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as negociações com o Ministério da Agricultura e Pecuária, defendendo a ampliação dos recursos destinados à equalização de juros de R$ 13,5 bilhões para R$ 27 bilhões. O mecanismo é considerado estratégico para garantir crédito rural com taxas mais acessíveis, ao compensar a diferença entre os juros de mercado e aqueles pagos pelos produtores. A bancada também solicitou a criação de uma linha emergencial de custeio, diante de um cenário marcado por juros elevados, aumento dos custos de produção, inadimplência e margens mais estreitas. Outro ponto de atenção é a inclusão de recursos privados, como operações via CPR (Cédula de Produto Rural), no volume total anunciado do programa, prática que, segundo a FPA, dificulta a avaliação do desempenho efetivo das linhas subvencionadas. Embora o setor pleiteie cerca de R$ 200 bilhões em recursos equalizados, o governo sinaliza limitações orçamentárias, mas trabalha para ampliar o montante em relação ao ciclo atual, que alcançou aproximadamente R$ 113 bilhões.

Rede de trilhas amplia experiências e valoriza os biomas, conectando natureza, comunidades e oportunidades econômicas
Rede de trilhas amplia experiências e valoriza os biomas, conectando
natureza, comunidades e oportunidades econômicas

Governo cria Sistema Nacional de Trilhas para fortalecer ecoturismo

O governo federal instituiu o Sistema Nacional de Trilhas (Sintrilhas), transformando a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) em uma política pública permanente voltada à conservação ambiental, ao turismo de natureza e ao desenvolvimento sustentável. Atualmente, a rede reúne 22 trilhas oficialmente reconhecidas, mais de 7 mil quilômetros sinalizados, presença em 18 estados, abrangência em 184 municípios e conexão com 347 unidades de conservação. A meta é expandir a malha para mais de 16 mil quilômetros, integrando todos os biomas terrestres brasileiros, além de áreas costeiras e marinhas. Coordenado pelos ministérios do Turismo e do Meio Ambiente, em parceria com o ICMBio, o sistema busca ampliar a segurança dos visitantes, fortalecer a gestão das rotas e aumentar a competitividade do Brasil no mercado internacional de ecoturismo. A iniciativa também deve estimular a economia local por meio da geração de renda em setores como hospedagem, gastronomia, guiamento, artesanato e turismo de base comunitária, ampliando a visibilidade de destinos ainda pouco explorados e fortalecendo a conexão entre conservação e desenvolvimento regional.

Satélites e inteligência artificial mudam as regras da recuperação judicial no agro

A recuperação judicial no agronegócio passa por uma transformação significativa com a adoção de imagens de satélite e inteligência artificial pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em projeto-piloto implementado em sete estados que concentram cerca de metade dos processos do país, magistrados poderão utilizar a plataforma VMG (Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos) para confrontar informações apresentadas nos autos com dados geoespaciais, histórico de safras, condições climáticas e garantias vinculadas às propriedades rurais. Amparada pelo Provimento nº 216/2026, a iniciativa permite, em determinados casos, substituir perícias presenciais por análises remotas, reduzindo custos e aumentando a agilidade processual. A medida fortalece a transparência, a segurança jurídica e a credibilidade da recuperação judicial, dificultando fraudes e aprimorando a identificação de empreendimentos com efetiva capacidade de recuperação econômica. Nesse novo cenário, o suporte de equipes técnicas especializadas torna-se cada vez mais estratégico para produtores e empresas do setor.

Escola inédita fortalece a profissionalização do enoturismo

O avanço do enoturismo brasileiro consolida o vinho como um importante vetor de desenvolvimento econômico, turístico e cultural, fortalecendo cadeias ligadas à hospitalidade, gastronomia, comércio, agroindústria e serviços. Nesse cenário de crescente profissionalização do setor, foi lançada em Bento Gonçalves (RS), durante a Wine South America, a Escola de Enoturismo, iniciativa pioneira nas Américas voltada à qualificação de profissionais, empreendedores, vinícolas e destinos turísticos. Com formato presencial e online, a proposta oferece uma plataforma contínua de capacitação alinhada às demandas de um mercado cada vez mais orientado à experiência do visitante e à valorização da identidade dos territórios. Estruturada sobre os pilares origem, experiência e negócio, a escola busca reduzir o déficit de mão de obra especializada e fortalecer a competitividade do setor. A iniciativa conta com apoio do Sicredi Serrana, reforçando a importância do cooperativismo, da inovação e da qualificação profissional para a expansão sustentável do turismo do vinho no Brasil. Mais informções pelo e-mail escoladeenoturismo@gmail.com.

