CAMPO -  A importância dos trabalhadores rurais brasileiros

Plantando uma muda

A baixa oferta de mudas de árvores nativas associada à dificuldade de acesso a crédito limitam o avanço do setor de restauração florestal no Brasil. Os gargalos são apontados por especialistas do setor para suprir os desafios do país em fazer frente ao compromisso firmado no Acordo de Paris de reflorestar 12 milhões de hectares, o que demandaria até 1 bilhão de mudas ao ano.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e Mudas Nativas (Nativas Brasil), baseando-se em 1 bilhão de mudas, seria preciso mais do que duplicar a quantidade de viveiros e mais que dobrar a capacidade dos já existentes e atualmente não existe políticas públicas ou verbas disponibilizadas para essa empreitada.

Viveiro de mudas nativas

O compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris já completou mais de oito anos sem a criação de incentivos ao setor de mudas e sementes nativas. A demanda, por outro lado, tem crescido consistentemente na esteira de projetos de restauração de mitigação de emissões de gases do efeito estufa assumidos por grandes companhias.

O crescimento da procura pelo insumo-base da restauração florestal também é preocupação da Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, segundo a qual, o Brasil tem vivido um “ambiente favorável” para o setor diante dos compromissos de enfrentamento às mudanças climáticas e a busca por novos modelos de produção agropecuária.

Área sendo regenerada com mudas nativas
Área sendo regenerada com mudas nativas

Apesar do ambiente favorável, o setor de recuperação de áreas degradadas ou de sistemas agroflorestais reclamam da falta de políticas de crédito adequadas para os modelos de negócio que estão surgindo no país. A oferta de capital cresceu muito nos últimos anos, mas ainda não é o tipo de capital adequado para a restauração florestal. Dentre os principais gargalos, destaca-se o prazo das linhas de crédito oferecidas atualmente. Quando se fala de floresta, fala-se de ciclos longos, de 15 a 20 anos, e hoje os financiamentos olham para um horizonte muito mais curto.

O momento é favorável para a criação de uma entidade representativa, dado o tamanho do mercado e a pouca quantidade de atores atuando na restauração ou em sistemas agroflorestais. O momento é bom para desenvolver um novo mercado. Se for dado prioridade para isso, o país tem o potencial de ser um grande provedor de soluções baseadas em natureza e de longe fazer tornar-se um dos mais competitivos do mundo nessa área.

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