CAMPO -  A importância dos trabalhadores rurais brasileiros

Abelha em pintura a óleo
A importância econômica das abelhas se confunde com a ecológica
Nada se assemelha à alma como a abelha.
Esta voa de flor em flor,
aquela de estrela em estrela.
A abelha traz o mel,
como a alma traz a luz.
(Victor Hugo)

03 de outubro. Dia das Abelhas! Bastava pensar no que as abelhas nos entregam em produtos, como o mel, o pólen, a geleia real, a cera e o própolis, para ser grato por sua existência.

Mas o que ela faz pela humanidade está muito além de simplesmente nos alimentar ou curar nossas dores. Sua função primordial de polinizar as plantas de diversas culturas é um dos sustentáculos da sobrevivência humana na Terra. Aliás, da sobrevivência de todo ser vivo!

Sua organização aparentemente simples e baseada apenas em três indivíduos diferentes (rainhas, operárias e zangões) é um modelo a ser seguido pelas comunidades mais avançadas e civilizadas que conhecemos. Uma lição de cooperativismo e de sobrevivência coletiva inigualável.

O que não é útil para o enxame
não pode ser útil para a abelha.
(Marco Aurélio ou Barão de Montesquieu
– há controvérsias)

Seja lá quem escreveu, soube expressar a profunda noção de coletividade que uma colmeia expõe. Sobrepondo as necessidades coletivas à necessidade individual, o bem de todos sobrepondo os interesses egoístas de cada parte do grupo.

A importância econômica das abelhas se confunde com a ecológica. Por exercerem um papel fundamental no processo de polinização – transporte de células reprodutivas masculinas da planta até a parte feminina da flor –, estão relacionadas com o aumento da produtividade agrícola.

VOCÊ SABIA? Cerca de 2% das abelhas selvagens do planeta são responsáveis pela polinização de 80% das culturas mundiais!!!
Elas contribuem enormemente para a manutenção das florestas e, se elas forem extintas, a reprodução de plantas silvestres ficará comprometida, porque mais de 90% das espécies de vegetação tropical com flores e cerca de 78% das espécies de zonas temperadas dependem da polinização desses insetos.
A abelha atarefada
não tem tempo
para  a tristeza.
(William Blake)

Isto significa que sem abelhas não haveria frutos silvestres, tomates, abacates, couves, maçãs, amêndoas, laranjas, entre muitos, muitos outros alimentos. O que significaria, então, a uma escala global, o desaparecimento das abelhas? Possivelmente, enormes dificuldades em produzir comida para toda a população do mundo.

Resumindo: sem abelhas simplesmente não existiriam os ecossistemas.  Não haveria alimentos para grande parte dos pássaros, insetos e outros animais, toda a cadeia alimentar sofreria, os animais morreriam.
 
Não é merecedor do favo de mel
aquele que evita a colmeia
porque as abelhas têm ferrões.
(William Shakespeare)
 
Por estarem organizadas em colônias, cuja esperança de vida é de vários anos, a presença de uma colônia duradoura de abelhas indica a saúde do ecossistema. As abelhas são dos insetos mais sensíveis e que menos tolerância a alterações climáticas têm. Se vir um jardim cheio de abelhas (o que é raro, hoje em dia) sorria, é bom sinal!
Atualmente temos que nos preocupar com a diminuição das populações de abelhas. Algumas espécies estão sob risco de extinção global. O cenário é tão grave que organizações como a ONU já alertam para os riscos de escassez de alimentos por conta da mortalidade em massa de insetos polinizadores.
 
No Brasil, a previsão é de que a população de abelhas e outros polinizadores diminua em 13% até 2050, segundo análise da Universidade de São Paulo (USP). As razões para esta queda nas populações incluem:
 
– agricultura intensiva,
– uso de pesticidas,
– poluição,
– introdução de espécies de diferentes partes do mundo,
– doenças,
– desmatamento,
– uso de culturas geneticamente modificadas e
– alterações climáticas – lembre-se que as emissões de dióxido de carbono voltaram a aumentar.
A sabedoria é como uma flor,
de onde a abelha faz o mel e
a aranha faz o veneno,
cada uma de acordo com a
sua própria natureza.
(Provébio Cigano)
Não podemos mais fechar os olhos para as formas de produzirmos nossa comida. A solução está diante de nós: são os sistemas agroecológicos (aliás, hoje também é Dia da Agroecologia).

Limitar o uso de pesticidas e preferir produtos biológicos (bioinsumos) também é uma boa forma de contribuir para a conservação das abelhas e para o aumento das suas populações – além dos efeitos benéficos para a saúde, para os ecossistemas e para centenas de outras formas de vida que não as abelhas.

Aprende com as abelhas:
num jardim onde há esterco
procurar apenas as flores
para o labor de suas obras.
E não seja como as moscas que,
em corpos sadios, buscam apenas
as chagas e feridas para se
manterem vivas.
(Augusto Branco)
Procure ter no seu jardim diversidade de plantas “amigas das abelhas”: manjericão, funcho, malva, manjerona, orégano, alecrim, tomilho, hortelã, margaridas, girassóis, e muitas outras flores e, se você tiver espaço, plante um pomar e árvores nativas floríferas, melíferas.
E como as abelhas também precisam de água, se quiser mesmo fazer a diferença para elas no seu jardim, opte por deixar um pequeno bebedouro com água fresca para as bichinhas e os pássaros que habitam a sua região. Mas lembre-se! As abelhas também se afogam. Então coloque algumas pedras no bebedouro para reduzir a profundidade e permitir o acesso seguro pelas abelhas e pelos pássaros, principalmente os menores.
Diante da importância tanto econômica quanto ecológica, fica clara a importância de se ter um dia dedicado a esse importante inseto.
 
Na próxima vez em que você estiver tomando um café quentinho com bolo de chocolate, que tal pensar nas abelhas? Elas são as verdadeiras rainhas da nossa alimentação!
A Providência juntou na abelha
a doçura do mel e
a agudez do ferrão.
(Baltasar Gracián)

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