Especialistas discutem estratégias para conter espécie invasora que afeta o semiárido que avança na caatinga e acende alerta para impactos ambientais e econômicos na cadeia produtiva da carnaúba
Especialistas discutem estratégias para conter espécie
invasora que afeta o semiárido que avança na caatinga
e acende alerta para impactos ambientais e econômicos
na cadeia produtiva da carnaúba

Espécie invasora ameaça a carnaúba e mobiliza ação nacional no nordeste

A expansão da unha-do-diabo (Cryptostegia madagascariensis) no nordeste brasileiro tem mobilizado órgãos ambientais, pesquisadores e representantes do setor produtivo diante dos impactos crescentes sobre a caatinga, os recursos hídricos e a cadeia produtiva da carnaúba (Copernicia prunifera). Em encontro técnico realizado em Fortaleza (CE), promovido pelo Ibama com apoio da Associação Caatinga, foi debatida a elaboração do Plano Nacional de Prevenção, Monitoramento e Manejo da espécie, considerada uma das principais ameaças biológicas da região. Com elevada capacidade de dispersão, regeneração e rebrota, além da produção de látex tóxico, a planta forma densos maciços vegetais que dificultam o acesso a rios, açudes e áreas produtivas. Entre as alternativas avaliadas, destacou-se o potencial uso do fungo Maravalia cryptostegiae como agente de controle biológico, estratégia que apresentou resultados positivos em outros países. O avanço das discussões também reforça a necessidade de medidas regulatórias e ações coordenadas para conter a invasão e reduzir seus impactos ambientais, sociais e econômicos.

RS erradica foco de greening e amplia monitoramento

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) concluiu a erradicação do foco de greening (HLB) identificado em Palmitinho, no Médio Alto Uruguai, e finalizou o monitoramento inicial em um raio de 500 metros ao redor da área afetada. Cerca de 60 plantas com sintomas da doença foram eliminadas, em uma ação que envolveu 26 propriedades rurais e contou com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A próxima etapa prevê um levantamento fitossanitário em um raio de 2,4 quilômetros, abrangendo aproximadamente 230 imóveis. As medidas incluem a remoção de plantas infectadas, o controle do psilídeo Diaphorina citri, vetor da doença, e o monitoramento contínuo das áreas vizinhas. A principal suspeita para a introdução do greening no estado está relacionada ao uso de mudas irregulares, reforçando a importância da utilização de mudas certificadas, rastreáveis e com garantia fitossanitária para proteger a citricultura e preservar a sanidade vegetal.

BNDES amplia apoio para restauração de bacias hidrográficas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou a chamada pública “BNDES Territórios da Restauração – Bacias Resilientes”, com recursos de até R$ 120 milhões destinados a projetos de restauração ambiental voltados à segurança hídrica, recuperação de bacias hidrográficas e adaptação às mudanças climáticas. A iniciativa prioriza regiões estratégicas de abastecimento urbano, incluindo áreas metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Fortaleza, Cuiabá, Porto Velho e Rio Branco. Os projetos selecionados, com investimentos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões e execução de até 48 meses, deverão contemplar ações de restauração ecológica com vegetação nativa em nascentes e margens de rios, associadas a soluções complementares de infraestrutura verde, controle da erosão, melhoria da qualidade da água e mitigação da poluição. A seleção considerará critérios como impacto ambiental, recuperação da biodiversidade, redução de emissões de gases de efeito estufa e alinhamento com políticas públicas. O anúncio reforça a estratégia do BNDES de ampliar investimentos em conservação ambiental, recursos hídricos e desenvolvimento sustentável no Brasil.

O trabalhador safrista é contratado temporariamente durante o preparo, o plantio ou a colheita
O trabalhador safrista é contratado temporariamente
durante o preparo, o plantio ou a colheita

Lula veta projeto que preservava Bolsa Família para contratos temporários com safristas

O presidente Lula vetou integralmente o Projeto de Lei 715/23, que previa a exclusão da remuneração obtida em contratos de safra do cálculo da renda familiar utilizado para acesso e permanência em programas sociais, como o Bolsa Família. A proposta buscava incentivar a contratação de trabalhadores temporários em atividades agrícolas sazonais, como plantio e colheita, sem comprometer o acesso aos benefícios sociais, além de assegurar o retorno automático ao programa após o encerramento do vínculo de trabalho, caso a família voltasse a atender aos critérios de renda. Ao justificar o veto, o governo argumentou que a medida criaria despesa obrigatória continuada sem estimativa de impacto orçamentário nem indicação da fonte de custeio, o que poderia contrariar regras fiscais vigentes. O tema agora retorna ao Congresso Nacional, que poderá manter ou derrubar o veto, definindo os próximos desdobramentos para trabalhadores safristas e para a política de assistência social no meio rural.

