De autoria de Egydio Schwade, a obra apresenta um testemunho histórico sobre a construção do indigenismo contemporâneo no Brasil com sua participação em mais de seis décadas de atuação junto aos povos
A trajetória do povo Waimiri-Atroari durante a ditadura militar brasileira é um dos episódios mais graves de violações de direitos humanos registrados no país. Entre as décadas de 1960 e 1980, a implementação de grandes projetos de infraestrutura e exploração econômica na Amazônia provocou profundas transformações no território indígena, incluindo a construção da BR-174, da Usina Hidrelétrica de Balbina e o avanço da atividade mineral.
Segundo estudos, documentos oficiais e investigações reunidas ao longo das últimas décadas, as operações executadas durante esse período envolveram ataques armados, deslocamentos forçados, destruição de aldeias e locais sagrados, além de denúncias sobre o uso de substâncias químicas em ações destinadas à ocupação territorial prevista pelo Plano de Integração Nacional. A Comissão Nacional da Verdade estimou que pelo menos 8.350 indígenas foram mortos entre 1946 e 1988, atribuindo ao período posterior ao AI-5 a intensificação das violações praticadas diretamente pelo Estado.
Entre os casos documentados, o dos Waimiri-Atroari figura entre os mais estudados pela quantidade de registros históricos disponíveis. Dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas indicam que a população era estimada em aproximadamente três mil pessoas em 1972. Em 1983, esse contingente havia sido reduzido para cerca de 350 sobreviventes. Atualmente, a população supera duas mil pessoas, embora o Ministério Público Federal considere que o número de vítimas possa ter sido superior ao oficialmente registrado.

marcantes do indigenismo brasileiro abordando
violações durante a ditadura militar

reflexões e análises sobre sua trajetória de vida dedicada
à defesa dos direitos dos povos indígenas
Esses acontecimentos são revisitados em “Memórias das lutas à construção do indigenismo encarnado”, novo livro de Egydio Schwade, publicado pela Alexa Cultural. A obra reúne mais de seis décadas de atuação do autor junto aos povos indígenas, apresentando análises sobre a evolução do indigenismo brasileiro, a participação de organizações da sociedade civil, a atuação da Igreja Católica e os impactos sociais, ambientais e culturais associados aos projetos desenvolvimentistas implementados na Amazônia.
Ao longo da publicação, Egydio Schwade compartilha experiências pessoais e registros históricos que ajudam a compreender a construção das políticas de proteção aos povos originários e o surgimento de movimentos voltados à defesa dos direitos territoriais, culturais e humanos. O livro também analisa os desafios enfrentados pelas comunidades indígenas diante das políticas públicas, oferecendo uma contribuição relevante para pesquisadores, estudantes, profissionais das áreas de história, antropologia, direitos humanos e lideranças indígenas.
Reconhecido como um dos principais nomes do indigenismo brasileiro, Egydio Schwade atua na defesa dos povos indígenas desde 1963. Participou da criação de importantes organizações voltadas à proteção dos povos originários e recebeu homenagens de instituições acadêmicas, entre elas os títulos de Doutor Honoris Causa concedidos pela Universidade Federal do Amazonas, Universidade do Estado do Amazonas e Universidade Estadual de Montes Claros. A nova obra amplia o acervo documental disponível sobre a história recente da Amazônia e das populações indígenas brasileiras.