Aplicativo foi desenvolvido para a autonomia das comunidades tradicionais brasileiras na realização do automapeamento de seus territórios
Desenvolvido a partir do diálogo direto com comunidades rurais do Cerrado, o Tô no Mapa consolida-se como uma ferramenta estratégica de inteligência territorial voltada ao agronegócio sustentável e à inclusão social. Disponível para Android e iOS, o aplicativo permite que comunidades tradicionais, quilombolas, indígenas, agricultores familiares e extrativistas realizem o automapeamento de seus territórios de forma autônoma, segura e gratuita. A iniciativa responde à lacuna histórica de dados oficiais em áreas extensas do país.
Lançado em 2020, como desdobramento de oficinas participativas realizadas em 2019, o projeto alcançou 55 municípios distribuídos entre Maranhão, Tocantins, norte de Goiás, Piauí e oeste da Bahia. Nessas regiões, foram identificadas 1.244 comunidades fora das demarcações oficiais, evidenciando um vazio informacional significativo em cerca de 32 milhões de hectares do bioma Cerrado. Esse diagnóstico inicial reforçou a necessidade de soluções tecnológicas acessíveis para registro e organização territorial.
A iniciativa é liderada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em parceria com o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com apoio da Rede Cerrado e financiamento de organizações internacionais como a Aliança pelo Clima e Uso do Solo (da sigla em inglês, CLUA), da Good Energies Foundation, da Ecosia e do DANIDA. O modelo colaborativo de desenvolvimento garante que o aplicativo esteja alinhado às demandas reais das comunidades, promovendo inovação com base em conhecimento local e participação ativa.

do território com automapeamento fortalecendo a
governança comunitária – Foto: Bento Viana/ISPN
Expansão do uso e geração de dados estratégicos
O crescimento do uso do aplicativo demonstra sua relevância como instrumento de coleta e organização de dados territoriais. Até setembro de 2025, mais de 400 comunidades em 11 estados brasileiros utilizaram a ferramenta, abrangendo 111 municípios. Essas comunidades representam aproximadamente 40,6 mil famílias distribuídas em mais de 1,3 milhão de hectares, muitas delas com presença histórica superior a um século. Esse volume de informações reforça o potencial do Tô no Mapa como base de dados georreferenciados atualizados.
A distribuição geográfica evidencia a forte presença no Cerrado, com 68% das comunidades cadastradas, seguido pela Amazônia, Caatinga e Mata Atlântica. Estados como Maranhão, Minas Gerais e Tocantins concentram os maiores números de registros, refletindo tanto a densidade de comunidades tradicionais quanto a necessidade de reconhecimento territorial. A consolidação desses dados amplia a capacidade de planejamento e formulação de políticas públicas.
Municípios como Icatu (MA) e Januária (MG) ilustram a diversidade territorial capturada pela plataforma. Enquanto Icatu concentra maior número de comunidades, Januária apresenta maior extensão territorial mapeada. Esses indicadores reforçam a importância do automapeamento para compreender dinâmicas locais e regionais. A ferramenta permite transformar informações dispersas em inteligência aplicada ao território, com impacto direto na gestão e no desenvolvimento rural.

e os dados contribuem para proteção de territórios tradicionais
Funcionalidades, governança e fortalecimento comunitário
O Tô no Mapa oferece uma interface acessível, com materiais educativos, vídeos e orientações que facilitam o uso mesmo em contextos de baixa conectividade digital. O usuário pode delimitar áreas, identificar pontos de uso, como extrativismo, agricultura e pesca, e registrar ocorrências de conflitos territoriais, incluindo invasões e pressões externas. Essa funcionalidade amplia a capacidade de monitoramento e gestão comunitária, fortalecendo a autonomia local.
Um dos diferenciais do aplicativo é o processo de validação coletiva. Para garantir a legitimidade das informações, é exigida a ata de reunião comunitária que formaliza o consentimento para o automapeamento. Esse mecanismo assegura transparência e participação, evitando distorções e reforçando o caráter coletivo das decisões. A governança participativa é um elemento central para a credibilidade da plataforma.
Além disso, a ferramenta contribui para ações educativas e de engajamento, especialmente entre jovens, promovendo a compreensão do território como ativo estratégico. O automapeamento estimula debates sobre manejo sustentável, uso dos recursos naturais e planejamento comunitário. A tecnologia, nesse contexto, atua como catalisadora de conhecimento e organização social, ampliando a capacidade de resposta das comunidades frente a desafios territoriais.

com dados georreferenciados que apoiam políticas públicas
Impacto institucional, políticas públicas e futuro do agro sustentável
Embora o cadastro no aplicativo não represente regularização fundiária automática, ele desempenha papel fundamental na visibilidade institucional das comunidades. A integração com a Plataforma de Territórios Tradicionais, vinculada ao Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) e ao Ministério Público Federal – MPF, amplia o alcance das informações e contribui para subsidiar decisões judiciais e políticas públicas.
A emissão de certificações e a organização de dados georreferenciados permitem identificar áreas sob risco e orientar ações de proteção. Esse conjunto de informações fortalece a atuação de redes, movimentos sociais e instituições, promovendo maior segurança territorial e reconhecimento dos direitos das comunidades tradicionais. Trata-se de um avanço significativo na construção de uma base de dados confiável e acessível.
O uso de software livre e a evolução contínua da plataforma garantem transparência e adaptabilidade tecnológica. Parcerias com universidades e organizações ampliam o potencial analítico dos dados, contribuindo para estudos sobre sociobiodiversidade e sustentabilidade. Nesse cenário, o Tô no Mapa se consolida como instrumento estratégico para o desenvolvimento do agronegócio sustentável, integrando tecnologia, governança e inclusão social no campo brasileiro.
Acesse o “Guia de Boas Práticas: mapeamento de territórios tradicionais com o aplicativo Tô No Mapa” CLICANDO AQUI e o Guia de como usar o aplicativo CLICANDO AQUI.