BNDES aprova recursos para planejamento marinho da região norte

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 13,2 milhões em recursos não reembolsáveis para o Planejamento Espacial Marinho da Região Norte (PEM-NO), iniciativa que irá orientar o uso sustentável da faixa costeira de Amapá, Pará e Maranhão. Com investimento total de R$ 13,5 milhões, o projeto integra a conclusão do planejamento de todo o litoral brasileiro e tem como objetivo harmonizar desenvolvimento econômico, conservação ambiental e gestão dos recursos marinhos. A região contemplada abrange cerca de 1 milhão de km² e concentra aproximadamente 80% dos manguezais do país, ecossistemas fundamentais para a biodiversidade, a pesca e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Coordenado pelo Consórcio PEM Norte Azul, liderado pela Fundação Getulio Vargas, o estudo avaliará setores estratégicos como pesca, transporte marítimo e energia eólica offshore, além de propor diretrizes para o ordenamento das atividades na costa brasileira. A iniciativa integra o programa BNDES Azul, que já mobilizou R$ 455 milhões em projetos voltados à conservação marinha, fortalecimento da economia azul e promoção do desenvolvimento sustentável.

Rússia reconhece Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação

A Rússia reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, alinhando-se ao status sanitário concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A decisão representa um importante avanço para a sanidade animal brasileira e fortalece a credibilidade do sistema nacional de defesa agropecuária, resultado do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). O reconhecimento amplia a confiança internacional nos produtos brasileiros e cria condições mais favoráveis para o comércio bilateral, especialmente para as cadeias de proteína animal, um dos principais segmentos exportadores do país. Além de reforçar a posição do Brasil como fornecedor seguro e competitivo no mercado global, a medida fortalece uma relação comercial estratégica que movimentou mais de US$ 10 bilhões em 2025, envolvendo exportações de carnes, café e amendoim, além da importação de fertilizantes e trigo, insumos essenciais para o agronegócio nacional.

Produção agrícola mantém ritmo de crescimento em 2026, com soja e milho liderando a expansão da safra nacional
Produção agrícola mantém ritmo de crescimento em 2026,
com soja e milho liderando a expansão da safra nacional

IBGE projeta nova safra recorde

A produção agrícola brasileira deve atingir 350,4 milhões de toneladas em 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, resultado que representa crescimento de 1,2% em relação a 2025, com acréscimo de 4,3 milhões de toneladas. Na comparação com a estimativa de abril, a projeção avançou 0,5%, refletindo perspectivas positivas para as principais culturas do país. A área a ser colhida está estimada em 83,2 milhões de hectares, alta de 2,0% frente ao ano anterior. O desempenho é impulsionado principalmente pela expansão das áreas cultivadas com soja (+1,1%), milho (+3,3%) e sorgo (+9,3%), com destaque para o avanço de 10,7% na área da primeira safra de milho. Os números reforçam a resiliência e a competitividade do agronegócio brasileiro, consolidando o país entre os maiores produtores mundiais de grãos e fortalecendo sua relevância para a segurança alimentar e o comércio internacional.

NOAA confirma início do El Niño e aumenta alerta para impactos climáticos globais

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou oficialmente o início do El Niño, após a consolidação de anomalias de temperatura superiores a +0,5°C no Pacífico Equatorial e a identificação de padrões atmosféricos compatíveis com o fenômeno. Embora ainda classificado como fraco, os modelos climáticos indicam fortalecimento gradual nos próximos meses, com 63% de probabilidade de atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, cenário que o colocaria entre os eventos mais intensos já registrados desde 1950. Indicadores como o aquecimento das águas superficiais e subsuperficiais do Pacífico, além da alteração nos padrões de ventos e precipitação, reforçam essa tendência. Para o agronegócio, o monitoramento contínuo do fenômeno é estratégico, uma vez que o El Niño pode influenciar o regime de chuvas, as temperaturas e o desempenho das safras em diferentes regiões. Apesar das projeções, especialistas destacam que os impactos variam conforme a localização geográfica e a intensidade efetiva do evento climático.

