Edital da Unesco qualifica experiências turísticas pelo Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em parceria com o Ministério do Turismo (MTur), abriu edital para contratar empresa especializada em qualificação técnica e estruturação de experiências turísticas brasileiras. A iniciativa integra um projeto de cooperação técnica entre as instituições e contempla três frentes: observação de aves, trilhas de longo curso e turismo de base comunitária. Empresas interessadas poderão apresentar propostas até as 17:00, no horário de Brasília, de 8 de setembro de 2026.

A iniciativa parte de uma constatação relevante para a economia do turismo: o Brasil reúne ampla diversidade natural, cultural e territorial, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar parte desse patrimônio em produtos turísticos estruturados, comercializáveis e competitivos. O edital procura atuar justamente nessa etapa, aproximando atrativos e experiências existentes das exigências de mercado, dos canais de distribuição e das novas tendências de consumo.

A proposta está alinhada ao Plano Nacional de Turismo 2024-2027 e ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Produtos e Experiências Turísticas. O trabalho deverá produzir diagnósticos, informações e referências técnicas capazes de orientar políticas públicas e estratégias de mercado. Na prática, trata-se de criar condições para que iniciativas espalhadas pelo território nacional avancem em qualificação, posicionamento comercial e acesso ao mercado interno.

O fotógrafo de natureza Leonardo Merçon com um corrupião (Icterus jamacaii) como acompanhante na sua atividade de observação de aves (birdwatching)
O fotógrafo de natureza Leonardo Merçon com um
corrupião (Icterus jamacaii) como acompanhante na
sua atividade de observação de aves (birdwatching)

Biodiversidade e comunidades como ativos econômicos

Entre os segmentos contemplados está o turismo de observação de aves, atividade diretamente relacionada à biodiversidade brasileira e ao crescente interesse por experiências de contato qualificado com a natureza. O país possui condições naturais para ampliar esse mercado, mas a consolidação de destinos exige profissionais preparados, roteiros consistentes, infraestrutura adequada, segurança e estratégias comerciais capazes de conectar oferta e demanda.

As trilhas de longo curso também integram o edital e representam uma oportunidade de organizar experiências associadas à conservação ambiental, ao turismo de natureza e à ocupação econômica de territórios. Quando estruturadas com planejamento, sinalização, gestão e serviços complementares, essas rotas podem estimular negócios locais e ampliar a permanência dos visitantes, criando efeitos econômicos sobre hospedagem, alimentação, transporte, guias e comércio.

Já o turismo de base comunitária coloca as populações locais no centro da construção das experiências. A proposta reconhece que patrimônio cultural, conhecimentos tradicionais, paisagens e modos de vida podem compor produtos turísticos com identidade própria. Para isso, porém, é necessário avançar em gestão, comercialização, promoção e relacionamento com o mercado, assegurando que a geração de renda permaneça conectada ao desenvolvimento dos territórios e das comunidades.

As experiências de Turismo de Base Comunitária destacam os modos de criar, fazer, viver, de comer, de se manifestar artístico e culturalmente, incluindo a paisagem e os bens naturais que compõem o patrimônio local
As experiências de Turismo de Base Comunitária destacam
os modos de criar, fazer, viver, de comer, de se manifestar
artístico e culturalmente, incluindo a paisagem e os bens
naturais que compõem o patrimônio local

Da experiência local ao produto comercial

Um dos principais desafios identificados pela iniciativa está na distância entre possuir um atrativo turístico e transformá-lo em um produto capaz de chegar ao consumidor. Muitas experiências ainda enfrentam limitações relacionadas à estruturação de roteiros, definição de preços, promoção, distribuição e conexão com canais de venda. O edital busca reunir conhecimento especializado para identificar esses gargalos e propor metodologias aplicáveis às diferentes realidades brasileiras.

A estratégia também considera mudanças no comportamento dos viajantes, que ampliaram a procura por experiências autênticas, contato com a natureza, segurança e sustentabilidade. Nesse ambiente, observação de aves, trilhas e turismo comunitário podem contribuir para diversificar a oferta turística brasileira e distribuir melhor os fluxos de visitantes. A consolidação desses mercados, entretanto, depende de articulação entre poder público, empresas, comunidades, operadores e demais integrantes da cadeia.

Mais do que qualificar experiências isoladas, a iniciativa pretende produzir conhecimento capaz de orientar decisões institucionais e empresariais. Diagnósticos, evidências, metodologias e referenciais estratégicos deverão subsidiar políticas do Ministério do Turismo e apoiar gestores e agentes do setor. O desafio está em transformar o patrimônio natural e cultural em oportunidades econômicas responsáveis, mantendo sua conservação como premissa. Nesse sentido, turismo sustentável, desenvolvimento territorial e competitividade podem caminhar conjuntamente, desde que exista planejamento de longo prazo e governança.

As propostas devem ser encaminhadas exclusivamente pelo Portal de Compras da Unesco Brasil até o encerramento do prazo estabelecido no edital. Acesse o edital CLICANDO AQUI.

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