Brasil abre 651 mercados ao agro desde 2023

O Brasil atravessa um momento de reposicionamento nas relações comerciais internacionais, apoiado pela percepção de estabilidade institucional e capacidade de negociação. Segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, 651 mercados foram abertos ao agronegócio brasileiro desde 2023, resultado de uma política voltada à ampliação da presença internacional dos produtos nacionais. A avaliação foi apresentada durante coletiva sobre a tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos para parte das exportações brasileiras.

Na avaliação da ApexBrasil, o ambiente geopolítico tem ampliado oportunidades para o comércio exterior brasileiro. O avanço do acordo Mercosul-União Europeia, a conclusão das negociações com o Efta (Associação Europeia de Livre Comércio ou European Free Trade Association) e o início das tratativas com o Japão ampliam as perspectivas de acesso a novos consumidores. Ao mesmo tempo, cresce o interesse de países asiáticos por acordos comerciais com o Brasil, movimento que evidencia a busca internacional por parceiros confiáveis e previsíveis em um cenário marcado por incertezas econômicas.

Diante da nova política tarifária norte-americana, a estratégia brasileira passa pela diversificação de mercados e pela ampliação da presença em destinos onde ainda existe potencial de expansão. O trabalho envolve a análise dos impactos sobre cada cadeia produtiva, considerando competitividade, magnitude das tarifas e possibilidades de redirecionamento das exportações. Entre os setores mais expostos estão máquinas, móveis, cosméticos, plásticos, calçados e materiais elétricos, enquanto produtos como café e pescados permanecem contemplados por exceções anunciadas pelo governo norte-americano.

Exportações brasileiras ampliam presença em novos mercados e diversificação comercial orienta atuação da ApexBrasil diante das tarifas estadunidenses
Exportações brasileiras ampliam presença em novos
mercados e diversificação comercial orienta atuação
da ApexBrasil diante das tarifas estadunidenses

A ApexBrasil também destaca que parte das cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos depende de matérias-primas e produtos fornecidos pelo Brasil, fator que amplia a relevância das negociações bilaterais. Levantamento da agência mostra que a revisão promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos elevou de 615 para 699 o número de produtos brasileiros isentos da tarifa adicional. Com isso, 60,5% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, equivalentes a US$ 22,8 bilhões, permanecem livres da sobretaxa.

Como resposta ao novo cenário, a agência anunciou um plano de R$ 130 milhões voltado à promoção comercial, inteligência de mercado e abertura de oportunidades em destinos estratégicos. A iniciativa será executada em parceria com 57 entidades representativas do setor produtivo, com ações previstas para começar no início de agosto. Dados apresentados pela instituição revelam que 72% das cerca de 2.400 empresas apoiadas pela ApexBrasil passaram a exportar também para pelo menos um novo mercado entre junho de 2025 e maio de 2026, reduzindo a dependência de um único destino comercial.

Para Laudemir Müller, preservar o diálogo com os Estados Unidos permanece estratégico, sobretudo para evitar a substituição de fornecedores brasileiros por concorrentes internacionais. Paralelamente, a expansão da presença em novos mercados continuará sendo prioridade da política de promoção comercial. Segundo o dirigente, o reconhecimento do Brasil como parceiro estável, democrático e aberto às negociações favorece tanto a atração de investimentos quanto a ampliação das exportações, consolidando uma estratégia voltada ao crescimento sustentável do comércio exterior e do agronegócio brasileiro.

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