Governo sinaliza reação jurídica contra mudanças no Código Florestal aprovadas na Câmara

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que utilizará todos os instrumentos legais disponíveis para contestar as alterações ao Código Florestal aprovadas pela Câmara dos Deputados, caso elas avancem nas próximas etapas legislativas. Segundo o ministro João Paulo Capobianco, o texto do Projeto de Lei nº 364/19 reduz mecanismos de proteção ambiental em áreas de elevada relevância ecológica, incluindo trechos dos biomas pantanal, cerrado, amazônia, pampa e mata atlântica. Entre os pontos mais debatidos está a classificação de campos nativos e áreas rurais consolidadas, medida que, segundo o ministério, pode ampliar a supressão de vegetação sem exigência prévia de autorização ou compensação ambiental. O projeto ainda será analisado pelo Senado Federal e, posteriormente, poderá ser sancionado ou vetado pelo presidente Lula. O tema mantém em evidência o debate sobre segurança jurídica, conservação da biodiversidade, uso sustentável do solo e legislação ambiental, aspectos estratégicos para o desenvolvimento sustentável e para a competitividade do agronegócio brasileiro.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entregou uma nova remessa de sementes ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega. Foram enviados 24 acessos de culturas como caju, fava, amendoim, mamona e gergelim, ampliando a reserva de segurança agrícola do planeta - Foto: Elcio Guimarães
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, entregou uma
nova remessa de sementes ao Banco Mundial de Sementes
de Svalbard
, na Noruega. Foram enviados 24 acessos de
culturas como caju, fava, amendoim, mamona e gergelim,
ampliando a reserva de segurança agrícola do planeta
Foto: Elcio Guimarães

Embrapa amplia presença do Brasil no maior banco de sementes do mundo

O Brasil ampliou sua contribuição para a preservação da biodiversidade agrícola global com o envio de uma nova remessa de sementes ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega, considerado a maior reserva de segurança genética do planeta. A entrega, realizada pela Embrapa, incluiu amostras de caju, fava, amendoim, mamona e gergelim, que se somam aos 8.125 materiais genéticos brasileiros já armazenados na estrutura. O banco conserva cerca de 1,38 milhão de amostras de mais de 5 mil espécies, funcionando como uma salvaguarda estratégica contra ameaças como mudanças climáticas, pragas, desastres naturais e conflitos. A iniciativa reforça o compromisso da ciência brasileira com a segurança alimentar, a conservação dos recursos genéticos e a sustentabilidade da agricultura, além de destacar a relevância internacional da pesquisa agropecuária nacional. Desde 2012, a Embrapa representa o Brasil em Svalbard, contribuindo para a proteção de culturas essenciais ao futuro da produção de alimentos.

Amazonas decreta emergência ambiental

O Governo do Amazonas decretou Estado de Emergência Climática e Ambiental em todo o território estadual como medida preventiva diante das projeções associadas ao El Niño, que indicam risco elevado de estiagem severa, redução dos níveis dos rios, aumento das temperaturas e maior incidência de incêndios florestais até o primeiro semestre de 2027. Com validade inicial de 180 dias, o decreto estabelece a mobilização integrada dos órgãos públicos para ações de prevenção, mitigação e adaptação climática, coordenadas pelo Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos. Além dos impactos ambientais, a medida considera possíveis efeitos sobre o abastecimento de água, a produção rural, a navegação e a saúde da população. A iniciativa busca fortalecer a capacidade de resposta do estado diante de um cenário de pressão crescente sobre os recursos hídricos e de potenciais impactos socioeconômicos decorrentes das mudanças climáticas na Amazônia.

Volkswagen é condenada por trabalho escravo em fazenda no Pará

A Justiça brasileira confirmou, em segunda instância, a condenação da Volkswagen ao pagamento de mais de R$ 165 milhões por danos morais coletivos em razão de práticas reconhecidas como trabalho escravo na Fazenda Vale do Rio Cristalino, no sul do Pará. O caso remonta ao período entre 1974 e 1986, quando trabalhadores recrutados para atividades de abertura de áreas e formação de pastagens na Amazônia foram submetidos, segundo decisões judiciais e investigações do Ministério Público do Trabalho, a condições degradantes, isolamento geográfico, restrição de deslocamento e sistemas de endividamento. A decisão reforça a relevância da responsabilidade socioambiental, do respeito aos direitos trabalhistas e da governança corporativa nas atividades produtivas. Embora a empresa ainda possa recorrer às instâncias superiores, o julgamento representa um marco na reparação de violações históricas relacionadas à expansão econômica da região amazônica.